Amor Esquecido...
8 Já estou farto do QUASE!
Notas iniciais
NATSU POV
Foi só quando ela se levantou que eu me apercebi do que estava a fazer… MAS O QUE É QUE SE PASSA COMIGO? Eu estava simplesmente a limpar o arranhão na testa dela e a tentar ser o mais cuidadoso possível, não a queria magoar. Mas depois, comecei a imaginar como é que ela ficaria molhada e… bem, aquilo aconteceu…
Olhei para a Lucy, ela estava ao pé da mesa virada de costas para mim… Será que ficou chateada? Mas eu sei que ela estava a gostar, conseguia sentir pelo seu cheiro. A Lucy queria mais e eu também, mas ela levantou-se e agora está a agir assim… eu juro que não entendo!
Ficámos em silêncio durante algum tempo… Ela continuava sem olhar para mim. Tinha de fazer alguma coisa para melhorar este clima. Levantei-me e vi a Lucy a arrepiar-se, ela não quer falar comigo… Voltei a sentar-me.
Mas desde quando é que eu faço o que ela quer? Voltei a levantar-me e dirigi-me à mesa. Não precisei de falar, conseguia ver que só a minha presença perto dela a incomodava.
Aproximei-me dela por trás, quando estava próximo o suficiente inclinei-me e agarrei a caixa de primeiros socorros. Conseguia ouvir o coração dela, estava muito acelerado, o meu também estava.
Afastei-me e guardei a caixa no armário. Olhei-a pelo canto do olho, parecia aliviada por eu não ter tentado fazer nada estranho, como aquilo da toalha… Ela provavelmente só gosta de ter este tipo de intimidade com aqueles maricas com quem ela anda a sair… Abanei a cabeça, não posso estar a pensar nisto agora, preciso de me distrair.
Olhei para o lado e encostado ao armário estava um monte de troncos de madeira cortados, perfeitos para acender uma fogueira. Agarrei em alguns, voltei para o centro do covil e coloquei-os no chão, em cima do círculo chamuscado onde o dono disto deveria de fazer as fogueiras. Fiz uma bola de fogo na mão… e não apareceu fogo nenhum.
– Isto de não conseguir usar magia já me está a irritar – afirmei revoltado.
A Lucy olhou para mim com os olhos arregalados de espanto. Pensei que ela nunca mais ia olhar para mim… já tinha saudades daqueles olhos castanhos… Voltou-se para mim mas permaneceu encostada à mesa, ainda devia de estar chateada.
– Deve ser por causa dos cristais – disse apontando para a parede atrás de mim. – Parecem ser iguais ao que o monstro tinha ao pescoço.
– Então ele encontrou-o? Que sorte… — disse aliviado por a Lucy falar comigo.
– Não acho que seja só sorte – ela disse. – Para além de o encontrar ele teria de ter a habilidade de o meter num fio. E ele tem as mãos demasiado grandes para fazer algo tão delicado.
– Estás a dizer que foi uma pessoa que lhe deu o colar? Quem é que haveria de fazer isso? – Já não percebo nada desta história.
– Não sei… Talvez o monstro esteja a ser controlado por essa pessoa. E é possível que seja o dono deste covil…
Eu não disse mais nada, tinha a cabeça à roda com tanta informação…
A Lucy começou a andar e sentou-se no tronco ao lado do qual eu estava sentado. Não se sentou no mesmo que o meu, apesar de haver espaço mais do que suficiente para nós os dois… Bem, se ela precisa de espaço é melhor respeitar... por agora.
Já sentada, Lucy começou a arranjar os troncos para fazer a fogueira. Tirou um dos troncos maiores para mais para ao pé dela e com uma pequena faca… Desde quando é que ela tem uma faca? Eu devo de ter feito uma expressão interrogadora pois, mesmo sem dizer nada, ela respondeu.
– Estava em cima da mesa – disse enquanto cortava um pequeno entalhe no tronco.
