Amor Proibido

16 Surpresas boas e más


Notas iniciais
Galera! Gostaria muito de agradecer pelas visualizações e pelas opiniões pessoais. Sinceramente, eu não esperava tantos elogios. Meus agradecimentos á Adriany (Cupcake de Brigadeiro) e os meus amigos que infelizmente não têm conta no Nyah: Lucas e Daniela (Dani-she my diva!!!!!) ... Bom, espero que gostem desse capítulo, okay? Abraços, Nicole Mendes :)

Como que isso pôde acontecer, outra tragédia na minha vida! Eu não tenho sorte! De maneira alguma! Eu odeio a Lei de Murphy! Cheguei a perguntar para minha mãe, quando eu tinha 11 anos, se eu era prima de Murphy. Ela me respondeu que não porém eu duvido!

Se tivessem me falado que o meu pai estava com câncer, eu teria saído de São Paulo e ficado em Curitiba! O que é mais indignante, é que, como meu pai estava internado, ele foi vítima da negligência desse país e acabaram com a vida dele levando-o para uma sala cirúrgica e cometendo o típico ‘erro médico’! Como podem injetar uma substância tóxica na veia do meu pai? Ou de qualquer pessoa. Mas, não, as pessoas estão exterminando a própria raça e continuam impunes. Uma humilhação! O país do futebol, o país do carnaval, o país da alegria, o país da impunidade, o país onde ninguém se respeita, o país da prostituição e o país onde ninguém tem voz para clamar por justiça. Vou levar toda a culpa nesse velório, eu sei. Isso é típico da minha família. Se eles sabiam que o meu pai estava em estado terminal, por que não me disseram? Claro, eu já entendi, querida autora, eu tenho que me ferrar em todo o capítulo, mas já exagerou né? Caramba!

A ligação me chegou como uma bomba, na hora meus gritos de desespero acordaram Lucas. Eu odeio quando está tudo bem e a vida te dá uma rasteira pra tudo ficar mal novamente. O meu azar contagiou legal! O meu pai era realmente muito especial para mim, ele foi quem mais me ensinou o que eu sei hoje. Minha falecida mãe foi quem me ensinou a cantar, a compor, a cozinhar, e meu, agora, falecido pai foi quem me ensinou a dirigir, a tocar piano, a andar de bicicleta, a ser quem eu sou de verdade. Ele foi a pessoa em que eu mais encontrei afago quando eu voltei para Curitiba. Ele que me recebeu de braços abertos novamente. Ele que me salvou quando um carro iria passar por cima de mim aos meus 7 anos, que me salvou quando meu tio quase me violentou no velório da minha mãe, aos meus 12 anos. Não acredito que eu irei enfrentar essa sala novamente, agora com meu herói sendo sepultado junto comigo, por mais que eu não esteja lá ele irá levar meu último sorriso, meu último abraço, as batidas do meu coração por ele. Eu me odeio por não ter aproveitado mais da sua companhia, por não ter desfrutado dos nossos momentos felizes, por não ter dito que o amava quando saí do Brasil.

Lucas me abraça e eu retribuo encostando minha cabeça no seu ombro.

– Eu já liguei pro John e pedi permissão pra voltar pro Brasil com você. – ele disse afagando meus cabelos, ainda com o cheiro da tinta, de forma muito carinhosa.

– O que ele disse?

– Ele deixou, mas temos que voltar pra cá em cinco semanas.

– Como assim ‘temos’?

– Você vai ficar aqui a partir de hoje, e isso não é um pedido. Eu quero te proteger, cuidar de você. Você está frágil demais para ficar naquele apartamento sozinha. – ele diz secando uma das várias lágrimas que desce em meu rosto. Ele penetra os seus olhos cinzas em meu olhar, e diz como o meu pai diria se eu tirasse nota vermelha em matemática – Vai ficar tudo bem. Para cada dia de chuva existe um dia de sol.

– Lucas, se eu perder minha vaga na faculdade? Como eu vou fazer?

– Fica tranquila, você vai cursar Direito em Harvard. E outra, ‘Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade’. – ele diz sorrindo perfeitamente.

– Carlos Drummond de Andrade. – eu sorrio de volta e o beijo. Pelo menos uma coisa boa nesse dia.

...

