Deitada na cama, ouvindo Save me no modo repeat, Mariana se deu conta de que não odiava Luís. Não da forma como queria se convencer. Ele nunca a havia destratado ao longo daqueles meses de convivência diária no escritório. Era educado, prestativo, simpático, brincalhão, trabalhador e se seu palpite não estivesse equivocado, também o rapaz com quem conversava todas as noites.

Muito antes que aquelas peças se encaixassem com ímpar destreza, não negava que a ideia de conhecer o Luís fora do ambiente de trabalho a instigava. Ela imaginava que por ser carismático e viver cercado de pessoas, era disputado por várias moças que a desbancariam por terem predicados que não possuía, que a timidez era um obstáculo que a atrapalhava sobremaneira, impedindo-a de agir.

Não odiava Luís. Não depois que o conheceu sem formalismos. Não depois de descobrir que bem no dia em que ela planejava acabar com a própria vida, ele foi o único que se preocupou de verdade e lhe confortou quando o mundo todo tinha lhe dado às costas.

Seria injustiça odiar alguém que nunca tinha feito nada para prejudica-la.

Não era ódio. Era desejo. Pulsava. Preenchia-a de ânimo e força. Desde sempre era amor.