Amor Perdido

35 Sayori especial Parte V


Notas iniciais
Parte a negrito é a Visão da Sayori

Os dois anos passaram depressa e, durante esse tempo, Sayori aprendeu muito. O seu grupo partiu, tal como Hanon sugeria, e ela passou a levantar-se um pouco mais tarde do que habitualmente, pois ficava grande parte da noite acordada a estudá-la. Durante o dia, Sayori treinava com armas e artes marciais, ora com o seu primo, ora com o general Elian. Nos primeiros tempos, foi difícil, ela temia este youkai. Um dia, ela estava sentada num ramo de uma árvore enorme. Tinha chovido durante toda a noite. Ela esperava o seu primo para treinar, não queria o Elian.

FLASH BACK ON:

O general aproximou-se e sentou-se de baixo da árvore.

- Posso saber o porquê, que andas a fugir de mim?

Sayori não respondeu, limitou-se a levantar-se, para sair dali. Quando ia embora, um dos seus pés, escorregou no tronco que estava coberto, em alguns pontos, de musgo verde. A altura era medonha para os humanos, ela preparou-se para sentir o seu corpo bater no chão duro, mas o que ela sentiu, foi algo a segurá-la na cintura. Elian tinha-se levantado rapidamente e agarrou-a. Ele reparou na face rubra dela e sorriu.

- Já podes soltar-me! — falou secamente mas, sentiu uma dor no seu tornozelo esquerdo e gemeu baixinho de dor, porém, foi o suficiente para ele escutar.

- Pareces que tens o tornozelo ferido — olhou para o inchaço no pé — Acho melhor voltarmos para o shiro — levou-a ao colo

Levou-a para quarto, pelo o caminho foram observados por servas e pelo o Inutaisho. Este, preocupado com a prima, sentou-se na borda da cama.

- Pequenina, o que se passou?

- Torci o meu pé. Nada demais. Acho que é pior ser acertada pelo o chicote venenoso do meu chichiue — os dois riram-se

- O teu pai batia-te Sayori? — perguntou o general

- Lie, nunca me levantou a mão. Doushite?

- Comentas-te que já foste atingida pelo o seu chicote!

- Um dia, nós treinavamos e por falha minha acabei por ser atingida.

Uma serva entrou com um preparado de ervas para acabar com o inchaço.

- Eu trato disso — Elian falou num tom suave para a serva — Inutaisho saí também, preciso de ter uma conversa definitiva com a Sayori

O general esperou que eles saissem primeiro. Sentou-se na cama e pegou no pé dela, passou a "pomada" e enfaixou-lhe o tornozelo. Sayori suspirou com o toque delicado que o Elian porprocinava-lhe

- Está doendo? — perguntou a ela

Sayori negou com a cabeça.

- Eu sei bem porque tens medo de mim. A Hanon contou-me — ele viu a hime engolindo em seco e quando ela retirou o pé do colo deste

- Gostaria que fosses ao ponto da conversa — disse a Sayori lançando um olhar frio e mortal. Olhar, que Elian conhecia bem

- Tens razão, gomenasai. Só queria que soubesses por mim, que já mais faria mal ao teu pai. Eu conheço-o desde que eramos apenas duas crias pequenas. Sou mais velho do que ele apenas umas horas. O meu pai foi um os generais do teu avô. Então eu e o teu pai crescemos juntos durante dez nos. E acredita que nós dois aprontavamos imenso no reino.

O general Elian contava todas as partidas que pregavam. Sayori podia notar o carinho que ele tinha desses tempos.

- Porque se separam?

- O meu chichiue morreu numa batalha longa, ardua e com muitas baixas de ambos os lados. A minha progenitora era deste reino. Ela resolveu partir. O teu avô queria que eu ficasse, tornando-me o seu protegido e aprendiz. Mas, ela não aceitou. Já tinha perido o seu companheiro, não queria perder a sua cria. E assim regressamos para aqui. Depois quando completei cento e cinquenta anos, voltei a encontrar o Sesshoumaru por acaso. Tornei-me general da Hanon e a última vez que o vi foi no seu casamento.

- Oh fala-me do casamento. A minha mãe devia estar feliz e muito bonita nesse dia. O meu pai nunca conta-me nada, simplesmente desvia do assunto, Ás vezes penso que ele não a amava.

- ( hum, ele nunca contou a verdade à sua filha). Enganas-te, ele amava-a e muito. E até hoje ainda a ama e vai sempre amá-la. Agora diz-me, dese que idade tens essas Visões?

- Desde dos meus seis anos. Nunca contei a ninguém, quer dizer o meu primo sempre soube.

- E presumo que o teu chichiue não sabia de nada até hoje!

- Nani, como até hoje? — a Sayori ficou preocupada

- Hanon escreveu-lhe uma carta a contar tudo. Acho que ele vai ficar desiludido por não teres confiado nele

- Oh não! — suspirou — Eu confio, mas não queria pertubá-lo

- Souka. Todos n´s temos os nossos segredos — riu-se

FLASH BACK OFF

Apartir desse dia, ela começou olhar para o general de forma diferente e confiar nele. Os dois treinava imenso e sempre que ela fazia mal algum movimento, ele colocava-se atrás dela, encostando-a perto de si e demonstrava os movimentos. Era nessas alturas que a Sayori sentia-se nas núvens.

