Amor Submerso

30 Capítulo 30: Segundo dia (Parte 1)


Notas iniciais
Desculpem a demora, tive um bloqueio terrível para escrever qualquer coisa. Fiquei jogando skyrim e batman, não briguem comigo, a mulher gato é sensual demais t.t

Por favor, leiam as notas finais ><'

Pov Dianna

A cidade parecia um pequeno formigueiro cheio de energia. Estava acostumada com turistas, mas ali na capital praieira do Rio Grande do Norte conseguia ter pessoas de todos os tipos e lugares. Assim que chegamos as ruas já estavam em festa e eu não pude deixar de me impressionar com a quantidade de foliões e nas criativas fantasias. Aquele era o primeiro carnaval que eu realmente participava, nos Estados Unidos era completamente diferente.

-Não vamos conseguir um táxi, vem, vamos por um atalho – Fernanda segurou firme em minha mão, ela estava sempre sorrindo, como uma criança que estava se divertindo em seu parque favorito – Se formos pelas ruas principais vai dar problema, principalmente se já tiver começado a tradição de melar de lama.

-O que?! – reagi completamente surpresa e andando mais ao lado dela como se assim pudesse me proteger.

-É carnaval! Não tente entender! – Fernanda ria de minha reação.

Nossos passos eram rápidos, passamos por ruas estreitas e andamos por cerca de vinte minutos naquele ritmo apressado. Procurei ficar perto sempre de minha menina, não queria me perder no meio de tanta gente bêbada e que libertava seus demônios. Finalmente chegamos em uma praia, a rua parecia não ter mais espaço para pessoas, mas mesmo assim todos pulavam e cantavam a música que um trio elétrico tocava. Só percebi que estava com uma expressão de surpresa e medo quando Fernanda começou a rir e prometer que iria proteger-me. Revirei os olhos e a segui novamente para a praia, que apesar de cheia parecia mais calma. Lindo engano. Em cada barraca parecia ter uma festa diferente com estilos basicamente opostos.

-Saímos de uma praia e viemos para outra – comentei soltando minha mão da de Fernanda para ajeitar meus cachos que teimavam em cair em meus olhos.

-Por favor, você namora uma meio-sereia, o que esperava? – ela brincou rindo feito boba.

Foi impossível não sorrir, era tão gostoso vê-la feliz e animada daquele jeito que me fazia ignorar aquele barulho e multidão. O que importava era que naquele momento estava apenas eu e ela, nada de um mundo mágico ou problemas com ex-namorados.

-FERNAAAANDA!

Um grito agudo e estridente superou até mesmo a música alta. A dona era uma garota de cabelos pretos e pele bronzeada, alta e fofa. Porém para minha surpresa, Fernanda também gritou daquele jeito e correu para a garota se jogando em seus braços quase derrubando a criatura. Arqueei minhas sobrancelhas, quem diria que a Fernanda seria capaz de agir como patricinha gritando em um reencontro? Mas afinal, pouco sabia sobre como ela era aqui, em Natal. Conhecia alguns nomes de seus amigos, algumas aventuras que ela deixava escapar e de como amava o seu curso. Observei de longe um pequeno grupo levantar de uma mesa da barraca que tocava um brega terrível e vim cumprimenta-la. Dois garotos, um muito magro e o outro com um jeito descontraído com um estilo mais surfista. Foi justamente esse que me encontrou e logo sorriu de um jeito maroto com seus olhos castanhos começando a brilhar com segundas intenções. Fernanda seguiu o olhar dele, fechou a cara e o bateu no ombro. Não pude segurar um riso e finalmente comecei a me aproximar.

-Mais respeito Rafael! – a escutei protestando séria – Essa musa morena é minha namorada.

E assim que fiquei perto o suficiente Fernanda enlaçou minha cintura me puxando para perto. Depois eu que era a ciumenta, porém não podia deixar de acha-la fofa com aquele jeito de mostrar a todos que eu era dela. Sorri para eles e acenei um pouco sem jeito.

-É sério isso?! – a garota perguntou quase em um grito de puro choque – Nunca pensei que viveria para ver você namorando.

-Se for mentira, posso tornar seu carnaval inesquecível gata! – o garoto magro provocou com um ar mais brincalhão do que sedutor.

-Daniel, aquieta o fogo ai! – Fernanda reagiu prontamente – Enfim, Dianna esse são uns amigos da universidade. Sarah faz medicina, Daniel engenharia civil e Rafael farmacologia. Galera, essa é Dianna Rowell Alencar, minha, vejam bem a ênfase em MINHA, namorada.

-Prazer é meu – disse tentando conter o riso – Fer, podemos sentar? Viemos andando até aqui e...

-Claro princesa! – Daniel prontamente se ofereceu e ele mesmo foi buscar duas cadeiras extras para a mesa onde estavam alojados.

