Amor Mudo

4 Capítulo 4 - Batalhas


Notas iniciais
Então, lembram quando eu disse que esse ia ser o último capítulo? PEGADINHA DO MALANDRO Brincadeira, era pra ser realmente o último, mas ficou muuuuito grande, então tive que dividir em dois. Dedico á Poison, Biax e Vampira90! Enjoy

"As vezes o amor perdura, mas as vezes machuca ao invés disso."

Adele

Mesmo com a verdade nua e crua sendo jogada na sua cara sem pudor algum, Ino ainda não podia acreditar no que ouvia.

A falta de esperança, o medo, a solidão e a sombra da morte pairavam em seu coração, esfriando tudo á sua volta e transformando o que já estava cinza pela ausência de Sasuke, na completa falta de cor.

O que ela diria aos seus pais? Ao seu irmão? E seus amigos?

"Oh, hey, então, eu tenho câncer na laringe em estágio avançado, e terei de remover as minhas cordas vocais dentro de uma semana, mas não se preocupem, eu ficarei bem."

Haviam alguns motivos pelos quais ela não conseguiria dizer isso para eles.

Primeiro porque Ino não achava que iria ficar bem. Segundo, ela não queria causar problemas para ninguém.

Terceiro, porque a mesma não sentia que tinha espírito para lutar essa batalha.

— Sinto muito senhorita Yamanaka, mas você precisa de ao menos um responsável para assinar esses documentos. — A enfermeira disse. — Pode me dar o número para contato de alguém?

A jovem pensou, e sem escolha, anotou o número da única pessoa que poderia confiar no momento.

— Muito obrigada. — A enfermeira agradeceu. — Agora vou te guiar para o seu quarto, troque para a roupa padrão do hospital e permaneça lá.

— Okay. — Respondeu e a seguiu até o quarto, que possuía duas camas, mas apenas ela iria ficar lá. Decidiu ficar com a cama perto da janela, de onde ela conseguia ver o jardim do hospital. Após se trocar, deitou na cama e suspirou.

Tudo parecia tão fora do lugar.

Câncer, Sasuke fora da sua vida. Esse não era o plano de Ino.

Quando foi que ela se moveu tanto paras as sombras?

Antes de decidir jogar sua vida amorosa para o alto e ter um relacionamento com um cara casado, tudo parecia tão brilhante a alegre, mas ela só percebeu isso quando já estava escuro demais.

Será... Que restava esperança?

Talvez sim, se ela dormisse e quando acordasse, tudo fosse um sonho. E foi isso que ela fez, deitou na cama e se deixou levar pelos seu pensamentos até o mundo dos sonhos.

Mas de alguma forma, ela soube que quando acordasse, nada teria mudado.

***

— Ino... — Hinata permanecia com lágrimas nos olhos. — Você tem certeza que não vai dizer isso para seus pais?

— Eu não quero... — Pronunciou com dificuldades. — ...Atrapalha-los com meus problemas Hinata.

— Mas eu tenho certeza que eles não verão isso dessa forma, se você quiser eu-

— Não, Hinata, por favor. — Interrompeu-a. — Essa é minha batalha. — Os olhos de de sua amiga, antes desesperados suavizaram.

— Um batalha não se luta sozinha, você sabe não é, Ino? — Hinata disse.

Mas Ino não respondeu.

***

Hinata foi para pensão onde estivera hospedada, sem fazer maiores perguntas e trouxe de volta as roupas da loira.

A amiga sabia do relacionamento adúltero que a outra possuía com Sasuke. Quando descobrira, por acidente, ao ver uma foto de Sasuke dormindo que a Yamanaka tinha tirado escondida, foi pura e completamente contra, ameaçou contar tudo para Haruno Sakura e deixou-a em pânico. O que na verdade, foi bem previsível por parte da morena, que sempre fora á favor da moral e bons costumes, de certa forma até arcaica.

Mas ela não contou.

De primeira pensou que tinha sido por causa das incontáveis lágrimas que Ino derramou no processo de pedido para Hinata não falar nada. Entretanto, não foi isso.

Hyuuga Hinata foi falar com ele, e quando voltou, tinha olhos confusos e hesitantes, muito diferentes da aura desafiadora que possuía quando foi para o escritório do mesmo. E ela disse:

"— Eu não sei Ino, ele ficou tão desesperado... E parecia tão sincero. — Ela suspirou. — E eu sempre soube que ele nunca amou Sakura, e ela também. Eu só... Não sei."

E inclusive, se tornou uma aliada na luta de Ino em tentar fazer Sasuke largar Sakura e assumir seu relacionamento com Ino.

O que infelizmente não deu certo.

Suspirando ela foi até a janela do quarto branco, olhando para o céu que tinha uma bela cor roseada, resultado do lento por do sol. E engolindo uma golfada de ar, Ino gritou.

Mas nada além de um grunhido dolorido irrompeu de sua garganta, trazendo junto um crise de tosse e algumas gotas de sangue, além da dor enorme.

E pensar que nesse mesmo dia semana que vem, nem esse grunhido iria existir.

Um frio desceu pela espinha da loira, quando a ficha finalmente caiu.

Ela ficaria muda. Não falaria mais. Sem palavras. Sem voz.

Nunca mais poderia cantar sua música favorita no chuveiro. Nunca mais poderia sussurrar palavras doces no ouvido daquele que ama, e nem mesmo bater um papo descontraído com os amigos. Sem o som de sua risada nos momentos de alegria, nem os gemidos de um choro sofrido nos momentos de agonia.

E por mais que ela soubesse que haviam coisas piores, que o sofrimento dela não era nada comparado a de pessoas que não podiam ao menos se mexer, ela ainda sentia medo. Um medo corrosivo e gelado. Medo da morte e do futuro.

