Amor Proibido

27 Luísa e Eric Taques Garcia


Notas iniciais
Esse capítulo foi muito aguardado, nada melhor do que o ponto de vista (Point Of View= POV) do Lucas. Ah, muito obrigada Agloex (Livy♡) e Cupcake de Brigadeiro pelas opiniões, amo vcs! Enfim, aí vai mais um...

POV Lucas

Ajudo Sabrina a descer as escadas do prédio, ela desce com uma certa dificuldade, porém consegue. Vamos para o carro, então ligo o pisca-alerta e saímos nessa selva de pedra em meio a todo o trânsito. Moramos perto de um hospital, mas preferi levá-la de carro por causa dos riscos. Chegando lá, levo-a para a emergência e falo que ela está em trabalho de parto, então ligo para Pedro e para Nicolas, logo eles chegam com Natália e Mônica. Estou com meus cabelos totalmente arrepiados, o desespero me atinge, não tenho ideia de como posso agir em uma hora dessas até porque sou pai de primeira viagem. Me chamam para o lugar onde Sabrina está internada no momento, mas antes me dizem que só não poderá ser normal por causa do cordão umbilical que ficou enroscado no pescoço de um dos bebês, resumindo: vai ter que ser cesariana. Quando eu entro, eles contam isso para Sabrina e ela segura minha mão, até que ela diz.

— Tá bom de ser cesariana mas, posso pedir um favor? — ela diz com a mão na barriga.

— Diga.

— Tem como vocês fazerem um corte bem baixo que dê para eu usar biquíni? — ela diz e os médicos riem.

— Sim, pode ser. — o médico diz ainda rindo.

Então nos levam até a sala do parto, tudo está pronto, Natália, Pedro, Nicolas e Mônica estão em uma janela observando o procedimento. Tudo começa, minha mão está entrelaçada com a de Sabrina que não para de derramar lágrimas. Até que ouço o primeiro choro.

— É a menina! — o médico diz e eu sorrio para Sabrina que também abre um sorriso embargado. Porém vejo uma certa correria no meio deles para tirar algo que ficou entalado na Luísa, o cordão, mas logo tudo fica bem. Então outro choro, Eric chegou causando, igual a mim, mentira, consegui os relatos de Felipe e ele me disse que a Sabrina quase deixou os médicos surdos, acho que Eric vai parecer com ela e Luísa comigo. Então tudo termina, Sabrina é levada para um quarto e eu vou junto com ela a cada minuto, até que me barram. Quando me liberam para visitar a Sabrina, ela está muito grogue, mongando, caindo no sono. Mas ela ainda consegue falar.

— Lucas, os bebês estão bem? — ela pergunta com a voz bem mole.

— Estão sim, meu amor. — eu digo passando a mão em seu rosto e ela fecha os olhos, adormecendo com o efeito da anestesia.

...

Indo para o berçário, dois dias depois, vejo meus filhos. Luísa abre seus olhinhos e me dá um sorriso, só então percebo que ela puxou meus olhos. Eric puxou os de Sabrina. Sabrina fez a escolha das roupas de Luísa e eu das de Eric. Sinceramente, ele não iria ficar com roupa rosa, faça-me o favor. A emoção que eu sinto ao vê-los é indescritível, como podemos ter feito algo tão perfeito? É inexplicável. Vou para o quarto de Sabrina com a notícia que em poucos dias seremos liberados.

— Ele tem seus olhos. — eu digo entrando no quarto.

— E ela tem os seus? — ela pergunta sorrindo.

— Tem.

— Então ela é a pessoa mais linda do mundo, assim como você. — ela diz sorrindo.

O sorriso dela apaga qualquer mágoa ou ressentimento do passado, apaga todas as falhas e erros que eu tenho, é uma coisa inexplicável e imensurável.

...

Em casa, aproveitamos o tempo livre que os bebês deixaram e fazemos algumas das nossas brincadeiras infantis até que a campainha toca. Natália e Sabrina se abraçam gritando e eu fico lá, com aquela cara de ponto de interrogação tentando entender até que Pedro chega ofegante, então ligo o videogame.

— Vou pedir a Nati em casamento. — Pedro diz e eu pauso o jogo.

— Repete? — eu digo colocando o controle no sofá e bagunçando meus fios loiros.

— Vou pedir a Natália em casamento... — ele diz com uma cara de preocupado que está ensaiando há dias. — hoje naquele restaurante que nós vamos. Ufa!

