Amor Perdido
10 Lembranças
Rin abriu os olhos, ao seu lado, Sesshoumaru dormia, calmo e profundamente, o cabelo prateado caí-lhe ligeiramente para o belo rosto, as mãos estavam abertas, levemente arqueadas, perdidas no meio dos lençois, a sua respiração era suave.
Com o maior dos cuidados para não o acordar, Rin saiu da cama. Vestiu um roupão belo, suave e esvoaçante. O dia começava amanhecer. Uma brisa agradavelmente fria e rodopiante bailava pelo o ar, com os pássaros, as borboletas e as folhas árvores. Os ramos da velha árvore, que caíam para o banco de pedra branca da varanda, ensaiavam uma bela dança, convidando a rin a sentar-se ali. E, envolvida por aquele amanhecer primaveril, Rin deixou-se cair no doce mundo das recordações.
Flashback on
O dia estava quente, o sol erguia-se calmo e pachorento no céu. Os pássaros chilreavam, os animais passeavam serenamente por entre a floresta.
Mas naquele dia, havia outro som nas profundidades. O som claro e cristalino do riso de uma criança.
Rin corria por entre as árvores, tentando esconder-se dos pais. Podia ouvir a mãe a aproximar-se, a respiração dela ligeiramente ofegante devido à perseguição a que ela a obrigara. Rin escondeu-se atrás de um arbusto, à espera que a sua mãe passa-se. E, assim que ouviu afastar-se, correu no sentido oposto, com a cabeça virada para trás a ver se a mãe a seguia. Mas então... alguém a agarrou pela a cintura e a fez sair do chão. Era o pai, os olhos tinham um olhar divertido e ele sorriu. A Rin riu baixinho.
- finalmente apanhaste-a — disse a mãe
- sim. mas não foi fácil — disse o pai enquanto pousava a Rin no chão — Foi tão difícil como apanhar uma folha que é levada pelo o vento veloz.
A rin riu novamente, naquele riso puro e maravilhosamente vivo das crianças. O seu irmão apareceu e Rin convidou-o para brincar fugindo novamente.
Flashback off
Ela lembrava-se bem daquele dia de pura felicidade e de brincadeira. Olhou para dentro do quarto. Sesshoumaru ainda dormia calmo e completamente alheado da alegria e nostalgia que se apodera da Rin, ou talvez, apenas levemente ciente disso. Ele ainda dormiria mais um pouco. Havia ainda tempo para que tinha fazer. Rin fechou os olhos e descontraiu-se
Flashback on
O seu irmão chamava por si, enquanto isso, rindo-se fivava ali parada. um bando de bandidos apareceram mantando a sua mãe e o seu irmão. Rin não conseguiu evitar que um ligeiro assombro se tornasse vísivel na sua cara. Ela ouviu o bandido aproximar-se do pai e soube o que ia acontecer. O seu pai sorriu, estava preparado.
De repente, sentiu o contacto gelado de uma lâmina no seu pescoço e a dor fria e fina da sua carne a ser rasgadda. O sabor do seu próprio sangue invadiu-lhe a sua boca, a sua cabeça comprimiu-se e ele começou a não conseguir respirar. Teve a consciência do riso do bandido, mas este parecia vir de muito longe e, finalmente, morreu.
Flashback off
Rin abriu os olhos, sobressaltada. Uma dor fria e aguda, como o corte de uma adaga, percorrera a zona lateral do seu pescoço e mantinha-se como se fosse um ferimento mortal.
Com a vaga esperança, levou os dedos trémulos ao pescoço, mas, tal como receava, não havia ali quaquer ferida, a sua pele estava lisa e imaculada, como sempre. E então, uma dor maior que a de qualquer ferimento assolou-a. Era como se uma mão gelada e impiedosa tivesse entrado no seu peito e tivesse arrancado um pedaço do seu coração. Rin chorou de dor, mas, principalmente, de sofrimento e, letamente, sentiu-se cair num mundo de triteza e melancolia.
Do quarto chegou o ruído ténue e sussurado dos lençóis a mexerem-se. Sesshoumaru estava a acordar.
Rin enxegou as lágrimas, levantou-se e caminhou devagar à cama. Sesshoumaru estava deitado, o seu tronco levantado e apoiado sobre o antebraço direito. Tinha ainda os olhos fechados, mas sorriu assim que a sentiu.
Abriu os olhos de repente erin viu que ele estava uma vez mais muito divertido,, embora ela não percebesse com o quê. Mas, depressa descobriu, ele esticou o braço livre e com um movimento rápido puxou-a para si. Rin caiu desequilibrada para cima da cama e dele.
Ele envolveu a sua cintura com um braço e com a mão livre afastou-lhe os cabelos da sua face, num gesto doce.
- chayo gozaima — disse ele
E ficaram os dois olharem-se. Até que inesperada e suavemente, se beijaram.
- Minha flor, o que tens?
- Voltei a ter aquele pesadelo.
A Rin baixou a cabeça. Lentamente, afastou-lhe os cabelos desalihados da cara e obrigou-a, docemente, a olhá-lo nos seus olhos dourados e brilhantes. Desde o dia em que os pais tinham morrido, Rin tinha o mesmo sonho todas as noites.
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