Amor Perdido
42 Sayori especial Parte XII
Sesshoumaru entrou no quarto preocupado.
- Encontrei o Elian e ele contou-me que estavas aqui. Está tudo bem?
- Hai, chichiue. Só estava um pouco cansada, nada demais
- Hum. E já agora mocinha, o que vocês estavam a fazer no jardim e, mais a mais, sozinhos
- Ah! Nem vem que não tem. Além do mais, é normal um casal de noivos quererem estar um pouco a sós, ou não?
- Lie — bufou de raiva e sentou-se na borda da cama, cruzando os braços — O Elian é um youkai experiente e tu não. Podes ser adulta mas, no mundo youkai não passas de uma cria ainda
- Aff, não sei como a mãe aturou-te, sinceramente eu sei como cuidar-me
- Eu sei disso — agora o lord ficou emburrado
- Pois não pareçe — Sayori estava pronta a dar o "golpe" final — A não ser que estás com medo de ser avô?
Sesshoumaru arrepiou-se só de ouvir essa palavra. Não conseguia imaginar a sua preciosa cria com um barrigão esperando uma cria. Já não estava muito contente por um macho a fazer a corte nela, apesar que esse macho era um youkai conhecido seu e e confiança. Mas o casamento ainda ia demorar pelo menos um século.
- Nem penses nisso, não quero netos agora. Pelo menos nos próximos século ou dois. Eu tenho idade é para ter crias e não netos
Sayori ficou triste e fechou a cara. Afastou-se um pouco do seu pai. Quem teve o golpe final foi ela.
- O senhor quer ter mais filhos?
- é claro que não, onde tiras-te essa ideia? — perguntou num tom mais sereno
- Bom, como o senhor disse, ainda é jovem e tem todo direito de refazer a sua vida. Eu já sou crescidinha para perceber isso. O chichiue tem todo direito de ir à procura de uma femêa, que lhe dê um herdeiro macho ao seu trono
Sayori falava com custo, enquanto os seus olhos fixaram um ponto na parede. Sesshoumaru suspirou de cansaço mental e puxou-a pelo o braço, fazendo-a deitar- se a sua cabeça no colo dele. Começou acariciar os longos cabelos da sua cria.
- Sayori, escuta-me com atenção pois, só vou falar isto uma vez. Estas terras já tiveram a sua Senhora. Não haverá outra a ocupar o seu lugar, tanto neste castelo como no meu coração. E, em relação a herdeiros, eu já tenho a ti. Não preciso de nenhuma cria macho para isso. Entendes-te bem?
- Hai entendi
- Tu és o meu tesouro mais precioso que eu tenho. Como a tua mãe era tu também és uma jóia. A minha jóia rara. Agora promete-me que nunca mais vais pensar nisso
- Eu prometo. E chichiue?
- Hum
- Aishiteru chichiue
- Aishiterumo e muito. Tu és a melhor coisa que aconteceu-me. Um presente deixado pela a minha flor de lírio e rainha do meu coração
Sayori sorriu com ternura, era reconfortante ouvir aquelas palavras onde o seu pai demonstrava o amor que sentia pela a sua mãe. Um amor que acabou por sua culpa. Era assim que ela pensava mas na verdade a única culpada fora a Sara. Um facto desconhecido pela a jovem youkai.
- Chichiue posso lhe pedir uma coisa?
- Tudo o que quiseres minha pequena
- Acordas-te com alguma costela de poeta hoje?
Sesshoumaru deu uma enorme gargalhada, um feito que dantes era só a Rin que conseguia mas agora era a Sayori
- E tu acordas-te com uma costela para cómica. Vá lá o queres?
