Amor & Pecado

31 Capítulo 31 - Surpresa! - Narrado por Letícia


Notas iniciais
Oieee! Quanto tempo, não é?! Perdoem-me, estive ocupado nos últimos dias e estou passando por uma fase de "Bloqueio Criativo", rsrs. Espero que gostem! ;)

– Onde está à caixa de cogumelos em conserva, Vinicius? – Pergunto com a mão na cintura e não escondo em nenhum momento minha irritação.

– Já lhe trago. – Vinicius se levanta do pequeno banquinho onde estava sentado ao arrumar uma das prateleiras e segue para o fundo da Delicatessen, onde está a caixa que pedi. Desde a nossa primeira vez, mal nos falamos. Os assuntos que conversamos é a respeito do trabalho, a aliança ainda está em nossos dedos, porém sem utilidade alguma.

– Aqui está. – Vinicius deixa a caixa ao meu lado.

– Da próxima vez, seja mais ágil e traga sem eu pedir. – O encaro esperando uma resposta, mas não recebo. Vinicius senta-se no banquinho novamente e continua o seu trabalho, calmamente. Odeio ser esnobada e nos últimos quinze dias é o que Vinicius está fazendo comigo, só me dá um pouco de atenção quando estamos na Igreja para mantermos as aparências.

– Vinicius, meu querido. Leve esta pequena encomenda no apartamento da Sra. Lourdes, no próximo quarteirão, por favor. – Diz minha avó.

– Sim senhora. – Vinicius levanta-se rapidamente, pega a pequena sacola de papel pardo e sai pela porta de vidro.

– Estou gostando muito do trabalho dele Letícia. Muito empenhado e prestativo. – Vovó diz com um pequeno sorriso nos lábios. – Só não estou entendendo o distanciamento de vocês, nem parecem que são namorados. Você sabe que não tolero saliências, porém vocês mal se olham. O que está acontecendo?

– Não é da sua conta. — Digo ríspida.

– Olha como fala comigo garota! – Vovó coloca o indicador direito no ar em direção ao meu rosto.

– Senão a senhora irá fazer o que? Hein? – A fuzilo com o olhar, já estou frustrada por causa do namoro de merda que tenho com Vinicius, o qual tenho que dar um jeito para tirar vantagem. – Vai me bater como à senhora costumava fazer quando eu era criança? — De imediato sua mão se abaixa e sua expressão torna-se vazia.

– Este é um assunto que deveríamos deixar no passado Letícia. – Vovó está séria. – Já lhe pedi perdão, não permito que você jogue isso na minha cara.

– Jogo isso na sua cara quantas vezes eu quiser e achar necessário. Não é a mim que a senhora tem que pedir perdão e sim a Deus. Acha que só porque de uns anos para cá, começou a andar com a Bíblia debaixo do braço, que seus pecados foram esquecidos? – Meu sangue ferve, esse assunto me tira do sério.

– Quem te vê falando assim, pensa que você não tem pecados, não é garota? – Minha avó ergue uma das sobrancelhas ao falar.

– Não como os da senhora, velha hipócrita! – Cuspo as palavras em sua direção.

– Irei relevar seu excesso de raiva, pois procuro ser uma pessoa melhor a cada dia. – Vovó diz colocando ambas as mãos no peito e olhando para cima, como se Deus estivesse perdendo tempo com sua encenação barata. – Mas você pensa que está enganando quem, com esse namoro com o filho do Pastor?

– Não estou enganando ninguém. – Respondo de pronto. – E o que acontece entre eu e meu namorado não é da conta de ninguém, como eu mesma já lhe disse. Mas acho que a idade já está te ensurdecendo. – Digo com a maior acidez possível na voz.

– Você pensa que me engana, não é sua peste? – Vovó está começando a perder a paciência e é exatamente o que desejo, odeio vê-la posando de boa moça. – Você quer tirar proveito de algo nesse namoro e já até desconfio o que seja.

– Guarde as suas desconfianças dentro dessa sua boa imunda e me deixe em paz. – Me viro e saio de perto dela. Do jeito que estou irritada, acabarei fazendo algo que não queira.

Caminho até a cozinha e encontro Sônia empanando alguns salgadinhos e se preparando para frita-los.

– Oi, Le! – Sônia sorri. – Está com fome querida? Posso preparar algo para você se quiser.

– Não, obrigada. – Sorrio ao agradecer, gosto muito da Sônia. Quando olho para ela não sinto nenhum sentimento ruim, como eu sinto quando olho para minha avó. Sônia sempre me tratou tão bem, sempre preocupada comigo, quase como uma mãe. Há conheço desde que a vovó abriu a Delicatessen. – Estou cansada, vou me sentar um pouco e ficar aqui com você.

– Vocês brigaram de novo, não é? – Sônia pergunta, já sabendo a resposta.

– Sim. –Respondo revirando os olhos. – Não estou bem, acordei meio zonza e ainda tenho que aguentar as provocações desta velha. Se ela vier falar comigo ainda hoje, perderei o juízo.

– Essa raiva toda é com relação a vocês duas ou tem algo a ver com Vinicius? – Sônia pergunta, já sabendo a resposta novamente. – O que você está acontecendo Letícia? O namoro de vocês começou tão repentinamente e agora mal se falam.

