Amor Proibido

30 Danse Macabre


Notas iniciais
Houve um Grande Equívoco, pensei que havia postado o capítulo mas acabei postando na minha outra fic. Enfim, prometo fortes emoções.

...

Estava brincando com Luísa, que já estava com dois meses, até que recebo um telefonema do hospital em que Fernando está internado. Ele acordou do coma, ufa! Acho que esqueci que não estou em SP, mas volto daqui a alguns meses, o que me deixa mais tranquila.

Lucas me chama, com Eric nos braços, dormindo como um anjo.

— Vamos lá no meu pai. Ele ainda não viu os netos. — ele diz e eu assinto pegando a bolsa e descendo. Entramos no carro e vamos para a casa do pai dele.

Chegando lá, Lucas abraça-o com tanto afeto, coisa incomum por ser um homem, mas acho tão lindo. Seria meio raro uma coisa dessas nos dias de hoje, mas tenho que me lembrar que eles ficaram durante muito tempo sem saber da existência um do outro. Então Fábio me cumprimenta e vai para perto do carrinho das crianças. Seus cabelos castanhos grisalhos refletem o brilho do sol de Copacabana, seus olhos cinzas como os de Lucas brilham com a emoção de ser avô.

— Que crianças lindas! — ele diz radiante. — Não te disse que uma dose de paciência resolveria a crise?

— Pois é, pai. — Lucas diz me abraçando. — Vejo que nunca mais entraremos em uma crise assim.

— Vamos comer açaí? — Fábio diz e eu fico confusa. Tá, assumo, em plenos 21 anos de idade nunca havia comido açaí na vida. Lucas me puxa e eu o chamo de canto.

— Eu nunca comi açaí na vida. — sussurro. Ele arregala os olhos e me chacoalha.

— Você não tem vida. Você nunca comeu açaí? Cara, vou falar que nem as barraquinhas no Brás dizem: Açaí é energia! — ele diz como se fosse uma bicha louca e eu dou risada. — Vai por mim, você vai gostar. Agora vamos! — levanta a mão no ar como se levantasse uma bandeira e diz. — EU AMO AÇAÍ!

Fomos para a sacada da casa de Fábio e nos sentamos. Fiquei tranquila, pois as crianças estão dormindo no quarto do avô. Até que encaro aquela coisa roxa congelada rodeada de bananas, leite condensado e Sucrilhos. Estranho. Olho para meu marido e ele me manda um olhar de 'é só enfiar a colher na boca.' Comecei pelas bananas, na verdade foi Lucas quem jogou as coisas na minha tigela. Então foi aquele momento de tensão, come ou não come? Prova ou não prova? Biscoito ou bolacha? Ops, questão errada. Fábio me olhou com um sorriso nos lábios lambuzados com calda de morango e disse:

— O que foi Sabrina? Não gostou?

— Não, Fábio, eu estou amando. Não é nada...

— É MENTIRA, PAI! ELA NUNCA COMEU AÇAÍ NA VIDA! — Lucas fez o escarcéu e levantou da mesa. Eu escondi a minha cara entre as mãos e ele se levantou da mesa e começou a pular e cantarolar. — ELA NUNCA COMEU AÇAÍ! ELA NÃO TEM VIDA!

— Sabrina, experimente. Tenho certeza de que você vai gostar. — Fábio diz e a tensão paira na mesa. Então coloco a colher transbordando açaí na minha boca. Engulo e abro os olhos, vejo dois olhos cinzas me encarando e digo como uma criança que acabou de comer brócolis.

— É bom... — eles vibram e comemoram, fazendo-me rir. Já sei de quem Lucas puxou o bom humor.

...

·Meses depois·

No nosso aniversário de casamento, não fomos para um restaurante, um parque ou algo do tipo. Simplesmente continuamos no Rio, mas fomos ao Posto 9. Estava com um vestido longo branco, mas com um short e uma regata por baixo. Quando coloquei os pés na areia, senti algo voando no meu vestido. Sardinha frita, tomate, ovo, farinha, TODDY! Poxa, o Toddy! No automático! Então comecei a ser vaiada e vários flashes estavam tomando conta, então tirei o vestido junto com a regata, naquela noite de sábado. $abrina lacrou geral. DORME COM ESSA JÉVACA! Meu biquíni não era chamativo, a menos que você considere preto chamativo. Voltando, Lucas tapou meus olhos com uma venda e foi me guiando para uma tal lugar que eu desconheço.

