Amor absoluto e perfeito
10 Amores egoístas e cegos
— Eu pedi Vasco em casamento. – Regina sorri e percebe a raiva que infla no peito de Emma.
— Você fez o quê?
— Pedi que Vasco se casasse comigo. Ele não me aceitou de imediato, mas se sentiu atingido pelo meu pedido. Descobri que Vasco me ama.
Emma esmurra um vaso e o atira no chão. Encara Regina e rosna.
— Você sabe que eu estou apaixonada por ele! Eu me apaixonei por ele, antes que você!
— Amo Vasco desde o primeiro momento em que o vi!
— Mentira! Você quer roubá-lo de mim, como sempre fez com quem convivi! Você quer sempre ser o centro das atenções, Regina!
Regina nega com a cabeça e gesticula pedindo paz.
— Não conseguirá ficar com ele, passando por cima dos meus sentimentos!
— Vasco não a ama, Emma. Ele se abalou desde que me viu pela primeira vez!
— Mentirosa! Você o odiava, o humilhava e agora decide que o quer em sua vida? Sempre quer o melhor para você! Mas desta vez, eu vou lutar com raiva para impedir que Vasco fique com você! Não conseguirá casar-se com ele, porque eu o amo! – furiosa, Emma sai da sala e caminha sem rumo, até conseguir encontrar algum lugar para acomodar-se. Chora muito.
Aproximando-se da loira chorosa, Killian se senta ao seu lado. Havia ouvido os gritos e decidira seguir a loira quando a vira saindo correndo do escritório. Vasco, sempre Vasco causando problemas e criando rompimentos entre pessoas que se amavam. Ele havia nascido para isso? Nascido para semear a discórdia? Havia rompido o relacionamento entre irmãos, quando se casara com Cosima, permitindo que o ódio surgisse dentro de uma família e agora em outra família, separando primas que se amavam!
— Por que está chorando por quem não a ama?
— Eu amo Vasco...- ela soluça. – Amei desde o momento em que ele pôs os pés nesta empresa... eu sinto que não posso lutar contra esse amor...
— Vasco não a ama, Emma. – ele a abraça e a traz para junto do peito. – Vasco pertence a ele mesmo e produz apenas dor por onde passa e com quem se envolve.
Ela chora ainda mais. Agarra-se à camisa dele.
— Ele é o meu amor!
— Mas o amor dele, vale quinhentos mil e dura por uma noite?
Emma se afasta e encara-o, tentando entender o que havia ouvido.
— O que disse?
— Vasco é um amante caro, Emma. Veja o que obrigou você a fazer, quando desviou dinheiro da empresa.
— Do que está falando. Killian? – ela se levanta e olha-o com raiva. – O que Vasco tem a ver com dinheiro desviado?
— Regina me disse que você pagou por uma noite com ele. Lembra-se da noite em que Leroy a levou embora?
Sem conseguir aceitar o que estava ouvindo, Emma não rebate. Quer saber mais.
— O que Regina lhe disse sobre mim?
— Não deve chorar por um homem que vende momentos de prazer.
— Não...
— Então, vocês passaram a noite juntos e ele não lhe cobrou nada? – Killian se levanta e segura a mão da amada. – Porque é o que ele faz! Cobra um preço alto!
Silenciosa, Emma se perde em pensamentos. Estava organizando as informações dentro de sua mente. Leva seus olhos para o rosto bonito de Killian e vê lágrimas escorrendo ali.
— Eu nunca fiquei com Vasco... não fui eu quem fez esse crime, Killian...
Killian parece não ouvir os argumentos da loira. Diz:
— Desculpe-me por falar isso, mas estava preso dentro de mim...eu não suportava o fato de saber que a mulher a quem amo, esteve nos braços de Vasco. Lamento, mas precisava falar isso, porque dói em meu coração, saber que jamais serei amado como Vasco é e não sabe ou não se importa.
Aquela tarde foi triste e fria. Regina chora por uma mistura de emoções, sentindo-se pequena e cruel pelo que Emma estava sentindo. Mas amor não se controla, faz alguns sorrirem, enquanto outros choram. Infelizmente, naquele caso, alguém iria sofrer. Para amar Vasco, teria de ferir sua prima e criar uma situação triste para que pudesse ser feliz.
Emma segue naquela tarde, decida a conversar com Vasco, expor o seu amor, seus sentimentos, seus medos e sua vontade de fazer parte da vida dele. Encontra o homem conversando com um desconhecido no estacionamento da empresa e ambos não se pareciam íntimos. O desconhecido toca a nuca de Vasco e fala algo que provoca uma mudança na expressão dele. Em seguida, ambos entram em um carro escuro e saem dali.
“Não deve chorar por um homem que vende momentos de prazer.” A frase de Killian retorna para sua mente e ilustra aquela cena. O desconhecido tinha contratado Vasco. Ela chora ainda mais.
Na entrada da noite, a chegada de Vasco no hospital causa desconforto em Killian e em Mary. Os dois encaram como uma provocação, quando o homem se aproxima.
— Como está a Srta. Swan? Eu vim assim que soube da internação dela e...
— Por que veio? – Killian enxuga os olhos. – Ela decidiu tomar os comprimidos, apenas para fugir do que estava aprisionando o coração dela.
— Vim oferecer meus préstimos à família e a você...
Mary se aproxima furiosa do visitante. Empurra seu ombro.
— Minha filha quis cometer o suicídio, Sr. Agilulfo! E sabe por que ela fez isso? Por que descobriu que está amando e não é correspondida! Ela foi traída pela prima, em nome de um amor que não será bendito!
Uma careta de desentendimento emoldura o rosto de Vasco. Ele não consegue saber o que estava ouvindo.
— O que está falando?
— Ela está falando da esperança que você deu para Emma! – Killian se mostra agressivo. – O amor que você fingiu oferecer! Veio aqui apenas para ter a certeza de que ela não contará seu segredo podre?
Olhando para o amigo e depois para Mary, o arquiteto se sente perdido nas acusações.
— Não se faça de indeciso, Vasco! Não precisamos de você aqui, depois do que provocou na vida e na alma de Emma!
— O que fiz?
— Depois da noite em que passaram juntos, depois de ter pagado seus serviços, Emma acreditou que estava sendo amada! Você a enganou para conseguir o dinheiro da operação de sua filha! – Killian se mostra transtornado.
O rosto e a alma de Vasco desbarrancam, escorrem pelo soalho e desce pelos cantos das paredes. Sem ter coragem de permanecer ali, o homem caminha sem saber para onde ir. Trôpego, ele se escora em um pilar cilíndrico no centro do saguão. Encosta a testa na superfície fria e chora. Seu segredo estava exposto e Regina o havia atribuído a uma inocente.
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