Amor Mudo

3 Capítulo 3 - Liberdade


Notas iniciais
Então, agradeço a Biax pelo feedback no capítulo anterior! Fico feliz com o seu apoio! Aqui está o terceiro!

"E vamos nós em um barco chamado esperança, num mar traiçoeiro chamado realidade, em busca de uma terra chamada sonho"

Asaka

— Ino... — Sasuke murmurou passando os dedos entre seus cabelos louros, e enterrando o rosto em seu ombro. — Eu senti sua falta... — Sussurrou docemente nos ouvidos da jovem.

— Eu também. — Ela confessou, ainda abraçada a ele. — Você sumiu por uma semana, não respondeu minhas mensagens... — Comentou angustiada.

— Me desculpe. — Ele pediu. — Eu tive que viajar com Sakura e Sarada. — Ino sentiu o ciume borbulhar em suas entranhas e descolou seu rosto do peito do rapaz, olhando com raiva para seus olhos.

— E você não poderia ao menos me avisar Sasuke? Uma mensagem? Tudo que você fez foi me deixar aqui, sem notícias. — Ela levantou e deixou ele sentando sem reação no sofá. — Aliás, você sempre faz isso! Some por dias, as vezes por semanas! E volta do nada, sempre com as mesmas desculpas. — Suspirou. — Você diz que me ama. Mas me mantém nas sombras como uma criminosa. Diga Sasuke, é realmente tão errado assim para você me amar?

— Não! — Ele se levantou também. — Eu não acho errado Ino, mas as circunstâncias nos levaram a isso. Quando eu te conheci, eu já estava noivo, e aliás, nos encontramos na minha despedida de solteiro! Eu amo você, mas você sabe as consequências de assumirmos esse relacionamento. A empresa da família entraria em crise, seríamos rivais novamente dos Harunos. A mídia ficaria louca atrás de nós. E a Sarada... Ela é só uma criança!

— A empresa? Os Harunos? Sakura? Sarada? E eu? E eu, Sasuke? Por que eu é que tenho que sofrer por tudo isso? — Nessa altura, as lágrimas já escorriam dos olhos azuis da loira. — Você diz que me ama, então por favor não me machuque mais!

— Você sabia desde o princípio Ino, sabia que eu era casado, mesmo assim se sujeitou a isso. — Seus olhos se tornaram frios e seu rosto duro. — A culpa é somente minha?

O peito da loira esfriou, e ela parou no lugar, com as lágrimas ainda escorrendo, e a mente tentando processar o que acabara de ouvir.

— Você disse... — Ela começou baixo e depois aumentou a voz. — Você disse que me amava. Então o único que se sujeitou a algo foi você. Você não percebe o quanto isso é injusto para mim? Mesmo que você tenha dito incontáveis vezes que me ama, você voltava para a Sakura no final, você fazia com ela as mesmas coisas que fazia comigo, Sarada está lá para provar isso. Mas Sasuke, você nunca deixou de usar camisinha comigo, me comprou os melhores anticoncepcionais para eu não engravidar. Mas por que com Sakura é diferente, p-

— Ela é minha esposa, você não. — Interrompida, Ino não falou mais nada. As lágrimas pararam de cair e suas mãos de tremerem. Talvez por causa do choque, ou pela decisão que estava por vir.

Ela não suportaria mais isso.

— Então é essa sua decisão final? — Sua voz estava rouca e sua garganta parecia doer cada vez mais. — A empresa, sua reputação, Sakura... Tudo acima de mim?

— Espere Ino, não tome... — Pela primeira vez na noite, o jovem parecia desesperado.

— Responda. — Cortou-o, tirando forças sabe-se lá de onde.

Tudo que ele fez foi encará-la, com o rosto em uma expressão incomum, duvidosa, hesitante e confusa. Não durou mais que alguns minutos, mas sua expressão relaxou, e com a decisão tomada, ele abaixou o rosto.

E ela não precisou de mais nada.

Passando como um raio por ele, foi para o quarto, recolheu todas as roupas que poderiam caber em duas malas, pertences pessoais, documentos e deixou de lado coisas que lembrariam ele. E como um furacão, passou pela sala, onde ele permanecia na mesma posição e deixou as chaves do flat.

— Pode mudar a senha da porta também, adeus Sasuke. — Mas ela não obteve resposta.

Desceu até a rua sentindo o ar frio atingir sua pele, junto com a solidão.

A verdade é que talvez Ino fosse exatamente como um passarinho criado em cativeiro, passando a vida toda almejando voar fora das grades de sua gaiola, mas quando liberto, não saberia o que fazer sem o seu dono que o alimentasse todos os dias, e lentamente definharia até morrer, com a solidão acompanhando seus últimos momentos.

Porque a liberdade poderia certamente parecer doce, mas nem todos podem lidar com ela.

Com o coração em pedaços, e grossas lágrimas escorrendo por seu rosto, a jovem olhou o céu nublado outonal, e rogou aos céus.

— Livre! Eu estou livre! — A garganta dolorida pulsou. — Finalmente...

Mas assustadoramente, mesmo tendo se livrado do relacionamento adúltero que possuía com Sasuke, a última coisa que ela sentia, era o que ela imaginava para liberdade.

Ela não imaginava que a liberdade poderia ser tão dolorosa.

***

Ino conseguiu vagas numa pequena pensão ali perto, mesmo sendo meio tarde, e teve sonhos conturbados com Sasuke.

Acordando, ela pensou que uma noite de sono depois de horas chorando faria bem para ela, mas de manhã, sua dor de garganta estava mais forte do que nunca, sua cabeça pesava mil toneladas, e seu coração...

...apenas doía mais.

Mesmo assim, ela foi trabalhar na floricultura, pois sabia que mesmo que descansasse, tudo que ela iria fazer era remoer a noite anterior, rever as palavras, pensar em diálogos melhores e tentar não se arrepender de suas decisões.

Apesar do movimento baixíssimo do estabelecimento, parecia que cada tarefa era extremamente difícil e cansativa. Ela sabia que até os funcionários estavam percebendo que ela não estava nas suas melhores condições, mas Ino tinha que aguentar pelo menos até o fim do expediente.

Mas ela não aguentou, tossindo feito um cão, dessa vez parecia que algo estava errado, muito errado, e isso se comprovou quando no meio de uma conversa com um cliente, o mundo girou a sua volta e tudo ficou escuro.

E os olhos escuros e expressivos de Sasuke permaneceram em sua cabeça, mesmo na inconsciência.

Notas finais
Então, o próximo capítulo é o último. Mas estou pensando em fazer um epilogo, o que acham?