Amor Proibido
15 Estados Unidos
Notas iniciais
...
– Ai meu Deus! Sabrina, você ficou perfeita! – Ana disse depois de secar meus cabelos, eu os escureci para ir encontrar Lucas na semana que vem. Fazem uns cinco meses que não nos vemos pessoalmente. Tenho saudades de sentir seus braços me envolvendo com carinho, o toque de suas mãos de encontro ao meu rosto. – Nossa, eu já te amava quando você era loira, agora te amo mais sendo morena!
– Obrigada Ana. – eu disse envergonhada. – Muito obrigada por ter vindo da sua casa até aqui só para fazer esse favor.
– Nem acredito em como esse tempo passou tão rápido. Eu casei com seu irmão, estou grávida de cinco meses e você começou a faculdade. – Ana suspira pesadamente em seguida. – Senti falta de Lucas te acompanhando no meu casamento.
– Eu sinto muito a falta dele, mas fique tranquila, na semana que vem, eu estou embarcando para os Estados Unidos e vou vê-lo novamente. Acha que ele vai gostar do meu novo visual?
– Ele vai adorar. Vai por mim, ele te ama demais e, independente do que você veste ou a cor que pinta seus cabelos, o que ele realmente deseja é a sua presença que alegra a todos que estão à sua volta. – ela me abraça e seu celular toca, fazendo-a virar para atendê-lo. – É o Felipe. Vou atender, se importa?
– Fique à vontade. – eu disse me virando em direção à varanda e abrindo sua porta de vidro.
As luzes da tão iluminada capital de São Paulo parecem pequenas estrelas barulhentas com sons de buzinas e carros. Penso que em algum lugar distante Lucas estaria pensando em mim, da mesma forma que penso nele. Aquela noite, como de costume, fazia um pouco de frio, típico de São Paulo, mas o tempo ainda era agradável. Sinto a brisa gelada passando pelos meus cabelos, agora castanhos, e suspendendo-os no ar como se fossem folhas no outono. A inquietação me consome de uma forma que eu sinto a necessidade de ligar para Lucas, porém, lembro-me de que tudo isso não passa de surpresa.
Algumas horas depois, Ana volta para o apartamento em que ela vive com Felipe, me deixando sozinha com meus pensamentos, até que eu resolvo sair e refrescar um pouco minha cabeça. Pego as chaves do carro e vou em direção ao único lugar que me sinto segura nessa cidade desconhecida: A casa de Natália.
– Sabrina? – ela diz assim que abre a porta. – O que você está fazendo aqui?
– Sei que brigamos há alguns meses atrás, mas eu preciso conversar com alguém que me entenda. Por favor, me perdoa?
– Claro, afinal, para isso que as amigas servem! – ela diz me dando um abraço em seguida. – Quer entrar?
– Ah, quero sim... – eu digo entrando no apartamento, muito bem decorado de Natália. – Seu apartamento ficou lindo!
– Obrigada. Sente-se. – ela disse sentando-se ao meu lado. – Antes de tudo, é verdade mesmo que você e o Lucas voltaram?
– Acho que eu não estaria usando o anel à toa! – eu disse mostrando-lhe o anel e ela começa a dar gritinhos de alegria comigo. – Vai fazer cinco meses desde que nós voltamos.
– Que ótimo! Agora, me responda, por quê você escureceu seu cabelo, sua maluca?
Eu começo a explicar tudo e assim, conversa vai e vem. Senti saudades desses momentos, mas ainda sinto saudades de Lucas. Uma semana, só uma semana...
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***NARRATIVA- LUCAS***
Mais uma semana aqui e eu morro! Estou com saudades de casa, da minha família e da Sabrina. Confesso que estou muito feliz fazendo uma coisa que eu gosto, por mais que me julguem. As filmagens são muito trabalhosas, passo metade do meu tempo com a cara no roteiro. Inúmeras entrevistas junto com a atriz que eu estou contracenando, Marianne Hollister, todos perguntam se não estamos juntos e tal, mas, cara, a Mary é linda, porém, ela tem que entender que eu sou comprometido.
