Amor Esquecido...
4 O Monstro...
Notas iniciais
NATSU POV
Eu não conseguia acreditar no que via, não por ter medo do gorila gigante, eu não tenho medo de nada! Não posso acreditar é que ele tenha sobrevivido, sem nenhum arranhão, ao meu ataque… Não é algo que eu possa ver todos os dias, isto ia ser divertido!
Quando olhei para a Lucy vi que ela também não conseguia acreditar que a besta ainda estivesse de pé, mas ela, ao contrário de mim, estava com medo. Só um pensamento me veio à cabeça “Tenho de a proteger”. E assim decidi atacar novamente.
Comecei a correr na direção do gigante… Ah, aquele vento a bater-me no cabelo, a sensação de estar a ir contra o que todos os meus instintos dizem ser perigoso, a adrenalina a correr-me no sangue… Eu adorava lutar!
Quando cheguei perto o suficiente, saltei o mais alto que pude.
– Karyu no Tekken!!!! (Punho de Ferro do Dragão de Fogo) – Gritei enquanto estava no ar prestes a atacar-lhe a perna.
O meu punho direito começou a arder. Eu ia dar-lhe um murro dos poderosos mas, mesmo antes de lhe acertar, as chamas desapareceram. Eu consegui sentir o meu fogo a extinguir-se e a magia dissipar-se no ar…
O meu punho sem chamas acertou-lhe com força na perna e a besta, quase como um reflexo, esticou a perna e pontapeou o meu corpo. Eu fui projetado com muita força para o ar.
Quando me consegui concentrar, ainda no ar, tentei equilibrar-me para não esbarrar com o nariz no chão. Mas bati com a perna direita num tronco de uma árvore, e era dos troncos grossos pois, apesar de se ter partido, eu fiquei com uma dor horrível na perna...
Perdi o pouco equilíbrio que tinha conseguido antes e caí de costas, o impacto foi tão grande que o meu corpo arrastou-se pelo solo rochoso. Quando finalmente parei não me conseguia mexer. Tinha sido das minhas piores quedas de sempre. Se o Gray ou o Gajeel souberem disto nunca mais me vão deixar em paz…
A Lucy veio a correr na minha direção… o cabelo loiro dela balançava de um lado para o outro, incluindo aquela parte apanhada de lado, eu adorava vê-la com o cabelo assim mas naquele momento só me conseguia imaginar a arrancar-lhe aquele laço e a passar os dedos por aqueles cabelos soltos… MAS NO QUE É QUE EU ESTOU PARA AQUÍ A PENSAR?!
Lucy ajoelhou-se ao meu lado, ela olhava para mim cheia de preocupação. E eu a pensar naquelas coisas… devo ter batido com a cabeça durante a queda.
– Estás bem? – Perguntou quase em lágrimas.
Eu sentei-me o mais rápido que consegui e sorri-lhe, não a queria ver chorar, muito estranhamente, acho que isso ia doer muito mais que 10 quedas destas.
Quando finalmente consegui tirar os olhos de cima da loirinha é que olhei para o estado do meu corpo depois deste belo espetáculo. E não gostei nada do que vi…
Tinha arranhões por todo o lado, incluindo braços e pernas. A perna direita era o que mais me doía, tinha uma ferida enorme e provavelmente havia bocados de tronco espetados por lá. Também me doía o estômago, mas não sabia se era por causa do pontapé que tinha levado ou se era por estar com fome…
– Como podes ver são só uns arranhões — disse para ela não se preocupar.
– Essa perna não me parece muito bem… — a loirinha disse desconfiada de que eu não estava a ser sincero.
– É só um arranhão maior que os outros, mais nada – tentei tranquiliza-la mas ela não me pareceu convencida. Comecei a mexer a perna de um lado para o outro. – Vês? Não está partida.
Como vi que não me doía tanto assim, tentei pôr-me de pé… má ideia. No momento em que me apoiei na perna direita esta cedeu e eu caí outra vez com a bunda no chão.
– Não te levantes! – Disse Lucy agarrando-me no pulso esquerdo.
Eu tinha que lutar mas ela previu o que eu ia dizer isso e falou primeiro.
– Nem penses em lutar nesse estado! – Respirou fundo antes de continuar. – A perna pode não estar partida mas tu mal consegues andar quanto mais lutar. E podes parar de te armar em valentão ao pé de mim porque eu conheço-te, Natsu Dragneel!
Eu ia responder-lhe mas perdi completamente a minha linha de pensamento quando ela disse o meu nome. Soava tão bem na boca dela… Mas o que é que esta rapariga está a fazer comigo? Eu nunca me senti assim.
– E-então o que vamos fazer? – Foi a única coisa que eu consegui dizer.
Lucy sorriu, deu-me um pequeno beijo na testa e levantou-se. Fiquei um bocado chocado com o beijo, mas assim que me apercebi do que ela ia fazer, agarrei-lhe rapidamente na mão e puxei-a novamente para ao pé de mim.
– Onde é que tu pensas que vais? – Perguntei com ar sério.
– Como assim? Não és tu que estás sempre a dizer que lutar é divertido? – Ela perguntou confusa.
– É divertido! Mas não contra aquilo – disse apontando para o monstro.
Com a mão que ainda segurava a dela contra o chão, puxei-a mais para mim, ela tinha de ver nos meus olhos que eu não estava a brincar.
– Agora é a minha vez de tentar – Lucy olhou-me com aquele olhar determinado.
– Ele é imune à magia – disse-lhe para ver se ela mudava de ideias.
– Ele pode ser só imune à tua magia – ela aproximou mais a cara dela da minha e olhou-me nos olhos.
Era isso que eu mais admirava nela. Conseguia sentir que ela estava cheia de medo, que só queria fugir dali, mas em vez de fazer isso ela está a querer enfrentar a besta. A minha loirinha é tão corajosa… Eu também não ia desistir, já me estava a preparar para contra-argumentar quando reparei na posição em que estávamos.
Eu estava sentado, com as pernas esticadas e a prender a mão direita dela contra o chão. A Lucy estava ajoelhada, tinha uma perna de cada lado da minha perna “boa” e estava inclinada sobre mim. O peito dela roçava o meu… E a cara dela estava tão perto… Os lábios dela…
Sem me dar conta entrelacei os meus dedos nos dela e rocei o meu nariz contra o dela.
Lucy abriu muito os olhos chocada. Olhou para as nossas mãos, para as pernas e depois novamente para o meu rosto. Eu ia voltar a fazer o mesmo mas ela levantou-se. Virou a cara para o lado, provavelmente para eu não a ver corar.
Só quando ela fez um movimento para eu lhe largar a mão é que eu acordei do meu transe.
O QUE É QUE ME ESTÁ A ACONTECER? Já não me consigo controlar mais…
Fale com o autor