Amor Perdido
39 Sayori especial Parte IX
Sayori estava sentada no telhado da torre do shiro. Era raro alguém sentar-se ali, pois o telhado era íngreme e, um pouco mais abaixo, havia uma varanda com banquinhos. No entanto, ela gostava daquele lugar. O céu estava vermelho e as nuvens dourados, resplandecia um pôr do sol com uma luminiosidade estranha e maravilhosa. Tudo estava calmo e sereno. Um vento suave acariciou a face de Sayori, fez com que os seus cabelos esvoaçassem, delicadamente, e murmurou-lhe uma música harmoniosa e alegre. Ela soube que, era a Mizuki quem cantava, com a voz do vento para lhe dar corageme acalmar. lá em baixo, Hanon caminhava calmamente em direção à entrada. Vestia um quimono totalmente de vermelho vivo.
Sayori virou-se na direção da floresta e ajeitou o seu quimono. Era verdade que o seu traje não se adaptava minimamente àquele reino, mas estava de acordo com o Reino do Oeste e, fora por isso que ela o escolhera. Era um quimono de corte simples e elegante, ao qual as cores do tecido davam uma beleza muito particular. Este era fino e passava, gradualmente, de azul turquesa muito claro, para um roxo escuro. Era um quimono fresco de mais para o clima do Reino das Brumas, mas ela levaria a sua capa de viagem para se aquecer.
Ouviu o alçapão que dava acesso ao telhado a abrir e olhou na sua direção. A cabeça de Hanon apareceu à superfície e ambas sorriram.
- Vi-te lá em baixo e pensei que devias estar à minha procura — disse Sayori — Aparentemente, estava certa
- Claro que estavas — respondeu Hanon — Está quase tudo pronto para a vossa partida. Elian e Inutaisho já estão nas cavalariças a prepararem os cavalos e esperam por ti. Mas antes de ires eu queria despedir-me de ti, não como Senhora deste reino, mas como tua amiga.
Sayori sorriu, docilmente como era o seu hábito. Hanon encolheu ligeiramente os ombros e sorriu. As duas abraçaram-se.
- Eu escrevo-te, regularmente Hanon — disse Sayori
- Hai. E também poderás visitar-nos sempre que quiseres. De certo modo, aqui é também a tua casa.
- Virei, com certeza, visitar-te muitas vezes. Aqui ocorrem as mais belas tempestades — Sayori riu e hanon sorriu tentando conter o riso — Além disso, aqui é um lugar sagrado, onde se pode descansar e reflectir. É em parte, tal como disseste, a minha casa também.
- Vamos? O Inutaisho está ansioso. Todaos nós gostamos de regressar a casa, não é?
Sayori desceu pelo o alçapão seguida pela a Honon. Nenhuma delas tinha pressa e ambas queriam prolongar aqueles últimos minutos o mais possível. Quando estavam mesmo a chegar às cavalariças, Sayori virou-se e olhou para a Hanon.
- Ainda não acredito que o Elian também vai! — comentou Sayori
- Pois é! É para veres o que um coração de um youkai apaixonado faz. Ele ama-te e eu nunca o vi tão feliz.
Sayri sorria e continuou a andar. Entrou nas cavalariças, onde Elian e Inutaisho a esperavam, já montadas nos seus cavalos, e montou também. Os cavalos não iam muito carregados, pois quase todos os haveres deles já tinham sido enviados para o Oeste, e eles practicamente só transportavam a comida e água necessária para a viagem.
- Até breve, Sayori — disse Hanon — E não te esqueças, que te ajudarei sempre que precisares.
Hanon fechou os olhos, e Sayori incitou a sua égua a avançar. Elian e Inutaisho imitaram-na e os três saíram das cavalariças em direção ao interior da floresta. Hanon ficou sozinha a vê-los partir.
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