Quando ele tira as mãos de meus olhos, avisto uma mesinha solitária no meio de tantos quiosques. Ela tinha uma decoração bem tropical. Nos sentamos e ele diz:

— Preciso dizer que você ganhou mais corpo depois dos gêmeos?

— Querido, eu sou a gostosura em pessoa. Meu nome is Sabrina Gostosa Taques Garcia. — digo jogando os cabelos.

— Mas não é por isso que você tem que ficar assim, né? — arqueio uma sobrancelha e ele tira a camisa, ficando apenas de bermuda e mostrando aquele peitoral que... meu Deus, obrigada por criá-lo para mim! — Estamos iguais.

— Não sabia que você tinha uma âncora tatuada na costela. Tipo... Josh Hutcherson?

— E eu não sabia que você tinha um tordo no ombro. Quando você faz uma trança que cai pelo seu ombro esquerdo dá pra ver o tordo de A Esperança no seu ombro direito.

— O que se esperar de um tributo? — rimos. — Estou com uma marca no pescoço desde a nossa última noite.

— Nossa, vou ser mais delicado. Mas, enfim, gostou daqui? É simples e tudo, mas, eu queria te surpreender.

— Eu adorei, de verdade. Eu te amo muito! — seguro sua mão, entrelaçando nossos dedos e me causando arrepios pelo corpo.

— Também te amo. Feliz aniversário!

— Feliz aniversário!

Depois de comermos, resolvi apostar uma corrida com Lucas até a água, eram 20h00. Então ele me alcançou, pegando-me no colo, rodopiando meu corpo e, finalmente, me beijando.

Gosto desses momentos em que viramos simples adolescentes com responsabilidades e corpos de adultos. Esse verão vai doer pra cacete se eu não estiver com ele. This Summer's Gonna Hurt Like a Motherf****r.

...

Alguns dias antes de voltar para São Paulo, eu estou em transe ou algo do tipo. Já tenho que mandar os convites para a festa de 1 ano dos gêmeos. Mas o pior aconteceu quando eu estava descansando, quase cochilando. Senti um algo desfiando meu cabelo, de imediato me virei e vi Jessica com uma tesoura nas mãos.

— Você ficou louca? — Digo puxando a tesoura de suas mãos. Então olho no espelho mais próximo e vejo meu cabelo picotado. — O que você fez?

— Seu cabelo ficou maravilhoso com esse corte. — dá aquela risada maléfica e eu a pressiono contra a parede com meu braço direito, apertando seu pescoço até ela ficar roxa. — Solta... Por favor. — Eu aperto ainda mais e ela revira os olhos.

— Agora eu sou a vilã! Você não queria isso o tempo todo? Então, desejo realizado.

— Você vai me matar!

— É isso o que eu quero! Você já deixou meu amigo paraplégico, picotou meu cabelo.

— E posso acabar com a sua carreira. — diz me interrompendo.

— Você pode fazer o que você quiser, mas não encoste um dedo em Luísa e Eric. Ou, você morre agora.

— Prefiro morrer do que tocar naquelas crianças nojentas. — ela diz cuspindo em meu rosto. Então a amarro na cadeira mais próxima, e vou atrás de uma maquininha que Lucas tem para cortar o cabelo quando ele não tem tempo. Pego-a e ligo na tomada. — O que você vai fazer?

— Vou te ensinar a nunca mais mexer comigo. — então pego a tesoura e corto o cabelo dela bem curtinho. As lágrimas escorrem no seu rosto. — Está gostando?

— Sua bruxa! — ela diz e eu largo a tesoura e dou-lhe um tapa na cara.

— Você sabe que eu posso te matar, não sabe? — a adrenalina tomou conta do meu sangue e misturou-se com o ódio que sinto por ela. Então pego uma arma que guardo na minha bolsa e deixo mirada para ela. — Se você ousar em soltar isso na mídia, você morre.

Continuo com meu 'trabalho' enquanto ela chora. Então começo com a maquininha, raspa aqui, raspa ali...

— Pronto! — desliguei o instrumento e fui até a geladeira, onde peguei o whisky que havia lá e bebi, na garrafa mesmo. Acendi um cigarro e soprei a fumaça em seu rosto. Sempre fui a vilã da história, sempre fui egoísta, afinal, eu vivo de aplausos. Que se danem os críticos, sempre fui refém deles.

