Amor Proibido

33 O Princípio do fim... - Parte 1


Notas iniciais
Esse é o último capítulo, ou a primeira parte dele. Espero que gostem, eu realmente chorei. Não tenho ideia de como vai ser a parte 2, mas vou tentar escrever antes do aniversário da fic. Siiiiim, se eu ñ me engano dia 24 Amor Proibido faz um ano! Bem, espero que gostem.

Saímos de casa alguns momentos antes, mas encontramos muitas pessoas nos abordando sobre as fotos íntimas que vazaram no aniversário dos gêmeos. Não respondemos nada, não temos qualquer certeza. Então entramos no teatro.

Cinco indicações, três estatuetas do filme, mas aí vem o Oscar de melhor ator. Lucas aguarda a indicação, e é indicado. Aquele envelope contém o vencedor, ou como eu digo, o Arrastador do Oscar.

— The Oscar goes to... — envelope aberto, é a hora. — Lucas Garcia.

Meu marido comemora e eu o abraço. Ele vai até o palco, fazendo as maluquices dele, afinal, ele ainda é um jovem de 22 anos.

— Bem, eu gostaria de agradecer a todos os que trabalharam comigo e incentivaram a continuar esse trabalho. A emoção que estou tendo de ganhar meu primeiro Oscar é imensurável. Obrigada à equipe que produziu tudo para que saísse perfeito, vocês são demais. Meus agradecimentos ao elenco, vocês me recepcionaram muito bem e podem ter certeza que eu vou voltar feliz demais para o Brasil. Mas, preciso agradecer e entregar esse prêmio que, na real, é muito para ela. Por mais que ela só ficou comendo Cheetos no estúdio, ela merece, pois ela me atura, cuida de nossos filhos e está gerando mais um. Sabrina, esse prêmio é para você por ter acreditado em mim e por ser minha esposa. Obrigado. — ele desce do palco e me beija, com a câmera nos seguindo. Então o ator que está apresentando o Oscar de 2018 sobe até o palco e elogia meu marido.

— Obviamente terão mais prêmios para você, pode ter certeza. — disse o apresentador. Lucas estava tremendo, então segurei a sua mão e Arthur chutou.

— Te amo. — sussurrou e eu sorri como uma resposta. Também.

...

— Partiremos pra Guarulhos de manhã cedo. — Lucas diz depois que chegamos do evento. Estamos no quarto dos gêmeos. — Acredito que as malas estão prontas.

— Okay, Lu. Eu preciso dormir e tenho que ver o Eric porque ele está com um pouquinho de febre.

— Olha, eu vou pro nosso quarto. Se precisar de ajuda só me chamar, tá bom?

— Tá. — ele sai e eu fico acariciando meu clone em versão masculina. — Vai ficar tudo bem, amor. Vai ficar tudo bem. Mamãe vai estar aqui com você. — sussurro, e tudo fica escuro. Acordo e Eric está melhor. Pego meu celular e vou iluminando até o meu quarto. Lucas está dormindo. Deito ao seu lado e ele abre um pouco os seus olhos, me abraçando. Me aconcheguei em seu peito e ele sussurrou.

— Você me ama. Verdadeiro ou falso?

— Verdadeiro. — acariciei sua mão e dormi.

Maldito despertador. 5h da manhã! A parte boa é que Lucas me acordou com beijinhos de bom dia no meu rosto.

— Só não beijo a sua boca porque você está com bafo. — diz e eu o olho desafiadora

— Eu acabei de acordar, Sr. Bala de Menta.

— Eu sei, senhora.

— Senhora não! Eu ainda tenho 21 anos.

— Eu tenho 22. Haha!

— Engraçadinho. Amor, as malas dos gêmeos estão prontas? — pergunto levantando-me da cama.

— Sim.

— Beleza, vou escovar os dentes. Bom dia! — vou para o banheiro e fecho a porta. Pela primeira vez depois de casada, parei para prestar atenção em meu corpo e em como estou. Meus seios cresceram e existem algumas estrias. Poucas, mas ainda tem. O corte da cesariana dos gêmeos ainda está visível, o que me faz ficar alegre. Saber que sou mãe de duas coisinhas fofinhas como Luísa e Eric, logo mais Arthur. Então começo a escovar os dentes, meu cabelo está feio aos meus olhos, vou inovar um pouco. Talvez luzes, cores fantasia, sei lá. Vou me arrumar para o meu marido, porque não posso ser vaca leiteira sem valor.

