Amor, Um Sentimento Confuso
46 Edward?
Notas iniciais
Bolacha, eu comia bolacha há três dias seguidos. Lembrando dos dias em que fiquei sem nada para comer eu agradecia pelas bolachas.
–Hoje é o grande dia garota! -falou R7 gargalhando euforicamente. Tinha momentos que eu tinha certeza que ele era louco, às vezes era tranquilizador saber disso, outras horas nem tanto, porque nunca se sabe o que um psicopata pode fazer.
Eu nunca fui de perder as esperanças, nem mesmo na floresta, perdida eu perdi, mas já estava cansada de esperar por alguém para me tirar dali. Se ao menos eles soubessem onde eu estava, ou se eu tivesse como avisa-los.
Quando se está preso em algum lugar, ou perdido, você têm tempo de sobra para pensar, e aí que se encontra o perigo de enlouquecer. Não que eu estivesse ficando louca, mas eu pensava muito, em todo que estava acontecendo comigo e no que acontecera, em Edward e seu egoísmo. Eu gostava tanto dele, mas teria que esquecê-lo. Alaric entraria em minha vida, eu deixaria ele me guiar, enfrentaria minha família e quem fosse preciso, só assim conseguiria apagar Edward de meu pensamento. E isso tudo só aconteceria se eu conseguisse sair do cativeiro. Mas se dependesse desses homens à minha frente, um dormindo sentado e o outro com um olhar mortal e frio sobre mim, eu não sairia dali tão cedo.
Devia ser noite lá fora, pois quando R7 saíra do galpão no qual eu me encontrava, e eu me esforcei para olhar pela porta, não pude ver nenhuma claridade, apenas a escuridão. Algumas horas depois, quando o chamado James roncava deitado em um colchão no chão eu tentei me libertar das cordas quê pendiam minhas mãos. Mas era inútil, cada movimento machucava ainda mais meus pulsos. Era minha única chance. Tentei me colocar de joelhos, mas era quase impossível, já que minhas pernas estavam amarradas uma na outra pelos tornozelos. Acabei caindo de cara no chão com uma tentativa em vão. Fiz algum barulho e rezei para que o desgraçado não acordasse com o barulho, mas ele apenas se mexeu, em seu sono profundo e seguiu roncando. Tentei me colocar de joelhos novamente, e me impulsionar para trás, com o objetivo de ficar em pé, depois de muitas tentativas eu acabei desistindo, era impossível ficar em pé com minhas pernas amarradas e as mãos também. Podia sentir a frustração me atingir, junto das lagrimas que rolavam por meu rosto. Sentia minas pernas e nádegas doerem de ficar sentada, eu precisava ficar em pé, precisava andar até a porta, sabia que provavelmente ela estaria fechada, mas eu precisava tentar. Voltei a tentar ficar em pé, meu medo era que ele acordasse ou alguém chegasse em meio a minha tentativa de fuga. Minha sorte era que eles haviam retirado a fica de meus olhos e minha boca, só assim eu conseguiria tentar. Vamos Isabella, é só um salto e você consegue, tem que ser certeiro, um pouco de impulso e equilíbrio e você consegue, vai Isabella. Esse era meu mantra. E assim eu consegui me impulsionar em direção à parede, de costas, batendo com a coluna na parede gelada e ficando em pé, com um colado no outro. Isso garota! Comemorei sorrindo.
A pior parte foi andar até a porta, cai mais de três vezes, e voltava a estaca zero, ter que me por em pé novamente, mas consegui, cheguei até a porta e hesitei ao tentar a maçaneta velha e enferrujada, antes dei uma olhada na direção de James e a girei, ela estava trancada, como eu já desconfiava, deixei-me cair sentada de costas para a porta e entrei em desespero, eu havia suado tanto para chegar até ali, havia tentado tanto, e agora estava tudo perdido, eu não poderia fazer nada, não adiantaria o esforço, não mudaria minha situação.
Deixei o choro tomar conta e chorei desesperadamente, sem nenhum sim, mas com meu mundo caindo por dentro. Era a primeira vez em dias quê eu me permitia chorar. E não chorava apenas por estar sob ameaça de morte, mas por que me trazia lembranças dos dias na caverna e na floresta, e também por que eu não conseguira aquele que eu queria. Sentia-me perdida ao pensar em Edward, ao deseja-lo como nunca desejei alguém antes, sentia-me triste por usar Alaric para esquecer, sentia-me pior ainda ao perceber o como havia sido fútil em nosso último encontro. Eu não era assim, por quê estava agindo de tal maneira?
Lembrei de minha mãe sorrindo ao me despedir, e de como ela insistiu para que eu ficasse em casa, se eu tivesse a ouvido!
Muitas vezes agimos por impulso, sem nos preocuparmos com o que pode vir de consequência, agimos contra os conselhos da família, apenas para contrariar a eles e nos sentirmos realizados com isso, apenas para reforçar o pensamento de que somos jovens e independentes. Mas nunca seremos totalmente independentes, vamos sempre depender de alguém para alguma coisa, seja para um abraço em um dia triste ou para um sorriso na alegria, nossa família nos guia desde pequenos, e quando vamos ficando velhos queremos nos afastar deles, agindo erroneamente, era isso que eu estava tentando fazer, e se tivesse agido de acordo com o conselho de minha mãe, essa hora eu estaria em meu confortável quarto, dormindo alimentada.
Sentia minhas lágrimas secando em meu rosto aos poucos, e minha pulsação se acalmar, eu tinha que manter o controle, eles não podiam me ver assim, se vissem minha fraqueza, seria pior ainda, usariam isso como arma contra minha família. Ouvi passos vindo em direção a porta, por trás de mim e entrei em pânico, só podia ser ele, o R7, voltando para ver se estava tudo sob controle, e se ele me pegasse ali na porta, perceberia que eu estava tentando fugir, talvez ele me batesse, e eu não aguentaria.
Levantei-me mais rápido do que em todas as outras tentativas frustradas e arregalei os olhos em direção a porta quando alguém tentou abrí-la mas notou-a trancada.
–Esta trancada, droga! – Eu reconheceria essa voz em qualquer lugar, meu coração deu um pulo no peito.
–Edward? – Deixei sair uma pergunta rouca e duvidosa.
–Bella! Ah meu deus Bella, é você?
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