Então levo Jessica para o carro, onde vamos para um iate. Lá ela consegue se soltar e lutamos, ela me prende e joga gasolina pela cabine. Puxo-a e digo.

— Se eu morrer, você morre junto. — então puxo o gatilho da arma, matando-a. Dou mais quatro tiros e jogo seu corpo no mar. Acompanho com o sinal-da-cruz, e lavo o iate.

Pode parecer errado, mas foi meu instinto. Então, bebo mais um pouco do whisky e vou dirigindo á 120km, outra curva ocorre, não vi o sinal fechado. Tentei desviar, só piorei a situação. Falhei. Os air-bags ativaram para minha sorte, e saí, deixando o carro cair morro abaixo e vendo o mesmo se consumir no fogo. Consegui resgatar meus pertences, os de Lucas e os brinquedos das crianças. Nada mais tinha. Caí desmaiada com tamanha adrenalina e tanto álcool ingerido. Aquela seria a segunda crise.

...

Acordo rodeada de médicos e pessoas. Levanto-me e sou levada para a delegacia por dirigir embriagada. Ligo para Lucas explicando o que aconteceu e pedi para ele trazer o valor da fiança.

— O que deu em você para você fazer isso com ela? — Lucas diz quando estávamos indo para casa.

— Eu estava bêbada!

— Parece que eu não sou o único que menti.

— Lucas...

— Calada. Você nunca me contou que bebia.

— E você não me contou que havia comprado whisky.

— Por que você matou ela?

— Você pergunta o por que? Cara, o Fernando ficou paraplégico por causa que ela tentou me matar! Meu cabelo está assim por causa dela! Nosso casamento está assim por causa dela! Mas não! Você prefere ficar ao lado da sua finada ex-namorada super gostosa, afinal, sua esposa é uma assassina!

— Fique quieta! Como você ousa em colocar a culpa em uma pessoa morta? Como você teve coragem? — a essa altura ele já chorava. — Sabrina, eu larguei meus vícios para nós não entrarmos nessa crise de novo mas, não, você tem que fazer esse rombo!

— Eu não sou a única culpada! Você comprou aquele whisky!

— Aquele whisky é da nossa última discussão seria.

— Eu bebi whisky vencido? — digo sarcástica — Tá, acredito. E aquela caixa de cigarros?

— É de um dos empregados. Você acendeu um, pelo jeito. Estou muito bravo com você. Sério mesmo. O nosso término foi porque você matou a sua irmã no passado e agora você mata a Jessica? No nosso iate? E a arma?

— Eu já tinha ela, é do meu pai.

— Não interessa. Você além de destruir nosso casamento, você incendiou o seu próprio carro, que eu comprei aqui, para você não ter que depender de mim pra se locomover. Estou desapontado.

O caminho segue silencioso, na hora do jantar, cada um pega seu prato e senta em um sofá, Lucas fica com o celular dele e eu com o controle da televisão.

— Ficou bom? — pergunto me referindo ao jantar.

— Ficou. — ele responde e sobe.

Na hora de ir dormir, o encontro sentado na poltrona que está no quarto dos bebês.

— Vai dormir no nosso quarto? — pergunto fazendo um coque com dificuldade.

— Vou para o de hóspedes. — ele responde indo para o nosso quarto e pegando seu travesseiro e um cobertor, entrando no quarto, fecha a porta.

Afundo a minha cabeça no travesseiro e começo a chorar incessantemente. Então pego a caixa de remédios e pego vários calmantes. Mas antes pego uma lâmina e afundo-a em meu pulso, arrastando a mesma. O sangue escorre de modo que não consigo sentir dores.

Desço até a cozinha e tomo muitos calmantes, até Tarja Preta eu tomei. Quando eu perdi os sentidos. Aquele certamente era o fim.

*POV Lucas*

Desci na hora em que Sabrina tomou a Tarja Preta. Meu intuito era beber água, mas, quando desci, vi-a se debatendo e sua boca estava espumando. Ela estava tendo uma overdose. Seus pulsos estavam sangrando, ela se cortou. Levei ela ao hospital, onde ficou por muito tempo sobre suporte para respirar, pois misturou os calmantes com whisky e conhaque. Ela tinha tido uma overdose muito forte. Ela é uma louca. Não sabe brigar. É uma garotinha em corpo de mulher. Liguei para Pedro, noticiando o fato.

