Luís olhava para um retrato de Mariana. Não era a primeira vez que se enamorava por alguém, mas a sensação o remetia aos tempos de inocência no amor e nas próprias pessoas. Sob o véu do anonimato, sentia-se à vontade para explanar os sentimentos sem reprimendas. Se a perdesse, também não seria sua primeira noite em claro a chorar por amor.

A estatura alta o favoreceria se tivesse habilidades esportivas e decidisse ser jogador de basquete. Nunca foi obcecado com o peso, alimentava-se normalmente e sua magreza era motivo de críticas. Ter miopia e precisar dos óculos em tempo integral também não o favorecia na hora de paquerar. As garotas por quem se apaixonava nunca o correspondiam ou inventavam uma desculpa para não dizer que a aparência incomum era o empecilho para um relacionamento.

Luís era sempre o ombro amigo de suas antigas amadas, aquele que sorria vendo-as em outros braços e acostumando-se com a ideia de que partiria dessa vida sem sequer ter beijado.

— Eu gostaria de te conhecer. Pessoalmente. É sério.

— Por quê?

— E você ainda pergunta por quê? Eu quero ficar com você!

Mariana ainda desejaria ficar com ele se tomasse conhecimento de sua verdadeira identidade?