— Aaaaaaah miseraaaaaaavi! — eu digo dando um soco no braço dele.

— Tá, para. Cadê a Luísa e o Eric?

— Estão no quarto, vamos lá? — então vamos para o quarto dos gêmeos, Natália está segurando Eric e Sabrina está segurando Luísa.

— São lindos, Garcia. — Pedro diz ao meu lado na porta do quarto. — Como você pôde ter feito algo tão perfeito?

— Eu não sei. Eles são lindos. Olha o Eric no colo da Natália. — eu digo e os olhos de Pedro brilham por um instante.

— Tão linda... — então ele olha para mim. — A Sabrina também está muito, mas muito bonita. Ela ganhou muitas curvas, não acha?

— Verdade. Ela ficou ainda mais bonita. Bem, é minha mulher. — tiro alguns fios do meu olho.

...

Acordo com o choro deles. Para não acordar Sabrina, que está desmaiada na cama, levanto e vou para o quarto deles. Pego Eric no colo enquanto Luísa dorme, puxou o sono pesado da Sabrina, ele abre os olhinhos azuis e agarra meu dedo.

— Se lembra da minha voz, meu amor? — ele sorri. — Sim, sou o papai! Você é um garotão muito bonito sabia? Puxou a sua mãe, que também é muito linda. — então Luísa acorda e Sabrina chega.

— Tenho que tirar uma foto disso! — ela diz pegando Luísa e me olhando em seguida. — Dormiu bem, princesa? Está com ciúmes do seu pai ou do seu irmão? — Luísa fica tentando acompanhar a fala da mãe com sons do tipo 'Hummm, buuu buuu aaaaaah.' Eric e eu só ficamos observando. — Tu é tão linda, tão princesa! Minha princesa! — então Eric começa a chorar e nós ficamos tentando trocar de bebês. — Troca logo, Lucas! — ela diz rindo.

— Estou tentando. É muito difícil. — então ela põe Luísa no berço e eu ponho Eric, então ela pega o garoto e eu pego a menina, que dá aquele sorriso sem seus dentes, que realça seus olhos cinzas. Seus fios de cabelo são ralos assim como os de Eric, mas dá para perceber que o tom de loiro dela é mais claro e dourado, como os de Sabrina, e os de Eric como os meus.

— Meu príncipe, o que há contigo? A mamãe também te ama demais! — ela diz acariciando o rostinho pequeno do meu pequeno. — Tu é um príncipe, sabia? Meu príncipe e do seu papai! — ela brinca com ele e o mesmo dá uma gargalhada gostosa. Ele será mais apegado com ela, tenho certeza.

Ela amamenta Eric que adormece, e em seguida Luísa também dorme, então nós vamos para a sala. Ela se deita no meu colo e eu afago seus cabelos, até que a mesma dorme. Então meu telefone toca, meu assessor me manda uma mensagem dizendo que tem um contrato para uma série aqui no Brasil, mas que eu teria que sair do estado. Eu não queria sair de São Paulo, queria ficar perto dos meus filhos, perto da minha esposa. Logo dizem que chamaram Sabrina para ser uma das personagens, eu acho absurdo, ela está de licença por causa dos bebês. Então ela acorda.

— Com quem você está falando? — ela pergunta.

— Estão querendo que eu faça uma série lá no Rio, eu expliquei que os bebês acabaram de nascer e então chamaram você como se não estivesse de licença.

— Você pode ir. Estamos em quatro agora, os gastos vão aumentar. Eu consigo me virar com eles, peço a ajuda do Felipe, mas você tem que trabalhar. — ela diz me olhando. — Por favor, se não for por mim, faça pelos nossos filhos. Estamos em uma situação financeira ótima, porém tu sabe o quanto eu fico preocupada de não podermos sustentar a nós todos.

— Tudo bem, vou confirmar. Você vai comigo pro Rio?

— Meu bem, se eu pudesse eu iria contigo para qualquer lugar no mundo.

— Leva a Luísa e o Eric.

— Eles não podem. Ainda não.

— Temos um mês para aproveitar a nossa folga. — então jogo o celular no sofá e pressiono Sabrina contra a parede, beijando sua boca ferozmente. Sinto sua blusa ficar molhada, então, pode soar nojento mas, uma batalha acontecia em nossas bocas, mas logo nos acalmamos.

— Lucas, minha blusa. -ela diz ajeitando seus cabelos. — Me desculpe, virei uma vaca leiteira.

— Não vejo a hora de podermos voltar a fazer o que fazíamos antes desses cortes. — eu digo com as mãos em sua cintura e ela com seus braços em minha nuca.

