Mariana chorava no silêncio da noite, bem como gostava de ficar, sozinha. Odiava ser tomada pela autocomiseração. A dor que latejava em sua alma lhe furtava o ar. Nem suas queridas estrelas lhe traziam esperança. Significavam sonhos mortos havia tempos, cujo brilho iludia corações tolos como o dela.

Cansada de amores platônicos, de poemas que perdiam o sentido quando a realidade esmagava as utopias, de ser uma peça ímpar no tabuleiro da vida. Cansada de ser amiga, não a melhor. De ser boa, não o bastante. De ser interrompida quando queria se libertar de todos os grilhões que lhe tiravam o sono. De buscar sentido num percurso que não a levaria a lugar algum.

Os olhos negros e inchados de choro fitavam o espelho. Eram olhos que não saudavam com carinho o reflexo de quem estava ali. Mariana encarava aquela estranha ou buscava, bem lá no interior, despertar aquela menina que tinha sede do mundo e de tudo de bom que a vida poderia oferecer somente a quem não desistia.

Seu celular era um aparelho reprodutor de música. Mariana estava distante de ser uma figura popular nas redes sociais e raramente recebia mensagens, mas aquela mudaria para sempre sua vida.