Seguimos e Fernanda ainda era provocada por estar em compromisso sério. Isso apenas me lembrava de que no passado a minha garota havia sido uma verdadeira mulherenga. O que eu fiz? Fiquei mais perto dela ainda, sempre que podendo com a mão envolvendo a dela ou pousada em sua perna de forma distraída. Eu não era possessiva até conhecer Fernanda que parecia encantar a todos com o seu jeito extrovertido e impulsivo.

Passamos o primeiro dia praticamente naquela área. Na barraca bebendo e comendo junto com os amigos dela que, diga-se de passagem, eram animados e com uma conversa muito maluca. Na maior parte do tempo eu estava rindo. Depois da terceira bebida Fernanda já estava animada e falando algumas besteiras, pior ainda, fazendo dancinhas engraçadas e se divertindo como bem entendesse. O problema foi quando avisaram que o trio que ela mais gostava iria passar, fui arrastada para aquela multidão que pulsava energia e alegria. Foi impossível não me contagiar, pulei e bebi, dancei com minha menina e até ficamos sobre os ombros dos garotos para poder ver melhor a banda que tocava lá encima. Porém o melhor de tudo eram os beijos, sem medo de sermos vistas, sem culpa, com aquela euforia própria do carnaval.

Quando chegamos tarde da noite na casa dela em Natal estávamos mortas de cansaço. Cada uma tomou banho em um banheiro diferente e ficamos no quarto dela, conversando abraçadinha. Sonhando em como seria quando as aulas começassem e eu fosse parar ali, em Natal estudando oceanografia. Fernanda foi a primeira a apagar, deitada virada para mim me permitindo adormecer enquanto a admirava em silêncio.

Na manhã seguinte, fui acordada com vários beijos pelo rosto e uma mordida no lábio. Isso só me fazia pensar que seria delicioso acordar todos os dias assim. Não me importaria mais se quando formos para a capital morássemos juntas.

-Me deixa dormir mais um pouquinho – implorei com uma voz dengosa – estou com um pouco de dor de cabeça por causa da bebida.

-Então eu vou dar beijinhos de amor, nunca aprendeu que isso sara tudo? – Fernanda respondeu.

Antes que eu dissesse qualquer coisa, ela me deu um longo e lento beijo. Eu esqueci até mesmo de onde estava pouco tempo depois, concentrada naquele beijo que parecia acalentar todo o meu ser. Passamos incontáveis minutos ali, nos beijando de forma despreocupada quando o celular de Fernanda tocou. Eram seus amigos nos chamando para Macau, Fernanda não me perguntou se iriamos, apenas confirmou e olhou-me com um sorriso travesso e malicioso naqueles lindos lábios.

-Vamos para Macau, uma das melhores cidades para se estar no momento – ela anunciou saltando da cama – Vamos tomar banho?

Ela estava com aquele olhar de segundas, terceiras intenções. Não resisti, levantei rapidamente, a puxei para mim e a agarrei para que fossemos para o banheiro juntas. Eu não sabia explicar, apenas entendia que não havia palavras para descrever o sexo com Fernanda. Não, era mais que isso, era fazer amor, um amor tão verdadeiro que todos os meus sentidos e até mesmo alma se envolviam em cada carícia e beijo. Era como um mergulho profundo e só nosso, onde só havia nosso amor e o prazer. Definitivamente era viciante. O resultado foi que chegamos atrasadas para o ponto de encontro, iriamos em uma van que era do pai de Rafael. Havia mais pessoas, amigos de amigos que logo se tornaram nossos. Fernanda sempre falou disso para mim, que ela acabava conhecendo sempre mais pessoas quando saia com seus amigos. A viagem passou rápido para nós, ficávamos rindo de besteira, cantando músicas antigas ou escutando piadas esquisitas que Daniel adorava contar.

Como em todo ponto turístico no verão nordestino, aquela cidade estava superlotada. Parecia pequena para tantas pessoas animadas. Era final de tarde e fomos todos para casa de um dos novos conhecidos onde poderíamos nos arrumar para ir assistir uma banda. Pus um short curto vermelho e uma blusa preta caída nos ombros, brincos e colar dourados e uma maquiagem feita minunciosamente. Queria ficar linda para a minha menina. Eu fui à última a sair do quarto, já que fui à última a ir tomar um banho. Porém, assim que eu cheguei à sala simples e pouco decorada parei bruscamente. Havia mais duas garotas ali, idênticas. Gêmeas que estavam perto demais de Fernanda que ria de alguma coisa que uma delas falava. Minha memória possessiva prontamente lembrou o que a Nanda disse sobre ter ficado com duas gêmeas de uma vez só. Não duvidei de que eram elas.

-É impossível a Fer estar namorando! – disse uma delas quase gargalhando.

-Estou dizendo, e é uma baita de uma morena gostosa – Rafael afirmou quase rindo também.

-Acho que ganhei a noite só com esse elogio – finalmente falei denunciando a minha presença.

-É quase uma injustiça andar perto da Dianna – Sarah reclamou com os olhos grudados em mim – Volta pro Olimpo, Afrodite!

