Luís não viu Mariana nos dias seguintes porque esteve atarefado e longe do escritório. Não havia uma só manhã em que não sentisse vontade de cumprimenta-la e falar sobre qualquer assunto, afastar toda e qualquer impressão de empáfia. Sentia-se acuado por não ter coragem de falar com a tímida e focada estagiária.

Mariana, por sua vez, temia ter despertado a antipatia de Luís e com isso arruinado as chances de ser efetivada. Não morreria de coração partido porque ele parecia ignorá-la totalmente, mas se chateava porque tinha dificuldades para fazer amizades e aquela situação acionava gatilhos que a desmotivavam.

No ambiente familiar era praxe ver brigas conjugais, ser repreendida pela mãe, comparada com a irmã mais nova, a beldade, e o irmão mais velho, o grande gênio. Se ainda almejasse realizar seus sonhos, só havia um caminho: resistir. Ao restante da graduação. Ao temido e necessário TCC. Ao estágio. A Luís. Ao fato de que sua depressão era tratada como frescura por pessoas que diziam amá-la.

Um dia tudo seria diferente. Era o que Mariana dizia para as estrelas toda vez que um novo ano batia à porta. Seria sua vez de brilhar. A dor faria parte do passado.