Amor Eterno

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Espero que gostem e comentem

Já é quase meia-noite quando o filme acaba. Esme tem lágrimas nos olhos como avisou que teria. Tem a cabeça poisada no colo dele e está aninhada como se fosse dormir. Deixam-se ficar assim a ouvir a música do final do filme.

- Então, amor, não chores. – levanta-a fazendo-a sentar-se no colo dele. – É só um filme.

- Aconteceu na realidade. – lembra.

- Está bem, só que há muito tempo.

- Não importa, foi uma condenação injusta.

- Achas mesmo? – pergunta ele curioso com a opinião dela.

- Acho.

- Achas que ela era inocente?

- Isso não sei. De qualquer forma, inocente ou culpada ela não podia ser julgada e muito menos condenada, era uma rainha. E se conspirou ninguém a pode culpar, estava presa injustamente.

- Talvez tenhas razão. – senta-a no sofá e levanta-se para tirar o DVD.

Ouve-se uma gargalhada.

Esme enrosca-se no sofá.

Ouvem-se treze badaladas, outra gargalhada e uma voz. “Esta casa estará amaldiçoada para sempre. A tua família será amaldiçoada, Carlisle. Estou a avisar, nesta casa nunca mais ninguém viverá descansado.”

Outra gargalhada.

Esme está a tremer no sofá.

Carlisle vai para junto dela e abraça-a.

- Não tenhas medo, eu estou aqui. – aperta-a contra ele.

Ela esconde a cabeça no ombro dele.

- Pelo menos desta vez a luz não se apagou. – murmura ela.

Ele aperta-a com mais força.

- Estou aqui, amor. Não tenhas medo.

“Esme.” Ouve-se uma voz chamar.

Ela levanta a cabeça.

- Que é isto? – pergunta assustada.

“Esme.”

Junto à televisão aparece uma mulher. A mesma que Esme já vira muitas vezes. Desta vez tem um vestido verde escuro e uma máscara de festa na mão.

“Não tenham medo” murmura com uma voz suave.

Carlisle está especado a olhar para a mulher de boca aberta.

“Teem de proteger o que é vosso” continua sem sair do mesmo sitio. “O mal está disfarçado. Disfarçado como eu com esta mascara.” Tapa o rosto com a mascara e depois volta a destapa-lo. “Descubram-no. Só o vosso amor poderá vence-lo.”

Desaparece da mesma maneira que apareceu.

- O que foi isto? – Carlisle vira-se para Esme.

- É ela. – murmura Esme. – A mulher que eu já vi várias vezes. É ela.

- Eu sei quem é. – diz Carlisle sério. – É uma antepassada minha. Tenho um quadro dela na galeria. Eu mostro-te.

Pega-lhe na mão e levantam-se.

O Charlie e o Alfred veem a descer as escadas.

- Senhor, ouviu o mesmo que nós? – pergunta Charlie.

- Ouvi. – responde Carlisle. – As vozes e as gargalhadas. Ouvimos tudo.

- Mas o que se passará? – pergunta Sue aparecendo também a descer as escadas.

- Não faço ideia. – diz Carlisle. – Mas tentem não se preocupar com isso e voltem para a cama. Eu ei de descobrir o que se passa.

Puxa Esme e sobem os dois as escadas até ao terceiro andar. Vão à sala dos quadros.

Esme não consegue deixar de lançar um olhar hesitante ao quadro de Elizabeth I. Carlisle leva-a até ao fundo da sala, onde está um quadro com uma mulher muito bonita. Tem os cabelos loiros praticamente soltos e uns olhos muito verdes fitam os que olham para o quadro. Tem vestido um vestido azul. Na cabeça tem uma tiara com uma safira. Esme reconhece-a como sendo a mulher que lhe apareceu mais do que uma vez.

- Chamava-se Esme. – diz Carlisle. – Foi a mulher do primeiro proprietário desta casa. A primeira Duquesa. Viveu no século XVI altura em foi construída esta casa. Ela apaixonou-se pelo proprietário. – aponta para o quadro ao lado onde está um homem de cabelos louros e olhos azuis, parecidíssimo com o Carlisle.

- Eu também já vi esse homem. – diz Esme. – Passeava com ela nos jardins e penteava-lhe os cabelos.

- Chamava-se Carlisle. Ele tinha um irmão mais novo, Charles, um homem ambicioso que sempre ambicionou aquilo que o irmão tinha. – aponta para outro quadro, onde esta um homem parecido com o primeiro. – Carlisle era dono da propriedade e do coração de Esme. Eles iam casar. Charles não só ambicionava a propriedade como a mulher que o irmão amava. Fez frente ao irmão. Atacou a propriedade várias vezes, mas Carlisle vencia sempre. Então propôs um duelo ao irmão. Se Carlisle ganha-se ficava com a casa e com Esme e o irmão deixá-lo-ia em paz. Por sua vez, se Charles ganha-se ficava com a casa e com a mulher.

- Quer dizer que ela era disputada pelos dois como uma propriedade? – pergunta Esme.

- Dizem que o único que a amava verdadeiramente era Carlisle, Charles só a queria porque o irmão a tinha.

- Que horror!

- Carlisle aceitou o duelo. Mas Charles não estava disposto a um duelo justo. Organizou um grupo de homens e quando o irmão chegou para lutar um grupo de homens atacou-o e matou-o. Charles era o único herdeiro, ficou com a propriedade e casou com Esme. Diz a história que ela estava grávida de Carlisle. Charles passou a odiá-la por isso, tratava-a muito mal. Esme teve o filho de Carlisle e deu-lhe o nome do pai.

- Se ela tinha um filho porque é que não ficou logo com a propriedade? – pergunta Esme.

- Porque Charles ameaçava-a que se o fizesse lhe matava o filho.

- Esse homem devia ser um monstro.

- Esme engravidou dele, mas era uma rapariga. Chamou-a Mary. Charles não ligava a nenhum dos dois, queria um rapaz que fosse filho dele. Esme engravidou novamente e desta vez era um rapaz, mas nasceu morto e ela morreu no parto.

- E depois quem herdou a propriedade foi o filho de Carlisle, certo?

- Sim, o que desagradou muito a Charles. Só ele e Esme é que sabiam que ele não era filho de Charles e sim do irmão. Dizem que Esme nunca aceitou o que lhe aconteceu e nunca perdoou Charles por a ter separado do seu amado. Dizem que ela e Carlisle assombram esta casa. Andam separados de um lado para o outro com rostos tristes e outras vezes juntos. Também dizem que eles só poderão ser felizes quando o amor triunfar nesta casa.

Esme olha para ele.

- Nunca ninguém casou por amor nesta família?

- Apenas por conveniência. Sempre.

Carlisle passa o braço em volta da cintura de Esme.

- Há muitas histórias de amor nesta família. Mas nunca teem finais felizes. Ou porque os pais eram contra, ou já estava tudo acordado e um deles morre antes do casamento. Sempre assim. Nunca nenhum casal foi feliz. Muitos dizem que é essa a maldição desta família, outros dizem que a maldição é ambicionarem o que não lhes pertence.

Ficam em silêncio a olhar para o quadro.

- Vamos para a cama? – pergunta Carlisle quebrando o silêncio.

Ela ri.

- Adoraria.

Vão para o quarto dela beijando-se pelo caminho e tem mais uma noite de amor.