Amor Demoníaco
11 Capítulo 11: O fim começa.
Notas iniciais
Acordei com tudo exatamente normal. O cheiro de pão fresco entrou pelo meu nariz e foi então que percebi que já se passara das dez da manha. Como eu dormi tanto? Realmente não sei. Eu esfreguei meus olhos que doíam por causa da luz do sol. Olhei para a minha cadeira e minha roupa estava ali dobrada, pronta para que eu a vestisse. Sebastian me mimava tanto que, se um dia eu o perdesse certamente sentiria falta.
- Bochan seu café esta servido. –Disse Sebastian batendo a porta. Ele tinha um jeito suave que nunca me surpreendia. Se qualquer outra pessoa batesse a porta eu iria tomar um baita susto.
- Pode entrar... –Disse eu ajeitando minha camisa. Ela estava tão perfumada. Naquela manhã, mesmo tudo estando exatamente como de costume eu senti que algo de errado estava acontecendo, mas, não sabia o que.
- Bochan, bochan, precisa aprender a dar o laço certo. –Ele disse se abaixando para ajeitar o laço do sapato.
- Saia, a partir de hoje gosto do meu laço dessa forma. –Eu disse tirando meu pé do curso da mão de meu mordomo. Ele estava acostumado com minhas palavras “mal agradecidas” então não ligou muito.
- Vamos, seu chá irá esfriar. –Disse ele abrindo a porta e me chamando com uma mão. Aquele foi um gesto doce, eu não consegui hesitar então peguei a mão dele.
Nós descemos as escadas e fomos ate a mesa do café. Como de costume ela estava repleta de coisas. Sebastian serviu meu chá e colocou na minha frente um pedaço de bolo. Ele estava cheirando muito bem e eu logo peguei um garfo para comê-lo.
- Bochan, não está com sede? –Pergunta meu mordomo que me fita com desejo.
- Na verdade estou... Tem café? –Pergunto eu.
- Café? Tem sim, mas... Por que não vai tomar seu chá? –Ele pergunta curioso e levanta uma de suas sobrancelhas.
- Não estou a fim de tomar chá hoje só isso... Passa-me o café, por favor? –Disse eu com os olhos fechados.
- Claro. –Sebastian encheu outra xícara com o café e me deu. Ele ficou ali me fitando, ate parecia que queria um pedaço do meu bolo. Mas, eu não ofereci afinal, se ele o quisesse que se servisse.
Depois de comer meu bolo e terminar o café fiquei em silencio por alguns momentos. Tentava entender o que estava acontecendo, mas, tudo em vão.
- Bochan, pode vir comigo? –Perguntou Sebastian com um tom de voz doce. Como aquilo me acalmava e fazia meu coração bater mais firmemente.
- Claro. –Eu me levantei e o segui.
Ele caminhava levemente em direção as escadas e quando ia subir no primeiro degrau, ofereceu sua mão para que eu me apoiasse. Novamente o mesmo gesto doce que faria eu me derreter ainda mais. Eu aceitei e juntos, ligados por um doce gesto subimos as escadas.
- Bochan, Claude o tocou certo? –Ele disse Sebastian entrando no quarto e fitando-me. Eu sentei na cama e estava a olhar para ele também.
- Sim, foi um abraço somente e um beijo... Eu acho.
- E o que sentiu? –Sebastian tirava o palitó.
- Senti algo estranho... Era como se no fundo soubesse que não era você. –Naquele momento pude perceber o que realmente senti. Embora tenha dado o beijo em Claude, ainda assim o toque da língua dele não era exatamente como a de meu verdadeiro mordomo.
- E você gostaria que fosse eu? –Disse ele me jogando na cama. Ele começou a passar a mão em meus quadris e me beijou. Como sua língua estava quente, e despertava desejo em mim.
- Pare... Pare Sebastian! –Disse eu afastando-o de cima de mim. Eu estava ofegante, sentia desejo, mas, algo me impedia de continuar. Uma barreira, talvez.
- Não quer fazer isso? –Perguntou ele ajeitando a roupa.
- Não... –Disse eu passando a mão em minha boca. Senti que aquilo poderia ter parecido que queria limpar os rastros de meu mordomo de meu corpo.
- O que Claude deu para que você tomasse? –Perguntou Sebastian vestindo seu palito novamente –Café? Suco? Chá?
- Um chá... Mas, o que isso tem a ver com eu não querer fazer sexo? Eu simplesmente não quero! –Exclamei.
