Amor De Pai
27 Culpa
Notas iniciais
[Edward]
"Papai, eu sinto muito…" choramingou Nessie novamente.
Era a única coisa que minha filha pensava, embora eu tivesse garantido que aquilo não era necessário. Ela era uma criança, afinal, e mais que isso, corria dentro de si o instinto de proteção. Foi o que nos levou àquela circunstância.
— Meu anjo, não se preocupe, tudo irá ficar bem.
Seu choro fazia eco às suas lamentações internas, o que me deixou consternado. Parei o carro no meio fio e me dirigi até sua cadeirinha no banco de trás. Eu a abracei forte, por um lado porque queria que sentisse que eu não a culpava, nem alimentava algum tipo de raiva e por outro, que soubesse que era a minha garotinha, a quem sempre protegeria independente de qualquer coisa.
Nos afastei o suficiente para que ela pudesse enxergar a sinceridade de minhas palavras.
— Hey, meu anjo, não precisa ficar assim. Por favor, não chore mais, isso parte meu coração…
Ela respirou fundo, finalmente interrompendo seu pranto e limpei as lágrimas que teimaram cair. Seu rostinho naturalmente rosado, estava numa tonalidade vermelha incomum devido ao seu estado.
— Vamos resolver tudo isso, okay?
Ela assentiu de leve e beijei o topo de sua cabeça antes de voltar para trás do volante e retomar o caminho para casa. Porém, Nessie ainda se culpava e permanecia quieta.
Apesar de parecer calmo por fora, eu estava um caos completo por dentro. Esperava que aquele episódio fosse esquecido o quanto antes, mas achava meio impossível, a contar com toda a tecnologia atual e anormalidade presenciada naquela tarde que prometia ser tranquila, não passava de pura ilusão de minha parte.
Aquilo mudava tudo…
A partir do momento em que eu decidi finalmente levar Nessie ao parque e rever seus amigos, Alice insistiu que talvez não fosse uma boa ideia. Ela tinha um péssimo pressentimento, embora não tivesse tido nenhuma visualização a respeito. Ela apenas sentia…
Era meio injusto com minha filha, pois já havia prometido que iríamos naquele sábado e ela se encontrava mais que animada, falando sempre que tinha oportunidade, o quanto sentia falta de seus amiguinhos e que estava feliz.
O que poderia acontecer de ruim?
Depois de toda a tensão que nos assolou durante a gestação de Bella, nascimento de Thony e transformação, Nessie merecia um momento de divertimento como uma criança normal.
De certa forma, havíamos a privado durante aquele tempo.
Debati aquela situação com Bella, mas ela concordou comigo e decidi prosseguir com os planos. Ela preferiu ficar em casa com o bebê, embora seu autocontrole funcionasse com nossos filhos, não significava que com os outros humanos seria a mesma coisa. Era arriscado demais.
Com Nessie e eu prontos para o passeio, me despedi com um beijo em Bella e outro na testa cheirosa de Thony. Nessie também deu beijos em todos da família e rumamos em direção ao parque.
No carro liguei o som para rodar suas canções favoritas numa lista já instalada e sorri satisfeito quando ela começou a cantar durante o percurso.
— Você está quanto animada? — indaguei e observei seu sorriso gigante através do espelho retrovisor.
— Assim! — ela abriu os bracinhos o máximo que pôde e eu ri — Eu não vejo a hora de encontrar meus amigos!
— Eu posso apostar que sim, meu anjo.
Ao chegar, estacionei o carro e a animação dela era tão grande que quando abri a porta para liberá-la de sua cadeirinha, ela já estava em pé a postos para saltar do automóvel.
— Vamos! Vamos, papai! — ela pegou minha mão, praticamente me "arrastando".
— Você não quer comer algo antes? — quis saber, apesar de estar ciente da resposta.
Ela sacudiu a cabeça, um pouco impaciente.
— Queria lanchar com meus amigos… O senhor pode nos levar para comer depois?
Assenti.
— É claro, meu anjo.
— Ahh! Obrigada, papai! O senhor é o melhor!
Ela continuou o trajeto saltitando até que encontrou Maggie e Gina já nos brinquedos. Ao vê-la, as duas pequenas ecoaram os gritinhos de Nessie enquanto corriam em sua direção. As três se encontraram e se abraçaram, pulando.