O jeito emburrado de Sarah apenas deixou a sua frase ainda mais engraçada. Ri e enquanto eu me aproximava de Fernanda ela levantava e vinha ao meu encontro. Passei o braço ao redor da cintura dela e a puxei de forma possessiva para perto de mim.

-Amor, essa é Bianca e Brenda, o Rafael encontrou elas na rua quando foi comprar bebida – Fernanda apresentou e sorriu feito uma grande boba quando olhou pra mim – Meninas, essa é minha mulher, digo, namorada.

Sorri e dei um longo selinho como um prêmio por ela ter me declarado sua mulher. Depois levei meus lábios até o ouvido dela para falar e só a Fernanda ouvir.

-Se essas forem as gêmeas que você comentou e eu ver você dando mole para elas eu juro que vou te mostrar tudo o que aprendi com Scarlet de uma maneira prática e efetiva – murmurei em um tom ameaçador e ciumento.

-Depois eu sou a maníaca do basquete e a ciumenta – Fernanda comentou baixo e depois riu – Linda do jeito que você está é mais fácil eu sofrer um acidente porque não conseguir tirar os olhos de você.

-Chega de segredinhos vocês duas – Daniel reclamou e quase gritou – Vamos para a festa!

O pessoal se animou e fomos andando até a área onde estava acontecendo os shows. Não deixei de ficar surpresa ao ver que tinha bandas famosas de fora para se apresentar ali. Naquela noite me soltei mais ainda, dancei com os amigos da Fernanda, ri e pulei mais que o normal. Bebi apenas um pouco, não queria deixar que ficasse a ponto de não curtir plenamente aquele momento. Afinal poderia ser um dos raros daqui pra frente. Ao contrário de Fernanda que parecia estar bebendo algo que nem ela sabia o que era. O engraçado era como uma ficava de olho na outra, sempre que um dos meninos se aproximava cheio de gracinhas Fernanda ficava mais séria. O mesmo acontecia comigo, principalmente quando uma das gêmeas chegava perto. Ambas possessivas.

-Já está bom Nanda – falei perto de seu rosto para que ela me escutasse, pegando de sua mão o copo de plástico com uma bebida avermelhada.

-Meu amor, minha tchutchuquinha! – Fernanda me agarrou visivelmente alterada – Vamos trocar chocolates?

-O que? Chocolates? – perguntei confusa, a segurando para que não caísse.

-Sim, eu te dou sensação e você me dar sem parar, que tal?

Não segurei a gargalhada com aquela cantada. Ao menos minha menina era uma bêbada feliz e engraçada, não ficou chata apesar de ter me obedecido e parado de beber. Ela aproveitou nossa proximidade e me puxou para dançar coladinho. Sorri de uma forma mais maliciosa e a afastei o suficiente para girar o meu corpo, ficar de costas para ela e dançar da forma mais provocativa. Fernanda puxou-me contra seu corpo, minhas costas foram pressionadas por seus seios, meu bumbum colado ao quadril dela. As mãos circularam minha cintura e para provoca-la mais ainda comecei a rebolar lenta e sensualmente.

-Sabe por que Macau é um dos lugares mais famosos para ir durante o carnaval? – Fernanda sussurrou de forma pesada no meu ouvido, senti um arrepio transpassar todo o meu corpo – Por causa do mela-mela.

-Mela-mela? – perguntei distraída demais com aquela voz rouca.

-Sim, o povo se mela de mel... Poderíamos voltar mais cedo e aproveitar a tradição, não acha?

Virei meu corpo para ela e seu olhar estava mais sóbrio do que nesses últimos dias, carregado por um desejo que fez meu corpo estremecer por dentro. Como resposta eu a beijei, mas foi um daqueles beijos devastadores. Não me importei de que estávamos em um lugar superlotado, com os amigos dela nos vendo. Fernanda pareceu também esquecer ou não se importar, pois retribuiu ao beijo sem pudores o deixando ainda mais forte e necessitado.

-Vamos sair daqui – ela falou com os lábios colados nos meus.

Apenas fiz que sim com a cabeça, peguei na mão dela e partimos sem nem ao menos nos despedimos ou avisar alguém. Havia uma necessidade maior, mais forte e mais dominadora tomando conta de nós duas e que precisava urgentemente ser saciada.

Notas finais
Então, tenho algumas coisas para pedir a vocês que me ajudem, então quem for comentar poderia responder pelo menos uma das questões?

Próximo cap. com orange, mas na visão de quem? Dianna ou Fernanda?
Estava pensando em dividir a história em duas partes, a segunda parte seria narrada nas visões da Scarlet e Lynn. Preferem assim ou preferem que continue com a Fernanda?
Pensei em um par pro Nathan, a Nat (ça linda) me sugeriu um garoto, porém fiquei pensando se não ia ficar estranho só casal homo na fic. O que acham? Uma garota ou um garoto pro Nathan?