À tarde, Sayori desenvolveu os seus conhecimentos sobre plantas curativas mas, Inutaisho tinha mais jeito para isso do que ela, estudou e compreendeu as rochas, os minerais e os animais, aprendeu a falar fluentemente a Língua Antiga. Tinha ainda lições sobre os povos e a história dos seus ancestrais. Ao final da tarde, logo após do jantar, eles (Sayori e Inutaisho) saíam para ajudarem as servas a cuidarem das árvores da Floresta das Brumas, algo que a Sayori tinha muito jeito e perícia, devido ter herdado o amor e o prazer, que a sua mãe tinha com as árvores e flores do Reino do Oeste.

Contudo, era à noite que a verdadeira aprendizagem tinha lugar. Aprendiam pequenos truques que em tempos tinha deixado os humanos maravilhados: invocarem as brumas, provocarem um dilúvio a apartir de uma ou outra gota ocasional, incentivarem uma semente a desenvolver-se mais rapidamente, com um sopro podia criar um vendaval ou com um simples girar do seu dedo indicador, um enorme tornado, criar bolas de foga com um estalar de dedos e por aí adiante. Mas estes truques eram possíveis tanto de dia como de noite, desde que se soubesse falar correctamente a Língua Antiga.

Era preciso deixar a noite entrar dentro da própria pessoa, tinha-se que a sentir. De certo modo, era ouvi-la. E, saber e aceitar que precede e sucede o dia, assim como ele sucede e precede a noite. Eram ambos um ciclo indissociável, uma das mais antigas regras da Natureza. Respirava lentamente, esvaziando a sua mente e concentrava-se nos sons que não eram normalmente ouvidos e que estavam vedados aos humanos. Sayori tinha um vislumbre de uns pontos de luz brilhante e prateada a escaparem-se rapidamente por entre a folhagem.

No terceiro ano, pouco depois do Solstício ter passao, Hanon teve uma reunião inesperada, por isso, deu o dia de folga à sua aprendiz. Inutaisho, entediado por não ter nada para fazer, decidiu ir ao encontro da sua prima, fazendo um convite surpresa. Sayori encontrava-se no quarto, tentando ficar ocupada, talvez assim o tempo passa-se mais depressa.

- Vais fazer alguma coisa? — Inutaisho perguntou enquanto entrava no quarto

Sayori, que estava sentada na arca, parou e ler e olhou-o curiosa e divertidamente.

- Lie — respondeu

- Então vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa

- Onde?

- Perto da nascente

- Mas já lá estivemos tantas vezes!

- Isto é diferente. É o meu segredo, o meu pequeno esconderijo desde que aqui cheguei

Sayori sorriu e fechou o livro.

- Desconfio que o teu esconderijo deixou de ser secreto desde que EU aqui cheguei. Eu possuo um jeio especial para descobrir tudo o que é secreto — comentou dando enfâse à palavra "eu"

- Convencida?!

Inutaisho sorriu. Sayori calçou as botas altas de viagem e cobriu-se com uma capa grossa

- Vamos então? — perguntou, e Inutaisho apressou-se a segui-la.

Estava muito frio lá fora. Quando o Inverno do primeiro ano chegou, Sayori percebeu rapidamente por que razão as lareiras não estavam acesas quando ela chegara ao shiro das Brumas. Com o tempo habituara-se ao frio da maioria do ano, mas no Inverno, preferia muito mais estar dentro do castelo, onde todas as lareiras e fogos estavam acesos, do que estar no exterior.

Caminharam os dois pela montanha acima até à nascente. Nesse dia nevara no topo da montanha. Inutaisho seguiu um pequeno ramo do rio até ele desaparecer e depois contornou um pouco a montanha. Parou à entrada daquilo que parecia ser uma toca de um qualquer bicho grande, olhou para a Sayori e, sem uma palavra, entrou. Ela segiu-o através de umas escadinhas naturais, não muito regulares, até uma gruta húmida e coberta de fungos onde havia uma lagoa para a qual escorria um fio de água. Inutaisho acendeu algumas velas que estavam espalhadas pelo o chão da gruta e nalgumas saliências da rocha, tirou o capuz e ficou olhar para ela.

- É lindo — disse Sayori — É pena estar frio

- Oh! Aqui está sempre frio

A água da lagoa era extraordináriamente límpida e criava uma sensação estranha. Sayori inclinou-se, um pouco intiutivamente, para a água e percorreu-a com os dedos, criando pequenos círculos e ondulações. A água estava gelada, mas não deixava de transmitir uma sensação de frescura. Sayori tirou as botas com as mãos molhadas e levantou-se.

- O que estás a fazer? — perguntou Inutaisho admirado

Sayori não respondeu e tirou a capa. Entrou calmamente dentro da água. A lagoa era funda e no meio a água chegava-lhe ao queixo.