Cumprimentei as babás das meninas com um aceno de cabeça enquanto riamos da cena diante de nós. Assim que se desvencilharam dos braços uma das outras, não tardaram a voltar a brincar ao mesmo tempo em que perguntaram a Nessie o motivo de sua ausência ali.
"Minha mamãe e eu ficamos doentes…" reproduziu o que combinamos caso fosse questionada.
O menino chamado Taylor não se fez presente devido ao seu estado gripal e infelizmente por hoje, Nessie não o veria, o que a chateou um pouco.
Uma hora depois de risos e diversão das pequenas, as babás perguntaram se eu poderia cuidar das meninas enquanto iam ao banheiro e eu concordei sem nenhum problema. Tirei algumas fotos das três em diferentes momentos, assim como da última vez em que o menino Taylor também estava.
Me comuniquei com Bella através de mensagens para verificar se estava tudo bem em casa e principalmente com o bebê… E quando meu celular começou a tocar, imaginando ser Bella, mas na verdade era Alice, atendi confuso.
— Edward, me escute! Eu tive uma visão a pouco e você precisa evitar que aconteça!
Suspirei. Mas me mantive em alerta. Aparentava ser extremamente sério.
— Certo, Alice. O que foi ago…
Antes que eu finalizasse a palavra num tom cauteloso. E antes que eu pudesse me mover, Nessie, minha pequena híbrida, agiu rapidamente.
Tudo aconteceu em questão de segundos e pode-se ouvir os gritos assustados.
A casinha do alto de alguma forma se desprendeu dos parafusos e acertaria suas amigas sentadas nos balanços próximos, porém antes que chegasse a tal ponto, seus pequenos braços a sustentou pelo escorregador ligado à ela e o forçou para a direção oposta.
Um som estrondoso se fez quando a casinha foi de encontro ao gramado. E depois disso, nada além de um silêncio sepulcral.
Nessie respirava com dificuldade e em meio segundo, eu me agachava na sua altura, para me certificar que não tinha se machucado.
— Nessie! Você se feriu?
Ela sacudiu a cabeça e espiou por sobre meu ombro.
Maggie e Gina estavam de olhos arregalados em pavor. Mas isso passou despercebido por minha filha, que indagou preocupada:
— Vocês estão bem?
Nenhuma resposta. E de repente, uma enxurrada de pensamentos escandalizados de pessoas diferentes preencheu minha mente. Por sorte não havia nenhuma criança na casinha no momento crucial, mas isso não queria dizer o mesmo sobre o parque.
Vi, aterrorizado câmeras de celulares apontados em nossa direção e o semblante incrédulo de cada pessoa ali presente. Não podia perder tempo. Deveria sair dali o quanto antes.
Não demorou muito, quando Nessie percebeu o que tinha acontecido realmente. O que ela tinha feito. Não porque mostrara sua força incomum ao "mundo", mas porque quando ela deu um passo em direção às duas garotas, Maggie cambaleou para trás, se afastando, amedrontada. Ao passo que Gina ficou no mesmo lugar ainda que com a mão sobre a boca, demonstrando todo seu espanto, mas ao contrário da outra menina, se viu maravilhada.
— Nessie, precisamos sair daqui… — eu informei.
Aquilo pareceu despertá-la Ela olhou ao redor e se encolheu diante das expressões dos "espectadores". Juntou sua mão com a de Gina brevemente, pois as babás correram em direção das crianças gritando para afastá-las de Nessie, ao mesmo tempo em que eu a tomava nos braços e andava o mais rápido possível para o carro. Tentando lutar contra a vontade de usar meus dons a meu favor e desaparecer em meio segundo.
Nessie começou a chorar com o olhar fixo para suas amigas por sobre meu ombro.
Ela sabia o que significava.
Elas os tinha perdido.
E pior, quebrado uma das regras invioláveis criadas pela realeza vampírica. Os Volturi.
Assim que chegamos em casa, fomos recebidos por Bella, a personificação da preocupação. Nessie pulou em seus braços, chorando copiosamente de novo.
