Amor Submerso

33 Capítulo 33: Voltando para casa


Notas iniciais
Perdão pela demora gente, mas as atividades na faculdade começaram a aumentar. DA (diretório acadêmico) fervendo com as polêmicas, estágios que eu inventei de fazer duas coisas e 7 matérias a mais e acreditem, 7 matérias é muita coisa!

Pensei em fazer mais nesse capítulo, mas teria uma quebrar de acontecimentos e o próximo é muito importante, então preferi pra deixar pra depois e fazer bem feito e explicado.

Fernando de Noronha continuava a mesma coisa. Turistas aproveitando o verão em um paraíso brasileiro, o clima tropical e aquela natureza tão bela nos circulando. Não pensei que sentiria tantas saudades assim de um lugar, mas afinal foi ali onde tudo começou... Ou melhor, recomeçou para mim. Tínhamos chegado ao inicio da noite, tendo como uma verdadeira benção natural à chance de ver o por do sol no barco abraçada à garota que eu amava.

-Fico me perguntando o que eles aprontaram – Dianna comentou com um leve tom preocupado enquanto chegávamos em sua casa – Espero que esteja tudo inteiro lá dentro.

-Não se preocupe, contanto que esteja todo mundo vivo acho que estamos no lucro – falei com o cenho franzido enquanto a acompanhava.

Dianna suspirou e pegou a chave de casa no bolso indo até a porta. Eu não tinha parado para pensar um minuto sequer em como poderia ter sido uma verdadeira guerra com a pirata e minha mãe sozinhas. Tudo bem que tinha o Nathan, mas ele não era tão poderoso quanto à princesa submersiana. A morena abriu a porta e entrou na frente, a segui logo depois com certo receio... Apenas para ver uma cena típica do nosso dia-a-dia.

-Como se a culpa fosse minha! – exclamava minha mãe no meio da sala de Dianna, ela estava alterada e com o rosto vermelho como sempre ficava quando estava naquele estado.

-Claro que foi! Se você não tivesse...

-Chegamos! – Dianna cortou a fala venenosa de Scarlet.

Assim que entrei um pouco mais notei um elemento que não tinha percebido antes. Havia algo nos pulsos dela, algo que se assemelhava muito a algemas com uma corrente que ligava uma a outra. Pelos deuses, o que tinha acontecido ali?!

-Mãe? – perguntei com medo da resposta.

-Não é isso que você está pensando! – Lynn exclamou extremamente vermelha e parecendo estar envergonhada.

-É exatamente isso que você está pensando – rebateu Scarlet com um sorriso de lado – Ela que não quer admitir. Veja as circunstancias princesa, não tem como negar enquanto não encontrarmos a maldita chave.

-Isso é sua culpa! – Lynn voltou-se para Scarlet com a fúria renovada – Você me prendeu e ainda fez o favor de perder as chaves!

Deus todo poderoso! Encarei a Dianna boquiaberta, seria mesmo possível?! Ela também estava surpresa com o que acontecia, mas era mais que óbvio que aquelas duas inimigas tivessem dormido juntas. Até porque a ruiva tinha confirmado isso com todas as palavras.

-Scarlet, não está na sua mochila? A que você sempre trás? – Dianna tentou ajudar apesar de todos os seus músculos faciais demonstrarem que queria rir.

-Claro que eu procurei lá e coloquei lá! – Scarlet cruzou os braços e bufou – Porém sumiram, então mandei Dante ir atrás de um chaveiro mestre, que faz qualquer tipo de chave. Eu preciso ser salva dessa loira irritante!

-Eu estou preferindo a morte rápida e piedosa a essa tortura sem fim de estar ao seu lado – cuspiu Lynn sem mais tentar manter a calma.

-Se parasse de procurar culpados e assumir o que fez tudo seria mais fácil. Mas fica ai com complexos e gastando saliva. Preferia quando você ocupava sua boca em meu corpo, era muito melhor!

-Epa, eu não mereço escutar essas coisas, eu ainda não processei tudo e prefiro continuar com uma imagem quase inocente – protestei prontamente, minha mãe transando com uma pirata que por acaso odiava? Era demais até mesmo para minha mente.

-Ora, ninguém foi lá no quarto reclamar quando você estava transando com a Dianna e fazendo muito barulho – Scarlet contra-atacou em um tom natural como se falasse de algo trivial.

-SCARLET! – eu e minha mãe gritamos ao mesmo tempo.

