Amor Faminto
15 Capítulo 14: Marca-me
"Mal?" Ele tombou a cabeça para trás. "Então eu estou tão chumbado."
"Cala-te." Lydia riu.
"O quê? Se há alguém que consegue ter uma boa nota a biologia és tu." Alec lembrou-a. "E tu dizes que te correu mal."
"Sim," Ela olhou as suas mãos. "mas também não estudei muito."
Mathews inclinou-se sobre a mesa e tocou-lhe na mão. Um sorriso abriu-se no rosto dela, ele sorriu-lhe de volta.
"Tenho a certeza que continuas a ser melhor do que eu."
E ele não se importava.
O toque do telemóvel de Alexander interrompeu-os e ele afastou-se. Olhou o ecrã e suspirou.
"É a Lily." Disse à rapariga dos cabelos vermelhos.
"Pode ser importante."
Alec assentiu e atendeu.
"Maninho, estava de vigia na casa da Lydia, como pediste." Ela parecia preocupada.
"O que foi?" O rapaz sentou-se reto.
"Apanhei um cheiro." Contou-lhe. "Segui-o até ao precipício."
"E então?" Alec devolveu confuso.
"Temos um corpo." Lily murmurou. "Tens de vir rápido."
"Ok. Estou a caminho." Ele desligou.
Lydia olhava-o com a testa franzida, e ele tentou sorrir-lhe. Acalmá-la.
"Está tudo bem."
"Não, tu estás preocupado." Jones acusou-o.
"O Theodore chegou, só isso." Alexander mentiu-lhe. "Ele é um membro do Conselho Vermelho."
Ela viu-o levantar-se e imitou-o. Alec voltou-se para a olhar com as sobrancelhas arqueadas.
"Onde vais?" Ele perguntou-lhe.
"Contigo." A rapariga dos cabelos vermelhos encolheu os ombros.
"Não, tu tens aulas." Mathews lembrou-a.
"Tu também." Lydia devolveu com um sorriso triunfante.
"Eu sou um vampiro." Sorriu-lhe. "Acho que já ouvi estas aulas vezes o suficiente."
Então, passou por ela. Deixou o refeitório para trás e foi à procura dos seus irmãos, provavelmente também seria importante eles estarem lá.
Lydia ficou para trás, completamente sozinha. Finalmente, depois de muito vaguear pela escola, encontrou Octavia, nos bancos, na rua.
"Onde está o Ryan? Estou farta de lhe ligar!" Octavia resmungou.
Lydia desviou o olhar do campo de Lacrosse e voltou-se para a sua melhor amiga. Ela agarrava o telemóvel com as duas mãos, estava claramente chateada com toda a situação.
"Chegou outro membro do Conselho Vermelho."
Algo realmente tinha acontecido, ela sabia que era mais do que a chegada de Theodore, mas já sabia melhor do que discutir com Alec sobre essas coisas.
"Oh! Está tudo bem?" O preocupou-se.
"Sim, eu acho." Lydia olhou as suas mãos. "Só sei o que o Alexander me disse."
Cooper suspirou longamente. Ela realmente parecia preocupada com Ryan e isso só estava a deixar a rapariga dos cabelos vermelhos mais ansiosa.
"Já falaste com o ele?" Octavia perguntou-lhe curiosa. "Sobre o beijo?"
"Hm," Jones passou as mãos pelos cachos vermelhos. "Mais ou menos."
"E então?" A outra entusiasmou-se.
"Eu não sei. Ele agiu como se não significasse nada e no dia a seguir ele queria levar-me a casa." Explicou confusa. "Às vezes é difícil lidar com ele."
"Rapazes." Octavia revirou os olhos. "Se eles fossem Iphones. Tão mais fácil."
Lydia riu. "Aposto."
"Acho que devíamos fazer uma festa." Cooper comentou. "Sabes, provar-lhes que não precisamos de vampiros para nos divertirmos. Nós conseguimos divertir-nos sem eles."
"Octavia, não acho que seja uma boa ideia." A rapariga dos cabelos vermelhos pronunciou-se. "Não agora."
Um vampiro andava à solta e o que aconteceria se se juntasse um grupo de adolescentes à procura de diversão numa casa. Provavelmente nada bom. Ele iria aparecer, e matar outra rapariga qualquer. Tal como fez com a Alexia, e aquelas vítimas ao pé das quais Lydia tinha acordado.
Ele iria aparecer.
"Sim!" Lydia levantou-se. "É isso, Octavia! Uma festa!"
"Mas tu acabaste de dizer-."
"Esquece o que eu disse!" Ela sorriu-lhe. "Uma festa, no descampado do drive-in."
