Amor Perdido

37 Sayori especial Parte VII


Notas iniciais
Palavras a negrito é a Visão da Sayori

Sayori estava parada em frente a Árvore Branca que brilhava intensamente no meio da noite. Estava tudo sereno, não se ouvia nada, nem mesmo o som da natureza nocturna. Então alguém a chamou, muito baixinho, quase imperceptivelmente. A voz fazia eco e parecia o gorgolejar da água,

- Lha?!... — perguntou Sayori

A Voz soltou uma risadinha juvenil e irritante.

- Sayori... — continuou a chamar a voz — Não me consegues encontrar, se não procurares

Sayori subiu o túnel, percorreu todos os andares do shiro, todos os quartos, espreitou em sítios onde nunca entrara e que não se lembrava de existirem, saiu do shiro e percorreu a floresta com uma rapidez perfeitamente impossível para um humano.

- Quem és tu? — perguntou às vezes, mas a voz continuava a mandá-la procurar

- Era uma vez — dizia a voz — quatro irmãos. Dois morreram, um tornou-se muito mau e a outra desapareceu. Era uma vez...

A voz continuou com aquela lengalenga durante muito tempo, Sayori conhecia aquela história, o seu pai contava-lhe todas as noites quando era mais pequena. A história de quatro irmãos, Os Elementos, assim eram conhecidos.

Por fim, Sayori cansou-se e, ainda a correr, embora sem saber muito bem porquê dirigiu-se novamente para perto da Árvore Branca.

- Muitos acham que ela morreu — isse a voz, mudando a letra da lengalenga — Talvez não... talvez sim... provavelmente não

Calou-se e Sayori chegou ao fim do túnel que abria para o interior da montanha. Um vulto virou-se e ficou a olhar para a Sayori com um sorriso infantil.

Mizuki estava, de facto, no interior da montanha, muito alta e direita a olhar para a Árvore Branca.

- Ohayo, Mizuki — disse sayori e, ela virou-se para a encarar

- Começavas a desapontar-me, Sayori. Estava a ver que nunca mais descobririas-me. Como soubes-te, quem sou eu? Será que foi através da Visão? Algum pergaminho? Ambos? Ou foi outra coisa qualquer?

Sayori não respondeu. Em vez disso, sorriu.

- Devia estar numa qualquer das tuas lições — continuou ela

- Não me lembro bem qual. Mas também não interessa — afirmou Sayori

- Ui! És rápida na resposta. O conhecimento leva o seu tempo — Mizuki olhou para a Sayori e ritribui-lhe o sorriso

- Hai, é verdade, por mais estranho que isso soe. E, no entanto, o conhecimento é infinito. Mesmo para ti... Mizuki

Mizuki aproximou-se dela e parou memo à sua frente. Sayori sentiu-se estranhamente desconfortável. Mizuki continuava a ser a oiginal Senhora da Noite e da Lua e a sua ancestral. E, Sayori não a queria desrespeitar. O seu pai sempre foi rígido com a sua educação.

- Gostas de me enfrentar, não é? O que achas de mim? Podes ser sincera. Não vou ficar chateada.

- Acho que és em parte uma criança mimada. Que se juntou a um youkai só para irritar e se mostar ao papaizinho que mandava. Mas correu mal não foi?

- Talvez — respondeu Mizuki e soltou uma gargalhada cristalina — É defeito de família — para grande espanto da Sayori, a sua voz suou suave e divertida

- O que vieste aqui fazer? — perguntou Sayori

- Vim para te ajudar a levares a tua tarefa até ao fim.

Sayori não respondeu. Mizuki sorriu e virou-se para a árvore.

- Aproxima-te Sayori. Vê como ela é magnífica

Sayori aproximou-se lentamente.

- A Ávore Branca não tem folhas e os seus ramos estão quase sempre nus. Não é algo que, numa árvore, se considere bonito. E, no entanto, é a mais bela árvore que vi até hoje. Os seus frutos são raros e belos. Têm a forma de uma maçã, da mais banal das maçãs. A sua cor é deslumbrante, tão deslumbrante que eu não me atrevo a descrever-ta. O interior o seu fruto não é sólido, mas líquido. E esse líquido tem a capacidade de devolver a vida a uma planta que secou ou murchou, ou a um ser vivo quase móribundo. Assim como limpa a sujidade que mal cria. Mas o fruto não nasce quando nós queremos, apenas quando ele acha que deve — Mizuki parou e olhou para Sayori — Só poderas ir embora quando a Árvore Branca decidir

Sayori acordou. Levantou-se e olhou lá para fora. Ainda era muito cedo. Mas ela tinha a certeza de que não conseguiria voltar a adormecer.