No estúdio, sou liberado para um curto intervalo, para retocar a maquiagem de Mary. Uso esse tempo que eu tenho para fazer algumas coisas ridículas, mas um pensamento me vem à cabeça: Será que Sabrina me esqueceu completamente? Não nos falamos há uma semana e isso tem me deixado agoniado. Ela não atende a maioria das minhas ligações, ela não mantém tanto o contato como mantínhamos antes. Tenho uma péssima sensação em relação á isso. Poucos minutos depois, o diretor me chama para conversar com ele, nada sério, imagino que serão as mesmas provocações de sempre. ‘Se você garante tanto que essa tal de Sabrina te ama, por quê ela não veio com você?’ ‘Escolha alguém como a Mary, cara, não seja burro de ficar esperando a princesinha encantada.’ . Minhas opiniões são contrariadas quando ele me deixa dentro da sala com uma moça com cabelos castanhos, olhos azuis e um rosto angelical, muito parecida com Sabrina. Mas Sabrina é loira! Caramba, até a secretária do diretor do filme virou a Sabrina.
Percebo que ela me olha intensamente, quando eu resolvo puxar assunto, para quebrar o silêncio:
– Você trabalha aqui á quanto tempo?
– Na verdade, estou chegando hoje. Vim do Brasil.
– Sério? Eu também vim de lá.
– Você deixou alguém lá?
– Deixei... Sinto muita falta de uma pessoa que eu tive que deixar lá, ela iria começar a faculdade.
– Uma namorada?
– Sim. Mas ela era mais que isso. Sabe? Nos falamos muito pelo Skype, mas não é a mesma coisa. Eu sinto muita falta do abraço dela, de tocar seu rosto, de ser uma criança ao lado dela.
– Ela deve ser muito especial pra você.
– Ela é...
Alguma coisa me diz que ela está por perto, mas não posso acreditar nisso. Sabrina está no Brasil! Não é possível. Mas algo me coloca dentro desse pensamento novamente, ela muda repentinamente seu idioma de inglês para o português.
– Eu também sinto sua falta, Lucas...
– Sabrina? – eu digo me levantando e indo até ela. – É você?
– Sim, sou eu! – ela corre até mim e me abraça. Eu a beijo e ouço a porta ser aberta, e de repente pessoas entram. Eles armaram tudo!
– Você estava me deixando desesperado com essa ideia de não falar comigo!
– Me desculpe, só queria manter a surpresa. – ela me abraçou de novo, e eu retribuí. Não queria sair jamais dali.
Percebi os olhares de todos em nossa volta. Mary me fuzilava com os olhos, ela estava com CIÚMES DE ALGUEM QUE NÃO É DELA! Não me importei para o que pensarão de mim depois disso tudo, o que importa é que eu a amo.
...
– Não gostei da ideia de você trabalhar com a Marianne. – Sabrina diz com a minha cabeça em seu colo, acariciando meus cabelos. – Sei lá, ela é muito mal caráter. Não gosto do jeito que ela te olha, não sei se é porquê eu não a conheço...
– Quer que eu marco de nós três jantarmos hoje à noite? – pergunto curioso pela resposta, e então ela se levanta.
– Como assim ‘nós três’? Está sugerindo que eu saia com aquela patricinha?
– Sim. Vai ver que você está tirando conclusões precipitadas, a Mary é uma ótima amiga. Olha, não retruque. Você vai se arrumar e nós vamos ao shopping para você comprar um vestido novo e eu vou ligar para a Mary.
– Lucas... – ela diz fazendo birra.
