Amor Esquecido...
14 No rio...
Notas iniciais
LUCY POV
Eu e a Mari estávamos a sair da gruta em silêncio. Foi só quando passámos a entrada que eu me lembrei porque é que eu e o Natsu tínhamos lá ficado. Era suposto a entrada estar bloqueada.
A Mari deve ter percebido a minha confusão, visto que falou mesmo sem eu ter dito nada.
— Ele passou a noite toda a tirar as pedras da entrada – aponta para o monte de pedras ao lado da gruta. – Se fosse uma noite normal tinha sido mais rápido, mas ele não se transforma em gigante em noites de lua cheia. E ontem foi noite de lua cheia…
— Desculpe… — Mesmo não tendo sido culpa minha tive a necessidade de pedir perdão.
Ela abanou a cabeça, não se foi reação ao que eu disse ou se foi para afastar as tristezas… Parecia que ia chorar… Devia de ser difícil para ela.
Continuei a segui-la até ao rio. A manhã na floresta era agradável, ouvia o som dos pássaros a cantar, do vento a bater nas folhas das árvores. O sol brilhava mas ainda não estava muito calor por ser cedo. Olhei para a mulher que caminhava uns passos à minha frente. Tal como pensei da primeira vez que a vi, ela era jovem, demasiado jovem para ter de passar por isto. Provavelmente só aparentava ser mais velha que eu por causa daqueles 7 anos na Ilha…
— Na aldeia, quando falaste comigo, podias ter-me dito mais alguma coisa…
— Não havia tempo, além disso o Daichi estava lá. Ele é o braço direito do Mestre, se ele desconfiar de alguma coisa vai logo contar. E eu disse para vocês não o magoarem.
Não lhe conseguia ver a cara e pelo tom de voz não consegui perceber se ela me estava a censurar por o ter magoado. Quando o vi na gruta, não vi nenhum ferimento… Podia estar demasiado ocupada a pensar noutras coisas para reparar.
— Desculpe… — lá estou eu a desculpar-me outra vez. – Nós só o atacámos porque ele nos atacou.
Mari parou e voltou-se para mim. Tinha os olhos brilhantes como se estivesse prestes a chorar.
— Eu sei e peço desculpa por vos estar a envolver nesta história. Ele quando está… — fez uma pausa, como se procurasse a palavra certa – está daquela forma, não se consegue controlar bem. Só quando estou com ele… quando eu estou lá ele ouve-me e percebe-me.
Ela fungou o nariz… Ia começar a chorar! Tenho de a acalmar…
— Eii… Então? Tem calma. Agora eu e o Natsu estamos aqui e vamos ajudar-vos.
Mal acabei de falar, Mari larga o cesto e agarra-me as duas mãos com força.
— Obrigado! – Ela olhava-me como se estivesse à deriva no mar e eu fosse o último bote de salva vidas. – Se houver algo que eu possa fazer para vos compensar…
Naquele momento, veio uma pequena rajada de vento contra nós. Só me lembrei que tinha apenas um lençol a tapar-me o corpo quando este me caiu aos pés e eu fiquei completamente nua à frente da Mari. Ahh!! Que vergonha… Eu sei que ela também é mulher mas não deixa de ser um choque. Ficámos as duas a olhar uma para a outra durante uns segundos antes de eu ter reação. Soltei as minhas mãos das dela, agarrei rapidamente no lençol e voltei a enrola-lo à volta do corpo.
A Mari estava a fazer uma tentativa falhada de esconder o riso enquanto apanhava o cesto com a roupa do chão.
— Bem por agora posso-te mostrar o caminho para o rio.
— Isso seria de grande ajuda sim… — respondi-lhe forçando um sorriso. Devia de estar com a cara mais vermelha que um tomate…
Continuámos a andar pela floresta. Eu estava a tentar ter ideias para os ajudar, tínhamos de arranjar um plano qualquer. Principalmente agora… depois da maneira como a Mari me olhou não a posso deixar na mão.
— Como foi que soubeste que o Hiro não estava morto? – Pelo que eu percebi da história ele estava sozinho quando a bruxa rezingona (que eu ainda imagino como sendo a Porlyusica em tamanho mini) lhe lançou a maldição.
