Amor a Toda Prova

3 Capítulo 3 – Ser livre? Eu acho que não!


Lantis pegava a estrada, à noite. O céu ostentava poucas estrelas e um vento gélido adentrava no veiculo pela pequena abertura no vidro. Nakina estava no banco de trás do veiculo, em um sono profundo. Não um sono espontâneo. Mas mesmo assim, um sono. Presa pelas mãos e pés com o selo sagrado.

“Eu não vou lhe dar chances de escapar dessa vez.” Pensava enquanto olhava a estrada se tornar deserta e fria à medida que percorria o asfalto, castigado pelos caminhões e carros que passam diariamente por ela. Ao longe como que no topo de uma montanha uma luz branca, brilhante e intensa, começava a se aproximar deles cada vez mais rápido.... As luzes faziam com que à íris dos olhos do rapaz se contraísse violentamente, ele, por uns breves instantes fecha os olhos. Quando a luz se aproxima revelando-se um caminhão descontrolado vindo ao encontro do carro, buzinando freneticamente. Com que guiado por uma força maior, ele abre os olhos repentinamente, a tempo de desviar o carro para o acostamento, repleto de mato e placas velhas caídas.

O Coração do anjo batia acelerado. O caminhão bateu a poucos metros deles, em uma arvore na beira da estrada com um estrondo.

Nakina recebeu um baque forte e foi arremessada contra o banco da frente acordando num susto. Um, liquido quente e viscoso escorreu pelo rosto da garota, que não ficou nem um pouco satisfeita com a situação...

- O que aconteceu?! – grita nervosa se endireitando, com dificuldades no banco traseiro.

- Quase batemos... – fala ainda nervoso.

- Você quase bateu... Nem dirigir um carro você sabe! – fala nervosa olhando com ódio para Lantis que permanecia virado para frente sem lhe dar atenção, e esboça um sorriso pequeno, ainda com o coração disparado.. – Pra quem dirige só uma vez a cada ano... Até que não estou tão mal assim.

Nakina franze o cenho e revira os olhos, não suportando mais aquela ladainha toda.

- Mesmo assim, você não è capaz nem de me levar até o portal. – sorri maliciosamente.

-Ta pensando que só por causa disso eu não vou te levar pra Illyria? – pergunta se virando para trás e encarando-a, e esperando alguma resposta que não veio. – Mas vou sim! Vamos continuar a viagem, mas antes... – ele se vira para frente e retira do bolso da calça um lenço branco e se volta novamente para ela limpando um filete de sangue que escorria do rosto da jovem, que pode olhar mais de perto e atentamente o rosto alvo e os olhos azuis do jovem anjo. Alguma coisa naquele rosto chamou sua atenção. Alguma coisa diferente. Aquele não era um guerreiro qualquer. Seu jeito de falar e de agir era diferente dos outros que Nakina já conhecerá. Ele era diferente, de um jeito que ela mesma não sabia como explicar.

- Agora sim vamos... – Ele novamente liga o carro, para partirem em direção a Nagoi, onde está o portal. E dessa vez... Sem nenhum acidente ou contratempo.

- Você é estranho.... – fala virando para o lado sem encarar os olhos do anjo que a fitavam através do espelho. Olhos penetrantes. Que ela nunca vira igual.

Já havia algum tempo desde que eles reiniciaram a viagem e o silencio tomou conta do ambiente. Ninguém ousava falar ou encarar o outro. Mas Nakina estava impaciente demais, não conseguia ficar calada por muito tempo.

- Pra que tantas regras... — começa a falar olhando a paisagem noturna da janela lateral do carro. – Se no final das contas, não somos donos da nossa vida. – a voz soou triste e melancólica aos ouvidos de Lantis.

- Regras são essenciais para que se viva em uma sociedade mais justa... – ele começa ditando a ela seus princípios. Mas porque ele estava fazendo aquilo? Não devia nenhuma explicação a ela. Ela era sua prisioneira. Se tiver alguém que devia explicações, era ela.

- Mais sabe o que eu acho? - ela pergunta se voltando para ele.

- Sinceramente? – fala com certa ironia encarando-a por poucos minutos através do espelho retrovisor.

