Amor a prova de fogo
15 Tell me the truth
Notas iniciais
Pov Natasha
Thalia é a primeira criança, ou adolescente, que me fascina, em um bom tempo. Não é que eu não goste dos filhos dos meus amigos, são praticamente meus sobrinhos, mas esta garota tem algo especial. Eu sinto isso. Às vezes acho que ela se parece comigo, mas depois penso que somos opostos. E agora ela estava encrencada.
Ela não está fora do campus, o que me faz relaxar um pouco. Sigo os corredores vazios da escola, até encontrar uma entradinha secreta atrás de um dos armários. É um alçapão quase imperceptível, mas como espiã, aquilo é como um farol para mim.
Eu o abro sem problemas, descendo as escadas sem medo de tropeçar no escuro, ouvindo meus passos ecoarem pelo esconderijo subterrâneo. Aquilo me traz recordações ruins, o que faz os pelos dos meus braços se eriçarem, mas eu expulso a sensação.
Lá embaixo, logo ouço vozes sussurrantes, e claridade. Quando me vêm, Nathan (filho de Tony) e Thalia pensam em se esconder, mas percebem que é tarde demais.
— Oi, tia Nat. — Nathan sorri ironicamente, mas ao mesmo tempo vejo medo em seus olhos. —Droga, eu sabia que o Damien ia dedurar a gente! Eu te disse pra não contar pro picolezinho júnior. — ele bufa. Mesmo assim, nervoso, ele consegue ser bonito. Claro, não para mim, mas as garotas de 16 anos se derretem por ele. Olhos escuros e cabelos escuros, pele clara e corpo musculoso, e um jeito divertido e descontraído, como Stark.
— Damien não faria isso. — Thalia o defendeu. Ela estava sempre entre os dois, que não se davam muito bem. A única coisa em comum que os dois tinham era ela.
— Na verdade, ele fez. — eu replico, e Nathan grunhe. — Vocês dois não têm noção da bagunça em que se meteram.
— Foi tudo culpa minha. — Thalia admite. — Eu queria saber sobre o passado dos meus pais, e fui longe demais. Me desculpe.
—Desculpas não são suficientes. Estamos indo em missão agora atrás daqueles hackers, e todos estão doidinhos pra te ver. — ela choraminga, e Nathan ri.
— Acho que estamos bem... — eu o interrompo, com olhar inquisidor.
— Você não ia falar palavrão, ia? — agora é a vez de Thalia rir, enquanto Nathan nega com a cabeça.
— Tudo bem. Eu aguento uma bronca dos Vingadores. — ela se levanta.
— Ah é? E da sua mãe? — por mais incrível que pareça, isso a faz estremecer. Jane Smith impunha mais medo sobre a filha do que os próprios Vingadores.
— Minha mãe sabe disso? E ela sabe... Por que eu fiz isso?
— Não. Ninguém sabe.
— E você não pode contar! — ela fala, como se tivesse alguma autoridade. — Por favor. — ela se corrige.
— Isso fica entre nós três. — eu decido acobertá-la. Seus problemas com os pais parecem mais sérios do que os comuns de adolescentes, e eu não queria causar problemas para ela.
— Quatro, já que alguém contou para o Damien.
Acompanho os dois até os Vingadores e Jane Smith, e logo que chegamos, é um total alvoroço. Jane pega Thalia pelo braço e leva para um canto com mais privacidade. Não me esforço para ouvir a discussão, mas consigo ver a expressão dura em Jane. Stark briga com o filho também, mas parece bem menos rígido do que ela, especialmente porque Davina está com eles, caçoando do irmão o tempo inteiro.
— Alguém devia ficar aqui com essas crianças. — diz o Gavião. Steve logo se oferece para o trabalho, então Tony implica que eu devia ficar também.
— O que? Está me achando com cara de babá? Sou uma agente e vou nessa missão.
— Qual é, Natasha, vai ser divertido! — Steve ri.
Eu acabo cedendo, porque não era uma missão realmente interessante para mim, e também pelo olhar que Jane lança para mim. Claro que ela não me impõe medo, mas ainda acho que seria desconfortável embarcar numa missão onde minha companheira não confia em mim.
Na escola, cada uma das crianças tem seu dormitório, então decidimos chamar todas elas para o apartamento dos Vingadores, que é maior do que todos os dormitórios juntos. Eles ficam imediatamente empolgados com a ideia. Eles só vêm para cá com os pais e nos fins de semana, e escapar das regras da escola parece maravilhoso para eles.
Eu particularmente nunca concordei com o sistema de guardiões para os filhos superdotados dos vingadores. Talvez porque não fossem meus filhos, mas eu sinceramente achava que eles deviam aprender a proteger a si mesmos, e não depender de outros para isso. É como se eles fossem tão mimados e não conseguissem nada por si mesmos, e isso me irritava. Cada vez que um dos guardiões movia um dedo por eles, me irritava.
Principalmente com Davina. Filha de Stark, ela parecia ter roubado todo o caráter irritante do pai. Ela gostava de caçoar e mandar nos guardiões, e pegava no pé especialmente de Thalia. Nathan podia até ser debochado, mas não era maldoso como a irmã.
