Amor Submerso
32 Capítulo 32: Fim do Carnaval
Notas iniciais
Assim que der eu respondo aos reviews passados! Li todos mas como a faculdade voltou eu to meio avoada mesmo t.t
Os raios solares que adentravam pela fresta da cortina tocavam meus olhos me despertando. Acordei preguiçosa e tão bem que poderia dizer que estava no paraíso. Ia espreguiçar-me, mas um peso sobre meu corpo me impediu de me mover como queria. Sorri completamente boba e apaixonada ao ver que Dianna estava com a cabeça deitada em meu ombro, sua perna sobre minha cintura enquanto seu braço envolvia meu corpo me abraçando. Fazia calor, mas de certa forma o lençol que outrora nos cobria estava apenas sobre nossos quadris e indo até o joelho. Até inconscientemente não iriamos nos soltar? Suspirei e sorri mais ainda. Deuses, o que acontecera na noite anterior parecia fazer meu corpo ainda estremecer apenas com as lembranças, como se em meu corpo ainda guardasse resquícios vívidos de cada toque e sensação.
–Nanda, acorda! – Sarah bateu na porta sem muita delicadeza – Você está muito ferrada amiga!
–Hum – Dianna remexeu em meus braços.
–Fala baixo porra! – briguei tentando inutilmente salvar o sono de minha musa, mas aqueles olhos verdes abriram-se sonolentos.
–Eu estou avisando, você não vai acreditar que...
–Fernanda Fontaine!
A porta abriu-se bruscamente me fazendo automaticamente pegar o lençol e puxar para cima para cobrir o corpo nu de Dianna, consequentemente cobrindo o meu. Meu coração disparou ao ver quem era a invasora. O olhar enraivado e surpreso de Lorena me fez encolher um pouco na cama, afinal de contas havia esquecido completamente de minha melhor amiga!
–Eu não acredito nisso! – Lorena exclamou olhando para mim e Dianna – Você roubou mesmo a namorada de seu irmão!
–Primo – a concertei um pouco sem jeito, olhei para Dianna que piscava várias vezes como se tentasse voltar a realidade – Lore, pode ficar um pouco lá fora? Eu me arrumo e tento explicar o que está acontecendo.
–Dez minutos, ou invado isso aqui de novo! – Lorena exigiu em um tom frio.
Ela e Sarah saíram de vista e eu acabei afundando a cabeça no travesseiro. Droga! Como eu poderia esquecer minha melhor amiga? Perdi e quebrei meu celular tantas vezes que não era surpresa não ter contato com Lorena ou qualquer outro ser fora de Fernando de Noronha. Mas eu deveria saber que em algum momento Lorena iria se preocupar e procurar respostas com meus tios. Porém que culpa eu tinha? Minha vida estava virada ao avesso em tão pouco tempo! Eram treinos pesados, riscos de morte, monstros do capeta e uma namorada maravilhosa para ocupar minha mente!
–Parece que voltamos a realidade – Dianna comentou deitando ao meu lado.
–Ela vai me matar! – exclamei quase choramingando.
–Porém ela não mentiu, você foi bem tipo assaltante, não foi? – Dianna provocou sorrindo.
Aquele sorriso foi o suficiente para me distrair. Por incrível que pareça, aquela era a primeira vez que acordava ao lado da morena depois de uma noite de amor. E ela estava mais que linda, porém não havia encontrado adjetivos melhores para tentar nominar aquela imagem. O cabelo cacheado estava bagunçado e caindo por seus ombros nus, seus olhos verdes estavam muito claros entrando em contraste com a pele morena.
–Devia ser pecado você ser tão linda – reclamei virando meu corpo para ficar parcialmente sobre ela – Mas não importa, a verdade é que eu te sequestraria, roubaria, teria só pra mim quantas vezes fosse necessário pelo resto de minha vida.
–Acho que posso aceitar esse destino – Dianna acariciou meu rosto e deu um rápido selinho – Mas acho melhor levantarmos ou a Lorena vai matar nós duas.
Deixei minha cabeça cair em derrota e Dianna me empurrou para o lado. A observei levantar mordendo o lábio sem nem perceber, ela estava completamente mordida, arranhada e marcada por mim. Eu imaginava que estaria pior ainda por minha pele ser mais clara do que a dela. Mas foi então que lembrei algo que havia planejado para esse carnaval que me fez saltar da cama e vestir a primeira calcinha e sutiã que encontrei.