Ela ergueu as mãos como se estivesse se rendendo. Respirei exasperada e comecei a recuar, era muita loucura em um lugar só.

-Olha, eu vou pra casa, tomar banho e descansar um pouco, façam o fim do mundo sozinhas. Mãe, você é grandinha, não preciso saber de nada mais do que já foi informado ok? – estava quase implorando, então fitei Dianna e suspirei – Se quiser ir comigo...

-Não, preciso um pouco de minha casa – ela falou fazendo uma pequena careta – Apesar de estar mais para um pandemônio.

-Então quer sair pra jantar mais tarde? – convidei com um intuito sincero de salvá-la daquele lugar.

-É bom, estou com saudades daqui – Dianna sorriu mais animada.

-Filha, espera, como foram as coisas no carnaval? – Lynn pediu tentando se aproximar, mas as correntes a pararam no meio de caminho.

-Melhores impossíveis – respondi com um enorme sorriso.

-Estão usando os anéis – Lynn observou e também acabou sorrindo – Eu senti sua falta filha.

-Não em todos os momentos, posso garantir isso – Scarlet acrescentou com aquele tom malicioso e um sorriso maroto.

Lynn a acertou com um tapa forte na cabeça, a pirata gemeu de dor e fechou a cara. Apesar de tudo não revidou. Scarlet apenas avisou que naquela noite Dante deveria estar chegando e logo estaria livre, então amanhã voltaria o treinamento. Depois me despedi de Dianna com um selinho e segui direto para minha nova casa.

Não iria mentir, enquanto caminhava o pensamento de casa me remeteu ao Hotel Estrela do Mar, onde por muito tempo me senti segura. Agora estava praticamente exilada do lugar. Como eles estariam? Como passaram o carnaval? Sentiriam minha falta? Suspirei frustrada por não ter como responder essas perguntas, ou se ao menos teria direito a isso. Espreguicei-me no meio de caminho e senti que a paz daqueles dias ainda circulava por meu corpo, porém estava muito próxima da data de validade acabar. Quando cheguei em casa agradeci a todas as divindades por estar vazia e silenciosa, precisava descansar e recuperar as energias gastas no carnaval... Se bem que foi um jeito delicioso de se cansar.

Tomei um longo banho, era impossível não me demorar debaixo do chuveiro quando meu corpo sempre se sentia bem em contato com a água. Era quase uma tortura sair dali, porém meus olhos já estavam fechando automaticamente. Foi tempo apenas de vestir um pijama qualquer e despencar na cama praticamente dormindo. Não tive sonhos, o que para aquele momento deveria ser comemorado já que aquela deusa sereia tinha certa mania de mandar mensagens estranhas por eles. Porém ao acordar senti falta do corpo de Dianna ao meu lado. Era tão gostoso abrir os olhos e deparar-me com aquela pele morena e os cachos de seu cabelo esparramados pelo travesseiro ou sobre mim. Suspirei e logo tratei de ligar para ela para confirmar o jantar. Ela também já tinha acordado e parecia estar rindo de mais uma briga de Scarlet e minha mãe.

Fui busca-la e pegamos um táxi até a Pizzaria Massa da Ilha, um dos points da ilha que provavelmente estaria cheio, mas como sempre eu conhecia alguém que logo nos deu uma mesa. O jantar ia tranquilo, conversando sobre coisas que aconteceram em Natal e rindo das besteiras e coisas idiotas que fizemos. Uma sentada na frente da outra para que eu pudesse me perder naqueles olhos verdes de vez em quando.

-Olha só quem eu tenho o desprazer de encontrar.

Aquela voz gelou o meu peito e fez Dianna deixar cair o seu garfo. Nossos sorrisos morreram no instante em que escutamos a voz de Eric. Eu lentamente virei meu rosto para encontrar o meu primo com um sorriso cínico nos lábios, mas com um olhar tão frio que me causou um revirar no estomago que acabou com toda a minha fome.

-Oi Eric – falei quando encontrei finalmente a minha voz.

-Oi minha querida e traidora prima! – Eric exclamou com uma falsa animação, pegou uma cadeira na mesa ao lado e sentou nela – Soube que viajaram nesse carnaval, para onde foram? Aposto que teve uma parada em algum motel barato, ou nem isso foi preciso?

-Eric! – Dianna exclamou o fitando ofendida.

-Você não foi convidado a sentar conosco – falei o mais controlado que podia.