"Uou!" Cooper levantou-se, entusiasmada. "Sabia que tinhas um pouco da velha Lydia ainda!"
"Vamos fazer uma festa, então."
Lydia sorriu-lhe, um raio de esperança refletida nos seus olhos verdes. A sua melhor amiga assentiu, e lançou-se contra ela. Abraçou-a.
Agora, Lydia só tinha de convencer os Mathews a seguirem o seu plano, o que seria o verdadeiro desafio. Mas pensando melhor, ela só teria de convencer os Conselhos.
Enquanto isso, Alexander chegou ao precipício.Quando ele e os seus irmãos chegaram ao local, os membros dos Conselhos já lá estavam, inclusive Theodore. E por momentos, Alec sentiu-se bem, afinal ele não tinha mentido totalmente à ruiva.
"Foi o mesmo vampiro." Lily contou-lhes.
"Como podes ter a certeza?" Alycia olhou-a.
"Bem, não fomos nós. E eu..." Ela hesitou. "Reconheço o cheiro da casa da Lydia."
"Isto é um passo para a guerra." Theodore interveio.
"Ele atacou-a duas vezes, não pode ser uma coincidência." Mark cruzou os braços.
"Não é." Ryan concordou. "Ele quer que ela seja parte do que quer que esteja a acontecer aqui. Por isso é que atacou a Octavia e por isso é que matou aqueles sem abrigos e os deixou mortos ao lado dela. É por isso que ele lhe deixou uma mensagem."
Alec engoliu em seco. O pequeno pensamento daquele vampiro ter estado na casa dela deixou-o maldisposto. Nem ele tinha tido esse tipo de intimidade, ela nunca o tinha convidado para entrar. E isso deixou-o zangando.
"Temos de o parar antes que ele a marque." Alfie preocupou-se.
"Porque estamos a afirmar que é um ele?" Andrea perguntou.
"Eu não sei." Lily encolheu os ombros. "Apenas sinto que é."
"Bem, ele não a pode marcar." Richard disse-lhes. "Ou não há mais nada que possamos fazer para salvar a rapariga."
Todos se olharam. E Alycia olhou Alec de relance e, quando todos se retiram juntamente com o corpo, ela aproximou-se dele com um sorriso triste.
"No fim disto acabamos por não a salvar, não se ela for parar àquela lista."
"Faz o que puderes para isso não acontecer, Alec." Aconselhou-o.
"Não é fácil." Mathews baixou o olhar. "Pensei que tu de todas as pessoas irias entender."
"Ei, eu estou a pensar no teu bem-estar!" Alycia defendeu-se. "Estou a tentar que não cometas os mesmos erros que eu! Apaga a memória dela e talvez, bem talvez, ela esteja livre."
Alexander pressionou os seus lábios numa linha reta, a divagar por flashbacks de um futuro em que Lydia não se lembraria dele, de o beijar. E ele, continuaria a lembrar-se de tudo. Há algum tipo de dor pior que essa?
"Ou ela vai ser entregue a um vampiro," A outra lembrou-o. "e não serás tu."
Sim, havia um tipo pior de dor.
O telemóvel de Alycia interrompeu-lhe os pensamentos e, quando ela o atendeu, ele achou melhor afastar-se. Manter-se fora dos assuntos do Conselho. Não lhe dizia respeito e, pela primeira vez, ele respeitou isso. Agora ele tinha algo mais para se preocupar sem ser a vida dos outros, como Ryan tanto lhe dizia.
"Tenho de ir." Foi a última coisa que Alycia lhe disse.
Lydia não teve de esperar muito tempo, cerca de cinco minutos depois do telefonema. Estava feliz em saber que tinha conseguido despertar alguma curiosidade nas raparigas.
"Olá." Lydia sorriu. "Tenho uma proposta para vocês."
"Hm," Alexis, a rapariga que a havia puxado para conversar com Alfie na Assembleia, humedeceu os lábios. "Estou curiosa."
"Eu tenho um plano para apanhar o vampiro."
Lydia contou-lhe quando Alycia lhe assentiu, para que prosseguisse. Alexis concordou prontamente, parecia-lhe um bom plano. Então, rapidamente se retirou. A rapariga dos cabelos vermelhos colocou os olhos na outra que se mexia desconfortável na cadeira, a pegar e a largar a chávena de sangue.
"O que foi?" Acabou por perguntar.
"O Alec não vai gostar." Disse-lhe a outra.
"O que tu sabes sobre isso?" Lydia cuspiu.
"Sei o que é tentar salvar alguém e acabar por perdê-lo." Alycia engoliu em seco.