A Mari não respondeu de imediato. Estava quase para repetir a pergunta quando ela falou.
— Na primeira noite de lua cheia ele veio ter comigo – ela fez uma pausa como se relembrasse o momento. – Ele pensava que a maldição tinha acabado por isso voltou para casa e contou-me tudo. Como o nosso filho estava a dormir viemos para a floresta para ele me mostrar a gruta com cristais onde ele estava a viver. Ficámos a falar a noite toda e quando saímos da gruta para voltarmos para casa… ele transformou-se…
— Então foi assim que descobriram a falha na maldição. – Não esperei que ela continuasse. Ela não precisava de o fazer. Eu já tinha a resposta à minha pergunta e ela não precisava de reviver maus momentos.
Mas eles precisam da nossa ajuda. E para os ajudarmos eu e o Natsu temos de pensar num plano… Correção: EU tenho de pensar num plano… eu gosto muito dele mas preciso de ser honesta. Ninguém é bom em tudo, ele é bom a lutar e recentemente (ontem à noite) descobri que ele também tem outro tipo de talentos… Lucy é melhor não ires por ai ou a tua cara vai virar tomate outra vez.
— Isto pode parecer uma pergunta parva mas… Como é que o Hiro consegue entrar na gruta? A entrada é demasiado pequena para ele conseguir entrar quando está… grande… — É melhor não utilizar as palavras “monstro” ou “gigante horrivelmente assustador” perto da Mari, não quero que pense que lhe estou a ofender o marido.
— Oh isso… — Ela parou junto a uns arbustos que estavam a bloquear o caminho. – É o nosso pequeno segredo.
Ela afastou os arbustos e… Uau… Por trás dos arbustos estava uma clareira com uma pequena cascata. A água que caía, brilhava com a luz do sol e fazia um pequeno arco-íris. Por baixo da cascata o rio era largo mas ia-se estreitando à medida que entrava na floresta e desaparecia de vista.
A Mari entrou na clareira e sorriu.
— Chegámos! Este rio é o nosso segredo.
Passados alguns segundos de eu estar a olhar para aquele lugar magnífico, o meu cérebro começou a trabalhar outra vez.
— A água do rio é mágica… — não era uma pergunta mas sim uma afirmação. Provavelmente, a água que estava no balde na gruta, era daqui. A Mari antecipou a pergunta que eu ia fazer a seguir.
— A água é mágica, mas não tem poder suficiente… Ele volta ao normal quando entra no rio e continua normal enquanto está molhado. Normalmente ele vai a correr até à gruta para conseguir entrar – ela riu-se como se se lembrasse de uma situação divertida. – Como a gruta tem as paredes cobertas com aqueles cristais, o Hiro consegue-se manter humano enquanto lá está dentro.
Isso explica muita coisa… A água mágica que eu e o Natsu utilizámos para curármos as feridas da luta, veio daqui. Vieram-me à mente as memórias desse momento… aquela toalha molhada a passar-me nos lábios, no pescoço… aquele olhar que prendia o meu e me fazia esquecer de tudo, incluindo respirar…
— A… Não querias tomar banho?
Quando voltei à realidade a Mari já estava sentada à beira do rio. Aproximei-me dela e quando ela esticou o braço entreguei-lhe o lençol que me cobria. Não queria molhar o cabelo mas preciso de qualquer coisa para o prender… Onde é que eu deixei o meu laço? Oh o Natsu tirou-mo… Quando olhei para o cesto vi que ele estava lá, a Mari deve tê-lo apanhado… Agarrei nele e fiz um pequeno carrapito no topo da cabeça.
— Tão bom ser-se jovem… — olhei para a Mari. De onde é que veio esta agora? – Parece que se divertiram… — ela apontou para o meu pescoço.
Não precisei de nenhum espelho para saber do que se tratava: o chupão! A minha mão foi automaticamente ao pescoço para o tentar tapar. Aquele Natsu… Ele vai pagar-mas!