- Bochan, consegue ordenar com que eu faça algo?
- Saia daqui é uma ordem... –Quando disse isso Sebastian não reagiu.
- Seu olho, não brilhou... Temo que eu saiba o que esta acontecendo... O chá que aquele maldito te deu ligou você a ele de alguma forma... Por isso não quer tomar o chá ou sequer deitar-se comigo.
- Não seja tão baka a ponto de pensar nisso...
- Claro que é... Amanhã é o eclipse. E uma hora ou outra você vai sentir necessidade de vê-lo, de tocá-lo e vai procurá-lo e é ai que ele vai transferir sua alma para o boneco.
- Mas, o contrato esta feito com minha alma e não com o corpo. –Aleguei.
- É mais uma vez que o bochan se engana. O contrato se perde quando a alma também se perde... É complicado.
- Sebastian... Ajude-me não quero sair daqui, mas acho que esta começando. Preciso... Dele... Claude!
Narração: Sebastian.
Bochan não conseguiu resistir a preção e desmaiou ali mesmo. Pelo que eu estava “sentindo” acreditei que assim que ele acordasse iria atrás de Claude. Eu poderia dizer que não, mas, nunca conseguia negar nada a ele. Claude havia sido bem esperto, um efeito duplo em um só chá. Agora eu precisava tirar o bochan dali antes que ele acordasse.
Eu não sabia o que ia acontecer, como aquilo havia acontecido e o que eu deveria fazer, mas, sabia que tinha que proteger meu amado bochan.
Como não tinha mais nenhum lugar pensável para levá-lo, eu levei-o para a casa onde passamos algumas semanas. Iria doer mais em mim do que nele certamente, mas, eu precisava algemá-lo caso ele ficasse em êxtase e quisesse sair dali para ir ao encontro de Claude. Pensar nisso me enojava, pensar em outro demônio tocando aquele corpo me causava nervoso e fome, muita fome.
- O que... O que está acontecendo? –Pude ouvir Ciel gemer.
- Esta a salvo aqui... Tem que se controlar e se quiser posso fazer algo mais! –Fitei o membro de meu amado. Eu estava preocupado, mas, ainda assim só conseguia pensar em sexo. Aquele jovem corpo, que só havia experimentado os meus toques até então, me despertava um imenso prazer.
- Sebastian, preciso vê-lo minha alma pede, mas, não quero ao mesmo tempo. –Pediu meu bochan. Doía em vê-lo daquela forma, algemado para sua própria segurança, mas, teria que ser assim.
- Vou acalmá-lo bochan. –Eu disse me aproximando e fazendo caricias. Ele fechava os olhos, parecia gostar, mas, ainda assim sua carência não estava suprida. Aquele “veneno” que Claude deu era poderoso, só não entendo o por que do efeito ter surgido agora. Ele gemia e eu continuava fazendo caricias em suas pernas, quadris e peito, sabia que aquilo o acalmaria.
- Arigatou... Sebastian! –Ele disse. Seus olhos estavam fechados, não sei ao certo o que imaginavam, mas, espero que não seja Claude.
- Não há de que querido bochan. Espero que o efeito dessa “droga” passe e o senhor volte ao normal. –Quando terminei de dizer aquelas palavras pude sentir o tremer do corpo de meu bochan. Olhei em direção aos seus olhos que estavam fechados, fitei sua boca e ela estava rubra como sangue. E de repente ele grita. Aquele grito parecia de dor, não sei ao certo, mas ele começara a se contorcer na cama e gritar feito louco.
- Seastian! Me ajuda! Dói... MUITO! –Ele gritava e continuava a se contorcer, eu não sabia o que fazer, não sabia se aquilo era febre, se era simplesmente um efeito passageiro ou algo do tipo.
- O que posso fazer meu querido bochan? –Eu tentei segurá-lo, tentei acalmá-lo,mas, tudo em vão. Parecia dor demais, e eu não entendia o porquê.
- Me leve, até ele... Me leve até ele... –Ciel gritou essas palavras e em seguida desmaiou. Sua pele havia ficado ainda mais branca, mas, seus lábios pareciam banhados em sangue de tão vermelhos que estavam.
