Amor a Toda Prova
4 Capítulo 4 - Um novo guerreiro nasce.
Capítulo 4– Um novo guerreiro nasce. Um anjo de luz.
- Eu não preciso... — A dor havia voltado ainda mais forte e ele tomba para frente com a cabeça baixa, mas Hinay o segura levantando-lhe a face. Eles ficaram muito próximos e ela pôde notar que ele não mais enxergava os olhos não possuíam mais reflexos. Ele voltou a falar o mais calmo que conseguiu. – Eu não preciso que você me diga, eu sei. Sei também que seu destino está muito além do fundo de um rio ou do fim de uma auto-estrada.
Hinay olhava para ele com os olhos arregalados e interrogativos.
- Essa noite não foi por acaso que nos encontramos, você foi impedida de fazer uma coisa que não seria bom, você não descansaria assim.
Como ele sabia de seu desejo de por um fim em todo aquele sofrimento?Como ele poderia saber de tanta coisa?
- O que é você? – ela pergunta com medo, se afastando um pouco.
- Eu não tenho tempo pra te explicar. – ele fala sussurrando. –Segure meus pulsos.
Hegle estende seus braços deixando seus pulsos virados para cima. — “Onde eu fui me meter!” – Pensava a morena enquanto colocava as mãos sobre o pulso do anjo. Mesmo com medo, alguma coisa nele lhe passava confiança.
- Assim?
- Aperte! Com força! – ele fala sem hesitação. Estava ciente do que iria fazer, e nunca esteve tão certo de uma decisão. – Talvez você me odeie pelo resto dos séculos. – a voz dele ficou baixa e tremula. – Mas eu não tenho outra escolha. Você saberá o que fazer após... – ele parou hesitante.
- Após o que? – pergunta já com os braços tremendo de medo.
- Minha morte. – ele fala com um fio de voz que restava, fecha os olhos, e enche os pulmões de ar falando as ultimas palavras de sua existência. – Oh nobres espíritos, que guardam os portões de Illyria, obedeçam às ordens de seu fiel servo, e revele nossos segredos a mais nova guerreira. Revele-se espírito da luz!
O quarto foi envolvido por uma luz branca, intensa e reconfortante. Foi como se Hinay visse toda a vida de Hegle em um outro lugar muito diferente de onde ela estava acostumada,sua luta com Lorde Cannon onde seu coração foi selado através de um encantamento diferente posto no braço direito dele. E finalmente a garota entendeu tudo o que precisava. Ela tinha as memórias e o conhecimento dele. Agora toda a responsabilidade que Hegle possuía, estava em suas mãos. E não tinha como fugir.
- Perdoa-me.
Hegle tombou para trás, caindo inerte na cama. Sua vida havia se extinguido e pouco a pouco seu corpo desapareceu. Algumas lágrimas rolaram sobre o rosto da jovem e sua cabeça começara a latejar. Eram tantas informações, tantas coisas novas, que ela não conseguia assimilar direito. Mas não era pra menos. Depois de tanta agitação.
A morena se deita, para descansar, sabia que não podia, Cannon estava próximo, mas ela não teria forças para continuar. Teria que descansar e traçar algum plano.
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A madrugada se tornou intensa e o anjo já cansado de dirigir procurava algum lugar para descansar.
- “Como ser humano cansa!”.
Pensava ele enquanto estacionava o carro próximo a um hotel vagabundo de beira de estrada. Ainda lhe restava algum dinheiro mais do que suficiente para pagar a estadia no hotel, que não deveria ser muito cara visto o estado de lugar, e para comer mais tarde caso ficassem com fome. Agora restava apenas dois dias para o portal se abrir e ainda nenhum sinal de Hegle.
Lantis pegou Nakina pelo braço, soltou os selos dos pés dela, e colocou uma blusa sobre suas mãos.
- Com medo de ser preso? – pergunta com ironia e um sorriso cínico nos lábios. O rapaz de cabelos prateados a olhou com um sorriso pequeno nos lábios. Como ela podia ser tão irritante?
-Quem sabe. – fala adentrando no hotel que tinha uma recepção imunda e vazia, somente com o atendente.
- O que é? – pergunta ríspido um velho de barba e cabelos longos e igualmente brancos, que tinha em mãos um livro bem peculiar.
- Um quarto. – o velho deu uma chave com o numero 14 revirando os olhos e voltando a ler seu livro,enquanto Lantis praticamente arrastava Nakina escada acima.Mesmo presa e sem seus poderes ela oferecia grande resistência e não perdia o veneno.