Saindo do banheiro, me vista e ligo para Natália, ela vai me buscar no aeroporto.

— Amor, o táxi chegou. — Lucas diz pegando Eric e a mala dele e do Eric. Pego Luísa, minha mala que tem as coisas dela junto e desco até o hall.

Quando embarcamos, deixamos as crianças aonde dormimos, elas estavam dormindo tranquilamente. Acariciei minha barriga, com 5 meses de gestação, e Lucas beijou meu pescoço. Simplesmente, eu perco o controle da situação quando ele beija o meu pescoço. Me viro para ele e recebo um beijo quente... maravilhoso... macio... maravilhoso... eu já falei que foi maravilhoso? Então o avião treme, e os olhos de Lucas ficam esbugalhados, fazendo com que ele pule em meus braços, e eu caia sentada na cama, e ele se trema todo no meu colo, assim como o avião.

— Você é uma marica! — digo rindo e ele sai do meu colo.

— Claro, essa coisa tremendo no meio do oceano, quem é que não fica com medo? Aliás, querida, meu nome é El Macho! — ele diz encarando-me.

— Tá, El Macho. Você é uma marica.

— Se eu sou uma marica eu vou te desafiar a pular de paraquedas comigo, depois que o Arthur completar um ano.

— Desafio aceito. — vou rebolando em direção à comida.

Sento na poltrona novamente e começo a ter boas lembranças da minha temporada nos EUA.

* FLASHBACK-ON*

— Acho que ela vai gostar dessa pelúcia, não vai? — Lucas diz comprando uma boneca de pelúcia da Minnie para a menininha.

— É só tu torcer pra ela não ter rinite. — digo comendo Cheetos de requeijão.

— Você é pessimista, né? — ele diz pagando a pelúcia.

— É o que eu mais sou. Tá ótimo. — então é quando ouvimos um "Luuuuuuuucaaas!" E meu marido corre para abraçar a garotinha que corre ao seu encontro.

— Lucas? — ela diz tocando o rosto do meu marido. — É você mesmo?

— Sim, sou eu. — a garotinha está em seu colo e vejo seus olhos ficando cada vez mais cinzas por causa das lágrimas. — Amor, tira uma foto minha com ela, por favor. — tiro a foto e dou um "joinha". — Mocinha linda, como é o seu nome?

— Emma.

— Emma? É o nome de uma pessoa que trabalha comigo, sabia?

— Sei. É do filme que você está fazendo agora, 360 graus. E ela é a Cherry. — colocaram o nome da personagem de Cereja! Quando Lucas me entregou o roteiro eu ri muito com esse nome. Lucas é Finn.

— Gente, ela é minha fã número um! — ela ri e Lucas dá um beijo em sua bochecha.

Fiquei imaginando como será quando nossos filhos crescerem, ele é carinhoso. É uma criança em corpo de adulto.

*FLASHBACK-OFF*

...

— Natáliaaaaaa! — digo indo em direção à minha amiga, então abraço-a.

— Barrigudinha! — ela diz passando a mão em minha barriga. — Como foi a viagem? Eu vi a cerimônia.

— Foi ótima! Você não vai me dar um trakinas ruivinho não?

— Bem, eu ia te falar isso. Eu estou com suspeita de endometriose.

— Amiga! Que horror! Mas você tá bem, né?

— Estou sim, meu amor. Não precisa se preocupar, é só suspeita. Pedro que está meio abatido. Mas estamos bem.

— Eu sinto muito mesmo amiga... — digo entrando no carro com Lucas no banco de trás juntamente com os gêmeos, que estão dormindo. — Nati, as crianças falaram pela primeira vez.

— Que lindos! Ah, Lucas, parabéns pelo Oscar, você merece. Adorei o 360 graus, você foi ótimo.

— Valeu fera. — Lucas diz enquanto estamos a caminho do condomínio em Alphaville. — Você também está ótima. Uma gostosura.