— Shiiii, se acalme, meu amor… — entoava enquanto entrava em casa com Nessie encolhida em seu colo.
"Edward, a internet está uma loucura… Os vídeos estão começando a tomar proporções imensas…" o pensamento de Alice me deixou ainda mais tenso.
Devíamos sumir com aquelas provas, antes que as coisas complicassem ainda mais. Se isso fosse possível, já era terrível o bastante o simples fato de aquilo estar circulando pela internet.
Minha filha exposta. E se sentindo extremamente culpada por nos colocar em risco. Ela sabia sobre os Volturi, e consequentemente de todas as regras a serem respeitadas.
Novamente pontuei que ela era apenas uma criança, e amava suas amigas ao ponto de se arriscar para protegê-las. Uma atitude admirável, para dizer o mínimo. Lembrei-me de quando salvei sua mãe de ser esmagada pela caminhonete desgovernada anos atrás e em como fui negligente, se ela agisse de forma diferente e não tivesse mantido para si mesma, sofreríamos graves consequências.
Isso não se aplicava a essa situação. E se necessário fosse, eu faria qualquer coisa para evitar uma catástrofe.
Alice e Jasper entraram em contato com um amigo experiente do ramo de TI para que desse fim a todos os vídeos, o mais breve que desaparecessem seria melhor.
O clima não era o dos melhores. Estávamos temerosos. E com razão, porém ninguém culpava Nessie pelo acontecido certamente, porém isso não diminuía o medo caso isso chegasse aos Volturi.
Em menos de meia hora, todos da família estavam a postos. Havíamos decidido que a melhor escolha era ir embora, especificamente para o Alaska. Tinha entrado em contato com os Denali e assim, sem pensar duas vezes, informaram que poderiam nos acolher até encontrarmos uma casa para nos acomodarmos melhor.
Contratamos o serviço de mudança e assim que estivéssemos instalados em uma nova residência o acionariamos para transportarem o restante das coisas.
Carlisle pediu demissão, pois se optasse por transferência a equipe do hospital teria informações sobre sua localização.
Estávamos quase como desistentes da escola devido a nossa ausência contínua resultado dos últimos acontecimentos, mas ainda assim ele fez uma pequena parada para cancelar nossas matrículas.
Arrumamos tudo que precisaríamos, como documentos, roupas, e demais pertences e com todos a postos, rumamos para Anchorage, Alaska.
[Bella]
Renesmee estava mal.
E eu não fazia ideia em como ajudar minha filha. Eu achava que dois dias seriam o suficiente para que ela ao menos tentasse não pensar muito no que aconteceu. Leve engano. Ela não queria brincar, não queria assistir seus desenhos favoritos, ou até mesmo preparar lanches com Carmen. Sua única distração era quando se tratava do irmão, ela amava ajudar a cuidar dele.
O que me preocupava, certamente assim como o restante da família, era a incerteza se tinha chegado ao conhecimento dos Volturi toda aquela situação. Ainda que o amigo de Alice e Jasper tivesse limpado a internet. Entretanto, Carlisle explicou naquela tarde que o problema era muito mais sério do que eu imaginava, um mal entendido poderia inflamar o que já era ruim o bastante, pois minha filha poderia ser confundida com uma criança imortal, ou seja crianças transformadas. Muitos anos atrás houve casos a respeito, o que enfureceu os Volturi ao ponto de terem que intervir, dando um fim às crianças e o seu criador, as irmãs Denali ainda contaram com riqueza de detalhes o caso de sua mãe e o pequeno vampiro que havia transformado, resultando na morte de ambos.
Foi impactante, muito aterrorizante. Elas informaram que ainda era doloroso relembrar o dia em que a perderam. Apesar de ser um crime imperdoável, ninguém gostaria de ver a vida de sua mãe ceifada tão brutalmente, até mesmo para vampiras.
Se fosse o caso, não hesitariamos em explicar sobre Nessie. Eu não sabia se eles compreeenderiam, pois a realeza vampírica poderia ser cruel, mesmo agora sendo parte do mundo totalmente pela transformação, eles me causavam arrepios. Lembrei-me daquelas pessoas que serviam para eles se alimentarem quando estive em Volterra… Tão sádicos. Eles não poupavam nem mesmo as crianças.
