Amor a prova de fogo
14 So mothers, be good to your daughters
Notas iniciais
Pov Jane
Minha visão está embaçada. Os sons chegam abafados em meus ouvidos. Consigo tatear o ar a minha frente até esbarrar numa parede, e sentir outra pancada nas costas.
— Está distraída hoje, Jane! — Maria Hill, a agente que está treinando comigo, ou melhor, me enchendo de pancadas, estende a mão para mim.
— Dormi mal. — eu minto. A verdade é que estou revirando o dia anterior, em que assinei o divórcio.
Maria me oferece uma garrafa com água, e enquanto bebo, ela toca meu ombro. Não somos muito afetuosas, mas sinto que ela entende.
— John nem é tão bonito. — mas é claro que ela está mentindo. John é maravilhoso.
— Não importa mais. É só que... Foi sempre fácil conversar com ele, e depois daquela noite, nunca mais fomos os mesmos.
— Que noite? — Maria indaga, confusa.
A noite em que meu irmão morreu.
Mas eu não digo isso a ela. Ponho-me de pé em um segundo e desafio ela para mais uma luta. Mas logo quando vou golpeá-la, sou chamada por um agente. Ele apenas diz para segui-lo, e eu obedeço. Percebo que ele está me levanto para o instituto onde Thalia estuda. Logo, chegamos a sala do reitor, que fora um agente de campo até perder as pernas em uma missão e começar a comandar o instituto.
— Boa sorte. — o estranho diz, abrindo a porta para mim.
Minha linda filha, de longos cabelos pretos, lisos com cachos naturais nas pontas, pele clara, mas bochechas ruborizadas (talvez também pela situação), e olhos castanhos esverdeados. Eu nunca soube de onde ela puxou aqueles olhos selvagens, já que eu e John temos olhos azuis.
— Está tudo bem? — pergunto, preocupada. Thalia bufa, cruzando os braços abaixo do peito.
Faço uma cara feia para sua atitude rebelde. Ela estava frequentemente me tratando assim, e logo agora que John e eu nos divorciamos... Tudo que eu queria da minha filha era carinho. Mas consigo respondê-la a altura, olhando-a de cima como uma mãe que vê um filho fazendo algo errado.
— A senhorita Smith foi encontrada “fuçando” na papelada da S.H.I.E.L.D, olhando arquivos confidenciais e fichas de agentes. — ela morde o lábio inferior, envergonhada.
— O que estava fazendo lá? — eu grito com ela de repente. Por que ela tinha que ser tão infantil?! Por que não somente seguir as regras e...
— Bem, tipo assim... — ela começa com suas gírias adolescentes. — Eu estava fazendo meu trabalho de história, queria fazer sobre algo relacionado a SHIELD, e pensei, qual é o melhor lugar senão a sala de arquivos? — ela herdou o talento de mentirosa dos pais. É quase estranho sentir orgulho por aquilo. Se eu não fosse a sua mãe, não saberia diferenciar suas verdades dessa mentira.
— Que tal a biblioteca da próxima vez? — eu sugiro ironicamente. Ela respira fundo.
— Tá legal. Não vou entrar mais lá. Felizes? Posso ir? Curtir o meu... Fim de semana. — ela olha profundamente nos meus olhos. O divórcio a perturbava. Eu queria abraçá-la e dizer que me incomodava também.
Quando saímos do escritório, ela com uma advertência e eu com uma careta, eu a empurro contra a parede, sem força para machucá-la, mas expressando minha raiva.
—Primeiramente, não deveria estar com seu pai hoje?
— Está preocupada com ele pegar sua semana? Ah, espera, você deve estar ALMEJANDO por isso.
— Por que acha isso? Por que acha que eu não quero passar meu tempo com você? Eu estive ocupada nos últimos meses, mas estarei mais presente, prometo. — vejo certa empolgação em seus olhos, e aquilo faz meu coração saltitar. Mas logo aquilo desaparece, e seu semblante de durona reaparece.
— É melhor eu terminar meu trabalho de história com dados da biblioteca, então. — eu assinto, fingindo indiferença, e deixo-a sair.
