Amor em sete atos
2 Los Angeles - Parte I
Notas iniciais
– Eu ainda não consigo acreditar que eu vou fazer isso — resmungou Poseidon enquanto colocava mais uma camisa dentro da mala. Já era a décima oitava que Afrodite havia separado pra ele — Por que é que você não vai atormentar a sua irmã?
– Porque ela sabe arrumar uma mala sozinha, sabe o tipo de roupa que vai colocar para cada lugar — argumentou a deusa do amor e tirou um smoking de dentro do armário — Leva isso, vai ser útil em Vegas.
Poseidon gemeu ao imaginar Las Vegas, brilhante e borbulhante, cheia de bebidas, jogos, mulheres… e ele nem poderia chegar perto disso porque estaria com a chata e certinha Deusa da Sabedoria.
– Será que eu posso escapar de madrugada e ir jogar no salão? — perguntou com um sorriso divertido — Que horas nós partimos?
– As dez , vão estar em Los Angeles por volta das 18:00, e fiz reserva pra vocês no Marmont, e há uma mesa no nome de Stella Thomas e Patrick Moses no BOA, vocês podem passar no hotel,deixar as coisas e ir pra lá. Ai vocês vão amar aquele lugar.
– Tudo bem Afrodite, já tá quase tudo pronto aqui, eu termino, pode indo. As nove eu prometo que vou estar no balcão do check-in — e com isso, a enxotou de seu quarto. Olhou no relógio, 8:15. É, não tinha muito tempo.
– Ártemis, por favor, não é o fim do mundo — Atena repetiu pela milionésima vez.
– Você,uma deusa virgem, vai passar duas semanas com um… homem — disse dando ênfase na ultima palavra — E esse homem é Poseidon.
– Eu sei, mas não vai acontecer nada, você sabe disso. Vai ficar tudo bem — respondeu, tentando convencer a si mesma.
– Ok, que horas você sai ? — a baixinha perguntou e a Deusa da sabedoria olhou no relógio. 8:45.
– Ai que droga, eu tô atrasada — gritou e pegou as malas. Correu, o mais rápido que pôde com aquelas malas gigantescas, em direção ao átrio, e quando chegou, Afrodite a esperava com uma expressão indecifrável.
– Finalmente — resmungou — Presta atenção, você tá super atrasada,então você vai simplesmente desaparecer aqui e aparecer no aeroporto. Assim que você pisar lá, todos os seus poderes físicos serão retirados, ou seja, não se meta em nenhuma confusão, você não vai ter a sua força física. O resto eu já expliquei para Poseidon, mas no caso dele esquecer, eu escrevi um bilhete, toma aqui — disse e entregou um post-it cor de rosa perfumado.
– É só isso? — perguntou entediada e a morena sorriu animada.
– Sim, boa sorte — abraçou-a e em seguida saiu correndo.
– Ótimo — acenou com a mão, desaparecendo em uma nuvem cinza.
– Cadê você Atena? — Poseidon resmungou com o telefone na orelha. Era a décima terceira ligação que a deusa não atendia. Passageiros do vôo 19206 com destino a Los Angeles, por favor, dirijam-se ao portão 6. — Droga Atena, nosso vôo já tá sendo chamado, cadê você? — falou ao guardar o celular no bolso.
– Calma meu filho, se ela realmente gosta de você ela vai vir — a senhorinha simpática de cabelinhos brancos que estava ao seu lado disse a ele com um sorriso e ele a olhou espantado.
– Ah … não,não é isso… — tentou responder mas foi interrompido por seu nome sendo chamado.
– Poseidon — Atena gritou e acenou, estava cansada, havia corrido muito para chegar a tempo.
– Mas que droga, o que aconteceu com você? — perguntou e olhou para a velhinha que sorria e fazia um sinal positivo com o polegar.
– Eu me atrasei… Aquele ali não é o chamado pro nosso vôo? — questionou apontando para o painel.
– É sim, acho melhor nós irmos — e com isso arrastou-a pelo braço em direção ao portão.
– Me larga, eu sei o caminho — resmungou puxando o braço. Ajeitou a blusa e pegou o passaporte na bolsa. Entregou-o à comissária e Poseidon repetiu seu movimento.
Vinte minutos depois, ambos estavam acomodados na primeira classe de um vôo sem escalas para Los Angeles.
– E então, Afrodite te deu alguma orientação especial? — Poseidon perguntou comendo um amendoim.
– Disse que meus poderes seriam retirados. E para você?
– Um monte pra falar a verdade, eu deveria ter anotado — respondeu esvaziando o pacotinho de amendoins.
– Ela anotou, tá em alguma lugar dentro da minha bolsa… — disse vagamente e aceitou uma taça de champanhe que a aeromoça oferecia.
– O que nós vamos brindar? — o deus perguntou com um sorriso.
– Eu não vou brindar a nada, vou beber, porque talvez bêbada eu consiga te suportar — e com isso bebeu todo o líquido de uma só vez.
– Sempre bom conversar com você — rosnou e virou-se,decidido a ignorá-la o restante da viagem.
Duas horas depois, sobrevoando algum lugar dos Estados Unidos, Atena quebrou o silêncio.
– Odeio essa situação.
– Hm — foi tudo o que Poseidon respondeu.
– Que droga, quanto falta pra essa porcaria finalmente pousar? — Poseidon resmungou irritado. Odiava estar no território do irmão.
– Uma hora, segundo meus cálculos — afirmou e novamente silêncio.
– Senhores passageiros, estamos pousando no Aeroporto Internacional de Los Angeles — a voz da comissária de bordo ressoou no avião, fazendo Atena e Poseidon acordarem.
– Finalmente — ambos disseram juntos e se olharam irritados.
– Por que é que você tá sempre irritada? — ele perguntou ligeiramente curioso.
– Não tô irritada, só cansada.
Meia hora depois, estavam com sua malas, parados em frente ao carro mais lindo que já haviam visto na vida.Preto, conversível, 0 km. Havia um bilhete, escrito em grego antigo, dizendo : Queridos Poseidon e Atena, tomei a liberdade de alugar um carro pra vocês,a chava está no pneu, façam um bom proveito. Com amor, Afrodite.
– Esse carro é incrível — Atena comentou animada e pegou a chave onde havia sido indicado e destravou as portas do carro. Poseidon colocou suas malas e as de Atena no banco traseiro e estava prestes a entrar no banco do motorista, quando a deusa o olhou com uma exclamação e ele se afastou.
– Eu dirijo — disse sacudindo a chave e ele protestou.
– Posso saber por que ?
– Porque esse carro é pra mim — declarou e mostrou o chaveiro de coruja. Com um sorriso vitorioso, entrou no mesmo e aguardou enquanto ele absorvia a informação — Anda logo — Assim que o mesmo entrou no carro, a deusa ligou o mesmo e sentiu a vibração do motor por alguns segundos — Afrodite disse em qual hotel nós ficaremos?
– Chateau Marmont — respondeu e absorveu o som do riso que saiu de Atena.
– Ela quer que essas semanas se transformem em um espetáculo.
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