Ainda tinha o meu pai, que insistia em viajar para o Brasil e ver com seus próprios olhos meu "estado". Eu sustentava a história de que permanecia doente na América do Sul. E sempre que eu ouvia sua voz preocupada, eu me sentia péssima.
Soltei um longo suspiro.
Observei de longe Edward com o bebê no colo e Nessie em suas costas com um sorriso pequeno, estavam agasalhados para o clima baixo.
Sorri aliviada. Ele a tinha convencido de sair um pouco.
Eles passaram por Emmett e Rosalie, que foram conversar assim que ela chegou algumas horas atrás. Fiquei surpresa quando eu a encarei pela primeira vez, ela parecia diferente. Não identifiquei nada de ódio, raiva ou ressentimento. Apenas… seus olhos dourados brilhantes.
Eles apertaram a bochecha dos meus filhos e seguiram em direção da casa, ao passo que Edward seguiu com as crianças mais a frente.
Pela forma em como seu braço estava entrelaçado com o do Emm, eles se reconciliaram. Era nítido o quão radiante ambos aparentavam na presença do outro.
Rosalie se encantou com Thony, assim como as mulheres de Denali. Ele passava de mão em mão e era evidente que toda aquela atenção lhe agradava, ele estava esperto a cada dia e sempre que eu tinha a oportunidade perguntava a Lara se foi assim com Nessie. Por mencionar Lara, o clã Denali ficou surpreso ao reencontrarem Lara, a quem não viam há um tempo.
Havia tensão no ar, mas estávamos preparados para qualquer coisa. E mais, contávamos com o apoio uns dos outros e eu não podia estar mais do que grata por isso.
Os trâmites para a compra das novas propriedades ainda iria demorar mais alguns dias. Era o conjunto de três casas, uma espécie de vilarejo, com um chalé rústico nos fundos e que roubou minha atenção logo que pus os olhos nele.
— Bella, podemos falar um instante a sós? — propôs Rosalie ao adentrar.
Fiquei surpresa com o pedido, porém concordei com a cabeça sem hesitar. Emm deu uma piscadela e eu sorri para ele enquanto caminhávamos para a área externa.
Nos acomodamos nas cadeiras em frente a mesinha, comigo sentando bem devagar para não quebrar e repetir o que aconteceu no dia anterior com a cadeira da cozinha dos Denali.
Eu ainda não conseguia medir minha força e agir da mesma forma quando era humana, como se eu tivesse desaprendido como me comportar naturalmente. Tão surreal.
— Problemas para se adaptar?
Eu ri assentindo.
— É tão estranho, parece que eu nasci de novo, o que não deixa se ser verdade, mas ainda assim é tão esquisito. Ter o mínimo de cuidado para não estragar coisas ou quebrá-las. Acho que é muito mais difícil controlar do que suportar a garganta queimando…
Rosalie sorriu minimamente e meneou a cabeça um pouco.
— Não. Acho que ambos são bem complicados! — afirmei com veemência.
— Entendo perfeitamente.
Rimos.
— Er, fico feliz que esteja de volta, Rosalie. Acho que todos na verdade.
— Oh, obrigada. Eu também estou feliz por estar aqui, senti muita saudade. Especialmente de Nessie... Anthony é muito lindo.
— Obrigada.
Ela pigarreou.
Um silêncio um tanto desconcertante se estendeu e eu resolvi olhar para outras direções. Mas estava tão incomodada com aquela ausência de som que resolvi perguntar:
— Então, hum… O que você fez durante esse tempo?
Seus olhos se iluminaram e eu nunca a vi tão empolgada. Sua beleza se realçou e eu fiquei muito curiosa para compreender toda aquela fascinação.
— Me voluntariei em um Orfanato e Casa de Repouso, eu realmente amei o tempo que passei com eles. Eu me senti… no lugar certo.
Meus olhos se arregalaram de surpresa. Com sua declaração entendi o motivo de tanta ternura que emanava de si.
— Uau! Eu confesso que não esperava por isso. Mas nossa, que incrível! — eu revelei com um sorriso maravilhado.