- Sayori sai daí — disse o Inutaisho preocupado — Vais ficar gelada

Mas Sayori não saiu. Em vez disso, deitou-se na água e soltou o ar que tinha nos pulmões até que ficou submersa.

- Sayori.... — disse a voz de Inutaisho, um pouco mais longe do que seria normal

Ela agitou as mãos debaixo de água, como se estivesse a acariciá-la. Estava na hora de por em práctica a Língua Antiga.

- Lha...

- Muito bem, Sayori — Respondeu a Água, que na Língua Antiga tinha como o nome de Lha — já compreendes a noite e sabes também a língua sagrada

- É entao tempo de regressar?

- Ainda há mistérios da noite que tu não conheces — disse a Água

- Os pontos brilhantes....

- E não só. Há mais, muito mais.

- O conhecimento é infinito

- Exactamente e nada acontece por acaso. Não me voltes a perguntar quando podes regressar

Sayori sentiu a Água levá-la para a superfície

- Não! Espera

- O que foi, Sayori

- Tu jogas um jogo comigo. Qual é o meu lugar no tabuleiro do teu jogo?

As águas da lagoa agitaram-se quando a Água riu com gosto.

- Eu não joga nenhum jogo, nem tu és um peão no meu tabuleiro. Eu apenas te preparo para aquilo que terás de enfrentar

- Meu destino?

- Hai

E, rapidamente, Sayori apareceu à tona. Inutaisho estava de pé na margem com a capa da sua prima nas mãos. Ela apressou-se a sair da lagoa, calçou as botas e ele envolveu-a com a capa e os dois regressaram ao shiro mais rapidamente possível.

Inutaisho pôs mais lenha na lareira, enquanto Sayori, tirava as suas roupas encharcadas, vestia uma camisa de noite quente, calçava pantufas e secava o longo com uma toalha seca. Inutaisho levou as almofadas da arca perto do fogo e sentaram-se.

- Porque fizeste aquilo? — perguntou Inutaisho

- Queria voltar — respondeu Sayori e havia alguma tristeza na sua voz

- Eu às vezes também tenho saudades

- Tens saudades por minha culpa

- Lie, foi eu quem escolheu em te acompanhar. Não tens culpa de nada. Eu voltava a fazer a mesma escolha de novo. Não quero que penses mais nisso e nem ouses em voltar a dizer o que acabas-te dizer. Bem, está a ficar tarde. É melhor eu ir.

- Vai. Vemo-nos amanhã e desculpa se te assustei

Inutaisho saiu do quarto com um sorriso nos lábios. Sayori arrumou as almofadas, pendurou a toalha a secar em frente à lareira, onde já estavam as botas e a sua roupa, e deitou-se

Sayori estava sentada num dos grandes pedregulhos do Reino das Brumas. Então, ouviu-se o piar de um passáro que ela reconheceria em qualquer lado. Era impossível e contudo. Sesshoumaru surgiu à sua frente, com uma expressão adorável no rosto.

- Como é que isto é possível — perguntou Sayori

Ele pousou um dedo nos lábios dela.

- Shii... não estragues o momento

- Estou a dormir chichiue?

- Precisamente. Existem muitos tipos de Visões. Não sabias?

- Quase me esquecia — Sayori ria mas logo ficou séria e confusa — Mas como?

- A Hanon escreveu-me uma carta contando as tuas visões. Levei três anos para aprender estar em sintonia contigo, mas valeu a pena. Agora vem minha cria

Sesshoumaru pegou-lhe na mão e desceu-a para a relva verde e brilhante que não estava oculta por brumas. Ela estava em casa. Sayori sentou-se e o seu pai ajoehou-se à sua frente.

- O que vieste aqui fazer chichiue?

Seu pai envolveu-a nos seus braços e Sayori fchou os seus olhos. Como era bom sentir-se carainhada e protegida de novo o seu progenitor.

- Estarei sempre contigo minha cria. Eu sei que falta pouco e agora poderei visitar-te todas as noites. Não ficaremos mais separados. Eu prometo-te

As suas cabeças aproximaram-se. Ela podia sentir o calor do corpo dele.

- Sayori — esta não era a voz do seu pai

As brumas começaram erguer-se e a envolvê-los. Ocultaram tudo e Sesshoumaru desapareceu.

- Chichiue.... não vás, volta....

Sayori despertou, simultaneamente embriagada na suavidade do sonho e zangada por a terem acordado. Era o Elian, que ao passar perto do quarto, ouviu-a a falar, mas ele sentiu que ela estava sozinha. Ficou preocupado, pensando que ela poderia a estar a ter aquele pesadelo de novo.

- Tiveste algum sonho? — perguntou Elian

- Hai, com o meu chichiue. Veio me ver através da Visão

- Gomenasai, pensei que estivesses a ter algum pesadelo. Bem sendo assim vou indo, talvez ele apareça de novo

O general saiu deixando-a sozinha. Sayori manteve-se séria, os olhos na escuridão e o corpo muito direito. Tinha dezasseis anos e estava a ficar uma mulher. Tinha saudades do seu pai. Queria tanto estar novamente com ele! Mas, tinha de continuar a fazer que a Água dissera.