- Somos donos do nosso próprio destino. Sem regras e sem convenções. – ela pára como se estivesse pensando no que falar e completa com embargo na voz. — Sem necessidade de provar nada a ninguém...

Talvez fosse certo. Talvez Nakina estivesse com a razão. Ser dono do seu próprio destino, Lantis nunca havia pensando por esse lado. Esquecer todas as suas convenções, esquecer que teria que substituir seu pai... Esquecer de ser um guardião... E viver uma vida sem regras... – “O que eu to pensando?!” Ele jamais poderia fazer isso. Senão estaria condenado a ser um anjo caído... E essa não era sua intenção.. Ele não podia lutar contra as crenças e destinos planejados de seu povo. Tudo é como deveria ser. E ponto!

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Finalmente Hinay tinha um caminho a seguir, levaria aquele misterioso homem, com vestimentas peculiares, a Nagoi.

A noite ia alta e Hinay estava cansada demais para continuar a viagem em segurança,e seu companheiro de viagem provavelmente não saberia como conduzir um carro visto as péssimas condições que ele se encontrava,parecia até bêbado. Afinal quem em sã consciência, andaria pelo meio de uma auto-estrada correndo risco de se atropelado a qualquer instante?

O rapaz por sua vez não falava nada, seguia em silencio quase sepulcral, com a mão direita que pressionava uma lesão no braço esquerdo. Parecia doer. A marca no pescoço começava a queimar como brasa e ele tombou a cabeça para trás gemendo baixo. Hinay olhou de canto, enqunto a face morena do rapaz se contorcia em dor.

- Você está bem? – perguntou sem olhá-lo diretamente naquele momento, prestando atenção na estrada a sua frente. – Quer que eu pare o carro?

- Não! – a voz pareceu desesperada e rouca. – Continue... Não pare.

- Tem certeza? Você não parece nada bem.

- Tenho... Tenho, não pare! Continue... “Se ela parar o carro Lorde Cannon vai me achar. Eu não sei o que ele fez comigo, não sei! Nem porque ele defende tanto aquela garota que está com o Lantis.Eu tenho que chegar no portal antes do Lorde senão Lantis estará em sérios apuros...” – o coração do rapaz começou a doer como nunca doeu antes,ele levou a mão instintivamente ao peito tremendo ofegante.Ele já sabia o que era e o que significava...

- “Um selamento....” – pensa ofegante. – “Ele me selou, ele selou meu coração. Eu não vou conseguir chegar Lantis... Eu não vou agüentar.” – o ar ficava cada vez mais escasso e a marca arroxeada em seu braço começou a brilhar intensamente iluminando parte do carro. – Hinay!!! – grita de dor. – Pare o carro no primeiro hotel que achar.. RAPIDO! – os gritos ficavam cada vez mais fortes e a dor aumentava. O Guerreiro não agüentaria mais um selamento em seu coração.

- O que foi? – assustada ela pisou fundo no acelerador. O carro disparou pela auto-estrada deserta até chagar em um hotel de beira de estrada que parecia que ia cair aos pedaços a qualquer minuto. Ela se apressou em entrar e pedir um quarto a mando de Hegle.

- Vem já tenho o quarto. – ela o chamou dando um apoio para que ele pudesse andar. A dor era intensa e andar era uma verdadeira tortura, suas pernas já não respondiam corretamente assim como seus olhos que iam perdendo o brilho aos poucos. Já no quarto ela o levou até a cama e o deitou, passando a mão sobre sua testa afastando seus cabelos, molhados pelo suor, dos olhos.

- Vou buscar alguma coisa para você beber. – falou calma e doce saindo de perto dele, quando este a segurou pelo pulso.

- Não vá. Minha hora chegou não adianta mais. Sente-se aqui. – ele colocou a mão na cama indicando o lugar onde ela deveria se sentar. – Sente-se como eu. – ele instruiu e se posicionou cruzando as pernas em posição de lótus.

Mesmo com medo e acanhada ela sentou bem próximo dele. Afinal não tinha nada a perder.

- Hinay.... – ele falou ofegante próximo a ela, mas seus olhos pareciam focar o nada.

- Como você sabe o meu nome... Eu não lhe disse. – ela perguntou já curiosa, pois já era a terceira vez que ele lhe chamara pelo nome sem nem ao menos ela lhe falar.

- Eu não presciso...