- Eu sei que vai pareçer um pouco infantil mas, eu gostava de passar um dia só com senhor, chichiue. Como nós faziamos dantes. Tenho saudades daqueles tempos, era tão bom te-lo só para mim. Eu lembro que nós literalmente despiamos das personagens de lord e de hime, só para sermos pai e filha — Sayori tinha um olhar de nostalgia
- É claro que sim — agora foi a vez de Sesshoumaru sorrir — Era para se uma surpresa mas, eu preparei um passeio só para nós dois amanhã. Pensei irmos até ao lago
- Adoraria, eu gosto daquele lago — Sayori levantou-se do colo o seu pai
- Bem o papo está bom mas é melhor voltar-mos para o Salão — o lord levantou-se da cama e virou-se para a sua filha — Vamos?
- Já desço chichiue, gostava de ficar mais um pouco aqui
- Está bem, até já então
Sesshoumaru saiu do quarto e Sayori trancou a porta. Voltou-se a sentar na sua cama e abriu o diário onde tinha parado e começou a ler.
« Ao fim de duas semanas de estadia, pela primeira vez eu e a Lucy saímos para o jardim do shiro o Leste e sem a Sara. A sua mãe chamou-a e reteu-a para não nos incomodar. Já fazia parte do plano dos nossos pais. É, aí vem a união das nossas famílias. Para a minha tristeza, o sol se pôs rapidamente e nós fomos para dentro. Tinha que admitir que era agradável a companhia da Lucy. No jantar, confirmou-se o que eu já suspeitava. Os nossos progenitores anuciaram o casamento. Eu, é claro, fiquei feliz mas ao olhar para ela, fiquei confuso com a sua reação. Lucy tinha uma tristeza visivelmente estampado na sua cara. Quando percebeu que eu a fitava, deu um sorriso amarelo. Estava desolado por dentro, pensei que também gostava de mim como eu gostava dela. Então porquê? Eu sei que só nos conhecemos à duas semanas e que no mundo youkai isso, era pouco tempo. Mas, sinceramente pensei que estavamos a dar-nos bem! Usei os meus truques de corte e até que o meu chichiue me ensinou. Ao menos, para isso tinha tempo para ensinar-me, o resto tinha que aprender por minha conta. Aff! Ele devia ser youkai galinha, isso sim, não podia ver uma femêa nova na aréa que já corri atrás. Nem sei como a minha mãe aguenta e ainda bem que puxei mais o lado da minha progenitora. Bem, fomos-nos deitar. Eu poderia escolher se aceitava ou não. Não tinha sono e fui directo para a sacada dos meus aposentos. A noite estava magnífica, a lua encontrava-se como eu gosto. Lua cheia. A sua luz iluminava a floresta que havia na minha frente. Até que... a Lucy estava lá em baixo, vestida com uma capa escura com capuz posto na sua cabeça. Parecia e agia como uma criminosa que escondia algo. Ela correu pela a floresta a dentro e eu a segui. Através do seu doce cheiro encontrei-a e não queria acreditar no que os meus olhos viam. A Lucy agarrada e aos beijos com outro macho e, ainda por cima um macho humano. Eles falavam em promessas de amor eterno e isso deixou-me com uma fúria invadir-me de dentro para fora. Isto não ia ficar assim, não seria humilhado, não por um reles humano. Quando ia-me retirar, ouvi eles a combinar encontrarem-se na noite seguinte para fugirem. Ah! minha cara Lucy, eu vou estragar os teus planos. Foi o que eu pensei no regresso para o shiro. No dia seguinte, tanto o meu pai como o dela, reparam na minha cara de zangado. E, sem pensar duas vezes, contei tudo para eles. Shiryu ficou furioso e pediu desculpas pelo o comportamento da sua filha. Prometeu que resolveria a questão. O dia ia passando e não falamos mais no assunto. Resolvi não sair com ela nesse dia. À noite, Lucy voltou-se a encontar com o humano, pronta para fugir. Mas o que ela não imaginava era que tinha sido seguida pelo o seu próprio pai»
Sayori foi interrompida novamente. Alguém lhe batia à porta.
- Argh — rosnou alto — Será possível! O que uma youkai tem que fazer para ter um pouco de paz e sossego? — gritou alto enquanto destrancava a porta. E ao abri-la...
