Amor Submerso
15 Capítulo 15: Fugindo
Notas iniciais
Novamente tive aquele sonho com a sereia morena e quase gigante. Dessa vez ela estava a minha frente olhando-me preocupada e chegou há inclinar um pouco para observa-me mais de perto. Mas logo ela recuou e novamente abriu as mãos em paralelo e mostrou-me o símbolo circular, com o tridente e as espadas. Dessa vez eu vi em seu olhar um desejo... Mas eu não consegui perguntar o que ela queria, ou muito menos pronunciar qualquer outra coisa.
Acordei em um sobressalto, agitando a água ao meu redor. Respirei fundo várias vezes para conseguir acalmar-me e por minha mente para funcionar. Estava na caverna de minha mãe, mas como eu fui parar ali? Sentei em uma espécie de cama coberta por algas que eram incrivelmente macias. Balancei minha cabeça tentando por minhas lembranças em ordem e logo virei meu olhar para meus ombros. Estavam bem e completamente curados.
“Finalmente acordou” – Lynn nadou a minha frente – “Sente-se bem?”
“Um pouco confusa... Onde está Dianna?” – perguntei assim que me lembrei de que a trouxe para cá.
“Acho melhor você ver por você mesma”.
Minha mãe nadou até perto de mim e inclinou até poder encostar a testa na minha. Fechei meus olhos tendo um péssimo pressentimento. A cena que se seguiu mostrava ela cuidando de mim e Dianna ao seu lado murmurando coisas do tipo “isso é impossível, o que está acontecendo, quem é você, ela vai ficar bem?”. Porém Lynn estava concentrada em meus ombros, apontando a mão em direção de ambos para que pudesse curar. Apenas depois de uns dez minutos Lynn virou para Dianna e se apresentou como minha mãe. Ao que parecia Dianna ficou ainda mais chocada do que estava, a pele morena estava já a ponto de ficar quase branca.
“É uma longa história, humana. Mas imagino que você seja a garota que toma o coração de minha menina” – Lynn disse daquele jeito calmo que só ela tinha – “Está machucada? Posso ajuda-la”.
“Eu... O que está acontecendo? Como posso respirar debaixo da água? Como Fernanda fica toda cheia de tatuagem neon e consegue criar água do nada?” – Dianna disparou nas perguntas.
“Ela criou água?!” – minha mãe sorriu em puro orgulho, mas lembrou de que o tema principal não era esse – “Não sou eu quem deve contar, mas sim minha filha. Isso se você quiser saber o que está acontecendo realmente, se... Quiser ficar com ela do jeito que ela for.”
Um silêncio de quase um minuto se fez. Dianna encarava-me deitada com um olhar pesado, preocupado, mas com algo a mais que eu não sabia dizer o que era.
“Isso tudo é loucura!” – ela balançou a cabeça – “Eu só quero ir para casa e acordar desse pesadelo!”
“Prefere acreditar que isso é um sonho? Pense com cuidado Dianna Rowell Alencar, pois se não puder aceitar isso, não poderá aceitar Fernanda” – minha mãe de repente ficou séria.
“Isso aqui é mentira! É irracional! Sereias? Coisas negras que lançam fogo pela mão?! Eu respirar debaixo da água?! Como quer que eu aceite isso tudo?! Eu só quero acordar e voltar para minha vida normal!”
Ela havia mesmo surtado, estava a flor da pele e com um peso tão grande nos olhos que assim que Lynn afastou-se interrompendo a imagem eu senti meu coração se quebrar novamente. Dianna havia me recusando, recusando essa parte que agora fazia parte de minha vida. Tudo bem, era pedir demais acreditar que tanta loucura fosse verdade... Mas se ela não conseguiria, do que adiantava ficarmos juntas e pô-la em risco novamente? Lynn sentou ao meu lado na cama e fez o seu costumeiro carinho em meu cabelo, aquilo me acalmava e me ajudava a pensar melhor.
“Nathan a levou para casa, ela está em segurança e dormindo graças a uma alga sonífera” – Lynn avisou.
“Há uma magia em seu livro” – comecei com um fio de voz mesmo que em pensamento – “Uma magia da memória. Eu... Eu quero que ela esqueça isso tudo”.
“Você tem certeza?” – a sereia encarou-me com dúvida.
“Sim. Que apague tudo, até mesmo... Eu. Nathan pode fingir um acidente, os médicos pensarão que foi amnésia” – dizia em um modo automático, com um olhar frio. Minhas emoções me abandonaram no momento em que tinha decidido isso – “Ela me esquecendo irá poder ficar segura, ao lado de Eric que é humano”.
“Filha isso...”