— Você também, gathenho! — ela diz e eu rio.

Sinto chutes fortes, Arthur se agita intensamente de modo que nunca aconteceu, nem quando eu estava grávida dos gêmeos. E as luzes vermelhas, laranja e amarela piscam iluminando meu rosto.

— Calma, Arthie, mamãe está aqui. — sussurro alisando minha barriga. A atenção de Lucas se volta para mim. Ele está bem arisco durante essa minha gravidez. — Arthur chutou.

— Sabrinaaaaaaaaa! Deixa eu sentir. — coloco a mão de Natália na minha barriga. — Ai que lindo!

— Você ainda vai sentir na sua, amiga. Vai sim.

— Espero. — ela diz e seca as lágrimas.

'No silêncio, na calmaria que antecede a dor. No escuro, na pausa entre a chuva e o primeiro trovão. Seja a minha canção. Estrofe, ponte e refrão. Quando a porta recusa se abrir e eu bato em vão. Quando vejo de longe o trem partir com o bilhete em minhas mãos. Seja a minha canção. Estrofe, ponte e refrão. Quando o lápis resiste obedecer e eu tento lhe impor. Quando o copo balança em minhas mãos e eu temo compor. Seja a minha canção. Estrofe, ponte e refrão. Seja minha canção, o primeiro trovão. Seja a minha canção, o bilhete em minhas mãos. Seja tudo o que perdi. Seja o que está por vir.' Essa é a melodia, quando as coisas não rimam com a vida. Quando tudo parece perdido. Precisamos de alguém que seja a nossa canção, o motivo de viver. E o meu eu encontrei, vagueei pelo Colégio Figueiredo até encontrar. Caí? Sim, e muito. Mas me levantei e caminhei novamente. Me descobri, descobri as pessoas, confiei, traí, mas não cometi meu erro novamente. Esse é o lado bom da vida, ela te dá chances até acertar. Mas não faça da vida um rascunho, podes não ter tempo de passar à limpo.

Chegamos no Alphaville, saímos do carro e eu medeito no sofá. Nada melhor do que um sofá confortável! Lucas coloca as crianças no quarto já que não dormi nada no avião com a crise de tosse que Luísa teve. Deito no sofá pequeno toda dobrada, eu gosto disso. Em poucos minutos eu estava inconsciente, desmaiada, dormindo profundamente.

...

Formatura da classe de Direito. Eu estou me formando, graças!

Entro no palco do teatro, os 6 meses de gestação não são disfarçados pela beca. Resolvi colocar minha calça preta com alguma camisa das que comprei com Lucas hoje mais cedo. Calça preta, camisa prata, salto preto fosco. Eu ADORO coisas foscas. Muitos fotógrafos foram barrados por causa do escândalo das fotos íntimas que não foi resolvido. Me aproximo do microfone ajustável naquele púlpito e olho para Luísa que dá um gritinho fofo dizendo "Mamãe!". Sorrio e começo o discurso que foi preparado.

— Nesta noite, — minha voz ecoa e eu sinto vergonha. — pessoas sairão com seu futuro traçado, com seus caminhos escolhidos e rotas que são decididas por cada um de nós. — olho para o papel, de modo que o discurso me desagrada e o silêncio predomine no lugar. O discurso era injusto, era egoísta, era sensacionalista. Não posso fazer isso. Guardo os papéis e olho para a coxia, quem havia preparado o discurso estava me olhando em desaprovação. Eu não sigo roteiros. — Me perdoem, meu discurso dizia coisas horríveis. O que eu falar a partir de agora é a mais pura realidade, okay? Eu assumo as responsabilidades se falar algo demais. Bom, essa noite é a noite dos sonhos para cada um de nós. Por exemplo, eu poderia muito bem subir na vida através do meu marido, pra tentar melhorar o marketing dele e coisa e tal. Mas escolhi ser independente assim como cada um dos formandos. Todos nós buscamos a independência, sempre buscamos, e a oportunidade ficou aberta para quem quis, e nós arriscamos a nossa vida por essa oportunidade. Se hoje chegamos aqui, foi com muito esforço, foi com muito suor, muitas lágrimas derramadas, muitas gritarias, muitos trabalhos, muitas alegrias, muitas decepções, superações, muitas noites em claro tentando terminar redações, terminando de estudar a Constituição para uma avaliação no dia seguinte. Tudo funcionou como um filtro para que hoje os merecedores estivessem realizando o sonho de uma formatura, ser abraçado pelos pais, receber um anel de formatura — lembro de meu pai, meus olhos ficam intensos por causa das lágrimas, mas sei que se ele estivesse aqui estaria orgulhoso de mim, com certeza. -, bem, no meu caso meu marido me daria esse anel. — a plateia ri e eu também. — O motivo de estarmos reunidos aqui, todos bonitos e cheirosos, com uma tonelada de maquiagem na cara, não é só uma formatura, não é só receber um diploma e ir embora para casa. O motivo é um único: mérito. Esse diploma será nosso mérito, mérito do nosso trabalho. — olho para Lucas e ele não está lá. Os gêmeos estão com Natália e Mônica. — Primeiramente, eu gostaria de agradecer pelo apoio e consideração. Uma boa noite, está aberta a Formatura da turma de Direito de 2018.

