Seria impossível não notar a presença de Luís: dois metros de altura e magro como uma vareta, desajeitado dentro dos paletós, tão largos quanto o riso que escondia a tristeza de voltar para casa e não ter ninguém à sua espera senão Tim, seu cachorrinho de estimação, que o recebia com lambidas e se colocava de pé nas patas dianteiras, como se pudesse abraçar Luís e lhe dizer "eu te amo e estou aqui".

Nem todos os dias eram ensolarados, quentes e repletos de boas notícias, entretanto, o ensinamento mais sábio do pai era praticado e jamais dito: “não se leva os problemas do trabalho para casa e vice-versa”. Todos gostavam de Luís pelo comportamento empático, proativo, pacificador, essencial para que a equipe prosperasse em seus empreendimentos. Ser comunicativo era um dos traços mais marcantes de sua personalidade.

Antes de cair no sono dos justos, Luís prometeu a si mesmo que no dia seguinte se apresentaria para Mariana. Gostava de auxiliar os estagiários, um dia também ocupou aquela função e também temia seu futuro, tão promissor e no extremo oposto, tão incerto. Porque, a bem da verdade, o que julgamos ser são retalhos do que nos aprontam os imprevistos.