Amor em sete atos
3 Los Angeles - Parte II
Notas iniciais
– Sabe, eu nunca imaginei a vir a Los Angeles nessas circunstâncias — Poseidon comentou enquanto Atena acelerava mais e mais.
– Eu nunca imaginei vir a Los Angeles — respondeu prestando atenção na estrada.
– Você nunca veio pra cá ? — perguntou curioso e ligou o rádio. Tocava algum tipo de balada eletrônica que os jovens gostavam, e por preguiça, decidiu não mudar de estação.
– Nunca — confirmou e olhou para o rádio — Que droga é essa?
– Não sei — declarou e passou a mão pelo cabelo — Por que nunca veio?
– O quê? — disse surpresa com a pergunta.
– Por que nunca veio pra Los Angeles?
– Não sei.
– A deusa da sabedoria não tem a resposta pra uma pergunta tão simples? — provocou e a olhou através das lentes do óculos escuro. Ela estava linda, e mesmo que ele não quisesse admitir aquilo nem para si mesmo era impossível não reparar. Os cabelos loiros eram castigados com o vento forte, mas ela parecia ignorar aquilo enquanto dirigia pelas curvas acentuadas sem a menor dificuldade. Era estranho para ele ver aquilo. Atena, a deusa mais certinha do Olimpo, dirigindo um esportivo caríssimo por Los Angeles, sentado ao lado dele, seu pior inimigo.
– Não preciso de um motivo, nunca vim porque nunca me interessei por cidades desse tipo — ela respondeu e o olhou revirando os olhos, gesto que passou despercebido a ele devido ao óculos escuro que a mesma usava.
– Isso é um motivo — constatou e ela corou.
– Droga, tem como você ficar calado? — pediu e ele gargalhou.
– Eu conheço essa música — o deus disse após alguns minutos de silêncio.
– Eu gosto dessa música — Atena afirmou e aumentou um pouco o rádio.
– Essa música fala de Los Angeles. Você gosta dela e mesmo assim nunca quis vir pra cá? — provocou novamente.
– Que droga Poseidon, cala a boca — respondeu batendo as mãos no volante.
– Não precisa ficar toda estressadinha.
– Eu não tô estressada, só estou num lugar que eu não quero estar, com uma pessoa que eu não quero estar — resmungou com uma careta.
– Claro, consigo imaginar mil coisas que você poderia estar fazendo nesse momento, tipo lendo um livro, ou relendo um livro, ou qualquer coisa que envolva um livro — ironizou e isso fez com que a mesma apertasse com força o câmbio para não espancá-lo.
– Cala essa porcaria de boca — ameaçou.
– Ah, e se eu não quiser, vai fazer, me bater com um livro? Eu não tenho medo de você queridinha — respondeu ficando sério repentinamente.
– Sai do carro — ordenou.
– O que? — perguntou chocado.
– Sai do carro agora — gritou irritada.
– Não vou a lugar nenhum — respondeu cruzando os braços.
– Então fique — e com isso desceu em plena Ciniega Blvd e começou a caminhar.
– Atena sua louca, volta aqui — pediu Poseidon pulando para o banco do motorista. Até conseguir ligar o carro — coisa que ele não tinha costume de fazer — a deusa já estava a quase 100 metros do carro. Acelerou até estar lado a lado com ela.
– Sai daqui Poseidon, eu não vou voltar pro carro, eu não quero a sua companhia — disse e continuou a andar.
– Eu vou passar com o carro por cima de você — ameaçou, mas sua velocidade era tão mínima que ela apenas o olhou com desprezo.
– Tenta, aproveita que eu to sem meus poderes. Se eu morrer me livro dessas semanas infernais.
– Eu odeio você Atena — afirmou e parou o carro. Desceu do mesmo e começou a correr atrás dela.
– Me larga Poseidon, as pessoas estão olhando — gritou quando ele a pegou pelo.
– Ótimo, é bom que todos vejam o quanto eu te odeio — sussurrou — Olhem só, a louca da minha esposa, não liguem pra ela, ela tá sem os remédios pobrezinha — gritou para um grupo de pessoas que olhavam da calçada.