Eu fui ver se ele ainda respirava e para minha felicidade ele estava respirando, pausadamente, mas estava. Eu não sabia o que fazer, se eu o levasse até Claude, ele se aproveitaria de Ciel até que o eclipse chegasse, e se eu não o levasse, ele poderia sofrer por causa do efeito da droga, e quem sabe até, morrer. Eu sabia que tinha que fazer o melhor para ele. Por enquanto levá-lo a Claude era a solução.
- Acalme-se bochan. Quando acordar tudo vai ficar bem. –Disse eu abrindo as algemas e colocando meu pequeno bochan em meu colo. Agora eu iria ao encontro dele o demônio que almejava a alma de meu amado.
Depois de uns trinta minutos, já podia avistar a mansão de Claude. Ela realmente parecia com a de meu bochan. Por falar em bochan, ele ainda estava desmaiado, a sua pele estava criando veias, como se ele estivesse morto.
- Tem gosto de sangue –Disse eu assim que terminei de beijar sua boca- Pode ter certeza, meu querido bochan, que eu voltarei par te pegar. E tudo isso vai finalmente acabara.
- É claro que eu ficarei com ele! –Disse aquela voz insolente. Ele estava ali, na minha frente, aguardando a entrega de meu bochan, como se ele fosse um objeto.
- Só o entrego, pois é o melhor para ele! –Disse eu colocando bochan naqueles braços imundos. Senti uma vontade imensa de quebrá-los, mas, se eu fizesse isso bochan sofreria.
- Esta vendo esse rubro? –Perguntou ele. Eu fitei os lábios de meu bochan, que realmente estavam avermelhados como sangue –Isso é o meu sangue. A poção apenas nos ligou com digamos, um pouco de sangue. –Assim que ele terminou de dizer aquilo ele se virou e foi em direção à mansão.
Eu não entendi ao certo o porquê dos lábios do meu bochan estarem ensanguentados, mas, eu iria buscar a resposta da anulação daquela poção.
O sangue de Claude junto à poção tinha aquele poder. Fazer meu bochan agonizar de dor a ponto de desmaiar. O amor de Claude era doentio, não conseguia entendê-lo. Nunca faria isso, se um dia meu bochan desejasse realmente ficar com ele, eu não o ligaria a mim com laços tão sangrentos assim, afinal, eu o amo. Só iria querer o bem para ele e nada mais.
Talvez eu já tivesse entendido o meio de evitar tudo isso, mas, precisava aguardar o momento certo.
Narração: Ciel.
Eu acordei em uma mansão diferente da que eu desmaiei. Estava sentindo um gosto de sangue muito forte em minha boca e estava tonto. Sentia falta de Sebastian, mas, algo impedia que aquela falta me doesse.
- Então você finalmente acordou não é?! –Perguntou Claude. Aquela voz soou como um consolo. Eu estava me sentindo estranho, sentia desejo de tocar Claude, mas, não era o que meu corpo queria, era o que minha alma pedia.
- O que esta acontecendo comigo? –Quando disse aquilo, Claude se aproximou de mim e fitava-me. Seus olhos agora tinham um brilho imenso. Era como se o sol transpassasse por entre suas pupilas e transmitisse o mais puro brilho.
- Não esta acontecendo nada. –Ele disse aquilo e em seguida mordeu o pulso. O mesmo pingava um sangue rubro, tão rubro que quase era negro. Embora eu não sei o porque eu conseguia sentir o cheiro daquele sangue, e em seguida uma dor no meu pulso começou a surgir.
- Por que, sinto tanta dor no pulso? –Perguntei. Eu não estava amarrado nada me impedia de fugir, a não ser minha paralisia. Eu estava hipnotizado pelo olhar e pelo sangue rubro de Claude, não conseguia parar de olhá-lo e sentir uma imensa agonia por isso.
- Agora é minha vez de admirá-lo. –Ele colocou seu pulso em minha boca. Agora eu sentia aquele gosto ainda mais forte. Meus lábios estavam banhados em sangue e agora escorria sobre meu queixo e chegava ao pescoço.
Depois que ele tirou o pulso de minha boca eu comecei a sentir um formigamento pelo corpo, como quando eu estava algemado na minha “mansão” ao lado de Sebastian. O formigamento aumentava e se transformava em dor. Uma dor incrivelmente insuportável.
- O que fez comigo? –Eu gritei. A dor estava muito forte. Minha cabeça, meus ossos, talvez até mesmo o circular do sangue sobre meu corpo doía.
- Agora, sabe o que é sentir dor não é. Querido Ciel, eu o amo sim, mas, meu coração ferido almeja vê-lo sofrendo. –Ele disse me olhando com prazer.