Sento naquela poltrona pensando no motivo infeliz de eu estar voltando para o Brasil. O dia está nublado. Meu humor está nublado. Eu queria estar no lugar de meu pai. Eu pensei que ele iria ver a minha formatura, que ele iria ver a filha de Felipe crescer, que ele iria me ver casando com Lucas, tendo meus filhos. Chegar em meu estado natal, naquele cemitério onde minha mãe está enterrada, encarar a minha família que vai me olhar com desprezo e fingir ser feliz com a presença deles, sendo que eu daria tudo para sentar no colo do meu pai novamente, sentir suas mãos afagando meus cabelos, ouvir ele tocar piano para mim, ouvir ele cantar para mim aquela canção que ele cantava quando eu era criança, Velha Infância. Velha e agradável infância.

Desligo meu celular e encosto minha cabeça no ombro de Lucas e ele a beija. Sinto duas lágrimas escorrerem sobre o meu rosto e consigo ouvir as pessoas surpresas ao reconhecerem Lucas, isso é bom. O ser humano é digno de ser reconhecido pelo seu trabalho, desde que seja honesto. Ele não se comporta como um ator de sucesso, ou melhor, o Lucas Garcia ator, ele é diferente, ele é o Lucas Garcia meu namorado, meu melhor amigo, meu conselheiro, e acima de tudo, ser humano.

...

Silêncio cortado pelos soluços. A última despedida. O último olhar. Tudo corta os meus pensamentos naquele velório. Minha família está aos prantos. Algumas tias me olham com ódio, EU NÃO FIZ NADA PRA VOCÊS! Minha consciência quer gritar isso para elas, mas esse não é o momento certo. Eu sou a que mais sofre nesse velório, quando eu não aguento e saio da sala. Pego a minha bolsa com o intuito de ligar para Natália, mas desconheço o motivo de ter uma tesoura lá dentro. Pego a tesoura e miro-a nos pulsos. Talvez isso amenize a minha dor, penso. Quando vou passá-la em meu pulso esquerdo, sinto algo suspendendo-a.

– Você vai se machucar. – abro os olhos e vejo Felipe com seus olhos vermelhos de tanto chorar. Ele segura delicadamente a minha mão e me leva até um banco, onde ficamos sentados quando nossa mãe morreu. Eu encosto minha cabeça no ombro de Felipe e ele coloca seu braço em volta da minha cintura. – Eu não acredito que isso aconteceu. Ele não merecia, eu tinha que ser mais presente. Devia ter pago mais caro nos tratamentos e deveria ter te contado. – ele começa a dizer em meio as lágrimas e eu o abraço.

– Nessa batalha ninguém ganha ou perde, Fê. Isso era inevitável. Um dia nós todos vamos morrer, isso é fato, mas você fez o que pôde. Eu também estou sofrendo, mas eu estou tranquila por ter visto vocês e passado o Natal e o Ano Novo com vocês. Se nosso pai morreu, pode ter certeza que você fez o possível para evitar que isso acontecesse. Olha, a vida é como mãe que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais por que sabe que faz bem. E a morte é como pai que bate na mãe e rouba os filhos do prazer de brincar como se não houvesse amanhã. – ele sorri – Foi aquela música que você me mostrou no natal, lembra? Como é o nome dela mesmo?

– Amianto. – e nós dois rimos.

– Eu gosto de ver você assim, sorridente. – ele olha nos meus olhos. — Vamos voltar pra lá.

Ao chegar na sala todos me olham como se eu fosse a culpada por meu pai ter sido ‘assassinado’. Quando minha tia suspira para falar algo, um flashback me percorre a cabeça. Um não, vários. Mesmo assim ela diz essas palavras tão pesadas como se eu não sofresse com a falta de meu pai.

– Viu, Sabrina? Se você não tivesse saído do Brasil seu pai não estaria morto. – diz minha tia, e eu a olho com o mesmo olhar de quando matei minha irmã por legítima defesa.

– Escuta aqui, tia. – respiro fundo antes de dizer. – Eu te respeito pra caramba, e exijo isso também para com a minha pessoa. Se o meu pai morreu, não foi minha culpa. Se vocês não me avisaram, não foi minha culpa. Agora eu sou a culpada pelo erro que vocês cometeram? Olha, eu já estava ciente que eu iria levar a culpa de meu pai ter morrido desde a hora que eu embarquei naquele avião para voltar para cá. Se você não sabe, eu sou a pessoa que mais está sofrendo com a morte do meu pai, — eu já estava chorando. – ele me amou mais do que vocês todos juntos, por que sei que quando fui para São Paulo ninguém se importou além de meu irmão e meu pai.

– Mas não foi teu pai que te mandou para aquele colégio interno, querida? – minha tia perguntou em um tom sarcástico.

– Eu agradeço muito por ele ter feito isso por mim, senão eu não teria a maioria dos meus amigos e meu namorado. Eu amei, amo e amarei meu pai pelo resto da minha vida. – seco algumas lágrimas do meu rosto. – Quer saber, Lucas, vamos embora.

