Amor e razão
2 Capítulo 2
Oi, Tatiana.
— Tatiane, com "E", meu amor! Mas tudo bem. Nada vai estragar meus planos hoje.
— Que planos, professora?
— Acho que já sei o homem certo para descolar o meu hímem! E ontem mesmo fui no carvalho da barão para comprar umas camisinhas!
— Do que você está falando, sua virgem de Taubaté?
— Estou falando que vou beijar bastante sua cabeça careca. Ainda não decidi qual!
Ela desliza a mão do ombro de Antônio diretamente para as partes inferiores, mas, de repente, ela sente um forte impacto nas suas nádegas. Era Francineide, a tia da limpeza da escola, mais conhecida como Neide, que havia batido a vassoura de piassava em Tatiane.
— Que baixaria é essa aqui hein? Tem vergonha nessa cara não, Tatiana? Se tu tá com fogo no rodão eu te empresto uma vassoura pra sentar em cima e quicar até amanhecer.
— Meu amorzinho, pro seu governo eu me chamo Tatiane, com "E"- sim, ela sempre dizia isso, mas ninguém se importava — e fique com suas vassouras, pois todos sabemos que elas são ensebadas por uma razão. Você se masturba com elas quando ninguém está vendo!
— O que você tá dizendo aí? Pelo menos eu já tive um orgasmo! Já você nunca nem descolou o xibiu! — ela ri, enquanto Tatiane treme ao magoarem sua ferida sentimental.
— Pelo menos eu quero um pau de carne pra mim, meu amorzinho, enquanto você se delicia com o cabo de um rôdo! Agora me dê licença, meu amorzinho, por favor, pois eu tenho que ir no carvalho da barão. Beijos, Antônio — ela sai com seu nariz aparentemente empinado, mas ele é apenas grande por natureza.
— Neide, saia daqui, tenho muita preocupação pra dar conta de barraco dos outros — disse Antônio estressado.
— Tudo bem Seu Untoin, só lhe digo uma coisa: tome cuidado porque tem gente que sabe demais. A Edna já desconfia de tudo, e os boatos já chegaram aos alunos... Você sabe muito bem do que estou falando!
— Ora, que besteira! Vai caçar um lavado de roupa, arrumação do satanás! — ele fecha a grade de seu quartinho e finalmente põe a rainha dos baixinhos para tocar.
Um pouco longe dali, em um dos bairros nobres de Therehell, mais conhecido como Lourival Parente, Joyce surtava no quarto de Chagas, o entrevado velho que ousavam chamar de seu marido. Ele não falava nada, mas se você olhasse no fundo de seus olhos negros, veria que ele não é coisa boa. Fazia parte de uma gangue bem conhecida no bairro Saci, onde todos os integrantes tinham nomes de animais. Lobinho, sapinho, doguinho e crocodilinho. Ele era o crocodilinho. Joyce casou-se com ele pois foi enganada. Ele fazia-se de bom moço, bom marido, mas sumia no final da noite, para ir para o forró do Lula. E ela ficava em casa achando que ele ia trabalhar como vigia noturno no forró dos velhos que tinha no clube dos 100. Pouco mais de 4 anos atrás, ele sofreu um derrame. Comeu panelada quente, e todos avisaram para ele não ir banhar. E ele, alegando um calor do cão, foi. Só ouviram o baque surdo do corpo no chão. Joyce deu graças a Deus, porque a César é dado o que é de César.
— Velho maldito! — Joyce pragueja.
— Hm hm hm. — Ele balbucia.
— Se tivesse dado a porra do divórcio antes, eu estaria livre de ti, sua praga do Egito! Agora depois de sofrer anos na tua mão, vou ter que aturar e cuidar de ti. Mas minha vontade é de te jogar na rua! Na rua!
— Hm hm hm.
— O que está havendo, mamãe? — Uma menina de aproximadamente 20 anos, loira, e a cara da mãe, por sinal, entra no quarto. — Mais uma vez está discutindo com o papai?
— Discutir com alguém que não fala nada? Não devaneia, garota. — A mulher revira os olhos.
— É o Antônio, não é?
Sim, ela sabia do recém caso da mãe com o Antônio. Eles estavam se encontrando há alguns anos, e Joyce contara tudo para a filha.
— Ele não aceita mais. Disse que eu sou casada e não aceita mais. — olhou de relance para o marido que olhava um ponto fixo na parede. — Culpa desse velho. Infernizou minha vida desde sempre e agora não quer morrer.
Francisquinha, a filha, ri.
— Mamãe... não fique assim... tudo a seu tempo.
— Eu queria fugir, sabe? Com meu amor.
— Depois de velha, mamãe? Crie vergonha. — Francisquinha sorri e sai do quarto.
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