Amor absoluto e perfeito

7 Momentos de revelação


Regina e Emma se sentam em sua mesa cativa, no clube dos funcionários. São atendidas pelo mesmo garçom de sempre, que já conhecia seus gostos.

— Soube que Vasco tinha encontro com uma mulher chamada Yasemine?

— Sei. – Regina bebe um gole da cerveja preta. – Eu ouvi a ironia de Killian.

Flashback....

“Vasco caminha pelo corredor, retornando para sua sala, quando se depara com Regina carregando uma expressão de pouca alegria. Ela derruba os olhos à meia visão e arreganha os dentes em um falso sorriso.

— Sua linda Yasemine sabe que você é um vendido?

— Estamos quites, Srta. Mills.

— Não estamos não. Você me ludibriou e trapaceou, quando usou estimulante para conseguir um bom desempenho comigo. Eu cumpri a minha palavra, mas você foi sujo.

Vasco não responde de imediato.

— De fato, Srta. Mills. Eu fui sujo sim.”

Retornando para sua realidade, Regina decide embriagar-se para não pensar que Vasco estivesse nos braços de outra mulher, naquele exato momento. Ao seu lado, Emma também bebia, porque se sentia triste por ser obrigada a reconhecer que Vasco sentia interesse por uma mulher, que não fosse ela.

Momentos depois, uma amiga se junta às empresárias e as três bebem ainda mais, fazendo comentários divertidos sobre os homens que estavam no bar do clube.

— Vou levar a Srta. Swan para casa, antes que ela faça algo de que se arrependa depois. – Leroy entrega o dinheiro para Killian e despede-se dos colegas. – Killian, tome conta da Srta. Mills, por favor.

Emma sai carregada nos braços fortes de seu segurança e não reluta. Não tinha condições de fugir daquela prisão, que inconscientemente, sabia que lhe fazia bem.

— Eu vou contar algo podre. – Regina se inclina para frente e estende a mão para tocar Killian. – Eu pensei que você também fosse um vendido, como Vasco.

Killian e a outra mulher se entreolham.

— Sabia que Vasco troca sexo por dinheiro?

Um choque invade a alma de Killian e ele se ofende pelo amigo. A mulher acha graça nas palavras de Regina e nem se importa.

— Ele costuma passar a noite com mulheres abastadas e foi por isso que aceitou trabalhar para nós. Ali, ele tem acesso a uma cartela seleta de mulheres ricas. – ela ri muito. Fica séria e olha na direção da saída. – E eu conheço uma mulher...aliás, você também a conhece, Killian...ela pagou por uma noite com Vasco! Shhhhh!

Killian leva seus olhos celestes para o trajeto feito por Emma e Leroy. Estava ouvindo a coisa mais absurda, mas pela obsessão da loira por Vasco, a informação poderia ser questionada.

— E quem seria essa mulher?

— Shhhhh! Ninguém pode saber, mas você e eu a conhecemos. Ela pagou Vasco com dinheiro da retirada das ações. Sacou dinheiro da empresa e deu a ele. Ele é um gigolô e cobra bem caro. Por isso, percebi os olhares apaixonados das pessoas durantes as nossas reuniões, e foi por isso que ele conseguiu ganhar o prêmio anual, sendo que ainda é inexperiente no ramo.

Regina gargalha sem perceber os olhares preocupados do empregado e da amiga.

— É melhor levarmos Regina embora. Ela pode começar a falar demais e comprometer alguém. Essa informação é perigosa e a mãe dela não gostará de saber. – a mulher diz.

— Sacou dinheiro da empresa? Então é uma das sócias?

— Isso não nos diz repeito, moço bonito. Leve Regina embora e eu o ajudarei.

Naquele mesmo momento, Vasco caminha pelo saguão enfeitado com motivos infantis. Inúmeras crianças se encantavam com os brinquedos e com os monitores, além das guloseimas cuidadosamente feitas por nutricionistas.

— Quero ir embora, papai. – Yasemine retira a máscara e deita a cabeça no ombro de Vasco.

— Vamos nos despedir do Dr. Victor e iremos para casa.

Carregando a menina nos braços, Vasco caminha para onde o médico estava. O profissional estava conversando com duas belas senhoras, elegantes em suas vestimentas e no trato com os funcionários da associação, pacientes e seus pais.

— Mas o que é tudo aquilo? – Mary ajeita os óculos ao perceber a aproximação de Vasco.

— Aquele é Vasco, pai de Yasemine. Ela é uma de nossas pacientes e recebeu a medula recentemente. Como Vasco teve muitos gastos e o convênio médico não cobre doenças pré-existentes, eu indiquei a associação para a continuidade do tratamento da filha.

— Ele é real? – pergunta Mary sorrindo e percebendo o riso dos amigos.

— Eles são reais e muito sofridos. – Victor estende a mão e recebe o homem com a criança. – Olá, Vasco, está gostando do evento?

— Muito, mas Yasemine quer ir embora.

— Quero que conheça a Sra. Blanchard! Ela é uma das presidentes da Associação. Este é Vasco e esta belezinha é Yasemine!

A menina não sorri e estreita as sobrancelhas, agarrando-se ainda mais ao pescoço do pai.

— Obrigado por criarem essa associação. Caso ela existisse há seis meses, eu teria recebido mais ajuda do que posso oferecer agora.

Mary sorri e atreve-se a tocar o ombro do rapaz.

— Decidimos que era momento de descruzarmos nossos braços, Vasco. Minha irmã Cora me ajudou e realizamos o nosso sonho. Mas ela teve de ausentar-se. – a mulher pisca um dos olhos.