– Sônia, não é nada! – Digo batendo as palmas de ambas as mãos na mesa de alumínio. – Só brigamos e um não quer dar o braço a torcer para o outro, mas logo estaremos bem. Gosto muito de você, por isso pare de fazer perguntas e me deixar mais irritada ainda. Não quero ser ignorante.

– Já estou acostumada. – Sônia sorri.

– Boba. – Rio.

Suas mãos são ágeis ao empanar os salgadinhos nos ovos batidos e farinha de rosca. O fósforo acende no óleo quente dentro da panela, avisando a cozinheira que a temperatura está perfeita para a fritura. Sônia abaixa o fogo e começa a colocar delicadamente, cada salgadinho na panela. O chiado, da fritura, de imediato é alto, mas logo cessa. Porém o odor torna-se forte, tomando conta da cozinha. Nesse momento um golpe rápido e profundo é dado no meu estômago, fazendo a bile subir.

Coloco as minhas mãos na boca e corro para o banheiro ao lado da cozinha, reservado apenas para funcionários. Ajoelho-me em frente à privada, levanto a tampa e o liquido ácido sai pela minha boca em fortes jatos. Jogo meus cabelos para trás dos ombros, para não correr o risco de suja-los. Fecho meus olhos para não ver o vômito, desde pequena tenho essa mania. Após colocar para fora tudo que ingeri hoje, meu estômago continua contraindo, como se ainda houvesse algo para expulsar. Levanto-me, dou descarga e fecho a tampa. Sigo para a pia e lavo minha boca, o gosto forte da bile, ainda me causa arrepios.

– Você está bem? – Sônia aparece na porta do banheiro, na correria acabei deixando-o aberto.

– Sim, estou. Foi apenas uma indisposição. Vomitei e já me sinto melhor.

– Venha comigo, irei preparar um suco natural para você.

– Nem morta entro naquela cozinha, enquanto aquele cheiro de óleo não sair.

– O que está acontecendo aqui? – Vovó aparece de repente ao lado de Sônia na porta.

– Letícia passou mal e acabou vomitando, sugeri um copo de suco para ajuda-la, porém recusou. – Sônia disse à vovó que de imediato olhou para o fogão, vendo os salgadinhos sendo fritos e depois para mim. — Voltarei para a cozinha, tenho muita coisa a fazer. – Sônia se retira.

– Você não dá ponto sem nó garota. – Vovó sorri ao dizer.

– Do que está falando velha maluca? – Digo irritada novamente.

– Daqui nove meses você saberá do que estou falando. – Vovó vira as costas para se retirar, porém logo retorna. – Somos muito parecidas, fala tanto de mim, mas olha só o golpe barato que está dando no rapaz.

– Não estou dando nenhum golpe. – Me dirijo a ela, falando baixo para que ninguém nos ouça.

– Sei... – Vovó diz ao me lançar um olhar de lado. – Volte para o salão e atenda os clientes que estão chegando.

Passo por ela pisando fundo e sigo para o salão.

X

Os segundos se arrastam, cada vez que olho para o recipiente em cima da pia. Estou ansiosa, meu coração está martelando como nunca e minhas mãos estão trêmulas. O enjoo de hoje me deixou intrigada, por isso preciso tirar a dúvida. Preciso saber se estou grávida! Se o resultado for positivo não há dúvidas de quem é o pai, Vinicius, é claro. Há meses não saio e muito menos “fico” com ninguém e sempre tomo as precauções necessárias para evitar uma gravidez. Porém nessa última vez eu estava tão frustrada, que precisei fazer Vinicius ser meu a qualquer maneira, sem me preocupar com as circunstâncias e acabamos transando sem preservativo.

Meus dedos tamborilam no granito da pia, enquanto me olho no espelho. Por um segundo penso na reação de Vinicius, da minha avó e do Pastor André ao descobrirem da gravidez. Um arrepio percorre rapidamente minha coluna e minha barriga fica fria. Estou assustada, porém tento manter a calma. Na verdade, se o teste for positivo, poderei finalmente, sair desta casa e ir para bem longe dessa velha asquerosa. Com o tempo, Vinicius me aceitará, afinal carregarei em meu ventre um filho dele e essa será a chance de o tornar um “homem de verdade”. Só acho que Marcos não vai gostar muito da ideia e pra falar a verdade, pouco me importo.

Vejo que a pequena fita dentro do recipiente com urina começa a mudar de cor, mostrando duas linhas vermelhas paralelas. Para ter certeza, leio as instruções no verso da embalagem e me pego sorrindo ao olhar para o espelho. Minha mão pousa, suavemente, sobre meu abdômen.

Positivo.

Notas finais
E então? Gostaram? Foi uma surpresa? O que acham que deve acontecer a partir daqui? Quero a participação dos meus leitores, poooxa! A quantidade de comentários por capítulo tem caído, por isso peço que comentem, pessoal! Adoro saber o que vocês estão pensando, preciso de um gás pra terminar essa fic, mas pra isso preciso de vocês. Afinal, sem vocês quem escreve não é nada! Bjooos. =)