–Espera, espera! – pedi apressada – Antes que as coisas voltem para a rotina de quase morte da gente, eu tenho algo!
Como pude quase esquecer daquilo? Dianna já estava parcialmente vestida, com um vestido de botão completamente aberto exibindo o sutiã branco que ela usava. Fui até uma das malas e comecei a jogar as coisas para fora até achar o pequeno pacote que procurava. Sorri grande e encontrei Dianna sentada na beirada da cama me encarando curiosa e intrigada.
–Eu pedi uma ajuda a minha mãe e também esperei um momento certo, um que fosse só nosso. Eu teria lembrado antes, mas você quase me deixou sem pensar esses dias – comecei a falar um pouco nervosa, rápido e quase sem respirar – Não que tivesse sido ruim, claro que foi bom, e se eu pensava estava pensando coisas com você e provavelmente eram maliciosas e gostosas e...
–Fernanda – Dianna me cortou paciente – Foco, nosso tempo está acabando. O que há?
Respirei fundo tomando coragem. Aproximei dela e ajoelhei a sua frente e depositei a pequena caixa de veludo preto sobre a sua coxa. Podia escutar um suspiro e Dianna suspender a respiração enquanto suas mãos iam até o pacote e o abriam. Quando ergui meu olhar encontrei o dela emocionado e sorrindo apaixonadamente. Dentro da caixa tinha um par de anéis de cor prata, mas não eram anéis comuns.
–Somos namoradas, ou melhor, uma da outra e socialmente falando tenho de formalizar isso com o anel de compromisso – falei mais calma, peguei um deles e estiquei minha palma esperando que Dianna oferecesse a dela – Mas como eu disse, queria algo especial e pedi a Lynn. Ela disse que só me daria os anéis se eu conseguisse fazer uma magia de alta complexidade perfeitamente e foi por isso que fiquei treinando por um bom tempo.
Coloquei o anel de compromisso em Dianna e beijei sua mão. Quando ela aproximou os dedos de seus olhos, sorri grande ao ver que ele fez um reflexo de luz em tom azul e lilás completamente mágico no metal prateado. Os reflexos eram discretos, apenas para aqueles que ficassem olhando por mais de alguns segundos e de perto, tomavam a forma de pequenas ondas e brilhava apenas no material do anel.
–É lindo! – a voz de Dianna não passava de um sussurro.
–E mágico – completei com um grande sorriso – Feche os olhos e relaxe, apenas deseje que o anel faça a sua mágica e funcionará.
Dianna me olhou intrigada, mas respirou fundo e fechou os olhos calmamente. Não passou nem um minuto para ela abrir os olhos com espanto e sorri encantada.
–O anel tem a mesma propriedade que meu colar com pingente de concha, tem a capacidade de trazer boas lembranças quando quiser – falei em um tom baixo e bobo – Porém é mais específico, ele vai te fazer lembrar momentos comigo já que temos o lance do vínculo. Eu sabia que nem sempre vamos poder ficar juntas, talvez tenhamos de nos separar por algum motivo ou missão. Mas ainda assim queria você perto de mim de alguma forma e... Nossa, isso fica tão meloso quando falo em voz alta, é muito grudento para você?
–Não! Não! – Dianna negou com a cabeça, pegou o anel e minha mão e colocou o anel com muita delicadeza – Nunca ouse tirar isso aqui, ou já sabe.
–Sim, enfrentar a aprendiz pirata – ri boba e em um movimento fiquei em pé para dar vários selinhos em minha mulher – Agora... Enfrentar nossos problemas, eu não sei por que precisava ser muitos.
–Ao menos nossas vidas não serão monótonas.
Revirei os olhos e peguei a primeira roupa que vi pela frente, um shortinho jeans e uma camiseta com uma estampa de urso panda um pouco folgada em meu corpo. Dianna terminou de se arrumar e passou os dedos por seus cachos que logo ficaram no lugar. O meu cabelo era mais problemático, mas só deu para dar uma arrumada rápida, pois logo Lorena estava gritando da sala. Sabia que teria de inventar alguma mentira ou contar meias verdades, essa era minha vida agora e ninguém além de Dianna poderia saber. Fomos de mãos dadas e encontramos apenas Sarah, Lorena e Rafael nos esperando.
–Onde está Rodrigo? – perguntei franzindo o cenho.
