Solomon abre a porta e recebe o cunhado com um abraço caloroso.

— Eu cometi um erro e isso está afetando outras pessoas, Solon. Não deveria acontecer isso...

O homem mais velho acaricia os cabelos volumosos do rapaz e demonstra estar pronto para sufocar aquele momento ruim.

— Precisamos conversar, querido.

Momentos depois...

— Um conselho?

— Eu diria para que se afaste dessa família e dessa empresa. Proponho que você aceite um escritório somente seu, para seus projetos. Poderemos juntar meu capital e a sua competência profissional. Olhe para seus lados e veja quanto espaço tenho aqui! Por que não vivermos todos juntos em uma grande família novamente? Para que você precisa da Diamanti?

Um escritório somente dele? Unir todos os membros da família em um único espaço? Estar protegido pelas asas grandes de Solon? Ser finalmente aceito pela família de sua falecida esposa? Criar as meninas dentro dos preceitos daquela família? Estar de novo no seio de uma família? Casar com Regina? Deixar a empresa, a vergonha e as acusações para trás?

— Eu aceito! – Vasco é assertivo.

Nas semanas seguintes, Regina é surpreendida com a demissão voluntária de Vasco. Ele estava furioso e sentindo-se traído por ela, quando o segredo tinha sido exposto de forma cruel e mentirosa. Sem remorsos, ele havia apresentado a carta de demissão e deixado seus direitos para serem cuidados pelos advogados de seu cunhado.

Emma havia saído do hospital e mostrava-se arrependida pela besteira cometida contra si. Sob os cuidados amorosos de Killian, ela estava lutando para conseguir erguer a cabeça de novo e para encontrar uma maneira menos dolorosa para atribuir o tal erro, a quem era de direito. Por amar demais sua prima, não queria expô-la e também por amar Vasco, não gostaria de ver seu amor apontado como gigolô. Por outro lado, não poderia carregar o peso de um deslize que não havia cometido.

— Como faremos sem Vasco? A equipe não será a mesma.

— Contrataremos outro arquiteto e o colocaremos a par de todos os assuntos. Killian pode fazer isso. – Regina ainda se mostra triste.

— Você conversou com Vasco, depois da demissão?

— Ele se recusa a falar comigo. Eu não soube lidar com o nosso segredo e o expus de forma cruel.

Caminhando até a prima, Emma acaricia seus cabelos.

— Amo você demais para não ver o seu sorriso. O que aquele homem causou em nossas vidas? Ele não nasceu para o amor! Veja o que houve com a primeira esposa dele! Ela abdicou da família para ficar com ele e acabou sem vida!

— Não fale isso, Emma. Saiba que a primeira esposa dele fugiu depois do segundo parto. Nunca encontraram o corpo dela e finalizaram o caso como morte presumida. – Regina tenta sorrir. – Eu nunca tive a intenção de magoar você, mas meu amor por Vasco cresceu tanto!

— A ponto de aproveitar-se da miséria dele e pagar por uma noite de prazer?

Regina abaixa a cabeça. Comprime os lábios e concorda.

— Fiquei apaixonada e quis testá-lo quando me surgiu a oportunidade. Ele me pediu dinheiro e vi a oportunidade de saber se ele seria o homem a quem eu sempre procurei. A princípio eu o odiei por ter aceitado o pagamento, mas depois, eu o amei mais e mais.

— Impossível não se embriagar com a beleza dele, porém a personalidade é o que mais intriga: não podemos definir como sendo um homem forte, porque ele chora muito; fraco não é, porque enfrentou batalhas violentas sem armas. Frio? Fogoso? Amoroso? Indiferente? Lutador? Sofista? Quem é Vasco, prima?

Inspirando profundamente, Regina finalmente decide expor-se:

— Gostaria de propor uma luta justa. Você e eu lutando pelo amor de Vasco. Embora eu a ame, Emma, quero passar o restante de meus dias com ele. E ficaria feliz se soubesse que você entende e aceita isso com naturalidade e amor.

Emma nega com a cabeça.

— Eu amo você, prima, mas quero Vasco para mim também. Sei que ele não me ama e isso já me deixa em desvantagem. O que poderemos fazer? Quem merece continuar na dianteira?

Foi numa tarde, que Killian se apresenta na sala de Regina.

— Estou saindo da empresa, Regina.

— Eu li a sua carta de demissão e confesso que não penso que seja uma decisão certa.

— A saída de Vasco me deixou sem rumo. Eu amo aquele cara e não consigo ficar longe do meu irmão. Estamos juntos desde a faculdade, moramos juntos na república, passamos fome e rimos juntos...não posso me afastar dele.

— O que pretende fazer, então?

— Ficar nesta empresa me deixa triste. Perdi as duas pessoas que mais amava, porém uma delas, sei que posso reconquistar. Vou aceitar a proposta dos turcos e trabalhar fora do país.

— Sinto muito que tudo tenha descambado por este caminho. – Regina estende a mão para o arquiteto. – Desejo ótima sorte!

Killian sorri e mostra-se mais sereno.

— Um conselho: não vá começar a lutar, apenas quando os adversários saírem do campo de batalha. Lutará sozinha e contra ninguém!

— Tenho medo da rejeição, Killian.

Ele sorri e espreme os lábios.

— Lute por ele. Faça com que valha a pena todo o sofrimento. Cuide de Vasco, porque o cunhado dele está tomando conta de todas as afeições da família.

E de fato estava mesmo! Tendo investido na montagem de um escritório de arquitetura e presenteado Vasco, o oportunista Solomon se aproxima e conquista Yasemine e Alda, além de apaixonar Vida e Ruby pelas suas maneiras e seu cavalheirismo, além de sua intensa preocupação com os detalhes das vidas de todos. Era o perfeito patriarca e transmitia a paz buscada por muito tempo.

