Lá estava eu naquela manhã de sábado. Este sempre fora o melhor dia da semana no orfanato, pois não tínhamos obrigações a cumprir e direito há atividades de lazer, só não sei que lazer, não tem como se divertir naquele lugar, e o pior, é que eu e meu irmão mais novo Cameron, já estávamos lá a quatro anos. Para mim, ainda bem, essa situação estava prestes a mudar, pois daqui a 2 semanas, vou fazer 18 anos, e serei obrigada a sair do orfanato com um auxílio por 2 meses e uma vaga, cujo segunda feira da semana que vem, vou fazer um teste para ver em qual das três opções de fábricas, de acordo com minhas habilidades, vão me oferecer uma vaga. Eu também não faço ideia das minhas habilidades, parei d me importar muito com essas coisas, afinal, depois que perdi misteriosamente meu pai, minha mãe ficou abalada, e o governo decidiu que ela não tinha mais condições psicológicas para nos criar, portanto, deveríamos ser acolhidos por um orfanato, foi aí que minha vida acabou... conheci o cutting, o que de certa forma me ajudou a aliviar a dor causada pela perda do meu pai e a minha vinda para este lugar, onde fui privada de toda a minha adolescência, quando falo toda, não estou brincando, não fui á festas, não fui popular na escola, não tive nem capacidade emocional pra conversar com os outros adolescentes daqui. Mas mesmo assim, só consegui uma amiga, mas amiga mesmo, Julie, até hoje a gente ainda divide o mesmo quarto. Olho para o relógio e surpresa, quase caio da cama, quando vejo as horas: já são 7:38, preciso correr senão vou perder o café da manhã, troco minha blusinha fina por meu moletom grandalhão, calço as sandálias e vou correndo escovar os dentes e lavar o rosto.