Seu sorriso de resposta foi largo e reluzente. Era evidente que aquilo a fazia totalmente feliz. A mesma sensação que eu tinha ao estar com Edward e meus filhos, eu sentia que aquele era o meu lugar.
Não pude ficar mais alegre por ela.
Ela contou um pouco mais sobre suas experiências em Seattle e novamente fui atingida por mais surpresas de sua parte, ela buscou melhorar como pessoa e cheguei a conclusão de que a coisa mais sábia que fez, foi se afastar.
Não porque a queria longe, eu na verdade me sentia um pouco culpada por seus sentimentos negativos, pois afinal ela discordava quanto a minha decisão de me tornar uma imortal, mas porque ela pôde se encontrar e se livrar de todos os ressentimentos.
— … Então, é por isso que pedi um pouco do seu tempo… — seus olhos encontraram o chão por um breve instante, parecendo reunir coragem talvez, e voltou a me encarar com o semblante um tanto suplicante. — É um pouco difícil para mim, mas sinto que preciso fazer isso… Talvez assim possa encontrar paz completa e mais do que qualquer outra coisa, devo isso a você.
Acenei com a cabeça, instigando que continuasse, não fazendo a mínima ideia do que ela queria dizer com aquilo.
— Bella, eu… — respirou fundo antes de prosseguir, os Cullen realmente levavam jeito para agirem como humanos — Peço perdão por tudo o que eu fiz de ruim para você. Eu sei que minhas palavras de desculpa não anulam todas as ofensas que disparei contra você, mas… me perdoe.
Abri a boca em choque.
— Você merece um pedido de desculpas mais elaborado, eu admito. Mas… — ela sorriu minimamente — É tudo sincero, eu garanto.
Devolvi o sorriso de forma animada.
— E eu a perdôo. Um pedido honesto é muito mais válido do que um discurso enorme sem um resquício de franqueza, então não se preocupe. Melhor deixar o passado para trás.
— Obrigada, de verdade.
Assenti sorrindo de novo.
Ao passo que Rosalie soltou o ar teatralmente.
— Foi bem menos difícil do que imaginei… Se eu soubesse que você não era tão ruim em conversar, talvez, acho que talvez, tudo poderia ter sido evitado.
— Mas veja pelo lado bom, você se encontrou.
Dei uma piscadela e ela sorriu concordando.
— De fato.
[...]
A noite quando Edward e eu colocamos as crianças para dormir, Thony em seu berço portátil e Nessie na enorme cama, ele desmoronou.
— Se eu tivesse escutado Alice… Não estaríamos nessa situação. — ele sussurrou enquanto nós dois os observava ressonando tranquilamente.
Eu suspirei e fiquei surpresa por ter feito aquilo sem precisar de fato, estava começando a aprender. O abracei de lado para lhe dar algum conforto.
— Edward não se culpe, o que aconteceu não tem como ser apagado. Não fique achando que é um péssimo pai apenas por isso, você é maravilhoso e as crianças te amam. Nada disso é culpa sua. — sussurrei de volta. — Se você evitar falar sobre vai ser muito melhor, acredite.
— Eu estou com medo… do que possa acontecer… — sua voz transmitia todo o terror que ele admitira.
Estreitei um pouco mais meus braços ao redor de si.
— Tudo vai ficar bem, os Denali estão conosco e afinal de contas vocês têm a mim! A mais forte da casa!
Ele sorriu de lado e juntamos nossos lábios amorosamente, queria que ele esquecesse um pouco as circunstâncias que nos levou até ali. Tínhamos um ao outro e pessoas com quem podíamos cegamente confiar e contar.
[...]
Duas semanas se passaram e nos encontrávamos em nossas novas casas. A casa principal residia Esme e Carlisle, e os outros casais nas adjacentes. Edward, as crianças e eu ficamos no chalé, todo mobiliado e aconchegante. Até que foi divertido decorar com Alice.
Tudo estava estranhamente tranquilo. Durante esse tempo treinei com afinco em como expandir o escudo que descobri ser meu talento, quando Kate quis verificar se eu realmente era imune à sua descarga elétrica excruciante.
Dia após dia, conseguia externar alguns poucos centímetros até alcançar distâncias impressionantes. Até mesmo para mim.