Saio do palco e vejo Fernando com sua cadeira de rodas. Ele ficou paraplégico. Pensei que talvez ele estivesse com raiva de mim e coisa e tal mas ele me chama. O abraço como nunca o abracei.

— Como você está? — digo em meio ao abraço.

— Estou bem, na verdade ótimo. Blue Eyes, eu estou noivo da Dani.

— Que ótimo, grandão. — sorrio sinceramente. — Daqui a pouco irão entregar os diplomas e o Garcia sumiu.

— Bem, eu sei aonde ele está. Mas eu não posso falar.

— Então tá... — sento em um sofá e espero chamar a turma. Começam a chamar a turma e eu vou.

Me chamam por último, Lucas desapareceu completamente no meio do teatro. Então as cortinas caem, This Summer's Gonna Hurt começa a tocar. Felipe, Lucas, Pedro, Nicolas e Martín aparecem cantando e tocando, divertindo a plateia. Eu sorrio surpresa, já estou acostumada com as loucuras de Lucas há muito tempo, mas eu não suspeitei de nada. Esse é um ótimo final, não, eu não diria um final, eu diria um epílogo para deixarmos as escolhas decidirem nosso futuro.

Espera, muita coisa ainda há de ser relatada depois disso.

...

·3 meses depois...·

— Lucas, eu to com fome. — digo no shopping com Lucas, Ana, Felipe e as crianças, incluindo minha sobrinha linda.

— Quer alguma coisa? — ele pergunta acariciando minha barriga enorme com nove meses. Posso entrar em trabalho de parto a qualquer momento.

— Pode ser um chocolate, estamos pertinho da Americanas mesmo. — Elizabeth pega minha mão e diz:

— Tia, eu posso i zunto com o tio? — ela diz e eu assinto sorrindo e ela diz. — Vem Lu, vem Leli, vem papai. — meu irmão e meus filhos vão.

— Ah, vamos todos. — Ana diz e nós vamos. É bem mais do que óbvio que Lucas e eu tivemos que parar para as fotos. Isso é bom.

Na seção dos brinquedos que Liz e as crianças estavam vendo, e Lucas vendo os helicópteros com Felipe, eu estava com Ana observando as crianças e conversando sobre alguns assuntos alheios quando sinto alguns chutes e a fome continua. Lucas pega a minha mão e a beija, depois me abraça. Quando estamos na fila, bem, eu reconheci quando aconteceu. Foi algo mais forte do que uma contração. A bolsa havia rompido.

— Amor, amoras. — eu digo com a mão na barriga e ele entende o código. Mais ou menos como no A Era do Gelo.

— Sabrina, como assim 'amoras'? — o lerdo do Felipe pergunta.

— É um código que eu e o Lucas usamos pra saber quando a bolsa estourar. — explico, já em trabalho de parto e Ana chamando a ambulância. Todos na fila ficaram preocupados, e eu poderia dar a luz a qualquer momento. Luísa segurou minha mão e disse:

— Vai ficar tudo bem, mamãe. — a olhei e agarrei minha menina.