Piscando pesadamente, Vasco encosta seu rosto ao rosto da filha e os dois exibem os mais belos pares de olhos brilhantes e sonolentos. Não queriam muita conversa.

— Posso levar doce para minha irmã, Alda, moça? – Yasemine aponta para um garçom que passava com a bandeja.

— Pode levar o que você quiser, meu amor! – Mary segura mão rechonchuda da menina e beija diversas vezes. – Vou pedir que preparem algo para que você leve para sua irmã Alda!

Depois que Mary se afasta, o médico toca os cabelos da menina.

— Uau! Yasemine quebrou o coração de gelo de Mary! Ganhou uma avó bem doce e fofa, como algodão colorido!

Desanimada e cansada, a menina deita novamente a cabeça no ombro do pai.

Na manhã seguinte...

Regina recebe uma caneca de café amargo e segue para sua sala, encontrando Emma e Mary conversando sobre o evento da noite anterior.

— Bom dia, Mary! – Regina beija os cabelos brancos da tia e dá a volta na mesa. Olha Emma e acha graça quando a vê usando óculos escuros dentro da sala. – A ressaca foi feroz, hein?

— Eu percebi isso.

Bebendo um gole de café, Regina faz a careta típica de quem está recuperando-se de uma noite difícil e que qualquer som torna-se um estrondo.

— Como foi a inauguração, Mary?

— Foi um sucesso! Muitos repórteres, médicos e alguns artistas! Pedi para nossa assessora conseguir todas as mídias que noticiaram o evento. Por que vocês decidiram ficar embriagadas em vez de prestigiarem nosso trabalho?

— Porque é mais divertido ver homens bonitos, do que ver criancinhas remelentas e papais que pensam que são as únicas pessoas que precisam de ajuda. – Regina é rápida na resposta.

— Bobagem sua, querida. – Mary se levanta e coloca alguns documentos sobre a mesa. – Preciso ir ao toalete.

Sozinhas na sala, Emma e Regina se entreolham, cansadas pelo efeito da bebida. Riem em tom baixo para não serem repreendidas, como faziam quando eram crianças e dormiam uma na casa da outra.

Pedindo licença para entrar na sala, Vasco recebe autorização e aproxima-se das duas chefes. Entrega uma pasta com documentos para Emma, mas ela gesticula recusando os papéis. Estendendo a mão, Regina apanha a pasta com displicência.

— O que é isso?

— O projeto final da jardinagem do edifício Turquesa. Preciso do aval de vocês.

— O representante da empresa Arouka entrou em contato com você? – Regina estreita os olhos e tenta ler o documento, mas sua cabeça ainda doía. Ela devolve a pasta para o funcionário. – Eu confio no trabalho de Killian e no seu, portanto, entregue aos responsáveis.

Vasco se sente decepcionado com a reação das mulheres. O desdém com que haviam tratado aquela parte do projeto, mostrava falta de profissionalismo e isso era desencorajador. Ele desce os olhos e fica olhando a capa da pasta.

— Eu preciso ligar para minha assessora...- Mary se estaca e alarga um sorriso encantado. – Vasco! Que surpresa!

Ela se aproxima do homem e segura seus ombros, puxando-o para beijar suas bochechas. Petrificado, Vasco não esboça reação alguma.

— Vocês se conhecem? – Emma e Regina perguntam ao mesmo tempo.

— Nós fomos apresentados no evento de ontem! – Mary alarga seu sorriso e mantém os olhos fixos no rosto do homem espantado e mudo. – Vasco tem uma filha que recebeu o transplante de medula óssea e agora terá toda a supervisão dos nossos profissionais!

Emma e Regina mantêm seus olhos arregalados e não conseguem desviar a atenção do casal.

— Yasemine é uma menina brava, mas é adorável! Imaginem que ela pediu doces para levar para a irmã! – Mary liberta Vasco e volta-se para a filha e para a sobrinha. – Caso tivéssemos a Associação há cerca de quatro meses, poderíamos ter coberto as despesas do transplante dela, porque é um procedimento caríssimo! Mas agora, poderemos oferecer os cuidados pós-operatórios!

Regina cobre a boca com a mão em concha. Sente seu estômago revirar e o gosto da bile chega à sua língua, obrigando a mulher correr para o banheiro.

— Vocês não sabiam que ele tinha uma filha? Pelo visto, não.

Sem conseguir esboçar fala alguma, Emma apenas maneia negativamente a cabeça.

— Então, penso que falei demais.

No banheiro, Regina molhava o rosto diversas vezes. Havia vomitado e ainda sentia seu estômago revirar pela notícia recebida! Vasco tinha uma filha com leucemia? A menina tinha sofrido um transplante e tudo o que havia sido feito, envolvia o salvamento da criança! Então, o pedido havia sido explicado! Quinhentos mil por uma noite de sexo! Uma noite negra e frustrada! Uma noite em troca da vida de uma criança!

Retornando para sua sala, Vasco apoia as mãos espalmadas sobre sua mesa. Abaixa a cabeça e esconde seu rosto preocupado com seus cabelos escuros.

— O que houve, companheiro?

— Elas descobriram que tenho duas filhas e que menti no preenchimento da ficha para o emprego. A Sra. Blanchart é a presidente da Associação e é a mãe da Srta. Swan!

Killian começa a rir. Fica histérico.

— Que azar, hein, companheiro?

Os dois apenas gargalham, sem conseguir ter outra reação racional.