Amor Esquecido...
13 A história...
Notas iniciais
LUCY POV
– Não? Então explica-me… porque é que tens o mesmo cheiro do monstro que enfrentamos ontem?
Quando o Natsu disse aquilo pensei que ele estivesse a gozar, era impossível… Mas quando olhei na cara dos recém-chegados percebi que afinal podia ser verdade.
A mulher colocou-se rapidamente à frente do marido em posição defensiva.
– Não vou deixar que lhe façam mal… — Não sei o que me surpreendeu mais, a atitude da Mari ou as lágrimas que começaram a surgir nos seus olhos. Hiro rapidamente se pôs ao lado dela, tomou-lhe o rosto nas mãos e limpou-lhe as lágrimas com os polegares.
– Pronto tem calma… Não precisas de chorar – Ele acalmou-a um pouco e depois voltou-se para nós. – É verdade, eu sou o monstro que vocês enfrentaram ontem… Mas como podem ver eu não sou sempre daquela maneira, por isso eu gostaria que ouvissem a minha história antes de me atacarem. Depois de me ouvirem podem fazer o que acharem mais justo, eu não oferecerei resistência.
Okay… não estava à espera de um discurso destes. Olhei para o Natsu para ver o que ele achava mas ele continuava com aquele olhar decidido, como tem sempre quando está prestes a explodir qualquer coisa… Isso não era boa ideia.
– Natsu… — puxei-lhe o braço para ele olhar para mim. – Acho que podíamos ouvir o que eles têm para dizer, está bem?
Ele não parecia muito convencido… Ele prefere sempre uma boa luta do que uma conversa.
– E se eles estiverem a mentir?
– Se eles mentirem tu consegues saber, certo? – Toquei com o indicador na ponta do nariz para ele perceber. Como o Natsu tem os sentidos muito apurados ele consegue perceber quando alguém está a mentir. Por causa disso eu nunca consigo pregar-lhe partidas, como ele e o Happy estão sempre a fazer comigo…
Ele olhou para mim surpreendido, como se não se lembrasse dessa sua habilidade… Aii o que é que eu faço com este rapaz? O Natsu acenou afirmativamente com a cabeça e fez aquele sorriso tolo que ele está sempre a fazer, tão fofinho!
– Podem começar – disse-lhes ele sentando-se num dos troncos com as pernas e os braços cruzados. A Mari e o Hiro sentaram-se no tronco que estava em frente ao do Natsu. Decidi sentar-me na cama, enrolando-me o mais possível ao lençol. Eu devia vestir-me mas as minhas roupas estão no cesto da Mari, não tenho coragem de as pedir…
Hiro aclarou a garganta antes de começar:
– Foi há quase seis meses, eu e mais uns homens fomos à floresta buscar lenha. Já não me lembro porquê, mas acabei afastando-me do grupo. Eu não conhecia bem a floresta então comecei a ficar nervoso… Comecei a correr e, sem querer, esbarrei contra uma velhota muito baixa. Ela começou a gritar comigo… Eu tentei pedir desculpa, mas quando estou nervoso digo sempre coisas que não devo – ele olhou para a mulher e esta sorriu-lhe e olhou de forma nostálgica. – Bem eu, no final acabei por dizer, “A senhora também devia de ver por onde anda, principalmente tendo em conta a sua altura ou, neste caso, a falta dela”, eu sei que não…
O Natsu começa a rir bem alto, impedindo o Hiro de continuar… Eu olhei para ele, espantada.
– Natsu?! – Tentei repreende-lo mas quando vi a cara de riso dele, também não consegui resistir e comecei a rir-me. Só de imaginar a situação… e a maneira como ele contou, parecia que tinha cometido um grande crime… Eu e o Natsu continuámos a rir enquanto os outros dois ficaram a olhar para nós confusos. Comecei a sentir pena deles por isso tentei conter-me e fiz sinal ao Natsu para que ele também parasse.
– Desculpem… — Ele tentou esconder a risada. – Podem continuar…
– Bem… — Hiro aclarou a garganta novamente e continuou. – A senhora ficou muito ofendida e por isso lançou-me esta maldição… Quando dei por mim era um monstro enorme e assustador. Tentei procurar a senhora mas ela desapareceu…
Que história… Olhei para o Natsu, ele voltou-se para mim e acenou com a cabeça, confirmando que a história era verdade… Que velha rabugenta! Lançou-lhe uma maldição só por causa do que ele disse. Veio-me à mente uma imagem da Porlyusica mas do tamanho do mestre Makarov… Não deve ser muito diferente.
– Ainda querem lutar comigo? – Hiro perguntou.
– Não… Depois de saber disto já não… — Natsu parecia aborrecido.
– Mas porque é que não falaram com o Mestre da aldeia? A água da fonte devia de ser capaz de quebrar a maldição – tinha de haver uma solução para isto.
– Eu já tentei falar com ele – disse a Mari. – Mas ele interrompeu-me logo, a dizer que não importava se o monstro era bom ou mau, ele tinha de desaparecer. Se nós lhe contarmos tudo, vamos acabar por ser expulsos da aldeia… Temos um filho pequeno para criar, isso não pode acontecer.
Parece que isto vai ser mais complicado do que eu pensava.
– Nós já tentámos tudo o que podíamos – o Hiro parecia cansado. – Já me estou a habituar a viver assim, já fico bem se vocês se forem embora e não me atacarem mais…
– Isso não pode ser – Natsu disse interrompendo o Hiro. – Tu não queres voltar a ter uma vida normal com a tua família?
– Sim mas…
– Não há “mas”! É a tua família, não podes desistir. Nós vamos ajudar-te. Certo, Luce?
– Sim claro – eu e o Natsu sorrimos para encorajar o casal. – Vamos pensar em alguma coisa.
Deve de haver algo que possamos fazer… ahh mas estou demasiado envergonhada para pensar, tenho de me vestir rapidamente.
– Ah eu acho que conseguia pensar melhor depois de um banho… — estava com a cara a arder de vergonha.
– Oh a Lucy tem razão – parece que a Mari me entende. – Os rapazes ficam aqui e nós vamos ao rio.
Ela fez sinal para que eu a seguisse e era isso que eu ia fazer, mas o Natsu levantou-se e voltou a impedir-me de ir com a Mari. Qual seria o problema agora? Ele olhou para mim preocupado.
Não consegui esconder o sorriso… O Natsu estava preocupado comigo. Dei-lhe um beijo na face para o tranquilizar. Ele sorriu para mim e deixou-me ir. Este Natsu…
Finalmente, saí da gruta com a Mari e fomos em direção ao rio.
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