– Sabrina, sei que você vai gostar dela. – eu digo beijando a sua testa. – E eu estou te obrigando a fazer duas coisas que você odeia, e eu sei muito bem cada uma delas: Primeiro: Eu estou te levando para conhecer uma garota tão chata quanto a Jéssica; Segundo: Você vai fazer compras com alguém que não seja a Natália. Não adianta você negar. Eu sei que você quer pular no meu pescoço e me enforcar até a morte, mas, o que seria de você sem mim?
– Nossa, Lucas, eu achei muito engraçado. – ela disse irônica e eu a peguei no colo, joguei-a na cama e saí correndo que nem uma criança quando ela tacou um chinelo na minha cabeça. – Há! O que seria de você sem mim, Lucas Garcia?
Eu me levanto e a pego no colo novamente, de um jeito carinhoso, e digo:
– Eu seria a pessoa mais triste do mundo sem você. – e assim, a beijo. Mas, como eu não iria deixar barato por ela ter me dado uma chinelada, a empurro para o banheiro, a largo lá com uma roupa que eu mesmo escolhi e gritei do outro lado da porta. – Não é só você que sabe brincar, Sabrina Taques!
– Vai se lascar, Lucas! – ela grita do outro lado da porta e me faz rir mais.
– Agora é sério: Só saia daí pronta, okay?
– Ah! Tá bom...
Me virei e fui para a sala. Sentei no sofá e peguei o meu celular e liguei para Mary. Muito depois, Sabrina sai do meu quarto com a roupa que eu escolhi, eu fiz uma ótima escolha pois ela estava linda.
Ela entrou no carro e fomos ouvindo algumas músicas e as reclamações de Sabrina. Eu mereço!
...
***NARRATIVA- SABRINA***
– O que acha desse? – Lucas diz me mostrando um vestido, que era lindo, enquanto eu procurava algum outro.
– Bonito... – eu disse sem prestar muita atenção, mas me senti tentada a olhar. Realmente era perfeito. – Lucas, é totalmente perfeito! Como você conseguiu escolher algo tão perfeito!
– Minhas experiências se chamam Carolina e Jéssica! – ele diz sorrindo e eu reviro os olhos dando um sorriso. Nisso ele vem por trás de mim, me abraça e sussurra no meu ouvido, o que faz eu me arrepiar. – E talvez, você pode ser minha próxima experiência princesinha rebelde.
– Nem nos seus sonhos, meu amor! – eu digo me virando para ele, passando meus braços por sua nuca. – Confesso que está sendo legal... Nunca me imaginei tão leve fazendo algo que eu só faço em extrema obrigação... E ainda com a Natália... Obrigada! – eu digo selando os nossos lábios. Quando eu pensei em nos separar ele coloca uma mão na minha cintura e outra em meu rosto, aprofundando mais o nosso beijo. É inevitável ouvir os cliques das câmeras freneticamente, sei que tudo estará nos jornais e sites acabando com a minha privacidade, mas ainda o amo. Quando o ar realmente se fez escasso, nos separamos e ele encostou sua testa na minha têmpora, por mais que tenhamos uma grande diferença no tamanho (eu sou a anã). Terminamos de escolher as roupas, pagamos e vamos embora daquela loja.
...
– Mary, essa é Sabrina, minha namorada. – Lucas disse para Marianne, com a mão em minha cintura. E em seguida para mim. – Sabrina, essa é Marianne, a atriz que está trabalhando comigo.
– É um prazer te conhecer, Mary. – eu digo do meu modo falso mais simpático o possível.
– Também é um prazer te conhecer, Sabrina. Lucas fala muito sobre você.
– Bom saber. – eu digo meio grossa... – Você não tem acompanhante?
– Terminei com meu namorado há cinco meses... – ela diz como se fosse um troféu. – Você e Lucas estão juntos há quanto tempo?
– Bom, nós voltamos em 31 de dezembro, então, mais ou menos uns cinco meses. – eu disse e Lucas estava segurando minha mão por debaixo da mesa, acariciando-a e me arrepiei, mas ao mesmo tempo me fez ficar mais tranquila.