Ela estava concentrada a fazer aquilo por isso eu decidi observar em silêncio. A Lucy terminou de fazer a ranhura no tronco e pousou a faca no chão. Em seguida, agarrou num graveto e numa pinha, que aparentemente eu trouxe juntamente com a madeira, pousou a pinha ao pé da faca e prendeu o tronco entre os pés. Respirou fundo, colocou o graveto entre as duas palmas das mãos e começou a gira-lo rapidamente nos dois sentidos contra o tronco na zona que tinha cortado com a faca, até que uma brasa começou a formar-se na base. Ela estava a fazer fogo?!
Rapidamente a Lucy transferiu as brasas para a pinha, assoprou devagar e o fogo começou a acender-se. Com cuidado, ela colocou a pinha e o tronco maior junto dos outros troncos da fogueira e esta começou a arder. A chama parecia ser quase tão quente como se tivesse sido feita pela minha magia. Uau, estava impressionado…
– Só falta a comida… — disse ela de repente. Parece que eu não era o único com fome.
Inspirei fundo e veio-me o cheiro de morangos. Pensei que o cheiro fosse da Lucy mas reparei que ele vinha da direcção oposta. Levantei-me e vi em cima do móvel um cesto. Tirei o cesto e… estava cheio de morangos e eram dos bons.
Voltei a sentar-me no meu lugar e entreguei o cesto à Lucy. Os olhos dela até brilharam ao ver a comida.
– Obrigado... Tu não queres? – Perguntou.
– Não obrigado. – Agarrei num pequeno tronco da fogueira. – Eu vou comer o que tu preparaste.
A Lucy corou ligeiramente e sorriu. Eu suguei um pouco do fogo do tronco. A chama não era muito forte mas era quente e deliciosa.
– Onde é que aprendeste a fazer fogueiras? – Perguntei. Ela vivia como uma princesa quando era mais nova, nunca pensei que ela soubesse fazer este tipo de coisas.
Ela engoliu um morango antes de responder:
– Quando era pequena, perdi-me numa floresta perto da minha casa. Caí num buraco e fiquei cheia de medo de passar lá a noite sozinha ao frio. Já não me lembro bem… mas no final consegui sair do buraco e chegar a casa antes de anoitecer. Depois disso decidi aprender técnicas de sobrevivência na floresta, caso me voltasse a perder.
– Oh muito bem. O fogo está delicioso – disse a sorrir.
Ela sorriu de volta e continuou a comer.
Acabámos de comer ao mesmo tempo e o silêncio prolongou-se… Eu não sabia o que dizer, ou se devia de dizer alguma coisa.
– Temos de pensar numa maneira de sair daqui – Lucy disse quebrando o silêncio.
– Entre o conforto aqui dentro e o monstro lá fora, acho que prefiro ficar aqui – disse divertido.
– Pois mas eu tenho mais que fazer…
– Estás preocupada com o teu encontro é? – Perguntei mais friamente do que pretendia.
Lucy pareceu um pouco surpreendida com a pergunta mas rapidamente respondeu, com a mesma frieza:
– Sim, isso mesmo.
Mas porque é que ela tem de estar a pensar nesses rapazes agora?! Estamos aqui os dois sozinhos… Levantei-me, afastei-me da fogueira e comecei a andar de um lado para o outro. Estava irritado, já andava a suprimir estes sentimentos negativos há muito tempo e agora não consigo mais me segurar.
A Lucy levantou-se pôs-se à minha frente obrigando-me a parar.
– Estás a deixar-me tonta. Posso saber o que se passa?- Perguntou também um pouco irritada.
– O que se passa é que tu tens péssimo gosto para escolher namorados – respondi antes de pensar.
– O-o quê? – Perguntou perplexa.
– Sim, ouviste bem. Cada um é pior que o outro… — comecei outra vez a andar de um lado para o outro. – O do cabelo verde, passou o encontro todo a olhar para o teu decote. O do cabelo de lado, estava sempre a olhar-se ao espelho e a falar de todas as raparigas que gostariam de sair com ele, o outro…
– Tu tens andado a seguir-me?! – Lucy olhou-me chateada. Mas eu não quero saber, ela sabe que eu tenho razão e se é para ficar chateada então eu tenho de deitar cá para fora tudo o que tenho a dizer.
