Tudo começou no dia do aniversário da Diretora Joyce. Naquele dia, o professor de educação músical preparou uma homenagem em que os alunos tocariam uma música com flautas para aquela senhora de olhos azuis. Os estudantes estavam agitados, pois não tinham um mínimo de afinidade pela diretora. Seu apelido era "cobra do zói azul". Quando aquela coroa de 42 anos entrou na escola com sua cara de mercenária, e viu todas aquelas crianças lombriguentas fingindo que tocavam alguma coisa com suas flautas, abriu um sorriso muito grande, embora mais tarde ficaria mais que claro para um funcionário em especial que aquele sorriso não se tratava de alegria, mas estava envolvido de malícia e luxúria.

Antônio Silva e Silva trabalhou fielmente 10 anos em uma escola pequena e badalada da cidade de Therehell. Em meio a tantas lendas e acontecimentos daquela escola, a reputação daquele homem de 32 anos permanecia quase intocada, e ele possuia quase todos os seus 150 centímetros de honra também intocados. Isso mesmo: Quase todos. Quase todos, porque rezavam lendas de que sua integridade física não estava tão boa. Alguns alunos que estudavam na escola, relataram que muitas vezes, na hora do lanche, viam seu Untoin, como era mais conhecido, saindo da sala da direção cabisbaixo logo após entrar lá dentro sorridente. E o mais curioso que era justamente quando Joyce estava lá.

"Ele ficava sentado olhando para a cantina com uma feição que mesclava entre medo, mas também, pasmem, desejo." Uma das alunas, vulgo Karolzona, relatou.

Num belo dia, quando a dona Joyce resolveu visitar a escola para ver se tudo estava nos conformes, seu Untoin quase prevendo aquilo, foi mais arrumado. Passou seu malbec naquele cangote semi-cheirado, e foi com sua blusa da gincana mais atual, porque as outras eram da gincana de 1997, e Joyce não poderia vê-lo todo "malamanhado". Edna, a subcoordenadora — sim, subcoordenadora. Pois a sua unica função na escola era entregar papéis quando o coordenador ia nas salas, e abordar os alunos no recreio por excesso de corrida no intervalo. O limite era de duas pegadas por segundo — chamou o seu Untoin para a sala da coordenação, dizendo que Joyce queria vê-lo.

Ela vestia sua roupa mais devassa: um vestido branco com azul que ficava um dedo acima do seu joelho, além de ter pintado as unhas de vermelho fogo do inferno. As cores do vestido eram um simbolismo para a Virgem Maria — por ironia do destino, de virgem ela não tinha nada -. Quando a senhora entrou na sua sala, mandou chamar o porteiro.

— Senhor Antônio — chamou a (sub)cordenadora com cara de diarréia-, a dona Joyce quer que você vá vê-la em particular na sala da direção, de novo — ela cerrou o cenho sobre aquele pseudoanão -.

— Pois não, Dona Edna! — Disse o porteiro tentando disfarçar o suor que descia pela sua careca devido ao nervosismo -

— Olha aqui, Antônio — a cordenadora puxou o senhor pelo seu cinturão de 30 anos de uso -, essa história de conversa privada não me cheira bem, além disso, você fica todo nervoso quando a patroa chega, o quê que ta acontecend... — ela avistou de longe o jovem professor semi virgem de biologia — Quer saber, melhor eu cuidar da minha vida! — ela disse aos suspiros e com malícia no olhar -.

O projeto de gnomo se direcionou para a direção e ao tocar o trinco da porta desceu-lhe uma lágrima — Não sabe-se ao certo de onde -. Quando ele abriu a porta, se assustou com a cena que viu. Aquela senhora dos olhos azuis sempre o surpreendia. E percebeu que sua patroa não havia vindo para a escola com intenções de trabalho.

—Olá, Antônio! — disse a diretora que estava sentada de pernas abertas em sua mesa.

—Olá, diretora Joyce! — ele se tremeu todo ao perceber que a cobra dos olhos azuis não estava usando calcinhas naquele dia.

— Sem formalidades, por favor. Você sabe que odeio isso quando estamos a sós.

— Sei. Mas é que...

— Sem conversa. Está com medo de mim? — Ela piscou o olho e ele quis sair correndo dali naquela hora mesmo.

— Não. Mas não acho que devemos continuar. — Ele se afasta um pouco mais dela, que faz menção em levantar da mesa. — Não precisa levantar. Essa vai ser a nossa última...

— Você sempre diz isso. Mas relaxa, eu trouxe azulzinho. Só gira a chave e vem.

— A nossa última conversa. — Ele olha a velha daquele jeito, e faz que nem o Edward de Crepúsculo, se controla para não cair em tentação. — Você é casada.

— Ele está entrevado numa cama.

— Mas é seu marido. E eu cansei de compactuar com isso.

A mulher levanta-se impacientemente da mesa, ajeita o vestido e caminha até ele.

— Ele não quis me dar o divórcio. Você sabe disso.

— Ele nem fala.

— Mas quando falava, antes do derrame, ele disse que não me daria divórcio. Agora não assina os papéis. Estou presa nesse velho até o fim da vida dele.

— Que seja. Espere ele morrer então. Nesse corpo sarado e semi usado, não tocará mais. — Pôs a mão na maçaneta e ia retirando-se, até que sente a mão macia tocar-lhe. — O que foi?

— Espere... eu só... — ela respira fundo — Me deixe ao menos dar uma última cheirada no seu cangote.

— Joy... não dificulte as coisas. — Ele vira-se e fica cara a cara com a senhora viciada em renew que lhe olha com feição de choro. — Tudo bem.

Ela aproxima-se dele, cheira-lhe o pescoço, e fecha os olhos, afastando-se imediatamente.

— Vai embora logo antes que eu me arrependa de ter tomado esta decisão.

Seu Antônio vira-se, abre a porta e sai correndo em direção ao seu quartinho. Enquanto Joyce cai no chão desesperada e quebra tudo e rasga provas recém corrigidas dos alunos.

— EU TE ODEIO, CHAGAS. ODEIO!

Chegando no seu quartinho, Antônio se senta de cabeça quente e, como sempre, para relaxar escolhe seu dvd predileto: xuxa só para baixinhos vol 2 — ele adora dançar "ilari lari ê" com as crianças da escola -. Contudo, quando o aparelho de som está prestes a ser ligado pelo quase anão, chega a professora de português, Tatiane.

— Nossa, Untoin, como você está abatido! -ela entrou quarto adentro arrastando sua rasteirinha azul — Por ironia do destino estou aqui para levantar seu astral — põe uma mão no ombro do homem.