Como Ino viveria sem conseguir falar nada?

Era um pensamento muito infantil, mas tudo que a Yamanaka queria no momento era alguém para abraçá-la e dizer que tudo estava bem.

E justamente como uma criança que ralou o joelho, ela caiu no chão e começou a chorar copiosamente.

— Ino! — A porta abriu com tudo e bateu com força na parede, assustando-a, que levantou e secou as lágrimas inutilmente.

Ali, na porta, haviam figuras muito familiares, que ela tinha visto pela última vez no natal.

— Minha filhinha! — A mulher que era a cópia da loira entrou correndo e a abraçou.

— Mamãe...? — Ela olhou para as outras duas figuras. — Papai? Deidara? Como voc-

— Foi a sua amiga peituda. — Ele levou um tapa de Inoichi. — Ai pai! Quer quebrar meu pescoço?

— Respeite a moça. — Inoichi falou em um tom severo e Deidara bufou. — Ela nos ligou essa manhã, minha filha. — Esclareceu o homem.

— ... — Traíra! Pensou Ino. — Eu...

— Sua filha ingrata! — As palavras de sua mãe saíram subitamente e a mesma a olhou sem um pingo de raiva em seu rosto choroso, ao contrário de suas palavras. — Eu te criei com tanto carinho e amor, para você nem ao menos me avisar quando algo assim acontece!

— ...Eu só não queria causar problemas para vocês... — Sua voz rouca se fez presente depois de alguns segundos agoniantes.

— Filha idiota.

— Irmãzinha buuuuuuuuuuuuuurra.

Seu pai e seu irmão falaram ao mesmo tempo e Ino se deu a oportunidade de se sentir ofendida pela primeira vez no dia.

— Ok, ok. — Ela conseguiu pronunciar. — Eu acabo de ser hospitalizada por causa de um câncer em estágio avançado, e ao invés de palavras de conforto eu recebo uma pancada de ofensas? Vamos lá! Cadê os "eu te amo", "vou sempre estar com você", "não se preocupe", tudo vai ficar bem"? Que família mais insensível. — Nesse ponto, sua mãe já não abraçava-a então ela cruzou os braços e levantou o nariz, ao melhor estilo dramático Yamanaka Ino.

E sua família explodiu em risadas.

— Por que acha que diríamos isso? — Deidara disse após se recuperar um pouco da crise de riso. — Depois de anos de convivência, e ainda espera que sejamos iguais aquelas famílias das novelas que você gosta de assistir! O que mais você espera, hein maninha? Que você na verdade seja a filha perdida de alguma família super rica e importante? Que a mamãe te achou no lixo? Olha devo te revelar que ela te achou mesmo no lixo, mas você é no máximo herdeira de um carrinho de coleta seletiva!

— Deidara! Idiota! — Ela reclamou e foi dar um belo tapa na orelha do irmão mais velho mas seu pai a impediu.

— Não de ouvidos a ele, querida, todos sabemos que quem foi achado no lixo foi ele. — Inoichi falou e abraçou-a pelos ombros. Soltando uma risada maligna, Ino deu a língua para Deidara.

— Toma, babaca. — Eles riram mais um pouco e tudo caiu no silêncio.

— Olha, minha querida. — Seu pai começou. — Você não deveria ter medo de dizer essas coisas para nós. Somos sua família, mesmo além das brincadeiras. Se qualquer um de nós está com problemas, os outros correm para ajudar. É assim que funciona. Mas isso não acontece se você ficar em silêncio. Não importa se você tem seis anos ou sessenta, você sempre será minha princesinha. E eu sempre vou fazer de tudo para ajudá-la. Nós sempre faremos isso.

— Isso é verdade, maninha, então não seja tão babaca da próxima vez. Porque... — Os olhos cínicos do seu irmão suavizaram para a preocupação. — Eu me preocupo com você.

— Deidara...

— Eles estão certos, Ino. — Sua mãe disse e pegou suas mãos. — Então a partir de agora... Compartilhe um pouco do seu fardo com nós.

Antes mesmo que Ino pudesse se impedir, as lágrimas começaram a cair e os soluços ficaram cada vez mais altos.

— Eu est- estava tão assustada! — Um a um, seus parentes vieram lhe abraçar, enquanto ela chorava alto feito uma criança. — Eu não quero morrer! Não quero!

— Não se preocupe Ino... — Sua mãe começou.

— ...Nós vamos ficar... — Seu pai emendou.

— ...ao seu lado. — E seu irmão terminou.

Como todos disseram, Ino era uma completa babaca. Como pôde não contatar sua família? Ela os amava tanto. Mesmo que Deidara fosse um retardado, que sua mãe fosse super-dramática e que seu pai fosse, bem, seu pai.

Agora, ela via os motivos e tinha forças para lutar contra aquele obstáculo.

Mas mesmo com esse banho de alívio, ela ainda sentia a falta de algo, ou melhor, alguém. Que deixava uma mancha escura em seu coração, e consequentemente, o sentimento pesado da tristeza.

Era difícil aceitar que mesmo depois de tudo de ruim que Sasuke proporcionara para Ino, ela ainda o amava. E doía que ele não estivesse ali.

Rodeada de amor, mas ainda sim ela conseguia ser egoísta o suficiente para desejar que alguém que não merecia, estivesse ali.

Notas finais
Sdds Sasuke. Não resisti em colocar o Deidara como irmão da Ino asdfghj Agora o título faz sentido? Hein? Hein? Hein? *pisca* O próximo capítulo é o último. Será que a Ino vai vencer essa batalha?