"Oh," A rapariga sentiu pena.
"Não oh. Não preciso que tenhas pena de mim." Ela repreendeu. "Eu segui em frente."
"Então, ele também pode." Lydia encolheu os ombros. "Não é como se eu fosse morrer."
"Tu podes." Alycia lembrou-a.
"Talvez seja melhor do que esquecer, certo?" Olhou-a de relance.
A outra riu forçosamente e, então, deu a Jones um sorriso triste.
"Não para ele, Lydia."
O sol estava a começar a esconder-se, a lua estava a morrer para aparecer no céu negro. A mansão dos Mathews estava cheia. O Conselho Vermelho estava a trabalhar num novo plano para apanhar o vampiro.
"Nós, os Conselhos, temos um plano." Richard disse-lhes. "Um bom plano."
"Vamos ouvi-lo." Alec olhou Lily de relance. "Somos todos ouvidos."
"Vamos montar uma armadilha." Theo explicou.
"Mas todas as armadilhas têm um isco." Mark estreitou os olhos. "Certo?"
"Sim. Certamente." O outro assentiu.
Alec conseguiu percebeu a sua irmã a mexer-se desconfortavelmente na poltrona, ao lado dos seus pais que se limitavam a olha-los.
"Quem é?" Ryan atreveu-se a perguntar.
"Eu."
Todos se voltaram para a porta. E quando os seus olhos azuis pousaram em Lydia, tudo parou.
Os seus irmãos olharam-no, à espera do momento em que ele iria gritar para Jones, chamar-lhe estúpida e mal-agradecida. Porque naquele momento, sim, era isso que ele queria fazer. Mas quando Alec largou uma gargalhada, todos o olharam como se fosse a única aberração na sala. Todos acharam que ele se tinha passado de vez. Ficado louco, e ele estava. Ela deixava-o louco.
"Só podem estar a brincar comigo." Alexander murmurou ainda rindo.
Lydia ignorou-o. "Nós vamos dar uma festa no descampado do drive-in. Eu e a Octavia. O vampiro vai aparecer."
"É um bom plano." Alycia, que tinha surgido com Lydia na sala, concordou.
Então, Alec percebeu. Alycia tinha se ido encontrar com Lydia, após o telefonema. E ele arrependeu-se de não ter escutado a conversa, ele poderia tê-las parado.
"Não é." Lily finalmente falou.
"É se é o único que temos." Richard lembrou.
"E se ele realmente aparecer? E se ele matar alguém?" Tom preocupou-se.
E se ele a matar? Alec pensou.
"Algumas coisas exigem sacrifícios."
"Estamos a falar de vidas humanas." Wes interveio. "O Conselho Azul nunca vai permitir!"
"Se as coisas fossem assim tão lineares..." Theodore olhou Alec. "Muitos não estariam aqui."
Alexander devolveu-lhe o olhar e sentiu um nó na sua garganta. Ele queria saltar-lhe para cima, arrancar-lhe a cabeça, mas algo o parou. Talvez fosse o facto de ele ser membro do Conselho Vermelho, ou talvez fosse a presença de Lydia.
"Ok. Chega!" Lydia chegou-se à frente. "Vocês fazem o vosso melhor e apanham aquele filho da mãe e todos nós temos a chance de voltar para casa."
"Tens a minha palavra." Alycia olhou-a.
"A nossa." Os outros concordaram.
Os Mathews apenas concordaram, não havia muito que eles podiam fazer. Alexander estava zangado, zangado consigo mesmo por não parar aquele plano, zangado com a Lydia por pensar nele sequer, zangado com a Alycia por concordar. Sentia vontade de explodir.
"Espera!"
Lydia parou de forma brusca, suspirou infinitamente, e só então se voltou. Ela revirou os olhos mal o viu e ele soube que iriam discutir. Então, sentou-se na escadaria. Alec sentiu o olhar dela queimá-lo, estudá-lo mas ele não se mexeu. Alguns segundos depois, ele não aguentou, olhou-a enquanto os lindos olhos verdes o olhavam também. Os seus lábios afastaram-se, ela queria dizer algo, mas rapidamente os humedeceu, como se não estivesse pronta para falar.
"É um bom plano." Ele limitou-se a dizer.
"Tu não achas isso." Lydia forçou uma risada.
"Isso não é verdade." Alec balançou a cabeça. "Só é perigoso."
"Não precisas de ser simpático agora, sabes." Ela encolheu os ombros. "Não quando no fim disto tudo eu me vou esquecer."
"Quem te disse isso?" Ele olhou-a alerta. "Isso não vai acontecer."