— Pedro, a Sabrina teve uma overdose de calmantes.

— Meu Deus! Vocês brigaram?

— Sim... mas ela tem que deixar de ser idiota.

— Ela tem uma mente extremamente fraca. Ela não sabe lidar com os problemas que todos nós passamos.

— Apenas é egoísta, só pensa nela, e não pensa muito no amanhã, se ele existir.

— Mas isso não significa que ela seja uma má pessoa. Mas ela tem que se valorizar. Ela é uma pessoa linda, tem uma vida linda e merece um vida linda.

— Estou pensando em mandar ela para um manicômio.

— Pode mandar. Você tem todo o meu apoio, ela tem que deixar de ser idiota. Já está me deixando com raiva.

— Quando ela sair do hospital eu levo ela.

Desligo o telefone com uma certeza: a Sabrina há de se recuperar.

...

No manicômio, negocio tudo para a chegada dela. Nada de objetos cortantes ou que possam machucá-la. Então levo Sabrina, que, quando chega, grita, esperneia, até que é algemada. Os gritos desesperados chamando meu nome, até ela ser trancada e presa na maca. Como ela se debate muito, eles dão vários choques nela.

— Para! Tá machucando ela! — digo para uma das enfermeiras, que me tira do quarto.

— Daqui para frente é conosco, não com o senhor. Três meses e você pode buscar ela.

Que tiro cego! Só o que fiz certo foi deixá-la ir. Não é um tiro cego, te protejo, atire em mim. Não consigo vê-la sofrer, esse foi o meu maior erro, em partes, mas também foi um acerto. São memórias mortais no meu coração.

*POV Sabrina*

Tento me mover, mas meu corpo está acorrentado. 'MENTALMENTE DESORIENTADA' é o que está escrito em minha pulseira laranja. Grito o mais alto possível, até me esqueci que minha situação não é das melhores. Minhas roupas se reduziram a trapos de um hospital. Então fui liberada para o almoço, que não era lá essas coisas, várias pessoas em estados piores do que o meu estão lá. Até que uma se senta ao meu lado.

— Que anel bonito! Minha melhor amiga tinha um igual. — arregala os olhos e puxa o meu dedo. — Você roubou o anel dela! Devolve!

— Que? Solta a minha aliança, eu sou casada! Me solta!

Então nos separam. Uma pessoa que está em um juízo melhor, senta-se e começa a falar.

— A que ponto chegamos? Você, rica e famosa, se juntando a um bando de loucos abandonados. — olho e vejo uma jovem, aparentemente com seus 16 anos, cabelos e olhos castanhos, corpo magro. — Seu marido é meu ídolo, sabia? Ele arrasta multidões por onde passa. Um astro. E você, bem, dizem que você se pendurou nele pra conseguir o sucesso, mas eu desacredito. Você é uma ótima pessoa.

— Obrigada. Como é seu nome?

— Aline.

— Bonito nome. É o nome da filha do meu professor favorito.

— Qual era o nome dele? Se eu não estiver invadindo a sua privacidade...

— Imagina, o nome dele é Mário.

— Curioso, meu pai se chama Mário. — eu olho para ela com a surpresa estampada em meu rosto.

— Ele vem te visitar?

— Sim, amanhã ele vem.

— Posso conhecê-lo?

— Pode. — o horário do almoço acaba e eu tenho que voltar para o quarto.

Deito e fico pensando no quanto fui idiota por só pensar em mim, cara, eu sempre tive tudo do bom e do melhor e nunca dei valor. Eu tenho filhos maravilhosos, um marido maravilhoso, uma vida cheia de mordomias, e nunca dei valor a isso. Tenho tempo o suficiente para pensar nisso, agora que não vai ser.

...

Na noite do dia seguinte, onde ocorreriam as visitas, saí na esperança de encontrar Lucas e meus filhos. Porém, ele não veio.

Vejo Aline abraçada a um homem, aparentando seus 50 anos, mas sem cara de velho ou coisa do tipo. Então o reconheço, seus olhos não mudaram, conseguiria reconhecer de longe aqueles olhos.

Nossos olhos se encontram e saio correndo ao seu encontro.

— Algum último conselho? — digo abraçada a ele.

— Fique viva.

Notas finais
Estamos na reta final... mas vamos ter uma segunda temporada que vai ser narrada por... Luísa! Bem, até o próximo! ♥