Assim que eles se dispersaram pelo apartamento, eu me sentei com Steve na cozinha. Ele parecia abatido e cansado.
— Está tudo bem? — perguntei.
— Foi um dia longo. Eu não sabia que Damien estava se metendo em encrencas assim, só fico preocupado. Talvez eu não esteja dando meu melhor.
— Lembre-se que foi ele quem contou tudo. Ele sabe o que é certo e errado, mas sabe, aprontar é coisa de jovem! Deixe o menino ter uma adolescência. — isso fez Steve sorrir.
— É tudo bem diferente agora. — ele suspira. — Adotá-lo foi a melhor decisão da minha vida, entende? Mas as vezes parece que eu faço tudo errado.
— Acho que você faz tudo muito bem. De verdade. — eu confesso. — Todos vocês, na verdade. Mesmo Stark, com suas piadas, mesmo Thor, que não sabe usar o microondas, vocês têm filhos incríveis. Deviam se orgulhar deles.
Ele parece encontrar conforto nas minhas palavras, e logo indaga:
— E você? Não pensa em crianças?
Aquilo me pega de surpresa. Eu nunca pensei em ter filhos, e nem posso tê-los.
— Não sou do tipo materna. — respondo secamente, e ele entende que não quero falar sobre isso.
Pov Thalia
É uma grande decepção para mim ter falhado no meu plano. Claro, eu sei que fui longe demais, mas era pedir muito uma explicação para o divórcio repentino dos meus pais?! Haylee, minha melhor amiga filha de Hill, parece chateada por ter sido excluída do plano.
Ela conversa com Arizona, mas parece alheia à conversa, como se seus pensamentos estivessem em outro lugar. A semideusa não percebe a distância da colega e continua falando sobre alguma coisa em Asgard. Eu estou sentada sozinha no sofá, observando todos, inclusive Elliot e Jonas, os dois outros guardiões.
Eu interrompo a conversa de Haylee. Arizona, a garota com cabelos loiros muito claros e olhos azuis, prontamente sai, me deixando a sós com minha melhor amiga. Ela cruza os braços, claramente brava. A semelhança com sua mãe é grande, exceto pelos olhos cor de café. Mas ela tem cabelos castanhos como os de Maria, cortados no pescoço com pontas na frente.
— Sei que está brava, mas foi o melhor pra você. Eles sempre ganham desconto, nós, guardiões, temos que nos cuidar.
— E o que você estava fazendo lá então? — apesar de ser normalmente dócil, Haylee podia ser bem grossa quando queria.
— Lembra-se de quando contei que eu achava ser o motivo da separação dos meus pais? Eu só queria encontrar pistas se estava certa ou errada.
Ela se empolgou um pouco com aquilo.
— E o que descobriu?
— Descobri que minha mãe tinha um irmão russo, o que achei estranho, ma nada que fosse ligado ao divórcio.
— Talvez o amor só tenha acabado, Lia. — ela tenta, inutilmente, me consolar.
— Talvez. — eu sussurro, pouco convencida.
— Ei, vocês duas! Querem jogar? — Davina nos chama.
— Jogar o quê? — eu pergunto.
— Verdade ou consequência. — um sorriso malicioso se abre nos lábios dela.
— Estou dentro. — replico. Haylee teima, mas acabo convencendo-a.
Davina era a única que eu não gostava naquela roda. Jonas, que era caidinho por ela, às vezes podia ser um babaca também, mas fora eles, todos eram divertidos. Eu teria de me tornar a guardiã oficial de um deles no futuro, mas todos me pareciam boas escolhas. Haylee sempre preferiu os filhos do Gavião, e até teve um curto romance com o garoto, mas eles não viviam aqui, e sim numa fazenda afastada com a mãe. Não faziam parte disso.
— Eu começo. — Davina se prontificou, girando a garrafa no meio do círculo. Ela parou em Elliot, que foi desafiado a escrever uma cartinha romântica para a Viúva Negra.
Todos nós espiávamos da escada enquanto ele, vermelho como um pimentão, lia em voz alta o poema para a ruiva. Steve se matava de rir atrás deles, e ela segurava a gargalhada. Achei isso bem digno dela. Quando ele acabou, ela apenas disse que não ia rolar, e ele subiu correndo, quase morto de vergonha.
E eu sabia que isso era o MÍNIMO que Davina podia fazer. Eu só esperava não cair com ela tão cedo. Logo Nathan estava girando a garrafa, que foi parar em Damien. Ele escolheu verdade.
— Então, você é afim da Thalia, não é? — Damien corou. Eu sorri para ele, mas meu coração acelerou com a pergunta. Ah, eu queria matar o Nathan! Eu desconfiava dos sentimentos de Damien por mim, e apesar de gostar muito dele, éramos mais como irmãos do que namorados.
— Eu não sou afim dela. Eu só... Acho-a uma dama muito... Bonita e inteligente. — ele tropeça com as palavras, o que faz os outros rirem.
— Dama? — Davina ressoa. — Onde você viu uma dama ali?!
— Ah, cale a boca! — eu retruco.
As rodadas vão passando, e o jogo vai ficando interessante, mas então... O momento que eu estava temendo: Davina tem que me desafiar. E eu sei que ela não vai pegar leve.
Fale com o autor