Nessie estava um pouco melhor também, quase voltando a ser como era antes. Agitada e comunicativa. Ela sentia muita falta de seus amigos e eu me sentia impotente por não ser capaz de amenizar suas dores.
— Não se preocupem, iremos cuidar deles… — garantiu Esme e Carmen assentiu concordando. Era necessário caçar para nos fortalecer e distribuímos dois grupos para ser mais seguro.
Iria Edward, Emm, Jasper, as Denali, Eleazar, e eu primeiro.
Balancei a cabeça.
E fui me despedir das crianças com abraços e beijos, prometendo que voltaria o mais breve possível. Edward também o fez e avançamos floresta adentro.
No meio da caçada, por alguma razão, tive a sensação de que algo estava errado na forma como fiquei inquieta e embora meu coração não batesse mais, o senti se apertar numa angústia quase agoniante.
Encontrei os olhos de Edward e soube naquele instante que ele também sentiu algo. Ele se posicionou ao meu lado quando imediatamente apanhei o aparelho celular no bolso traseiro e disquei o número de Alice, depois de Carlisle, e assim se seguiu, até não restar ninguém para quem eu havia tentado contato. Não era normal que nenhum dos que ficaram, ignorarem minhas ligações.
— Tem algo errado. — eu disse, a voz trêmula.
Edward assentiu, aparentemente ficando nervoso.
— Vamos voltar agora! — decretou.
Ninguém pestanejou e retornamos velozmente, meus pés quase não tocavam o chão de tão rápido que eu me obriguei a me mover. Poderia ser apenas uma preocupação de mãe, poderia não ser nada, apenas saudades dos meus bebês.
Que tudo esteja bem, por favor, por favor.
Supliquei.
Mas todos os pensamentos positivos que restavam, desapareceram subitamente. Quando chegamos ao nosso destino, a cena à minha frente parecia ter sido retirada de um filme de terror. A atmosfera sombria que continha no lugar, provocava calafrios em meu corpo.
Se eu ainda fosse humana talvez meu coração estivesse bombeando ruidosamente contra meu peito, ou teria desmaiado com o impacto que ver minha família naquele estado me causou.
Todos estavam desmembrados e parecia ter sido recente, emitindo gemidos de dor e lamúrias.
Ouvi um grito esganiçado e percebi depois de um tempo que o som escapou de mim. Por que fizeram aquilo com eles? Uma fúria incontrolável correu por cada terminação nervosa e um desespero avassalador se espalhou em meu peito.
Troquei olhares de indignação e raiva com os outros e me comuniquei mentalmente com Edward que faltavam três rostos específicos.
Onde estavam as crianças e Alice?
Enquanto eram ajudados pelo restante para que parassem de sofrer, comecei a procurar aflita junto com Edward em cada cômodo da casa principal, nas outras residências e especialmente no chalé.
— Eles não estão aqui… — sussurrou ele, um misto de tudo: medo, aflição, raiva. — Onde estão meus filhos? — gritou por último para ninguém em especial, pisando ruidosamente o caminho que nos levava a casa principal ao meu lado.
— Eu não sei… — falei desolada, tão baixo que se ele não fosse vampiro e não possuísse uma boa audição, tinha certeza que não teria entendido. Me sentia perdida, mal conseguia falar ou raciocinar direito.
Senti sua mão se entrelaçar com a minha, me permiti encará-lo e vi tudo aquilo que me tentava me entorpecer, refletido em seus olhos.
Foram os Volturi!
As palavras disparadas de Rosalie assim que retornamos ribombava repetidas vezes em minha cabeça. Entrei em estado de choque, ainda que um fio de esperança queria acreditar que Alice tivesse conseguido escapar com meus filhos.
E depois, cólera.
Se eles chegassem a pensar em ferir meus bebês e Alice, eles podiam ter a absoluta certeza de que conheceriam Bella Cullen. Não a humana fraca que viu Edward sendo torturado naquela última vez que estivemos em Volterra incapaz de ajudá-lo, mas agora enfrentariam a imponente vampira capaz de arrancar os membros de toda a guarda daquele maldito lugar e dos vampiros em questão, como fizeram com minha família e amigos.
Era uma promessa.
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