– Nossa, eu adorei o seu vestido! – ela disse no cúmulo da falsidade! Eu odeio isso! – É lindo...
– Obrigada. Lucas tem um bom gosto.
– Pois é... – ela diz tomando um gole do seu champanhe. – Lucas, como faremos amanhã na entrevista?
– Como assim? – Lucas diz e solta a minha mão, e ela se aproxima de mim, com a sua taça de champanhe, o que me dá medo.
– O que? Você me pergunta como assim? Okay. Entrevista, amanhã. – Ela chacoalha a taça, derrubando metade do líquido no meu vestido. – Oh, desculpe. Você deveria ser mais atenta, não acha?
– Eu que deveria ser atenta? – eu me estresso, e me levanto, não me altero em nenhum minuto. Garota ridícula. – Você derruba as coisas em mim e eu que devo ser atenta! – pego minha bolsa e viro-me para Lucas. – Amor, eu vou embora.
Ele chama o garçom para fechar a conta, estão todos olhando a nossa movimentação. Quando tudo está pronto para irmos, não me despeço de Mary, eu não sou obrigada, okay? Entro no carro de Lucas, coloco o sinto e fico observando a paisagem pelo vidro. Pensando em tudo o que aconteceu hoje, e uma lágrima escorre pela minha bochecha. Se Lucas quiser conversar, eu não estou nem um pouco afim.
Chego no apartamento dele e vou direto para o chuveiro. Saio de lá já vestida para dormir, havia acontecido muita coisa hoje, coisas que, se pudesse, apagaria da minha memória para sempre. Não fiquei magoada pelo fato de Marianne ter jogado champanhe no meu vestido, e sim pelo o que ela me fez passar, ela deu em cima de Lucas na minha frente! Na boa, ela é uma sínica, mimada, falsa e uma Raniely (Obrigada pela ideia da Raniely, Adriany :3) da vida. Rudícula! Eu estava assistindo Frozen, quando Lucas chegou na sala. Sinceramente, ele tem o dom de colocar as palavras certas nos momentos mais incertos, ele sabe compreender que o silêncio é uma fonte de comunicação poderosíssima, ele entende quando eu estou passando por alguma dificuldade dentro de mim, quando preciso de espaço para mim, quando dou os meus chiliques, meus ataques de frescura, minha TPM ataca, não importa o momento, ele sempre está lá pra me ajudar. Sinceramente, eu não o mereço.
– Lucas, você merece qualquer pessoa menos eu... Você é totalmente diferente de mim, o oposto de tudo que existe. Eu não te mereço. E você sabe muito bem disso. – eu digo ainda prestando atenção na televisão.
– Sabrina, não fala uma coisa dessas. Os opostos se atraem. Eu te amo. Se eu estou com você hoje é porque você é uma pessoa maravilhosa, e você fez mil coisas para me merecer indiretamente. Eu sei que você está preocupada com algo. Pode me dizer o que é.
– Eu estou com medo.
– Do que?
– De te perder de novo. – ele vem até mim e me abraça.
– Você nunca vai me perder, okay?
– Mas e a Marianne? – eu olho em seus olhos profundamente e vejo suas pupilas dilatando pelo desejo.
– Ela é só uma Raniely rudícula que não sabe o que é amar de verdade. – ele se inclina e me beija, o beijo é tão profundo que caio no sofá e ele fica por cima de mim durante um tempo, ate que eu me levanto novamente e continuamos tudo sentados. Porém, há algo em nós falando mais alto, e eu sei muito bem o que é: Desejo.
...
São 9 horas da manhã, acordo abraçada a Lucas. Como a noite foi muito longa, acabamos dormindo no sofá, mas no meio da noite acordei e peguei um cobertor para nós dois. Estou com marcas vermelhas distribuídas pelo meu corpo. A noite de ontem deixou mais consequências em mim. Lucas está dormindo quando eu resolvo levantar para fazer o café da manhã. De repente, o meu celular toca:
– Sabrina, assassinaram teu pai.
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