– Talvez tenha. Algum problema?
– Claro! Eu já sou crescidinha o suficiente para escolher os rapazes com quem eu saio! – Ela levantou a voz.
– Vê-se… — disse com sarcasmo.
– Posso ter errado nos primeiros, mas desta vez é diferente. Este preocupa-se mesmo comigo – disse firmemente.
– É mesmo? E o que é que o faz ser mais especial que os outros? Mais especial que eu? – Esta última parte não era para dizer, mas saiu…
A Lucy ficou parada a olhar para mim um pouco antes de responder:
– Esta cena toda é só porque estás com ciúmes?
Parei de andar de um lado para o outro e fiquei mesmo à frente dela.
– E se for? Eu também sou um rapaz, porque que é que não podes ir em encontros comigo? – Perguntei chateado.
– Porque somos amigos e companheiros de equipa — Lucy respondeu também chateada.
– E depois? Qual é o problema? – Eu estava cada vez mais irritado. – Mas se te faz tanta confusão, imagina que não somos amigos, pensa em mim como se eu fosse um pretendente. O que é que esse maricas tem que eu não tenho? Ele conseguia derrotar este monstro?
– Ele não é… — Lucy fechou os olhos e quando os voltou a abrir estavam cheios de irritação. – Queres jogar? Vamos jogar… Não, ele provavelmente não conseguiria. Mas ele tem o mesmo gosto que eu pela leitura, é inteligente, educado e sensível… Não é como tu, um brutamontes que só pensa em lutar!
Fiquei um pouco perplexo com a resposta dela… Então eu não faço o género dela, é isso? Ela nunca me viu como mais que um amigo? Mas então… Foi então que me lembrei de tudo o que QUASE aconteceu nesta missão. Se o que ela está a dizer fosse verdade ela não teria agido como tem agido até agora… E eu já estou farto do QUASE!
– Okay. Então nessa parte ele é melhor que eu… e na outra?
– Que outra? – A Lucy parecia confusa, mas ainda estava chateada.
Eu comecei a sorrir levemente e aproximei-me dela. Ela ao início permaneceu no mesmo sítio mas quando viu que eu me estava a aproximar demasiado, a loirinha começou a recuar mas sem desviar o olhar do meu.
– Tu sabes. Qual é que te faz… perder a respiração?
Lucy continuou a andar para trás até ficar presa entre mim e a parede.
– Do-do que é que estás a falar? – Perguntou corada e desviando o olhar…
Tive de rir um pouco. Ela era tão inocente… Cheguei-me mais para a frente até os nossos corpos se tocarem.
– Sabes, o meu pai, Igneel, ensinou-me que quando estiver a tentar conquistar uma rapariga, tenho de lhe mostrar que sou melhor do que os outros pretendentes. – Disse calmamente para ela entender.
Agarrei-lhe nos pulsos e puxei-lhe os braços cuidadosamente para cima. Prendi-lhe os pulsos com a mão direita contra o revestimento de madeira na parede, acima da cabeça dela.
– O-o que é que estás a fazer? – Perguntou com a voz trémula.
Encostei a minha testa à dela antes de responder.
– Não dizes que ele é melhor do que eu? Eu vou provar-te o contrário…
Coloquei a mão livre na sua cintura. Os seus olhos castanhos arregalaram-se e ela engoliu a seco. Conseguia sentir que ela estava nervosa, mas não estava com medo. A Lucy queria aquilo tanto quanto eu só não o conseguia admitir…
– Diz-me Lucy… — Disse o nome dela lentamente e senti-a a arrepiar-se. – Quem é o melhor… — Fiz uma pausa, aproximei-me da orelha dela e terminei a pergunta com uma voz profunda. – O melhor amante…?
Fale com o autor