Ele me dá um puxão pelo braço, olha no fundo dos meus olhos.

– Você está louca? É o velório do seu pai.

– Sabrina, nem o seu namorado quer que você vá embora. – minha tia diz e eu a olho com ódio, porém deixo o veneno dela escorrer pela boca em forma de palavras direcionadas a mim. – Você precisa ser madura e aceitar os fatos. Você vai fazer 19 anos, precisa agir como uma adulta. Deixe de ser ridícula! – eu não resisto, minha raiva fala mais alto que eu quando eu vou até a minha tia e dou-lhe um tapa no rosto.

– Quem é você, titia? Será que devo chamá-la assim, Talita? – dessa vez, quem me olha com ódio é ela. – Quem é você para falar que eu sou ridícula? Você em toda a sua juventude foi muito mal falada por ficar com vários meninos, até os casados. Ouviu isso, tio Mário? E eu sou ridícula? Pensa que eu não sei nada sobre o seu passado e seu presente? Talita, você, até ontem, estava com dois homens e a procura de um em todos os app’s de namoro disponíveis. Velha tentando ser novinha. Estica um pouco que você fica perfeita, okay? – viro-me para Lucas e todos estão boquiabertos olhando para mim. – Já gravaram? Ótimo, pois o show acabou. Sei que vou ser a filha arrogante que o Josué e a Thereza deixaram. Vamos embora, Lucas?

...

– Lucas, vamos viajar pra São Paulo? – eu pergunto jogada na cama do quarto do hotel onde Lucas fez as nossas reservas.

– Você quer me falir? – ele perguntou surpreso e eu ri.

– Não. Nós vamos de carro, para observar a paisagem. – ele olha para mim como se não estivesse acreditando.

– Sério? Vai demorar...

– Tá bom, nós ficamos em Curitiba! – eu falo irritada e me viro para o sofá.

– O que foi? – ele pergunta e eu não respondo – Já entendi. Quer alguma coisa?

– Não quero abusar da sua boa vontade...

– Pode falar.

– Você faz algumas coisas melhores do que eu NA COZINHA, então faz aquele brigadeiro que você sabe que eu adoro... – eu me viro e faço como uma criança. – Por favorzinho, meu amor?

– Tá bom, só porque você fez essa cara de gato de botas. – eu ri e me encolhi no sofá. Dor insuportável. Meninas saberão do que eu estou falando. Odeio quando isso acontece. Se você não entendeu até agora a minha mudança de humor, uma cólica resolveu vir me avisar que eu estou na minha TPM. Okay, dinossauro, eu entendi que você está aí. Só porque eu tinha planos de ir para um clube que a minha família administra.

Quando Lucas chega com duas colheres, eu o olho desacreditando na visão.

– Você está sugerindo que eu divida comida contigo?

– Claro! Eu sou seu querido namorado, no qual muitas meninas têm inveja de você. Você tem OBRIGAÇÃO de dividir sua comida comigo. – ele fala rindo

– Olha a minha cara de quem quer dividir MINHA COMIDA com você... Anda, passa pra cá a panela.

– Só se você jurar juradinho que vai dividir comigo. – ele estende o dedinho e eu rio da nossa infantilidade. – Você jura juradinho?

– Juro juradinho. – eu rio e selo os nossos lábios, quando eu vou separar ele aprofunda o nosso beijo. De repente, eu nos separo, deixando minha testa encostada na dele. – Vamos logo, me passa A COMIDA.

– SABRINA, VOCÊ É RETARDADA? Depois de um beijo desses você pensa na comida? – ele pergunta espantado

– Claro! Eu posso te beijar a vida inteira, — eu pego uma colherada do brigadeiro. – mas a comida é sagrada, meu amor!

– Vamos assistir Frozen? – eu olho surpresa e ele sorri feito uma criança e começa a cantar DENTRO DO TOM! – Você quer brincar na neve? Um boneco quer fazeeeer? Você precisa me ouvir e a porta abrir, eu quero só te veeeeeeeeer!

Eu começo a rir e a comer, só que as duas coisas ao mesmo tempo não dá certo... então eu me engasgo e ele ri da minha cara. Mas como eu não deixo barato, dou um tapa em suas costas. E ele me empurra. E ficamos assim, comendo, empurrando um ao outro e rindo. Essa brincadeira até que me fez bem...

...

4 meses depois...

