Amor X Preconceito
39 Capítulo trinta e sete.
Notas iniciais
– Edward, consegui matar sua amada Isabella graças ao seu querido amigo.
As mãos de Edward se fecharam em punho. Ele respirou fundo.
– Por que está me contando isso?
– Agora que você se livrou dos fardos vai ter que concluir seu trabalho, ou melhor, eu irei concluí-lo. Você ficará em meu lugar, comandará tudo daqui enquanto eu mato Nathaniel e aproveito e acabo com a senhorita Denali.
– Você é um assassino.
– Errado meu filho. Nós somos assassinos.
O líquido vermelho de aspecto viscoso deixava claro para qualquer um que o que cobria as mãos de Matt era o sangue de Isabella, mulher de seu amigo... Seu único amigo. Seus olhos estava fixos nos hematomas de Isabella, eram fundos e cobriam toda a extensão de sua barriga, seria algo difícil de curar. O seu rosto estava pálido, sem vida, a respiração tão baixa e calma que conseguira enganar até mesmo Carlisle, um dos homens mais astutos que Matt conhecera. Seus batimentos cardíacos também iam diminuindo drasticamente, sinal para que ele agisse rapidamente.
Matt sabia que mesmo que conseguisse salvar Isabella, Edward não o perdoaria nunca por ter sido “traído”, mas aquilo era algo que iria muito além dele, muito além daquela vida. Matt sabia que teria que fazer o que Carlisle mandasse, sempre foi assim, contudo matar era algo que se sobrepunha até mesmo as mais antigas tradições. Ele caminhava apressadamente em direção ao carro, seu coração martelava contra seu peito, a adrenalina corria por suas veias. Com muita dificuldade, ele abriu a porta de trás do carro e colocou Isabella deitada ali, com o máximo de cuidado que conseguiu. Seus olhos se fecharam numa linha rígida, respirou profundamente e se agarrou ao casaco que lhe cobria. O retirou, ignorado o frio e fez o possível para estancar o sangramento. Matt fechou a porta do carro e entrou no mesmo acelerando no máximo em direção a sua casa. Sabia que lá nem ele nem Isabella estariam seguros, porém rezava para que Carlisle ou Edward não conseguissem ligar os pontos até que ele conseguisse deixar Isabella em uma condição... Estável.
- Vamos. Vamos. – murmurou para si mesmo ao estacionar o carro o mais próximo que pode da sua casa.
Ele saiu do carro correndo, pegou Isabella em seus braços e adentrou na casa sem fazer questão de fechar as portas. Desde quando se formou em medicina montou uma ala hospitalar dentro de sua própria casa, tinha em mente que quando se brincava com lobos sempre corria riscos, esses riscos o levavam ali. Matt deitou Isabella na cama e examinou seu estado, virou-se para fazer a sua higiene e respirou fundo. Aquela seria sua primeira cirurgia e Isabella seria sua cobaia.
Um mês depois
Um mês desde que Isabella teve seus filhos. Um mês desde que viu Edward, desde que descobriu que Carlisle era um canalha. Seu corpo estava se adaptando, aos poucos a cicatrizes iam diminuindo, mas ela ainda se sentia transformada em um monstro, o desejo de vingança havia se intensificado. A culpa da morte de seu filho era de Edward e seus amiguinhos. Ela estava decidida, acabaria com um de cada vez, Edward seria o último, queria ver seu sofrimento ao perder cada pessoa que ama.
- Como se sente hoje? – Matt adentrou em seu quarto, era seu costume, nunca batia na porta, sempre entrava na mesma hora. A examinava, conversavam um pouco e depois saía. Precisava manter as aparências, manter a família Cullen longe dali.
- Da mesma forma que ontem. – ela sorriu como sempre sorria e ajeitou-se na cama. – Obrigada. – sussurrou ao pegar o copo com o remédio que agora era presente em sua vida. Mantinha seus órgãos vitais funcionando. Matt sorriu em resposta. – Você tem notícia sobre... Sobre eles?
