Amor absoluto e perfeito
17 A luta deve continuar
Era manhã daquela primeira semana de inverno, quando Vasco recebe a visita da juíza conciliadora em seu escritório. Surpreso, ele a recebe de maneira cortês, mas preocupada e cuidadosa.
— Hoje é meu dia de folga e resolvi conhecer o seu escritório. Li muitas informações boas sobre seu trabalho. – ela sorri e recebe uma caneca com chocolate das mãos do homem.
— Eu nem sei o que dizer sobre sua visita. Dra. Varella...
— Patrícia! Hoje sou apenas Patrícia!
Vasco sorri e sente a tranquilidade invadir sua alma.
— Em que posso ajudar você, Patrícia?
— Eu quis dar algumas notícias e pensei que eu o assustaria, caso o convocasse ao meu escritório. Queria que soubesse que foi reforçada a ordem para que Cosima permaneça longe das filhas, até a comprovação da saúde mental dela.
— Obrigado por vir me informar, mas minha advogada já havia trazido a notícia.
Patrícia se aproxima de Vasco e entrega-lhe a caneca quase cheia. Percebe que ele se incomoda.
— Eu pedi ao juiz que assumiu o caso, para manter sua família protegida da pretensa dela. Soube que o processo de seu divórcio sairá favorável a você...e também soube que a anulação de seu casamento com Regina Mills, aconteceu sem maiores problemas.
Vasco se afasta e deposita a caneca sobre a mesa onde ficavam alguns utensílios. Ele se volta para a mulher e a encontra sorrindo de forma sedutora.
— Fico agradecido pelo seu interesse em meus processos...
— Estou interessada em você, Vasco. Por isso pedi que outro juiz cuidasse dos processos. – ela estende a mão e toca-lhe o braço, massageando sua carne. – Não seria ético de minha parte e por isso decidi ser imparcial, embora não seja possível ser imparcial diante de sua beleza.
— Sou um homem casado, Patrícia.
— Não por muito tempo. Até o fim desta semana, Regina e você serão chamados para assinarem os papéis finais. O seu casamento com Regina Mills nunca existiu. E eu soube que ela está fora do país, então, a advogada terá de fazer isso por ela.
Arqueando as sobrancelhas, Vasco desenha uma careta cínica em seus belos traços.
— Está bem informada, hein?
— Ela foi para Dublin. O que foi fazer? Isso não me interessou. Aliás, o fato dela ter saído do país, interessou-me porque pude estar aqui sem ser recriminada. – Patrícia sorri e estreita seus olhinhos puxados. – Quer almoçar comigo hoje?
Sorrindo e sem sentir obrigação em recusar, Vasco concorda com um movimento de cabeça. Estava magoado com as pessoas que diziam amá-lo. Todas se incumbiram em ferí-lo com mentiras e enganações, culminando a saída de Regina do país, sem qualquer satisfação a ser dada. Por que não deveria aceitar um convite inocente como aquele?
— Tenho de vistoriar um projeto na região dos lagos e poderíamos almoçar por lá. Incomoda-se em ir dirigindo?
— Será adorável ter você sob minha responsabilidade.
Por toda aquela tarde, Patrícia e Vasco visitam as obras de um SPA e depois terminam seu dia em um restaurante de um hotel, onde apenas conversam sobre assuntos diversos.
Era começo de noite, quando Patrícia deixa Vasco em sua casa. Parados dentro do carro, ainda trocam algumas palavras amistosas, antes dela avançar para tentar roubar um beijo, impedido pelo movimento dele. Vasco vira o rosto e permanece olhando para fora.
— Sinto muito, Vasco. Não quis ser deselegante.
— Eu tenho de entrar, porque minhas filhas me esperam. – ele retira o cinto e abre a porta do carro.
Patrícia é rápida e sai do veículo antes dele, aguardando-o dar a volta. Ela segura suavemente os ombros de Vasco e tenta invadir sua alma, ao olhá-lo de maneira fixa.