"É isso ou ser atribuída a um vampiro qualquer. Ou..." Jones hesitou, e humedeceu os lábios antes de continuar. "tu me marcares, o que quer que isso signifique."
Alexander fechou os olhos com força e levou a sua mão direita à testa. Ele não queria que ela soubesse de nada, nunca. Isso só faria tudo mais difícil, e como ele encontraria uma solução agora? Com ela à sua frente, plenamente consciente do seu destino.
"Quero dizer, qual das hipóteses é pior?" Lydia riu nervosamente. "Eu quero muito que tu digas que me vais marcar, mas a Lily já deixou claro que isso não vai acontecer."
"Lydia..." O seu nome escapou-lhe dos lábios como uma súplica.
"Deus," Ela olhou o céu. "e agora eu nem quero encontrar aquele estúpido vampiro!"
Alec levantou-se, "Desculpa."
"Mas eu não entendo..." Lydia fechou os olhos por uns momentos e, então, olhou-o. "Porque me afastas se no fim me vais fazer esquecer de ti, Alexander? Não podemos apenas aproveitar o pequeno finito que temos?"
"Só vai fazer tudo mais difícil, Lydia."
"Eu vou-te perder e tu nem sequer és meu." A sua voz embargou-se.
Então, Lydia suspirou profundamente, parecia que ela estava a roubar todo o ar que ele tinha nos pulmões para ela mesma. E doía.
"Não digas isso." Pediu-lhe.
"Marca-me." Lydia apanhou-o de surpresa. "O que quer que seja, eu aguento."
"Tu não percebes, é mais do que apenas-."
"O meu pai deixou-nos." Ela recusou-se a chorar quando o disse. "Eu tinha sete anos. E ele apenas se foi um dia, como se nós não fossemos nada. Ele era o homem da minha vida e ele deixou-me."
Alexander olhou-a sem saber o que fazer, queria abraçá-la, mas estar longe já era tentador o suficiente. Ele queria afastá-la, não a trazer para mais perto.
"Lamento..." Alec não sabia mais o que dizer então repetiu-se. "Lamento."
"E tu também me vais deixar?" Acusou-o.
"Vai-me doer mais a mim que a ti, acredita, Lydia." Ele avisou-a.
"Então, marca-me!" Jones sorriu-lhe. "Não precisas de passar por isso."
"Não te vou fazer isso!!" Alexander gritou-lhe e viu-a tremer, como se lhe tivessem tirado o tapete debaixo dos pés e ela se tivesse desequilibrado por uns segundos. "Então não te apaixones por mim."
Ele exigiu-lhe algo que nem ele mesmo conseguia cumprir. E então, Lydia riu e desviou o olhar. Confuso, ele franziu a testa.
"O plano vai funcionar e eu espero que quando tu me olhares nos olhos e me fizeres esquecer." Jones aproximou-se cautelosamente. "Te lembres..."
Ela colou o seu corpo ao dele e Alec procurou focar-se nos olhos verdes, mas por mais lindos que eles fossem não o conseguiam manter afastado da boca dela. Do cheiro dela, que o atraía de tal maneira que o assustava. Ele queria mais do que beijá-la, ele queria prová-la.
"Me lembre do quê?" Mathews parecia estar em sofrimento.
"Que eu podia ter sido tua."
"Eu não te posso ter," Ele entrelaçou os seus dedos no cabelo vermelho. "Lydia Jones."
"Mas tu queres?" Ela envolveu-lhe o pescoço.
Alec limitou-se a balançar a cabeça, e a mentir. Mas Lydia sabia melhor do que isso, então depositou-lhe um beijo húmido na mandíbula, e isso fê-lo fechar os olhos.
"Diz-me que não sentes a adrenalina. Diz-me que não me queres."
Ele puxou-lhe o cabelo, isso fê-la arfar e amolecer nos seus braços. A sua boca encostou-se ao seu pescoço, e ela limitou-se a fechar os olhos, sem medo. Alec sentiu o seu sangue chamá-lo, como algo que ele nunca tinha sentido antes. E isso assustou-o.
"Alexander." Chamou-o embargada em prazer.
Na escuridão mais ousada, Alec viu luz quando a ouviu e parou-se. Beijou-lhe o pescoço e ouviu-a largar um suspiro. E quando, finalmente, a olhou, beijou-lhe os lábios. Um beijo muito mais gentil do que a sua ação anterior.
Então os seus lábios separaram-se e ambos estavam ofegantes.
Por uns momentos, Alec pensou que talvez eles realmente pudessem ser o algo que tanto queriam. Por uns momentos, apenas por uns momentos, eles estavam felizes.
Fale com o autor