— Não te preocupes, a água trata disso – disse ela a rir-se e a agarrar no lençol para o lavar… Foi então que a vi, uma grande mancha vermelha no meio de todo o branco…
— Ahh! Eu lavo isso… — tentei agarrar no lençol mas não consegui. A minha cara devia de estar da cor daquela mancha…
— Oh, nem penses. Não precisas de ter vergonha, acontece-nos a todas – ela sorriu gentilmente. – Ele tratou-te bem, certo? – Eu acenei com a cabeça e não consegui evitar sorrir também. – Vá, vai lá. Não é boa ideia deixarmos rapazes sozinhos durante muito tempo.
Ela tem razão. Entrei na água, estava um pouco fria mas nada que não se aguentasse e até sabia bem. Comecei a ir na direção da cascata, quando lá cheguei a água de rio dava-me pela cintura. Olhei em volta, era mesmo um local lindo… Que outras pessoas saberiam da sua existência?
— O que é que aconteceu aos outros magos que tentaram completar a missão? Também lhes contaram esta história?
— Os outros magos desistiram logo quando perceberam que a magia não funcionava – respondeu a Mari continuando a lavar os lençóis.
— Foste tu que lhe fizeste o colar?
— Sim… Todos na aldeia sabem do poder dos cristais, mas pensávamos que eles já tivessem desaparecido. Eu só queria ajudá-lo de alguma maneira…
— Ajudaste, acredita que ajudaste!
Se não fosse pelo cristal, o marido dela tinha, muito provavelmente virado frango assado.
Acabei de me lavar e voltei para perto da Mari. Ela deu-me uma toalha para eu me secar.
— Eu posso lavar a tua roupa mas deve de demorar muito para secar.
— Oh não é preciso.
Acabei de me secar rapidamente e enrolei a toalha à volta do corpo. Agarrei numa das minhas chaves que estavam no cesto e gritei:
— Abre-te, portão da empregada, Virgo!
Uma luz brilhou ao meu lado e a Virgo apareceu.
— Bom dia, princesa! Deseja-me punir? – Perguntou ela como sempre faz…
— Não! Eu preciso de roupa… por acaso não tens nada que me possas emprestar?
— Claro. – Um conjunto de roupa apareceu-lhe nas mãos e ela entregou-mo. Ela vai ao cesto e agarra nas roupas sujas. – Eu vou tratar destas roupas.
Virgo estava a preparar-se para se ir embora mas eu impedi-a a tempo.
— Ah Virgo… esqueceste-te das minhas cuecas…
— Não me esqueci princesa. Pensei que ia adotar uma nova moda… Agora que já está com o Natsu, não o pode deixar fugir, tem de o fazer feliz! Não é, princesa? Vai-me punir?
Pela primeira vez, desde que ela me faz esta pergunta que eu estou tentada a responder afirmativamente. Mas ela já se tinha ido…
Ela deixou-me o vestido branco e azul que usei na Ilha Tenrou. Bem pelo menos a roupa não é pior…
— Tu és uma princesa? – Mari perguntou confusa. Já me tinha esquecido que ela estava ali.
— Não, esquece isso.
Vesti-me rapidamente. Voltámos as duas para a gruta. Quando lá chegámos os rapazes pareciam estar exatamente onde os deixámos, com a diferença do balde cheio de fruta ao pé do Natsu.
— Hey Luce! Olha fui buscar mais fruta, esta floresta tem bués frutas…
Sentei-me ao lado dele e a Mari ao lado do marido.
— E para além de fruta, descobriram mais alguma coisa? – Perguntei mesmo já sabendo a resposta.
— Sim! – Ele olhou para mim com os olhos a brilhar, se calhar tinham mesmo descoberto alguma coisa… — O Hiro é o aldeão desaparecido!
Depois de uns segundos a olhar para ele desatei à gargalhada. O Natsu ficou a olhar para mim com olhinhos de cachorrinho abandonado… Não consegui resistir e passei-lhe a mão pelo cabelo.
— Uau estou impressionada… Mas eu estava á espera de um plano, talvez? – O Natsu abanou a cabeça negativamente. – Bem não faz mal, porque eu tenho um.
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