“É necessário” – a cortei e enxuguei meus olhos por pura mania humana de livra-se das lágrimas – “Você viu como ela reagiu. Eu senti na pele o que era vê-la em perigo. É melhor para ela, é melhor para mim. Você viu Órion partir, meu pai ser capturado. Por favor, não queira que eu veja isso acontecer com a Dianna, ainda mais que ela nem mesmo é capaz de aceitar tudo isso”.
Ao que parece eu atingi um ponto em cheio em minha mãe. Eu a abracei apertado, permitindo-me chorar e ao mesmo tempo consolá-la pela falta que ela tinha do meu pai. Ficamos ali por quase meia-hora. Minha mente viajando por pensamentos dolorosos e depressivos. Assim que tive força suficiente para erguer-me daquela cama de algas tomei mais uma decisão.
“Eu vou para o Rio” – avisei a Lynn e lhe sorri – “Apenas por uma semana, a ilha já não é segura, é um meio de deixar Nathan livrar-se dos rastros sem que eu crie mais. Também vou ficar afastada, sem correr riscos de ver Dianna sem querer. Eu iria desabar assim que a visse surgir linda do jeito que é. Será bom rever alguns amigos e esquecer o susto que passei”.
Ela encarou-me por alguns segundos, suspirou e balançou a cabeça de forma positiva. A abracei novamente em uma despedida, mas antes Lynn avisou-me que Nathan iria fazer a magia da memória, ela mais do que nunca poderia sair da caverna já que o Povo da Sombra finalmente mostrou sua presença tão perto. Dessa vez, quando Flash apareceu para dar-me carona, ele parecia ter notado a minha tristeza e até encostou sua cabeça em meu braço em uma carícia ao seu modo. Sorri boba com o gesto e o abracei também.
“Obrigada por vim em meu socorro ontem, eu não teria conseguido sem você. É um ótimo hipocampo guerreiro, tenho certeza disso” – falei para ele o bajulando a ponto de escutar um relincho debaixo da água evidentemente orgulhoso.
O montei e com facilidade me mantive sobre o seu dorso. Assim que cheguei ao hotel estava ainda molhada da água do mar, driblei a todo custo meus tios para chegar a meu quarto. Tomei um rápido banho, arrumei uma mochila de costas com coisas básicas, verifiquei meu cartão de crédito e identidade e...
-Fernanda Fontaine! – tio Saulo gritou esmurrando a porta – Abra agora! Eu perdi o meu cartão, mas pode ter certeza de que se não abrir eu arrombo.
Meu coração disparou. Eu não queria sair daquele jeito, não almejava que fosse dessa forma. Mas precisava desesperadamente sair de Noronha. Então fiz o que uma boa jovem faz quando está em uma situação dessas: fugi pulando a janela. No meu caso, a sacada. Em meu novo estado, quando meus pés pousaram no chão o máximo que eu senti foi um formigamento subindo por minhas pernas por causa do impacto. Da mesma forma foi fácil escalar o muro do hotel e saltar para a rua principal. Depois de tanto treinamento finalmente notava os seus reais efeitos em mim. Não foram apenas os meus sentidos que haviam mudado e apurados, mas meus reflexos e equilíbrio. Afinal de contas, se não fosse por causa disso ontem eu teria virado um verdadeiro churrasquinho.
Chamei um táxi e me afundei no banco do carro. Nesse exato momento Nathan poderia estar retirando as memórias dela. Dianna sequer iria lembrar-se de meu nome... Ou de nossos beijos, mesmo que tivessem sido apenas dois. Balancei a cabeça com força e busquei o meu celular em minha mochila, entrei em minha agenda até encontrar o nome que queria: Luana Coelho. Disquei e tive de esperar apenas até o terceiro toque.
-Finalmente lembrou que eu existo! – Luana reclamou assim que a ligação começou – É bom que você tenha morrido e só ressuscitado agora, é a única desculpa que aceito por não ter me ligado até agora!
-Oi coelhinha – cumprimentei usando o apelido que ela mais odiava, suspirei e sorri triste – Foi quase isso. Mas veja pelo lado positivo, estou fugindo para o Rio. Tenho abrigo?
-Está falando sério? – Luana mudou o tom assim que percebeu como o meu estava.
-Sim. Estou indo para o aeroporto agora. Provável que eu faça uma parada em Natal para pegar outro avião para o Rio. Preciso de meus cariocas agora, desesperadamente.
-Vai ter de me explicar tudo direitinho assim que chegar aqui. Ligue-me para que eu vá te buscar no aeroporto, ok?
-Pode ter certeza que sim, obrigada viu coelhinha?
Desliguei o celular e deitei a cabeça no encosto do banco em que estava. Provavelmente Dianna iria fazer as pazes com Eric, ele iria ficar tão preocupado que se transformaria em qualquer coisa apenas para fazê-la bem. Meu primo poderia ter muitos defeitos, mas cuidava muito bem das pessoas que ele gostava. E ele a amava. Lutei fortemente contra as lágrimas, ali ainda não era o momento para chorar, ainda não. Meu celular começou a tocar, o número do tio Saulo e a foto dele com tia Rita apareceram no visor. Suspirei e desliguei o aparelho.
