Luís não se identificou no recado que fez o pranto de Mariana cessar na noite anterior. Limitou-se a dizer que "se importava". E ela nem mensurava o quanto.

Mariana já havia sofrido ataques de haters na internet e temia perfis anônimos que se aproximavam buscando uma intimidade que não era do gosto dela, todavia aquele novo e carinhoso amigo não era um desocupado a fim de aborrecê-la, era alguém que num momento delicado lhe estendia a mão, por mais que não pudesse abraçá-la e arrancar todos os espinhos de seu peito. E a conhecia.

Mariana voltou ao escritório no dia seguinte e encontrou o Luís de sempre, aquele que a cumprimentava sem grande afetação e nunca engrenou uma conversa mais longa, colocou a mochila no colo e pôs-se a trabalhar, de quando em quando a responder seu mais novo amigo.

Luís tencionava revelar a verdadeira identidade porque se sentia um impostor, entretanto, ao reavaliar todas as tentativas de se aproximar de suas paixões terem um desfecho triste, permeado de eufemismos com os quais teria de se acostumar.

Naquele momento, mais do que pensar em si mesmo, seu objetivo era acolher Mariana. Mais do que declarar seu amor. Mais do que tudo.