–Ficou em Natal – Lorena disse seca, levantando do sofá e cruzando os braços – Agora poderia me explicar como inferno isso aconteceu?
–De forma resumida... As coisas foram piorando aos poucos, aconteceram algumas coisas estranhas que me envolvem e quando não suportei mais tentei fugir para o Rio – comecei a explicar e relaxei quando senti o aperto na minha mão dado por Dianna.
–Mas eu fui atrás dela – Dianna completou com um timbre tranquilo – Eu escolhi a Fernanda, Lorena. Eu que fui atrás dela. Ficamos no Rio um pouco, conheci os amigos dela de lá.
–Sim, foi pressionando Luana que eu consegui algumas informações – Lorena acenou com a cabeça ainda séria.
–Mas bem, foi uma fuga, meu tio e Eric foram me procurar e nos encontraram – terminei de explicar – Rolou uma briga e mesmo assim ficamos juntas, assim como tem de ser.
–Você sabe o que provocou? – Lorena indagou fitando Dianna com certa fúria – Essa família podia ter vários defeitos, mas eram sempre unidos. Fernanda e Eric eram como irmãos de verdade! E você os separou!
–Lorena! – reclamei prontamente, a interrompendo enquanto podia.
–Cala a boca Fer! Você está tão cega de paixão que não ver que ela trocou o Eric fácil e causou essa briga?!
Porque Lorena estava exagerando? Porque ela estava assim tão agitada? Talvez estivesse com mais raiva por ser a última a saber, e quem sabe com ciúmes por eu ter escolhido a Dianna? Porém não importava, eu não poderia deixa-la atingir a minha musa daquela forma!
–Não seja ridícula Lorena, há coisas que a gente não pode controlar. Pare de exagerar! Eu sei muito bem o que fiz e as consequências disso – avancei na direção de minha amiga soltando a mão de Dianna – E o faria de novo! Porque eu amo essa mulher com todas as minhas forças, chega a ser insano!
–Isso é impossível, vocês mal se conhecem!
–Ela me conhece melhor até mesmo que você.
O olhar de mágoa de Lorena me fez ter certeza que eu tinha atingindo em um ponto muito delicado. Lorena recuou e fechou a cara para mim. Respirei fundo tentando me controlar e falar com mais calma.
–Sinto muito Lore, mas eu encontrei a minha mulher, lutaria por ela contra quem for. Mas seria muito mais fácil se minha melhor amiga estivesse comigo.
–Melhor amiga? Essa não seria a Luana? Afinal você correu para ela não é? – Lorena quase esbravejou, como eu havia pensado... Ciúme.
–Você estava feliz com seu namorado conhecendo a família dele, não iria te atrapalhar – falei sincera e me aproximei mais – Eu nunca estive tão feliz na minha vida, da mesma forma que sei que um dia vou me casar com essa morena.
–Um dia muito distante – comentou Dianna ao fundo baixo, mas ainda assim que deu para ouvir, a olhei um pouco surpresa – O que? Ainda sou humana o suficiente para achar que casamento é algo muito sério!
–Basta eu sair um pouco para você perder completamente a linha, não é? – Lorena disse ainda emburrada – Que fique claro que eu não sou de acordo com nada disso, ainda acho que você está falando porque está cega por uma paixão muito forte. Isso te custou muito caro e um dia você vai notar e eu vou rir e dizer que te avisei!
Sorri e fiz que sim com a cabeça antes de correr e abraça-la antes que Lorena mudasse de ideia. Por mais que eu soubesse que seria mais fácil afastar minha amiga de mim por causa de minha nova vida... Eu não conseguiria. Seria egoísta o suficiente para manter aqueles meus amigos o máximo que fosse possível.
–Bom, vou fazer o almoço já que está perto do meio-dia – Dianna falou compreensiva – Rafael, Sarah, venham me ajudar.
–Gosto desse jeito mandão – Rafael prontamente levantou e correu para o lado de Dianna.
–Pode deixar que eu fico de olho nele – Sarah garantiu finalmente falando algo – Eu nem sabia da metade dessas coisas, mas não e matem ok?