— Poderíamos repetir um encontro?
— Sim, mas que fique claro que não poderemos ir além. Eu ainda sinto falta de Regina...a dor está sumindo, mas a saudade continua forte dentro de minha alma. Peço que entenda.
Tocando o rosto dele com a ponta dos dedos, Patrícia sorri e concorda com o pedido. Observa o homem caminhar para a direção da porta de entrada e espera ali até que ele entra em casa. Ela olha por cima do ombro e gesticula para que o carro de seus seguranças, continuem em sua companhia até sua casa.
Dentro de casa, Vasco ouve risadas infantis e alegra-se com a alegria das filhas. Acelera os passos na esperança de encontrar Regina brincando com as meninas, mas sente o coração gelar ao vê-las brincando no carpete com Solomon e Emma.
Depois do jantar, Emma e Vasco se encontram na varanda da casa, parados e atentos na movimentação das árvores lá no imenso quintal. Pareciam dois estranhos em um primeiro encontro.
— Regina foi para a Irlanda...
— Ela foi conviver com o filho e está disposta a reconquistá-lo. Henry é um jovem maduro e entendeu o motivo que afastou os pais.
— Entendeu? Ele é mais maduro do que eu. – Vasco mantém os olhos fixos na noite lá fora.
— Regina está disposta a tudo para ter o filho em sua vida. Inclusive a morar em Dublin. – Emma olha o perfil bonito do homem. – A advogada a informou que esta semana deverá assinar a anulação do casamento.
Vasco abaixa a cabeça.
— Regina sabe que nossa separação seria temporária. Mas agora já age como se fosse permanente.
— Você não aceitou a condição de Regina, logo, não aceitou Regina.
— Ela poderia ensinar-me. – ele encara Emma. – O que há entre Solon e você? O que os une?
— O amor por você nos une, Vasco. — Emma não desvia o olhar. — Meu amor é dedicado a você. Eu queria e ainda quero você.
— Mas eu amo Regina. Meu corpo deseja o corpo de Regina. Eu quero somente os beijos de Regina.
Uma risada debochada é a primeira resposta de Emma.
— Lamento muito, mas avise ao seu corpo, aos seus beijos e ao seu desejo, que Regina irá reatar com o pai de Henry, pelo bem do garoto! Ela saiu daqui disposta a isso, já que a brincadeira de casinha com você, ficou sem graça!
O rosto de Vasco se contorce numa careta de descrédito.
— Regina sempre teve todos os homens que quis, na cama dela. Eles vinham por desejo ou pelo dinheiro dela. Regina se casou quatro vezes e não quis nenhum dos belos maridos que conseguiu e isso inclui você, Vasco! Ela se envolveu com empresários, atores, cantores e até descendentes de nobreza! Por que ela fixaria arraigada aqui, ao lado de um arquiteto provinciano e com filhas que nem são dela?
Vasco não responde.
— Caia na real, meu querido!
Passava da meia noite, quando Solomon deixa Emma em casa. A loira estava desanimada.
— Você jogou a semente, minha cara. Logo, logo, Vasco entenderá que não deve nutrir esse amor por uma mulher de sentimentos fugazes, como Regina.
— Mas ela ama Vasco. Ela nunca se casou e nunca pagou um homem para...
— Pagou Vasco e pagou muito. Deu a ele quinhentos mil por uma noite e isso nada pode apagar da memória dele. Além disso, Regina e ele não pertencem ao mesmo nível social e não daria certo.
— Assim como Cosima?
— Ah, isso mesmo! Minha irmã foi tola ao abdicar da vida, para ser dona de casa. Continue sua investida e eu a ajudarei, porque Vasco não deverá reatar com Regina e conto com sua intromissão para isso. Use os seus truques femininos para conseguir o que queremos.
Emma mantém o rosto voltado para a paisagem lá fora do carro.
— Confio em você, minha cara. Não me decepcione.
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