Amor De Irmão
15 Seddie!
Notas iniciais
Por alguns momentos, o garoto de cabelos castanhos chamado Freddie permaneceu estático, enquanto a loira, que batia na altura dos seus ombros, o abraçava com força. Tal bizarro comportamento é explicado porque a presença daquela garota ali era totalmente inesperada para ele.
- Sam, o que...?
Neste ínterim, adentrou a sala Marissa Shay, usando um avental branco e com as mãos sujas de farinha.
- O que você está fazendo aqui?
Com um jeito debochado e um sorrisinho que sempre irritava quem fosse seu alvo, Sam olhou para Marissa.
- Qualé, Mamãe... Eu esperava que a recepção pra sua filha favorita?
Com as mãos na cintura, a mulher olhava para adolescente loira, em princípio, com uma cara fechada; entretanto, tal marra foi quebrada com aquele sorriso aberto combinado com os olhos azuis adoráveis, e a cara amarrada foi dando espaço a um sorriso, com a mulher dando um caloroso abraço em sua filha.
Pequena pausa para explicar a confusão
No universo aqui retratado, Samantha Puckett Benson e Fredward Benson são irmãos gêmeos, filhos de Marissa Benson e Oswald Puckett Benson, que morreu quando as crianças tinham 2 anos.
Marissa conseguiu, com muito esforço, sustentar a família.
Samantha, apesar de ser muito ligada a Freddie, sempre foi muito mais rebelde do que este, motivo pelo qual, aos 14 anos, foi mandada para um conceituado colégio interno que ficava localizado no outro lado do país, na esperança que a garota tomasse jeito.
Fim da pausa!
- Samantha, que saudades... não te vejo desde o casamento! Mas eu não esperava que você fosse chegar tão cedo! Como conseguiu autorização para viajar?
A loira, com sorriso irônico, respondeu:
- Ah, Mamãe... você me conhece. Tenho minhas... manhas.
Enquanto isso, Freddie aproximava-se, limpando as bochechas.
- Quando você vai perder essa mania desses beijos molhados, sua nanica?
- Ah, você me ama, vai, Fredbags... — Sam virou o rosto em direção à cozinha — Hum... que cheiro gostoso... o que a gente tem pra comer, mama?
Marissa, com os braços cruzados, sorriu.
- Por que você não vem me ajudar e descobre por si própria?
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Depois de ser devidamente estufada, Sam encontrava-se no quarto do irmão gêmeo, ambos assistindo a um filme de terror que Freddie escolhera no NetFlix. Os dois adoravam isso, e havia muito não o faziam sós.
Numa cena particular, um monstro radioativo arrancou a mão de um pobre rapaz, que berrava como um louco. Era tão mal-feita que era possível ver a mão escondida na manga da blusa.
- Ah, não, parei, esse filme é trash demais! — a loira afirmou e desligou a TV. Ela olhou para o irmão com interesse — Eu quero conversar sobre o que tá acontecendo na sua vida, mano.
- Ué, tá a mesma coisa de quando a gente se viu pela última vez... — fez-se de desentendido o garoto.
Sam arqueou as sobrancelhas ironicamente, aproximou-se do irmão, prestando bastante atenção em seu rosto.
- Não... tem algo diferente. É mulher, né?
O rapaz corou e pigarreou.
- Er... não, não...
A loira foi para trás bruscamente e riu alto.
- Rá! Você não consegue mentir pra mim, Freddie! Você tem uma namorada sim, e, pelo visto, Mamãe não pode ficar sabendo... Mas quem...?
Samantha, que era esquentada e meio desobediente, de burra não tinha nada. Como ambos estavam sentados sobre a cama, a loira rapidamente correu os olhos pela superfície do lençol, e, sem esforço, percebeu que havia um fio de cabelo comprido ali, que foi recolhido pelos seus delicados dedos.
- Um fio de cabelo preto... oh, chizz... — vociferou ela, colocando a mão sobre a boca — Nerd... isso é incesto...
- Do que você tá falando??? — ele perguntou alto, mas tomando cuidado para não sair alto demais, para sua mãe não ouvi-lo — Isso... isso... é da mãe!
- Não, não é. O cabelo da Mamãe é menor e ruivo. Este é grande, ondulado e preto, como o da... Carly... Eu devia saber que você ia fazer alguma coisa, a menina é bonita, anda por aí de shortinho...
- Não, não... isso deve ser da faxineira, sei lá!
Sam ficou frente a frente com o irmão, sorrindo simpaticamente; colocou suas mãos sobre os ombros dele, e olhou carinhosamente em seus olhos castanhos.
- Freddie... nós não conseguimos mentir um pro outro, lembra? Eu não consegui esconder de você quando perdi a virgindade. Caramba, não consegui nem esconder que foi com o Damon... Admita logo, eu não vou contar pra ninguém.
Freddie baixou o olhar e suspirou. Ela tinha razão, Sam e Freddie tinham uma ligação incomum, mesmo para gêmeos; várias vezes, um ligou para o outro, em razão de terem pressentido haver algo errado, pressentimentos tais invariavelmente corretos. E, apesar de também brigarem como loucos (algo que havia diminuído nos dois últimos anos, em razão da distância e da saudade), Freddie tinha plena confiança em Sam, e vice-versa.
- Foi de repente. A gente tava discutindo e ela me beijou assim, do nada. Mas eu sei lá, Sam... foi atração mútua, apesar de ela ter tomado a dianteira, eu também já estava de olho nela. Mas, por favor, não conta pra mãe, ela vai nos matar se souber. E o Steven, é capaz de me colocar em um colégio militar!
Sam olhou docemente para Freddie, aproximou-se e depositou um beijo em sua bochecha.
- Não vou, maninho. Mas, me diz, você gosta dela?
- Eu... eu... não sei como explicar, Princesa — o apelido carinhoso pelo qual Freddie chamara Sam desde que os dois se fantasiaram para uma festa de Halloween quando tinham cinco anos, ela de princesa da Disney e ele de R2-D2 — mas é a garota que eu mais gostei de ficar. Eu sinto algo diferente quando a beijo...
- Você sabe que vai arrumar uma confusão do cacete se a mãe descobrir, né?
- Eu não gosto nem de pensar nisso.
- Não tenho nada contra. Mas eu vou descobrir se essa patricinha gosta mesmo de você, e, se ela estiver te zoando, vou acabar com a raça dela.
Era inútil argumentar com sua irmã, e Freddie sabia disso. Sam era teimosa e incrivelmente forte, mais do que ele, na verdade.
Restava torcer para que as duas garotas de gênio forte não se matassem...
Notas finais
Gente, obrigada pelo apoio!
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