- O de sempre. – Matt deu de ombros sentando-se na frente de Bella. – Edward trancou a faculdade, pegou parte da herança da mãe e se mudou para Los Angeles com seu filho e Tânia.
- Ele desistiu de colocá-lo para a adoção? – Não pode controlar a felicidade em sua voz, sentia orgulho do homem que acabou com sua vida.
- Não. – Matt disse rapidamente, queria poupar a decepção em Isabella, mas foi inevitável. – Edward colocou-o para a adoção, mas Tânia o adotou, por isso estão juntos.
- Menos mal. – Mentira. O rosto dela denunciava a raiva em saber que seu filho estava sendo criado por um alguém que não era ela.
- Me preocupo com Nathaniel. – Matt admitiu. – Tânia é uma boa pessoa, mas se apegou muito a ele. Quando você voltar, acho que ela causará empecilhos.
- Ela não fará nada. – falou com convicção. – Nathaniel é meu filho, tenho meus direitos.
- Todos acham que você está morta, perante a justiça, nesse momento, você não tem direito algum, por outro lado, ela está com a guarda, pode ir onde quiser com ele, a hora que quiser.
As unhas de Isabella se cravaram no colchão, ela respirou fundo e voltou a se deitar, a única coisa que poderia fazer nesse momento era esperar.
POV Edward
Loucura. Essa era a explicação mais provável para o que eu estava fazendo agora. Na frente dos meus irmãos, eu e Tânia declarávamos que iriamos nos casar, em seu colo estava Nath, agora, ele precisava de mim.
- Sei que a morte de Isabella é recente, mas tenho que fazer isso. – declarei pela milésima vez para Alice, ela se demonstrava fiel a Isabella até mesmo depois da morte. Algo que deveria me animar, causava-me raiva.
- Só porque quer ficar ao lado de Nathaniel não quer dizer que tem que se casar com Tânia. – ela olhou para a mulher que estava ao meu lado e deu um meio sorriso. – Não que eu não goste de você. Fico feliz que esteja ajudando meu irmão e ao meu sobrinho, mas Isabella...
- Isabella era especial para você. Eu entendo. – Tânia sussurrou, olhei para ela e sorri em agradecimento. Ela era uma boa pessoa.
- Ainda bem que entende. – resmungou Emmett se aproximando. – Tudo bem que se casa com Tânia, mas ir para Los Angeles? E sua família?
- Minha família é você e Alice, somente, convidei vocês para irem comigo, não posso fazer mais nada. – respirei fundo. Não havia contado nada sobre Carlisle para nenhum dos dois, eles não iriam acreditar. Alice idolatrava o “pai” e eu, nunca fui o um bom exemplo.
- Fico feliz que tenha esquecido-se de mim filho. – Carlisle entrou no quarto e respirei fundo controlando a vontade de socá-lo. – Como vai meu neto? – ele se aproximou de Tânia e segurou uma das mãos da Nathaniel. – Cada dia mais parecido com Isabella.
Rosnei puxando Nathaniel para meu colo.
- Longe do meu filho. – dei um sorriso nem um tanto educado. Me aproximei de Alice e a beijei na testa. – Tenha cuidado. – sussurrei em seu ouvido. – As aparências enganam.
Ela fez menção se me perguntar o que eu queria dizer com isso, mas apenas fiz sinal de silêncio. Me despedi de Emmett e levei Tânia dali.
Nunca me esqueceria de Isabella, talvez nunca conseguisse ser feliz ou apagar as lembranças amargas do meu passado, mas tentaria ressarcir o máximo dos danos que causei em todo mundo. Nathaniel era minha salvação, minha válvula de escape, a chance de provar para mim mesmo que eu posso ser algo melhor do que sou hoje. Que posso ser algo bom.
Notas finais
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