Todos eles me deixaram um pouco só com Lorena, o que era ótimo. Pude contar para ela coisas que aconteceram entre mim e Dianna, nada que envolvesse o meu lado sobrenatural, mas todas as baboseiras que garotas apaixonadas contava para a sua melhor amiga. Claro que Lorena me zuou por causa das marcas visíveis em meu corpo e eu fiquei vermelha como um pimentão ao ter de admitir que com Dianna eu tinha sempre o melhor sexo, as melhores noites de amor. Se bem que não era apenas a noite.
O almoço ficou pronto e como se existissem apenas para comer, o resto da casa acordou. As gêmeas não estavam ali, o que aliviou bastante já que eu sabia que Dianna ficaria tensa. Fiquei imaginando como seria na universidade, eu tinha mais fama do que atos realmente realizados! Antes eu não me importava, mas vejamos, agora eu sou uma moça muito bem comprometida. As conversas foram agitadas, muitos perguntando de coisas sobre nós duas já que descobriram que eu tinha praticamente sequestrado Dianna.
–Eu aposto que se tivesse me conhecido antes teria sido eu a te sequestrar! – Daniel provocou dando o seu melhor sorriso charmoso.
–Não mesmo! – exclamei lançando um olhar mortal a ele.
–Nada contra as lésbicas, sabem disso, mas nada me convence que a falta do instrumento é desvantagem! – Daniel comentou sincero e sem medo de ser criticado – O que me dá um ponto a favor.
–Seu idiota – falei por puro impulso.
–Hum – Dianna sorriu de lado – Então seja sincero também e me diga, quantos orgasmos já deu em uma garota? O seu record?
–Dois em uma única transa, longo e intenso – Daniel admitiu com um sorriso orgulhoso.
–Por favor, estou querendo almoçar – reclamou Lorena com uma careta.
–Ontem depois do quarto eu não consegui contar mais quantos eu tive – Dianna contou naturalmente me fazendo afundar na cadeira completamente na cadeira pela primeira vez tímida, já que minha mente só lembrou como havia sido perfeito – Então acho que a Fernanda ainda tem todas as vantagens mesmo sem um brinquedo.
–Mentira isso! – Sarah exclamou surpresa – Fer, fala a verdade!
–Ah... – Comecei a brincar com o garfo já que a comida havia acabado – Foram seis na verdade.
–A safada está tímida, então é verdade! – ria Lorena esquecendo até da comida.
–Acho que vou virar travestir depois dessa informação, seremos inimigas Dianna! – Rafael brincou na maior perturbação.
–Nem nos seus sonhos, querida – Dianna respondeu entrando na brincadeira.
E assim se seguiu o resto do almoço e parte da tarde. Cheio de brincadeiras e perturbação já que ali todos eram amigos, diferentes e que se respeitavam. Logo tivemos de ir arrumar nossas coisas e como eu havia feito uma verdadeira bagunça para achar o anel Dianna mostrou seu lado ingrato preferindo ficar deitada a me ajudar. Demorei quase uma hora para conseguir guardar tudo e fechar as mochilas que tínhamos levado. Assim que terminei pulei encima da morena que estava cochilando na cama e como vingança a enchi de cócegas até que ela perdesse o ar rindo.
–Obrigada por me trazer aqui – Dianna falou depois que recuperou o fôlego – Seus amigos são bem divertidos, fazia tempo que eu não ria tanto em uma conversa com tanta gente.
–Quando começar a faculdade só tende a piorar – comentei sorrindo e deitando ao lado dela – Ah, e não acredite em tudo o que falarem de mim, ok?
–Acho que farei justamente o contrário, você era uma mulherenga Fernanda Fontaine – Dianna disse com um belo bico formado nos lábios.
–Era – disse convicta – Não existe morena mais deliciosa, especial e corajosa para me namorar a não ser você.
–Já disse que não gosto de um cotidiano normal – ela sorriu grande e depois me olhou um pouco brava – está me distraindo, eu tenho ciúme!
–Então estamos kits, porque eu também tenho. E sei que muitos marmanjos vão tentar te roubar de mim, o que é uma pena porque eles vão quebrar a cara. Quem sabe literalmente?
Dianna riu e me abraçou, mas antes que fizéssemos algo bateram na nossa porta anunciando que era hora de partir. Pois bem, a minha realidade que era mais fantasiosa do que o real estava nos chamando novamente. Porém esses dois dias serviu para um merecido descanso e apenas confirmar o que era obvio. Dianna era minha parceira, minha única mulher, seja por causa do vinculo, seja porque meu coração a escolheu, seja porque fosse perfeita para mim.
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