-Está tudo bem moça? – o motorista perguntou quando estacionou em frente ao aeroporto.
-Pretendo que fique – murmurei para ele e passei o cartão para pagar.
-Faça uma boa viagem, espero que melhore.
Sorri fraco para ele e entrei no aeroporto. Odiava voar, mas se fosse pelo porto todos me reconheceriam e avisariam a tio Saulo. Então a única saída era uma viagem pelo ar. Fiz absolutamente tudo em um modo automático. Sabe aqueles momento em que seu corpo é movido apenas porque seu coração e respiração aconteciam apenas porque era um ato involuntário? Era basicamente isso o que acontecia comigo. Estava me sentindo terrivelmente fraca, sem emoção nenhuma alimentando meu fluxo de energia ou até mesmo me tornando humana naquele momento. Era apenas uma casca vazia que estava abandonando o único ser que me foi mais importante que minha própria vida. Comprei as passagens, fiz o check-in e felizmente havia um avião para sair em menos de quinze minutos, então pude entrar na aeronave quase vazia e apenas esperar.
Fiquei ali, olhando a pista de voo lamentando não poder ligar o celular para poder ficar escutando músicas depressivas só para piorar a minha situação. Soltei um longo suspiro e notei que chorava apenas quando toquei meu rosto para apoiar em minha mão. Fechei os olhos com força e afundei ali na poltrona do avião, pondo meu braço sobre os olhos para tampá-los e me permiti chorar em silêncio. Sai de meu mundo obscuro apenas quando escutei um baque de alguém tropeçando perto de mim, por instinto virei o rosto... E meu coração disparou alucinadamente.
-Estou bem! – Dianna sorria inocente – Tem alguém do seu lado moça? Parece que já tem gente em minha poltrona e não queria incomodar o senhor, ele parece bem sério.
-Dianna, o que faz aqui?! – exclamei incrédula.
-Já nos conhecemos? – a morena me fitou confusa, foi como se meu corpo fosse transpassado por mil lâminas – Ah, você deve ter me visto no meu show no Santuário certo?
Ela sentou ao meu lado de uma maneira confortável e eu tratei de limpar meu rosto, mesmo que minha vontade fosse de chorar mais ainda. Dianna tinha mesmo me esquecido? Então o que estava fazendo ali no avião?
-Não deveria estar no parque temático? – perguntei sendo seca sem querer.
-Hum... Não sei se devo dar satisfações a uma estranha, mas você parece tão tristinha. Então, eu preciso pegar um material em outra cidade, recebi essas ordens logo essa manhã e tive de vim correndo, quase que não consigo pegar o voo.
-O destino é bem cruel mesmo – suspirei e balancei a cabeça em pura derrota.
-Disse algo?
-Nada.
Virei o rosto para a janela e me afastei o máximo possível dela. Porque sempre que fugia acabava sempre encontrando ela? Já não bastava tudo o que fiz? Não foi suficiente? Deus, Poseidon, Anfitrite, parem de brincar comigo!
-Qual seu nome? – Dianna perguntou tentando ser gentil.
Resmunguei e cruzei os braços. Não iria dar assunto, não poderia, ou a agarraria e ela com certeza me bateria. Meu lábio inferior teimava em tremer, denunciando todo o meu estado de incomodo e perda profunda. Queria chorar tanto até soluçar e perder a voz. Mas não o faria na frente dela, provavelmente quando encontrasse a Luana...
-Você tem cara de quem se chama Fernanda.
Foi impulsivo, mas acabei virando o rosto para ela. A morena estava com o braço apoiado no apoio da cadeira e o corpo inclinado para mim. O cheiro dela me invadiu em cheio assim como a visão daquela mulher tão linda... E que nunca seria minha. Foi ai que eu surtei, levantei abruptamente disposta a pular do avião se fosse necessário.
-Eu mudo de lugar! – exclamei – Pode dar licença?
-Não gosta de minha companhia? – ela perguntou em um tom choroso – O que eu fiz?
-Quer. Dar. Licença? – falei pausadamente e com raiva.
-Você não pediu com carinho quando mandou Nathan apagar minha memória, pediu? Porque eu deveria usar de gentileza com você?
Meu corpo paralisou no lugar e meus olhos que tanto fugiam dela a encontraram. Dianna estava agora evidentemente zangada, com os braços cruzados e me fitando como se assim pudesse me matar. Cai na minha poltrona por não poder me segurar em pé, minhas pernas ficaram moles de repente.
-Você se lembra. – era uma afirmação e não uma pergunta.