-E olha só, isso são anéis de compromisso? Você nunca quis usar o que comprei para você Dianna, disse que era coisa ultrapassada e que teria de ficar tirando por causa do trabalho – Eric continuou ali com uma energia completamente negativa e forte.

-Mudei de ideia – Dianna respondeu depois de respirar fundo – E não estou mais trabalhando no Santuário.

-Não, você some durante o dia, assim como minha prima fura olho – Eric completou por ela e riu de desgosto – Você amava o seu trabalho, agora está deixando tudo por ela? Logo Fernanda vai cansar de você, como cansou de todas as outras.

-Saia já daqui, você não tem o direito de falar nada de minha vida, não mais! – exclamei perdendo a paciência, levantei da cadeira bruscamente e dessa vez encarava meu primo de forma ameaçadora.

-Oh, tem razão. Você nos abandonou, ou na verdade, você nunca foi de nossa família de verdade – Eric respondeu naturalmente, como se soubesse exatamente que aquelas palavras me magoariam e sentisse prazer naquilo – Foi você que ferrou com tudo, Fernanda.

-E o faria de novo e de novo – disse firme em minhas palavras e isso acabou por surpreender meu primo – Não me arrependo de nada do que fiz, sei as consequências e tenho meus motivos. O que não interessa a você. Não precisa sair, nós vamos, você está tão nojento desse jeito que nos fez perder a fome.

-Vai seguir ela que nem um cachorrinho, Dianna? – meu primo ainda deu seu ultimo golpe ao ver Dianna levantando.

-Eu a amo, ela é minha mulher – Dianna respondeu seriamente – Com ela eu iria até o inferno Eric.

Dianna veio até mim, segurou minha mão e me puxou suavemente até o balcão para que eu pudesse pagar a conta. Minha mão na dela tremia e apesar de toda a máscara que eu estava usando, me quebrava por dentro ver meu primo tão transformado. Como um verdadeiro monstro que não se importava em machucar quem um dia ele amou, seja eu ou Dianna. Assim que saímos fomos caminhando sem um rumo certo, não tínhamos medo do escuro, apenas precisávamos daquele silencio. Eu não me arrependia do que tinha escolhido, isso era um fato, porém não queria dizer que não magoava de uma forma diferente. Respirei fundo e olhei para Dianna que parecia perdida em seus próprios pensamentos.

-Não precisa me seguir até o inferno – falei chamando a sua atenção, quando ela me olhou abri um sorriso sem jeito – Só até as profundezas do mar já está bom.

Ela riu baixo e eu me senti uma verdadeira heroína. Tinha conseguido escutar esse som tão gostoso apesar de todo o clima tenso que Eric havia criado. Minha namorada soltou minha mão apenas para envolver nossos braços e ficar ainda mais perto de mim.

-Nós fizemos nossas escolhas – Dianna disse olhando para as estrelas.

-Está arrependida? – indaguei com certo medo do que ela pudesse responder.

-Quando paro para pensar, não estaria fazendo nada disso se fosse há alguns meses atrás – ela respondeu e suspirou – Eu teria medo, iria preferir algo seguro e acharia isso tudo uma loucura, ao menos no inicio. Não conseguiria aceitar tão facilmente.

-Mas é uma loucura – comentei em um fio de voz, ela estava arrependida?

-É... Mas é uma loucura em que você existe. Aceitei essa realidade porque é seu mundo, e eu quero você por inteiro. Nunca amei alguém nessa intensidade e proporção.

-Então é culpa minha?

-Provavelmente uma boa parte da culpa é sua sim. Mas eu não conseguiria manter uma vida normal por muito tempo se soubesse desse outro mundo. Meus pais me ensinaram as noções de dever e honra, de fazer sempre a coisa certa se você tiver capacidade para isso.

-Talvez você estivesse predestinada a virar uma caçadora.

-Talvez. Mas prefiro a versão de que eu estava predestinada a você e o resto é só consequência.

Foi impossível não sorrir. Quando voltei a olhar para frente me descobri na praia. Instinto ou destino? Não importava, o mar sempre iria me chamar. Dianna também notou onde estávamos e riu, soltou-me e começou a correr até as ondas. Ela apesar de acabar de admitir me amar de uma forma linda, ainda era um espírito livre e com uma personalidade cheia de independências. E era isso que fazia amá-la mais ainda.

Notas finais
Eu sempre acabo pondo um vilão t.t tadinho do Eric =/ próximo capítulo começa a complicar as coisas, aviso logo pra poderem preparar o psicológico *-*