- Não sabia que você guerreiros eram tão mal educados!Onde já se viu arrastar uma moça! – ela tentava de todas as maneiras afeta-lo, porém o máximo que ela conseguia era arrancar um sorriso simples do rapaz. Ele tinha uma paciência de ouro!E um belo sorriso.
- Você não merece tal educação. – fala se virando para destrancar a porta é quando ele a solta por alguns segundos e a garota dispara pelos corredores. Ele simplesmente olha e vai à direção a ela devagar. – Será que você nunca entende? – fala cansado a pegando pelo braço e levando novamente para o quarto.
- Me larga!!! — ela se contorcia nos braços dele tentando se soltar, mais não conseguia sem sua espada e naquele mundo ela não teria chances com ele, ainda mais com selos. Nada estava dando certo, e ela só queria ser livre.
- Fique ai quieta ouviu!- ele a jogou na cama sem cuidado algum, sua paciência estava se esgotando. — Não adianta tentar fugir. Eu vou te levar para Illyria. – fala se sentando em uma poltrona de frente à cama, e encarando a garota que estava emburrada.
- O que? Vai ficar ai? – pergunta encarando-o indignada.
- Claro! Você acha que eu vou tirar os olhos de você? Depois da ultima vez? De jeito nenhum. Não cometo o mesmo erro duas vezes. – fala permanecendo sentado na poltrona enquanto Nakina cansada se deita na cama resmungando.
- Idiota!
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Tudo estava diferente. Aquela noite em especial, Yuki sentia que seria diferente. O céu de Illyria estava claro sem previsões de chuva. Mas não foi. Um vento gélido começava a soprar carregando as folhas soltas de algumas arvores. As estrelas desapareceram do céu por completo e a lua cheia foi substituída por uma pequena e minguante. O coração da menina de cabelos prateados estava apertado. Apertado demais. Alguma coisa errada estava por vir. Mais ela não sabia o que.
Ela se aproximou da janela de vidro da casa e fixou seus olhos azuis na chuva que caia na rua cada vez mais forte, um raio branco riscou o céu acertando alguma coisa ao longe sendo seguido por um estrondo, e uma lagrima involuntária correu pelo seu rosto e na sua mente veio à imagem daquele que antes a havia confortado. Ela já sabia o significado.
Todos na casa dormiam. Ela tinha que tirar uma duvida. A chuva ainda não havia parado mais Yuki não se importou e nem teve paciência de conjurar nenhuma magia. Também não era preciso, Hegle morava em frente.
Ela abriu a porta da casa, olhando mais uma vez para a chuva que caia, e saiu em disparada. Chegou ensopada do outro lado. Bateu forte na porta, mas ninguém abriu. Uma luz branca começou a sair pelas janelas de vidro do lugar e por todas as frestas.
- Hegle!!! – Yuki agora estava desesperada tentando abrir a porta, tinha até se esquecido de seus poderes. Arrombou a porta e subiu as escadas correndo até o quarto do rapaz. A porta estava entreaberta. Seus olhos azuis tremularam na maçaneta, ela hesitava em entrar. Teria sentido mesmo?Teria sentido o espírito de Hegle ir embora?Ela não queria mais imaginar. Abriu a porta rápida e se deparou com o corpo do amigo na cama, imóvel.
- Não acredito nisso! – os olhos marejados da menina não comportavam mais as lagrimas e elas correram soltas por toda a extensão de seu rosto pálido. Ela se aproximou rápido da cama ainda chorando aos soluços e tocou a face fria e sem lembranças de Hegle, ajeitando seus cabelos castanhos que ele sempre gostava de manter alinhados. Mas Yuki não entendia o porquê o corpo de Hegle não guardava lembranças. Ele não tinha nada. Era como se ele nunca estivesse vivido ou que suas lembranças estivessem sido apagadas. De alguma maneira.
A casa estava em total silencio. Só se escutava o choro de Yuki e a chuva que caia do lado de fora da casa juntamente com o vento. Foi quando ela escuta um estrondo vindo da sala. Alguém havia acabado de entrar na casa. Mas quem poderia ser? Hegle sempre morou sozinho e possuía poucos amigos e nenhuma namorada. Os passos se apressaram subindo as escadas. Yuki se preparava. O que matou Hegle poderia estar indo atrás do corpo ver se o serviço havia sido completado com sucesso. Ela retirou uma adaga que tinha na cintura presa ao cinto da saia, e fechou a porta de um jeito que ficasse entreaberta. Ficou em silencio esperando o quer que fosse chagasse ao quarto.
A porta abriu devagar rangendo aos poucos e..........
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