-Cada detalhe que você tentou tirar de mim e...
Eu não deixei que ela terminasse. Ela lembrava, por Deus, deuses, tudo que fosse sagrado! Inclinei meu corpo, segurei nos braços dela a imobilizando e a beijei. Em verdade, meus lábios pressionaram os dela com certa força, Dianna tentou se soltar e até mordeu meu lábio inferior com força, mas de que importava? Minha morena se lembrava! Forcei a entrada de minha língua e a beijei afogando todo o meu desespero e tristeza. Não soube quando Dianna se rendeu, mas senti quando o beijo tornou-se mais incrível e apenas nosso. Nossas bocas se buscavam com urgência, eu precisava provar para mim mesma que a tinha ali, em meus braços e lembrando-se de mim. Mas assim quando ela tocou meu rosto e sentiu as lágrimas que desciam em sequência Dianna afastou a boca da minha me presenteando com um olhar preocupado e carinhoso.
-Você se lembra de mim – murmurei mais para mim mesma, ainda sem conseguir acreditar. O alívio era tão grande que só naquele momento eu soube a besteira que tinha feito.
-Lembro sim, minha sereia.
Um riso rouco escapou de minha garganta. Ela havia mesmo me chamado daquilo? Mesmo assim eu me derreti por completo. Levantei o encosto do braço que nos separava e a abracei o mais forte que podia assim como ela me agarrou mantendo-me sempre por perto.
-Senhoras, por favor, vamos levantar voo, poderiam por os cintos? – a aeromoça apareceu ao lado das poltronas com um olhar neutro.
Afastamo-nos um pouco e a mulher foi embora. Respirei fundo diversas vezes, olhei ao redor tentando identificar qualquer sinal de que isso fosse um sonho. Mas Dianna pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos.
-Como isso é possível? – indaguei impressionada.
-Eu acordei quando Nathan começou a fazer... Aquilo. Perguntei o que estava acontecendo e ele me explicou para que eu tivesse uma escolha – Dianna contou, levantou nossas mãos e mordeu a minha com certa força me fazendo soltar um “ai” – Com que direito você toma uma decisão dessas?
-Você não... Minha mãe me mostrou a sua reação e... Era melhor assim, você ficaria em segurança, sem nenhuma ligação comigo. Estaria com o Eric e protegida de meu novo mundo – expliquei em um tom baixo e sem consegui fita-la – Eu tinha de fazer algo para que não me odiasse ou tivesse medo de mim.
-E o que aconteceria com você? Me esqueceria e iria se envolver com alguma outra sereia? – Dianna apertou minha mão com certa força.
-Não, morreria amando você – respondi sincera, finalmente olhando para aqueles olhos verdes.
Dianna suspirou e sorriu mesmo tentando controlar. Qualquer resquício de raiva saiu de seu olhar depois de minha declaração. Mas então o avião começou a se mover e eu a segurei com certo desespero, odiava de verdade voar. Dianna riu de minha situação e passou o braço no meu, ficando bem pertinho de mim.
-Eu realmente surtei com tudo, me desculpe – ela falou baixo perto de meu ouvido – Mas então me lembrei de como você me protegeu, como me beijou. E todo o resto não pareceu importar tanto, eu não quero esquecer o seu toque ou o seu sorriso. Mesmo que seja ainda muito bizarro pensar que aquilo tudo é verdade, prefiro acreditar apenas em você.
-É perigoso – fechei os olhos querendo acreditar em cada palavra que ela dizia – Por isso a tratei daquele modo no hospital. Não queria te envolver nisso tudo.
-Eu vi de perto que é bem perigoso. Mas também vi você fazendo coisas incríveis para me proteger – Dianna disse convicta – Não vai se livrar de mim, Fernanda Fontaine.
Comecei a sorrir até que meus lábios se repuxassem em um verdadeiro sorriso bobo, apaixonado e enorme. Depois de tantos sustos finalmente a tinha para mim...
-E o Eric? – meu sorriso morreu prontamente.
-Irei terminar com ele assim que chegarmos de... Para onde estamos indo? – Dianna perguntou confusa.
-Serio que não sabe?! – virei o rosto para ela surpresa.
-Não, Nathan fez uma macumba lá que fez o meu chefe me liberar e a aeromoça me deixar entrar – Dianna deu de ombros.
Macumba? Ri divertida e encolhi na poltrona quando o avião decolou. Respirei fundo quando a aeronave finalmente planou no ar. Ao que parecia às coisas haviam mudado completamente. Ao meu lado estava o meu desejo mais proibido tornando-se real, segurando minha mão para servir de apoio em minha pequena fobia de aviões. Mas no fundo apenas imaginava o que Luana iria dizer ao ver quão linda a minha morena era. Porque naquele momento eu tinha certeza de que ela era minha.
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