Desde criança meus pais me ensinaram muitas coisas. Aprendi muito com eles, e meu pai inspirou muitas de minhas ações. Sim, eu uso este verbo pelo fato de que meu pai se encontra morto. Ele e minha querida mãe foram queimados no incêndio de minha mansão. Trágico acidente, mas desde então tive que lhe dar sozinho com muitas situações. Sozinho entre aspas, pois graças ao meu mordomo e tanto, muitas de minhas ações são facilitadas pela ajuda do demônio Sebastian Michaelis. Quem sou eu? Sou Ciel Phantomhive, conde para ser exato.

Sebatian me ajuda em tarefas que para mim são fácies, eu sei que são, mas se existe alguém para fazê-las é claro que não colocarei minhas mãos. Vocês devem estar se perguntando: O que levou um demônio concordar em criar um menino órfão? A resposta é simples: Um pacto. Sebastian e eu temos um trato, cada um de nós carrega uma marca, que representa o trato. Eu confesso que de antemão não existe nenhum motivo relevante para eu ter selado esse trato, talvez um dia eu descubra, e com certeza sei que ate que eu descubra, Sebastian estará ao meu lado.

- Bochan?

- Entre Sebastian!

- Está na hora de seu chá! –Afirmou Sebastian entrando em minha sala com uma mesa cheia de coisas.

- Tem bolos? –Perguntei fitando a mesa farta.

- Claro! O bolo preferido do bochan está bem fresco e perfeito para acompanhar o chá.

Sebastian era atencioso comigo. Confesso que estanhava, para um demônio, um humano não passa de alimento. Se Sebastian estivesse fingindo se importar comigo certamente estava fazendo aquilo muito bem.

- Obrigada. -Disse eu me endireitando na cadeira e indo pegar a xícara de chá.

- Deixe comigo bochan. Estou aqui para servi-lo. –Os olhos de Sebastian brilharam quando essas palavras foram ditas.

- Não seja estúpido. Eu mesmo posso me servir. –Disse eu querendo ser teimoso, só para contrariá-lo.

- Eu insisto. –Quando Sebastian disse isso, ele já havia pegado o bule de chá e já estava me servindo. Em seguida, cortou um pedaço generoso do meu bolo preferido e o colocou no prato de porcelana japonesa.

Depois que tomei meu café, Sebastian tirou a mesa e fechou a porta de meu escritório.

Confesso que quando estava sem meu mordomo me sentia sozinho, abandonado e insignificante. Não sei porque mas, já havia me acostumado com a presença daquele mordomo bem engomado se preocupando comigo. A presença dele era mais suportável do que a de meus empregados. Claro que, eu gostava deles, mas eles eram um bando de desajeitados. Mas no fundo, eles sempre queriam me agradar.

- Bochan! –Alguém bate a porta de meu escritório.

- Entre! –Ordenei.

Finny, Bard e Meirin entram pela porta, todos envergonhados e nitidamente nervosos ao entrarem em meu escritório.

- Digam o que querem! –Disse eu movendo uma das peças de meu xadrez.

- Só viemos avisar que Sebastian precisou sair, parece que alguém estava rondando a mansão e para sua segurança ele mesmo quis saber quem era. –Meirin disse toda envergonhada enquanto Finny coçava a cabeça.

- O que? –Exclamei- Porque ele mesmo não veio me avisar. Aquele mordomo baka. Podem sair andem.

- Sim. –Todos disseram ao mesmo tempo e saíram juntos todos desengonçados.

Eu fiquei muito nervoso. Meu rosto queimava de raiva, minhas mãos se fecharam em cima da mesa cheia de peças de xadrez. Minha mente só pensava em sebastian e como ele havia feito aquilo sem avisar a mim. Eu fiquei muito nervoso a ponto de derrubar todas as peças do xadrez no chão. Claro que aquilo não ficaria daquele jeito, eu iria até onde Sebastian estava.

Eu vesti meu casaco azul e desci as escadas e fui direto para o jardim. Quando estava lá em baixo, já fora da mansão, de longe avistei Sebastian. Ele não estava sozinho, ele estava sentado em cima de um homem. Eu não sei o que houve mas naquele momento, para mim havia sido a gota d’água.

- Sebastian! –Gritei eu enquanto caminhava em direção a eles.

- Sim, bochan! –Ele se levantou de cima do homem.

Quando cheguei mais perto, pude ver que o homem estava desmaiado, e que ele estava com o olho roxo. Por um segundo achei que Sebastian estava...

- O que significa isso? –Perguntei eu balançando a cabeça afastando o meu pensamento sórdido.

- Esse homem estava espreitando a mansão de meu bochan, só cuidei para que ele não roubasse nada.

- E ele está...

- Está descansando. –Interrompeu meu mordomo.

- Eu pensei que... Que... –Gaguejei.

- Diga bochan.

- Pensei que você estivesse beijando-o.

- E porque eu faria isso?

- Não sei! Isso que vim saber. –Disse revoltado- Cuide desse homem Sebastian é uma ordem.

- Yes, my lord. –Disse Sebastian fazendo reverência a mim.

Eu me virei e fui direto para meu quarto. Quando entrei fechei a porta com muita raiva, tirei meu casaco, joguei-o no chão e me joguei na cama. Eu não entendi meu pensamento, porque razão um demônio iria beijar um humano do mesmo sexo? Porque senti raiva com tudo isso? Porque Sebastian fez aquilo sem me avisar? Várias perguntas surgiram em minha mente, e esse raciocínio foi quebrado por uma batida na porta.

- Quem é? –Gritei com desdém.

- Sou eu, bochan.

- Entre.

- Cuidei daquele humano como o bochan ordenou. –Disse Sebastian fechando a porta e parando a alguns passos de minha cama. –Eu coloquei-o...

- Não me importa.

- Tudo bem.

- Sebastian... –Disse eu me levantando e sentando na ponta da cama.

- Sim bochan.

- Você promete que... Nunca me deixará? –Disse eu abaixando minha cabeça.

Sebastian caminhou até mim, levantou meu queixo com a mão direita e disse:

- Nem por um milhão de almas como a sua, bochan. –Ele olhou firme em meus olhos, eu senti sua respiração quente, achei que demônios não possuíam calor, ou naquele ponto era minha imaginação inventando fatos. Senti meu coração palpitar, bater mais rápido e minha respiração ofegante. Quando eu menos esperava Sebastian aproxima seus lábios dos meus e me dá um beijo. Não foi beijo de língua, mas parecia que eu podia sentir sua língua explorando a minha. Ele me levantou e apertou minhas costas, depois daquilo me deu um abraço forte e disse:

- Com sua licença, meu bochan. Inteiramente meu. –Ele se virou e saiu do quarto.

- Sebastian! –Exclamei. Mas foi em vão, ele saiu do quarto sem me explicar o que havia sido aquilo. Ele me beijara tão ternamente, tão cuidadosamente e tão delicadamente. Eu não sei se Sebastian havia feito aquilo por brincadeira ou se aquele gesto significava algum sentimento. Mas naquele momento eu não me preocupei em responder perguntas só queria lembrar do beijo de meu mordomo.

Notas finais
Bom gente esse é o prologo! Espero que gostem dessa história e comentem o que acharam dela! Beijos!