Seria mais uma manhã comum, mas a visita de Regina ao escritório de Vasco provoca uma sensação de alegria e indecisão na alma do homem. Na verdade, queria avançar sobre ela e roubar-lhe todos os beijos que seus lábios conseguissem dar. Mas a situação exigia postura e elegância.

— Fique à vontade, Srta. Mills. – ele fala sorrindo sem exibir os dentes. – Você se lembra de Ruby? Ela está trabalhando comigo, agora.

— Sim, eu me lembro. – Regina cumprimenta a jovem e senta-se diante da mesa de Vasco. Observa-o sentar-se também. – Pelo visto está com muito trabalho.

— Tenho recebido encomendas de projetos pequenos, principalmente residenciais. E são muitos! – ele aponta para a mesa. – E tenho conseguido atender.

— Você é muito competente, Vasco. Como estão as crianças?

— Com saudades de você. Pensei que iria manter o contato com elas, porém, você se recusou a participar de nossa nova vida.

Regina arqueia as sobrancelhas e busca paciência para não ser assertiva demais com ele.

— Não sou fã de seu cunhado. É óbvio que eu gostaria de levar as meninas para o haras, para passear de barco, visitar meu rancho, mas...

— E por que não faz isso? – ele a interrompe. – O fato de não estarmos juntos ainda, não a impede de conviver com minhas filhas.

Imediatamente, Regina sente seu rosto vibrar pelo aquecimento de seu sangue. Ele havia dito “ainda” e isso significava que o pedido de casamento ainda estava sendo analisado e desejado. Faltava apenas a segurança de dizer que sim.

— Está disposto a conviver comigo?

— Você já confessou que é a mulher que passou a noite comigo? Killian foi embora acreditando que Emma se beneficiou de “meus favores.” E enquanto você não esclarecer tudo, não responderei ao seu pedido de casamento. Quanto mais você demorar, mais velhos iremos ficar e o casamento não nos servirá mais. – um rápido levantar da sobrancelha avisa que sua alma estava serena.

No jantar naquela noite, Regina resolve atrasar-se alguns minutos, deixando sua família aguardando sua presença, enquanto saboreavam um vinho.

— Boa noite, família! – ela sorri e apanha a garrafa para servir-se. Volta-se para Emma. – Você conversou com Killian, antes dele sair do país?

— Killian saiu do país? Pensei que ele estivesse em férias.

Regina acha estranha a fala da prima.

— Você não sabia que ele se demitiu? Foi trabalhar com os turcos!

— Por que falarmos sobre funcionários, agora? Vamos falar sobre nós! – Cora demonstra não querer conflitos.

— Estamos falando sobre nós, mãe. Killian ama minha prima e ela insiste em investir num romance com Vasco. Ele sequer sabia dos sentimentos dela.

— Quer me provocar, Regina? Irá conseguir! – Emma altera o tom de voz. – Você criou essa situação ruim e até o momento estou sendo sua amiga!

Concordando com um movimento de cabeça, Regina se senta num dos sofás.

— Eu me aproveitei de uma chance que pensei ser única e paguei por uma noite com Vasco. Mas quando estava bêbada e sem controle sobre a língua, acusei Emma de ter feito isso.

Mary e Cora olham para a moça, como se nunca a tivessem visto antes com suas “duas cabeças.” Havia horror e espanto em seus olhares.

— Você fez o quê?

— Paguei quinhentos mil por uma noite com Vasco e depois soube que ele queria o dinheiro para o transplante de medula para Yasemine. Quando ele me pediu emprestado o dinheiro, sequer me interessei em perguntar por qual motivo precisava. Vi a chance de testar a dignidade dele, mas ele aceitou a proposta.

— Alguém lhe pede uma quantia como essa e você não pergunta para que quer? – Mary se torna irritada. – O cara estava desesperado para salvar a vida de uma criança e você se aproveita disso? Obriga o homem a se prostituir em troca da vida de uma criança?

— Eu não sabia!

— Não sabia porque não se preocupa com os outros! Ver criancinhas remelentas e pais que imaginam ter todos os problemas do mundo, não é mais divertido do que ver homens bonitos, não é? – Cora se levanta. – Já se perguntou como ficou a alma dele? Já pensou como Yasemine reagirá ao saber que a vida dela custou uma noite de prostituição do pai?

Regina cobre os olhos com uma das mãos.

— E como conseguiu caluniar a sua prima, além de tudo?

— Eu estava bêbada e com muita raiva de Vasco.

Emitindo muxoxos, Cora se afasta dali. Anda de um lado ao outro e depois se volta para encarar a filha.

— Além disso, ainda perdemos os dois melhores arquitetos do mercado! Acha que esta história não abalará nosso nome? Regina Mills prostitui um de seus funcionários, enquanto Emma Swan tenta o suicídio por ciúme deste mesmo funcionário! Nossa credibilidade vai ser questionada, porque as pessoas não sabem separar o lado pessoal do lado profissional! E se esta história com Vasco vazar pela imprensa?

Regina abaixa a cabeça e a segura com ambas as mãos. Fecha os olhos para filtrar as falas.

— Fiquem tranquilas. Não há provas e podemos afirmar que Regina inventou tudo porque bebeu demais e estava sendo medicada. – Emma intervém e levanta-se. – O jornal de hoje embrulhará o peixe de amanhã. Vamos almoçar, porque Regina precisa descansar para a viagem à Turquia que ela fará, para conversar com Killian e esclarecer o que eu não pude, por ser lerda demais.