Elian apareceu à sua frente com os olhos arregalados e com a suas mãos para cima em sinal de rendição.
- Calma amor, só sou eu
- Elian diz lá o que queres? — Sayori bufava de raiva
- É que vi o teu pai a descer as escadas sozinho e, por isso, pensei que estivesses a sentir-te mal
- Lie Elian, estou bem. Só estou um pouco cansada, estes três dias foram muito agitados para mim. Nós chegamos à noite e, no primeiro dia o meu chichiue inventou um almoço de família e epois fui ver alguns amigos meus. No segundo dia o trio maravilha, ou seja, a minha avó, a minha tia e a minha prima não deixavam-me em paz querendo saber tudo o que aconteceu durante a minha estadia no Shiro da Hanon. Agora imagina fazer um relatório detalhado narrando os meus seis anos de ausênia. Foi uma seca autêntica. E, hoje foi uma correria até à noite, com roupa, maquilhagem e acessórios.
- Será que é isso mesmo? Só cansaço? — perguntou o youkai cruzano os braços
- Ouve lá, eu não sou mentirosa
- Está bem, gomenasai. Pensei que fosse alguma coisa de mal. Já que ficas-te esquesita depois do encontro com o humano
- Ora ciúmes, senhor general? — Sayori falava num tom de deboche
- Lie. Bem não demores muito, os convidados já estão perguntando por ti.
Sayori soriu docemente e entrelaçou os seus braços à olta do pescoço do seu amado.
- Eu já desço. Só quero ficar mais uns minutos — no fim de comentar lhe deu um beijo curto e calmo — Agora, é melhor saíres daqui antes que o teu sogro arranque a tua cabeça
Elian deu uma pequena risada mas, tinha admitir que ela estava com razão. Se Sesshoumaru encontra-se ali morria antes de casar. Depois de mais um beijo ele voltou para o Salão e ela voltou a trancar a sua porta para ler mais um pouco. Sentou-se na borda da sua cama, pegou no livro e voltou a ler.
« Eu e o meu chichiue, estavamos numa sala pequena de visitas a provar o sakê daquela região. A Sara e a sua mãe faziam-nos companhia. Ela como anfintriã não era má mas para como companheira era péssima, uma chata e mimada. A minha mente só pensava na Lucy e na atitude que o seu pai tomaria. Derrepente, ouviu-se a porta da entrada do shiro a fechar-se violentamente, a voz alterada do Shiriyu e os gritos da sua filha. Corremos para lá. Era o lord daquelas terras furioso, com uma das suas mãos segurava uma katana de lâmina curta e assenguentada e na outra mão, trazia a sua cria arrastada pelos cabelos. Ela chorava e estava muito machucada. A sua mãe correu na direção dela para socorrer a sua cria aflita e levou-a para o seu quarto. O meu pai perguntou a seu amiga o que se tinha passado e este, respondeu que o humano já não seria mais um problema pois estava morto. Ele o tinha matado. Dentro de mim o meu ser primitivo libertou o ofuror e contentamento ao receber aquela notícia. No dia seguinte, bem cedo, voltamos para o nosso reino. Tudo corria lindamente, em breve teria uma femêa ao meu lado, e uma bela femêa, saciando os meus desejos mais íntimos e primitivos. Uma semana depois, o meu mundo desabou ao receber uma carta informando que a Lucy se tinha suícidado. Ela preferiu morrer do que ficar sem aquele imundo humano. Decidi apartir desse dia fechar o meu coração para sempre. Não iria apaixonar-me denovo»
Sayori ficou com pena do seu pai.
« Depois de 50 anos, o meu coração foi ferido mais uma vez. Agora foi a vez do meu pai desiludir-me. Ele ousou trocar a minha mãe por outra, uma reles, fedida e vadia humana. E o pior não foi isso, ele engravidou-a. Não bastava a traição, agora iria ter um irmão bastardo. Um hanyou para envergonhar o nosso clã»
Fale com o autor