– O que você tá fazendo? — perguntou desesperada quando o deus passou as mãos por suas pernas e a jogou no ombro.
– Fazendo você voltar pra porcaria do carro — respondeu e a jogou no banco traseiro do conversível. Ela cruzou os braços como uma criança e ele sorriu vitorioso — Odeio você.
– Eu que odeio você — ela gritou em resposta e deu um chute no banco.
– Isso faz você parecer uma menininha mimada — disse e acelerou o carro pela avenida vazia.
– EU ODEIO VOCÊ, ODEIO VOCÊ,ODEIO TUDO EM VOCÊ — ela gritava e socava o banco.
– FICA QUIETA — berrou e ela arregalou os olhos — Obrigada.
– Eu quero ir embora, não quero ficar aqui.
– Nós não temos escolha, então eu acho bom você passar pro banco da frente e parar de ser mal educada. Afrodite fez reserva no Marmont, então seja decente.
– O que é que você entende de ser decente? Olha pra você — respondeu pulando o banco.
– O que tem de errado comigo?
– Você é grosso, cafajeste, mal educado, displicente, e vive fazendo insinuações nojentas — descreveu com uma careta.
– Falar sobre sexo não é nojenta…- sugeriu com um sorriso safado.
– Tá tá tá, chega eu não quero falar sobre isso com você .
– Não é porque você é uma virgenzinha que você não pode ouvir a palavra sexo.
– Eu não quero ouvir sobre isso…
– Sexo,sexo,sexo,sexo — riu e gemeu para provocá-la.
– Pra mim chega — gritou irritada e desceu do carro. Por sorte, estavam a menos de 50 metros do hotel. Dessa vez ele não a seguiu, e ela caminhou determinada até a entrada. Cumprimentou o porteiro e foi até a recepção.
– Boa noite — disse com educação, mas a raiva tremia em sua voz doce.
– Boa noite senhora, como posso ajudá-la? — a recepcionista morena respondeu e piscou atônita ao olhar por cima do ombro da deusa, que virou-se para olhar. Deparou-se com Poseidon, sorrindo e piscando para uma garota que vestia o uniforme do hotel. Ao ver Atena, ele sorriu mais ainda e foi até a mesma.
– Oi meu amor — disse passando as mãos em volta de deusa, que havia se virado de volta para o balcão.
– Me larga — ela pediu mordendo o lábio. A recepcionista a olhou pasma.
– Não liga pra minha esposa, ela está muito nervosa. São os hormônios sabe? — comentou com a recepcionista que ainda não tinha palavras — Gravidez é uma fase complicada — nesse momento, Atena deu-lhe uma cotovelada próxima a sua região intima e ele mordeu o lábio inferior para não gemer de dor.
– Desculpa querido, são os hormônios — respondeu irônica e voltou a atenção para a recepcionista — Temos reservas em nome de Stella Thomas e Patrick Moses — afirmou e a morena sacudiu levemente a cabeça e digitou algo no computador.
– Certo, eu vou precisar da identificação — informou e estendeu a mão.
– Identificação, ah claro, um minuto — a deusa respondeu desconcertada, não havia pensado em identificação. Vasculhou a bolsa, e ao pegar a carteira, encontrou duas carteiras de identidade. Entregou-as à recepcionista e quando as pegou de volta, olhou para Poseidon que ainda estava com o mesmo sorriso. Idiota, odeio você, pensou e sentiu vontade de socá-lo novamente.
– Hm, Suíte Presidencial, no sétimo andar — a morena disse e entregou uma chave ao deus.
– Um quarto? — Atena perguntou mas ele a puxou pelo braço — Um quarto pra nós dois?
– É, essa parte eu também não sabia — ele respondeu.
– Eu não vou dormir no mesmo quarto que você — disse quase explodindo de raiva.
– E eu não posso voltar lá no balcão e pedir outro quarto.
– Claro que não, você inventou essa história ridícula de que nós somos casados.
– Para de ser criança, entra logo no elevador e depois a gente resolve isso.
– Cadê as nossas coisas? — perguntou segurando a porta de metal.
– O funcionário vai levar lá pra cima, entra logo.
– Odeio você.
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