Sinto as lágrimas invadindo meus olhos ao vê-la se afastar. Será que ela não percebe o quanto a amo? Estou perdendo tudo... Primeiro meu irmão, depois John, agora Thalia. Mas eu não iria me entregar assim tão fácil. Ela era minha filha e eu cuidaria dela até o fim, e faria uma adolescente revoltada perceber o quanto era amada nem que precisasse cozinhar o jantar para ela todas as noites.
Para piorar a situação, a famosa Viúva Negra dobra o corredor, encontrando-me sentada com as costas apoiadas na parede. Eu rapidamente me recomponho. Nunca gostei muito dela, talvez porque fôssemos muito parecidas, ou porque eu sentia um pouco de ciúmes dela e John, e de Thalia contando o quanto ela era incrível... A última pessoa que eu queria que me vesse chorando era ela.
Mas surpreendentemente ela sorri para mim.
— Vi Thalia hoje saindo com John, pensei que você estivesse com eles. — será que ela fazia de propósito? Estava sendo sínica?
— Não. Eu e John nos divorciamos. — eu explico pacientemente.
— Desculpe. — ela se corrige rapidamente. Quando percebo que ela não está indo embora, mudo minha posição, desconfortável. — Preciso falar com você. É sobre uma missão avançada, você está escalada.
Missões com Natasha Romanoff nunca eram das fáceis, estralando os dedos e com um sorriso torto, eu a sigo pelos corredores até uma sala com paredes de vidro, onde se encontram todos os Vingadores, e uma menina, da idade de Thalia, brincando com os painéis. Me pergunto o que ela estaria fazendo ali. Quando Natasha e eu adentramos, todos os pares de olhos nos seguem até o centro da sala.
— Essa daí que é a mãe da Thalia? — a garota nos computadores indaga. Eu assinto. — Uau.
— Qual é o protocolo? — eu vou direto ao assunto.
— Estamos tentando invadir a rede de computadores de um hacker talentoso, parece que ele está resgatando informações confidenciais da S.H.I.E.L.D, e nós vamos impedi-lo. — Tony Stark explica.
— E por que me chamaram? Sou agente de campo, não informática.
— Porque parece ser mais de um. Parece um exército inteiro, e vamos precisar de ajuda nas lutas. — Capitão América retruca. Eu assinto, ainda desconfiada do motivo pelo qual os Vingadores me chamaram para uma missão.
— E também porque a Tha... — Natasha cala a jovem tão rapidamente que quase não percebo.
— Thalia? — eu explodo. — Thalia está envolvida? Eu acabei de vê-la! Ela estava...
— Ela estava tentando encontrar fichas de agentes. — Steve acerta na mosca. — Damien me contou. Pelo que eu sei, ela pode ter procurado ajuda desses hackers sem saber no que estava se metendo.
— E onde exatamente a garota está? — Thor se pronuncia pela primeira vez.
— Provavelmente com meu irmão. — a pequena Stark ( deduzo que ela seja uma Stark pela habilidade com computadores e o modo irônico com que falava. — Ela nunca conseguiria invadir um sistema tão poderoso sozinha.
— Não duvide da minha filha. — eu a corrijo, atraindo seus olhos verdes fulminantes.
— Ahá! — ela exclama. — Consegui. Estamos dentro.
— Essa é minha garota! — Stark dá um tapinha nas costas dela, fazendo-a sorrir.
— E agora, o que fazemos? — eu pergunto.
— Agora achamos sua filha. — Steve responde. — Só esperamos que ela não esteja com eles, os hackers, porque eles são perigosos. Mas as seguranças da escola são extremas, duvido muito que ela consiga burlá-las. — Não duvide da minha filha, eu penso e estremeço, com medo de onde ela estaria, ou pior, se estaria em perigo.
— Não se preocupem, eu sei onde ela está. — Natasha nos chama atenção. Um ciúme irracional percorre minha cabeça. Por que, dentre todos eles, logo ela sabia do paradeiro da minha filha?
— Encontramos você lá fora, Nat, e traga a garota. — O capitão fala, saindo, e decido segui-lo.
Fale com o autor