Permaneço em São Paulo, Lucas nos Estados Unidos. As tarefas e livros da faculdade estão sufocando o meu tempo. Quando encontro um tempo para respirar, abro o computador e entro no meu Facebook e vejo algumas fotos da festa de aniversário da Natália, os amigos que ela conheceu na faculdade estavam lá. Foi uma festa e tanto... O que eu mais fiz na festa está fácil de adivinhar: COMER! Só vou em festas para dar os parabéns e comer. Pronto, a minha função é essa. De vez em quando pedem para que eu faça alguma coisa, mas tirando esses casos eu só fico conversando e tirando fotos. Sinto muito a falta de Lucas. Na semana que vem, Lucas volta ao Brasil para estrear o filme. Ele fez questão de vir pessoalmente para me ver.

Recebo uma chamada de vídeo de Lucas e ele diz que não virá ao Brasil. De início tento conter as lágrimas, mas não queria chorar mais uma vez sem o amparo dele. A notícia me quebrou completamente. Desligando o computador, eu corro para o sofá e afundo minha cabeça na almofada. Okay, Sabrina. Você consegue ficar um mês sem ele.

...

Estou no teatro onde irá acontecer a estreia do filme no Brasil. Fui arrastada por Natália, Pedro, Nicolas e Mônica para vir para cá. Desconheço o motivo. Mas não consigo olhar o rosto de Marianne.

De repente, as luzes se apagam e o foco vai direto para o palco. O diretor do filme aparece, acho que ele é brasileiro, pois fala o nosso idioma perfeitamente. Então, Marianne vai ao palco e seu tradutor a acompanha. Depois disso, um vídeo de Lucas aparece no telão. Ele aparece agradecendo aos diretores, aos produtores, e a todo o elenco, mas principalmente a mim. Ele diz o quanto eu sou especial para ele, o quanto gostaria de nesse momento estar perto de mim, mas o vídeo desapareceu. Então o foco se divide em dois, com um deles indo para mim. O segundo foco vai se deslocando da porta da sala até minha fileira, de início não consigo distinguir, mas vejo quem está lá. Vestindo um terno preto, camisa branca, gravata preta e uma calça jeans. Lucas se aproxima de mim e eu me levanto. Então ele segura minha mão e me leva até o palco. Então, ele ajeita o seu microfone e segura uma das minhas mãos.

– Preciso repetir as palavras do ano novo? – eu rio e todos riem. – Sabrina, eu não sei como dizer o quanto você é especial para mim. Suas risadas ridículas, suas teimosias, seus ataques de fúria, seus sorrisos, seus conselhos, seus abraços, suas inúmeras atitudes que me encantam e eu só vou terminar de citar depois que a eternidade se acabar. Meu amor por você não pode ser resumido em palavras. A distância só prova o quanto eu sou dependente do seu amor. Quero que o mundo veja isso. Olha, tudo isso foi combinado, o filme ainda vai passar, mas primeiramente, quero dizer que esse filme resume a nossa história. Mas, o que irá acontecer de agora em diante, já é de ciência da produção. – ele se ajoelha e retira uma caixinha do seu bolso, porém continua segurando a minha mão. Eu coloco a minha mão livre na minha boca, intercalando para secar as lágrimas que escorriam incessantemente do meu rosto. – Bom, meu amor, eu queria fazer isso na presença do seu pai, mas, imprevistos acontecem. Por isso, passei esses últimos quatro meses pensando se tinha certeza do que eu vou fazer agora, pensando se tinha certeza de que eu iria passar todos os dias da minha vida ao seu lado. E eu cheguei a essa conclusão. A conclusão de que eu devo te fazer uma simples pergunta que vai decidir o nosso futuro. Sabrina, casa comigo?

As palavras ecoam pelo teatro, uma simples pergunta com o poder de decidir o futuro de duas pessoas. Sabrina, casa comigo? Eu tenho que tomar uma posição. Então, vamos a essa posição. Eu respiro fundo. O teatro fica num silêncio que dá para ouvir uma agulha caindo no palco. Então, eu respondo:

– É claro que aceito! – eu respondo e todos aplaudem, Lucas coloca a aliança no meu dedo e me beija rodopiando meu corpo no ar abraçado ao dele.

É o futuro é bom, o futuro é para os que acreditam que ele existe e os que não acreditam. O que o destino me reserva eu não sei, mas sei que a eternidade será muito mais feliz. Aquilo que eu pensei que nunca mais seria capaz de existir, me surpreendeu e tornou-se existente. Eu o amei, eu o amo e eu o amarei pelo resto da minha vida. As flores são capazes de brotar novamente, o Sol sempre nascerá, e sempre haverá a chance de um novo amanhã.