— Também não vejo a hora. — a babá eletrônica toca de novo. — Agora tenho que ver os bebês.

...

De noite, estamos em oito, com os meus pequenos. Todos nós sabemos da surpresa de Pedro, menos Natália, o que é óbvio.

Tudo corre normalmente, então no meio do suco dela, Pedro se levanta muito pálido e vai até Natália, então tira as alianças do bolso.

— Nati, fiquei meses pensando em como iria te fazer isso, até colocar a aliança dentro da taça de champanhe eu já pensei, mas não seria muito higiênico. Bem, eu não gosto de discursos e tals então vou logo ao assunto. — a essa altura, Natália estava com lágrimas em seus olhos, diferente de quando eu pedi Sabrina em casamento. — Bem, eu gostaria de saber se você aceitaria se casar comigo?

— Pedro, — o silêncio reinou quando a ruiva mencionou o nome do rapaz, e eu estava com aquela cara de ponto de interrogação (·_·), assim como todos naquela mesa. — preciso dizer quantas vezes que aceito? — ele assente e ela revira os olhos. — Tá bom, eu digo de novo. É claro que aceito! — ele coloca o anel no dedo dela e nós aplaudimos, até que Luísa dá aquele choro ensurdecedor e Sabrina tem que se retirar da mesa. Logo o efeito bate em Eric e ele começa a chorar fazendo eu começar a procurar Sabrina pelo restaurante. Encontro ela e Luísa saindo do berçário, então Eric para de chorar ao ver a mãe e a irmã. Vamos de volta para a mesa.

— O que aconteceu? — Mônica pergunta para Sabrina.

— Esse menino chamado Eric é muito colado em mim. — ela diz fazendo cócegas na barriga do nosso pequeno que dá uma risada muito fofa. Logo Luísa fica enciumada e começa a querer chamar a atenção, então dessa vez quem interage sou eu, ela dá um sorriso com aqueles olhinhos cinzas, não que eis não goste dos olhos de Eric, mas Luísa puxou os meus. Não tem como dizer quem é o meu favorito, são meus filhos e eu os amo igualmente.

...

Chegando em casa, Steven se agita e pula no meu colo. Por sorte, eu já tinha colocado os bebês para dormir junto com Sabrina, que também dormiu. Pego o notebook e fico a toa, então recebo uma mensagem do meu assessor dizendo que terei que ir para o Rio em três meses, encurtaram o prazo. Logo Sabrina aparece com aquele pijama curto, oh meu bolinho. Aquelas pernas e aquela silhueta são demais para mim.

— Se não quiser que eu tire essas roupas que você está vestindo, colocaria uma roupa que não me deixe tentado. — eu digo e ela vai até a cozinha.

— Cadê a barra de chocolate que nós compramos ontem? — ela pergunta fuçando na geladeira.

— Na parte de cima. — ela pega a barra e se senta no sofá, abrindo a mesma.

— Quer? — ela pergunta e eu pego uma fileira.

— Tenho uma má notícia. — ela diz um audível 'Hum' — Encurtaram o tempo que eu vou para o Rio de Janeiro. Vou ter que ir em três meses.

— O que?

— Eu tentei explicar para eles.

— Mas e o nosso aniversário de casamento? E as crianças?

— Você vai junto. Já decidi por nós, você não está fazendo a faculdade. Passamos nosso aniversário em Copacabana, na nossa casa. Eu não posso deixar você ficar só com eles, por mais que você saiba dirigir e seja habilitada para qualquer emergência com eles, mas eu não posso ficar longe dos meus filhos. — pego sua mão e olho nos seu olhos. — Por favor, faça isso por mim.

— Quando é que viajamos mesmo? — ela pergunta rindo

— Vamos no nosso jatinho particular, com espaço para os bebês, eu comprei, na verdade eu estava acertando o pagamento. Já está autorizado, temos pilotos, algumas pessoas que vão trabalhar, ajudar a cuidar dos bebês e... tudo pronto. — ela me beija e olha para a hora.

— Agora vou dormir, já que tu vai ficar acordado, se os bebês acordarem tu me chama para dar o de mamar deles?

— Chamo. — eu a beijo de novo e ela levanta. — Boa noite.

— Boa noite.

Ela vai para o quarto e por um instante eu fico observando os movimentos dela. Ah, se ela soubesse que, quando ela passa, o mundo inteiro se enche de graça. É, a vida sempre continua.