— O que você disse, Luluzinha? — pergunto e Lucas se aproxima junto com minha cunhada e meu irmão.

— Voxê vai ficar bem, mamãe. — diz estranhando e piscando seus olhinhos tempestuosos.

Então a ambulância chegou e eu fiquei pasma. Felipe segurou minha mão e disse para Lucas que levaria as crianças.

— Lucas, — digo segurando sua mão e realmente fazendo força. — eu ainda to com fome.

— Fique tranquila, — o enfermeiro diz injetando soro no meu braço. — quando terminar o parto a gente vai pra churrascaria e você paga o almoço.

— Claro. — Lucas diz dando um belíssimo sorriso e eu consigo ver a emoção que ele tem em ser pai pela terceira vez. Nossas vidas são preciosas demais para que percamos tempo com coisas sem sentido. Esse momento é o que mais importa tanto para ele, quanto para mim. — Vamos ficar bem, princesa.

— Claro que vamos, meu amor. — digo e chegamos ao hospital, saio direto para um quarto aonde um médico examina e me diz o que eu temia. Vai ser de parto normal.

Entro na sala do parto, Lucas tem seu iPhone em mãos me fotografando, dizendo o quanto eu sou bonita, mas chegou a hora. Foi insuportável, eu não queria mais ficar lá. Uma das piores dores da minha vida. Quando senti que não aguentaria, o médico me disse que só faltavam os pés. Lucas estava chorando silenciosamente, não vou mentir, quando ouvi o choro de Arthur, meus olhos se encheram d'água.

Pego meu filho no colo e ele abre os olhos, nesse instante eu tenho uma surpresa. Ele tem heterocromia. Um olho dele é azul e o outro cinza.

— Oi Arthie! — ele sorri e destaca sua covinha, assim como Lucas. — Sou eu a mamãe! — vejo Felipe, Ana, Elizabeth, Luísa e Eric na janela observando.

Eric bateu na janelinha com seus bracinhos gorduchos e disse um 'Oi mamã!' Acenei para meu filho e apaguei com o anestésico.

...

— Mamã? — Eric diz sentado no meu pescoço.

— Oi meu bebê! — sussurro.

— Voxê tá bem? — diz passando a mão em meu rosto pálido, assim como Lucas faz. Rio.

— To sim, meu amor. Vocês já viram o irmãozinho de vocês?

— Xiiiiiim! — Eric diz entusiasmado, até que Lucas fala alguma coisa em seu ouvido e ele tenta formar uma frase com seu sotaquezinho de bebê. — Mamã, ele tem olho quisito. É difeênti.

— É bem diferente, né, meu amor? — digo com voz rouca e ele concorda com a cabeça. Olho para Lucas que tem Luísa dormindo em seus braço, com seus poucos fios loiros caindo sobre seus olhinhos. — Você tá bem?

— Estou sim, princesa. O Arthur é lindo pegou um pouco de mim e um pouco de você. O nariz, com certeza é seu, mas o formato dos olhos é totalmente meu.

— Ele tem heterocromia, né?

— Sim, e é lindo. O olho cinza dele é meio esverdeado enquanto o outro é azulzinho assim como o de Eric e o seu.

— Ai que fofo, amor! — digo arrumando a minha postura na maca. — Quando a gente vai pra casa?

— Daqui há alguns dias. Fica tranquila que você vai sair daqui magérrima. — ele diz tão sério que me fez rir. — O que foi?

— Você falando magérrima ameaçou muito a sua masculinidade! — continuo gargalhando exageradamente.

— Eu sou muito ator! — se gaba e eu peço para ele se aproximar, ele o faz e eu beijo sua bochecha, mas ele vira o rosto, fazendo com que eu beije sua boca. Passo minha mão pelos seus fios loiros encaracolados e ele sela os nossos lábios. Eric dormia serenamente abraçado ao seu urso de pelúcia, que é um panda. Eu escolhi porque eu AMO pandas!