Ali eu não conseguia sentir raiva. A dor era tanta que não conseguia pensar em outra coisa. Mas, ainda assim a imagem de meu amado vinha em minha mente. Eu não iria conseguir dar ordens. Talvez eu morresse ali de dor, mas, mesmo assim, não havia deixado de pensar no meu amor mutuo por ele.
- Claude seu idiota! –Uma voz disse. Aquilo aliviou minha dor por uns instantes, mas, ainda assim eu sentia.
- Sebastian! –Eu gritei de êxtase e de dor.
- Idiota? Não, acho que não é essa a palavra. Eu o amo, mas, almejo ouvir os gritos de agonia, o suor de êxtase escorrer sobre aquela testa branca e ver seus lábios banhados em sangue.
- Claro, tudo isso é o que sente. Seu amor é grande, mas, a sua dor é ainda maior. E isso foi transmitido para seu sangue, que em contato com a poção fez com que ele sentisse dor. Seu sangue é o causador de tudo isso. Então aqui vai meu querido bochan, o seu antídoto. –Sebastian rasgou os pulsos com uma faca. Sangue foi espirrado por toda parte e uma gota parou em meus lábios. Como sempre Sebastian havia me salvado das garras de Claude. Era incrível como isso sempre acontecia. Isso me causou uma certa nostalgia e outros sentimentos. O gosto do sangue de Sebastian era diferente, era doce, e quente.
- Não irá levá-lo. Se fizer isso...
- Sebastian! A dor esta passando, mas, não consigo ver você. Onde está? –Perguntei. Não sabia se era efeito da poção, mas, minhas vistas estavam embaçadas e eu só conseguia ouvir zumbidos como vozes de mortos.
- Não adianta. Pois, agora, você será transportado. –Assim que ouvi essas palavras senti uma grande punhalada em meu peito. Minhas vistas escurecerão de uma vez.
Eu morri? Onde estou? Por que Sebastian não me salvou?
Quando eu dei conta, estava em um lugar negro, como se fosse outra dimensão. Estava sozinho, somente zumbidos eram escutados por mim. Tudo estava turvo. E agora? O que devo fazer?
Narração: Sebastian.
— O QUE VOCÊ FEZ? –Perguntei incrédulo. Um punhal havia sido enfiado no peito de meu bochan e eu nada pude fazer. Eu estava desesperado naquele momento. Vê-lo ali com os olhos fechado, o sangue ainda cobria seus lábios.
- Agora ele não poderá sair daqui até amanha na hora do eclipse. –Disse Claude
- Não vou perguntar novamente: O que fez com ele? –Disse eu caminhando em direção a Claude e pegando-o pelo colarinho.
- Nada! Só o mandei para outra dimensão onde ele ficará até amanha.
- Foi esse punhal? –Perguntei fitando o punhal. Ele parecia ser maligno, mas nunca imaginei que faria tal coisa.
- Sim, claro que foi. –Disse ele se soltando de minhas mãos. Eu estava começando a ficar impressionado com a frieza que ele estava tratando a situação.
- Se foi esse punhal é só tirá-lo e...
- Faça isso e a alma de Ciel ficará preso dentro do punhal em outra dimensão. –disse ele se arrumando. Quanta frieza. É claro que é natural para um demônio, mas, não conseguia pensar em frieza para com Ciel.
- E o que pretende? –Perguntei.
- Se eu contar estragará a surpresa... Por hora fico com isso –Ele pegou o punhal e ele simplesmente sumiu –E o corpo dele deve permanecer aqui... Caso contrario...
- Amanhã! Quero o corpo dele com a alma nele, caso contrario você será morto.
- Aonde vai? –Perguntou ele. Claro que eu não iria voltar para a mansão de Ciel, mas, eu iria ficar ali do lado de fora esperando a hora certa para salvá-lo da “morte”.
- Ficarei rondando... Não se anime, saiba que se você sabe ser frio, mal ou qualquer merda que seja, eu posso ser ainda melhor. E só para ver você sofrer –Eu enfiei quatro facas de uma só vez no abdômen dele –Aqui estão quatro presentes sangrentos.
Eu sai dali com o coração na mão. Como estaria Ciel? Ele estaria com dor? Desesperado? Esquecido? Não havia respostas para todas essas perguntas, mas, uma certeza: Nunca o abandonaria, nem mesmo depois do eclipse.
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