Amor, Um Sentimento Confuso
25 Ele tem razão?
Notas iniciais
–Faremos o seguinte, para conseguirmos chegar a algum lugar precisaremos estar hidratados, então, todos voltarão até a vertente, no fim da caverna, beberão da água lá mesmo e trarão o que for possível para cá, Ângela, Isabella e eu ficaremos aqui, já que Ângela esta impossibilitada de andar muito e Isabella me ajudará a cuidar dela.
–Mas e se nos perdermos professor? – Perguntou a retardada da Denali.
–Vocês não vão Tania, Jacob, você assumirá o comando, levará eles e trará de volta, todos entendeu? – Falou Alaric com autoridade olhando para Jacob que assentiu.
–Ótimo, tragam água para nós! – Falou ele e fez um gesto para eles prosseguirem por dentro da floresta, e assim, um por um, eles se foram, guiados por Jacob.
O sol começava a aparecer por entre as frestas das árvores, Ângela dormia e Alaric estava deitado do outro lado da fogueira apagada, enquanto eu estava sentada abraçando os joelhos.
Meu estômago insistia em doer, a fome era tanta que nem fazia mais barulho na barriga, sabia que muitos passavam pelo mesmo que eu, sentia a fraqueza nos pegar, cada dia mais um pouco, até Alaric já estava se rendendo, seus olhos eram cansados, seu rosto pálido e seus lábios nunca perdiam aquela expressão reta e preocupada.
–Você tem certeza do que esta fazendo Isabella? – perguntou ele me tirando de meus devaneios.
–Do que você esta falando? – perguntei olhando para ele, que continuava deitado, olhando para o topo das árvores com a cabeça apoiada nas mãos.
–Você sabe, você e o Cullen...
–O que você tem a ver com isso? – perguntei sentindo meu rosto esquentar.
–Só acho que você deveria ter mais cuidado, Edward não quer um compromisso serio Swan, ele quer se divertir com garotas como você, ele não tem os mesmos sentimentos que você tem por ele, acho que você esta se deixando levar demais pela situação, você não precisa se entregar a ele só porque está aqui, você pode sair um dia, e vamos sair, e garanto que você não gostaria de sair gravida ou com o coração partido!
–Mas... O que... Eu não admito que você venha me dizer o que devo ou não fazer, eu já tive aulas de prevenção de gravidez, e de meus sentimentos cuido eu! – eu estava muito irritada, como ele ousava falar sobre isso comigo, nem meu pai falava sobre isso...
–Só estou tentando ajudar! – Falou ele se sentando de frente pra mim – Já fui jovem Isabella, já fui um Edward um dia na vida, e fiz a maior burrada, perdi pessoas que eu amava muito, perdi uma futura família, não quero que aconteça o mesmo com os outros, mesmo não parecendo, eu gosto de você e de seus amigos, quero o melhor para vocês, sei que vamos sair daqui, voltaremos para nossas casas e teremos uma boa recuperação, mas se recuperar disso não vai ser tão duro como se recuperar de sentimentos feridos, eu sei que você gosta dele Isabella!
–Não, não e não! Eu não quero saber, eu faço o que bem entender e você não em nada a ver com isso, já disse, sei o que estou fazendo.
–Tem certeza? – perguntou ele mais uma vez.
–Sim, eu tenho!
–Bom, se fazer sexo com seu colega de escola só por que acha que não vai nunca mais voltar parta casa é saber o que esta fazendo, vai em frente garota!
Nesse momento corei violentamente, como ele?
–Ah... Eu... Como você...
–Faça-me um favor Isabella, sou um homem formado já, sei muito bem o que se passa por aqui e espero que você tenha cabeça pelo menos para se prevenir...
–Isso não tem cabimento!
–Eu também acho, agora quando você aparecer gravida em casa, não diga que não te avisei!
–Ah, pelo amor...
Apenas revirei os olhos e me deitei bufando, não aguentava mais ouvir aquilo, não sabia o que era pior, se era Alaric saber daquilo, se era o fato de ele estar certo, o fato de eu ser tão burra ou o fato de eu estar morrendo de vergonha.
Não demorou muito e consegui pegar no sono, mas preferia ter ficado acordada, com o sono me veio sonhos, e nada agradáveis, em um Edward estava beijando Tania, em outro eu chegava em casa com uma barriga enorme e meus pais ficavam mudos, sem saber o que fazer, logo depois eu voltava a floresta, perdida, sozinha, com o choro de um bebe vindo do meio do nada.
Acordei suando e com a respiração agitada, Alaric estava em pé, a alguns metros dali, olhando o sol já alto nas pedras do mar.
Ângela se agitava ao meu lado, não demorou muito e ela acordou, com uma expressão de dor no rosto.
–Tudo bem? – perguntei mesmo sabendo que não estava.
–Esta doendo muito Bells, e inchou mais enquanto eu dormia!
–Ah Ângel, tem algo que eu possa fazer por você? – perguntei olhando a ferida enorme e horrenda em seu tornozelo, que estava se espalhando por sua canela já.
–Não há Bells! – Falou ela suspirando e sentando-se – E o pior é que não sei como vou ir com vocês, tenho certeza que não vou conseguir caminhar, vou só atrasar todos...
–Não fale assim, você chegou com todos nós, voltará conosco, nem que eu mesma tenha que te colocar no ombro! – Falei a fazendo sorrir.
–Obrigada Bells!
–Tudo bem, vou ali chamar o nosso ¨querido professor¨.
Andei receosa até ele, quando me aproximei ele falou.
–Teve muitos pesadelos Swan? – perguntou ironicamente.
–Ah... Seu desgra... Não, não tive! – Quase engasguei.
–Não foi o que pareceu!
–Por que você é tão irritante? – perguntei me posicionando ao seu lado.
–Talvez por que você seja teimosa, cabeça oca e eu esteja tentando te ajudar a ser mais madura...
–Não sou cabeça oca, você me subestima demais!
–Me faça mudar de opinião então ¨querida aluna¨!
–Uh... – Rosnei, não sei porque ainda insistia em dialogar com ele.
–Eu só quero teu bem Isabella! – Falou ele se voltando pra mim – Não quero esses olhos chorando! – Falou tocando de leve meu rosto me deixando surpresa e confusa, então ele retirou a mão de minha bochecha e se afastou.
Fiquei um tempo ali, repassando mentalmente a sensação boa quando ele me tocou, o conforto, a delicadeza, as suas palavras e a raiva que eu sentia quando ele me importunava.
Não demorou muito e o pessoal foi chegando, com alguns litros de água, e um bicho morto que encontraram e mataram no caminho, ainda não sabíamos o que era, mas Alaric desconfiava que era um guaxinim.
Depois de assarmos ele e cada um comer um pedaço, com muita urgência pois a fome nos consumia começamos a levantar acampamento para seguirmos, e talvez assim acharmos uma saída daquele lugar infernal.
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