Aconchego Eric nos meus braços e ele toca minhas mãos. Afasto seus fios loiros escuros, que podem ser confundidos com castanhos facilmente, e beijo sua testa. Ele é frágil, ela é frágil, ele acabou de vir ao mundo mas é tão frágil quanto porcelana. Agora tenho mais um homem na minha vida. Eric agarra seu panda e eu percebi que ele estava tendo um pesadelo. Ele sempre faz isso, ele se sente seguro quando abraça seu panda. Acariciando seu rosto, percebi que ele se acalmou. Essa é uma habilidade que eu tenho, eu decoro as pessoas. Por exemplo, Lucas fala quando o sonho é mais intenso e eu tenho que acordar ele. Ele nunca põe açúcar no chá ou no café. Ele é canhoto, ele é fascinado por jogos de videogame, ele é fã de Star-Wars e Vingadores, é Potterhead e Tributo, é obcecado por paçoca com chocolate tipo Reese's, é fera em Cubo Mágico, é pintor, é amável, é fotógrafo, é tímido, é capaz de transformar sua dor em palavras, é dedicado, tem um ótimo talento para cozinha porém nega, é aventureiro, é pai, é meu marido, é meu confidente, é meu melhor amigo, meu eterno namorado.

...

Depois que saí do hospital, fiquei em repouso. Mais ou menos uma semana depois, Arthur veio para casa. Lucas se emocionou ao dar banho no pequeno.

Sua barba rala e seus cabelos médios o dão uma ótima aparência se misturando com suas tatuagens.

Eric e ele estão brincando no quintal e eu estou com Luísa nos braços. Vou para o quintal com minha câmera e tiro uma foto dos dois fazendo careta e depois Lucas mostrou seu lado músico, com sua guitarra e vejo que Eric irá herdar esse lado do meu marido. Luísa pede para irmos com o pai, e deitamos os quatro na grama, brincando, com ele suportando todo o peso de Lu.

Tempestades certamente irão nos alcançar, mas eu quero estar abraçada a ele até a calmaria voltar. Arthie dorme tranquilo no quarto. Luísa toca a barba do pai, estranhando, pois além de tudo, o visual é diferente. Nós aproveitamos aquela tarde de outono. Tive que me conformar que esse momento será eternamente único, pois verei meus filhos crescerem, me darem netos, e meus netos me darem bisnetos até eu virar uma lenda. Queria poder ser novamente adolescente e mudar aquilo o que eu fiz, mas aprendi a me conformar com o que eu fiz e ter mudança no que faço agora. Por mais que tudo isso seja fictício, por mais que eu não passe de uma personagem da vida, eu consegui achar meu Amor Proibido.

...

Natália veio para a minha casa juntamente com Pedro. A tristeza misturada com alívio está estampada no rosto dos dois, de modo que Natália desabafa comigo na cozinha, enquanto os garotos estão na sala.

— Sá, a boa notícia é que a chance de ser endometriose é curta, mas eu tô com um cisto no ovário e a médica disse que se eu quisesse mesmo engravidar, eu teria que tomar hormônios ou senão ela ia me passar um remédio pra parar de vez a menstruação. Eu não sei o que eu faço. Já falei com o Pedro e ele falou pra eu arriscar tomar os hormônios, mas eu vou ficar, sei lá, horrível. — ela diz chorando, soluçando.

— Deixa tudo acontecer naturalmente. Você vai sim ser mãe, eu acredito. Você supera.

— Eu não sou você. Aliás, de qualquer jeito você é mãe. Você tem tudo e a minha única esperança, que era ficar grávida, bem, eu não tenho mais esperança, eu tenho medo. — as lágrimas a interrompem. — Me desculpe. — diz soluçando.

É muito ruim ver o sofrimento da minha melhor amiga. Na real, eu não sei o que dizer para ela nesse momento. Nunca passei por isso. Deve ser péssimo. Mas ainda tenho esperança que o sonho dela vai se realizar.

— Amiga, lembra? A esperança é a única coisa que pode ser maior que o medo.

— Para de ser tributo! — Natália diz em meio às lágrimas.

— Mas a frase tem sentido. Pensa, você é linda, é ruim te ver sofrendo.

Acalmo-a e seco as suas lágrimas. Lembro a ela que todo dia de luta tem seu dia de glória. Eu ainda vou receber a ligação de madrugada com ela me dizendo que está grávida. Ela merece ser mãe, e ela será.

...

*Continua...