Amor De Irmão
17 Quase...
No aeroporto, a família Benson-Shay se despedia da garota Samantha, que precisava voltar para o colégio interno depois de passar o feriado prolongado em Seattle. A loira, com os olhos brilhantes, abraçava seu irmão gêmeo, ciente de que não o veria por algumas semanas.
- Se cuida, seu nerd.
- Você também, demônio.
Sam, carregando uma pequena mala com rodinhas, foi em direção ao saguão de embarque, parando no meio do caminho e olhando para trás, em especial para Carly. Ela ironicamente sorriu e acenou com a mão, despedindo-se.
Ninguém percebeu que Carly ficou um pouco vermelha na região das bochechas.
Com os braços dados a Steven, Marissa deixou escorrer uma lágrima pelo seu rosto. Em seguida, olhou para o marido.
- Amor... sinto que minha menina está melhorando, veja só, ela não aprontou nenhuma no fim de semana.
- Marissa, este é o resultado de uma disciplina rígida em um lar. Viu como está tudo indo bem?
Lado a lado, segurando a vontade de pegar a mão um do outro, Carly e Freddie olhavam para seus pais, satisfeitos pelos dois não desconfiarem do seu relacionamento secreto.
---------------------------------
Com a desculpa de ensinar algo à irmã, Freddie encontrava-se no quarto de Carly, abraçada com ela sobre a cama, assistindo TV.
- Sua irmã... é muito esperta.
- E xereta. — completou Freddie.
Por alguns momentos, Carly refletiu detidamente.
- Ei... será que não estamos dando brecha? E se meu pai descobrir?
Freddie sorriu.
- Vou ser levado à corte marcial...
- Bobo.
- Relaxa, ninguém vai descobrir, nós dois somos espertos.
Os jovens engataram um quente beijo, que durou vários segundos, até que foram obrigados a se separar, para ambos buscarem ar.
- Eu quero te fazer uma pergunta. — Carly perguntou de forma tímida.
- Pergunta.
- Bom... — ela pensou um pouco — A Sam me disse que você teve muitas namoradas...
- E...?
- Tipo... você já...?
Freddie corou um pouco, e Carly achou até um pouco de graça nessa atitude do irmão. Ele pigarreou, pensou, mas por fim a respondeu:
- Não, não fiz. Nunca quis levar a esse ponto.
Essa declaração, tão inusitada, fez Carly se encher de alegria. No fundo, a morena sentia que Freddie, ainda que por algum mistério do universo, havia se guardado somente para ela, bem como ela para ele. Dessa forma, a adolescente não conseguiu segurar um sorriso da mais pura alegria.
- Eu também não!
- Sério?! — ele perguntou espantado, um péssimo movimento. A adolescente se sentiu ofendida.
- Como assim, Freddie? Sou uma vagabunda, por acaso? — ela perguntou irritada.
- Não, Deus, não. É que... você é tão popular, e tão bonita...
Já este foi um belo contra-golpe do rapaz, ajudando-o a recuperar moral com a morena.
- Não queria que minha primeira vez fosse com alguém que eu não me importasse.
Freddie fitou Carly por um bom momento, questionando-se se ele seria aquele que importaria para a morena. A fim de descobrir isso, o rapaz se lançou à frente, beijando-a novamente com vontade. A garota, que estava por baixo, estranhou o brusco ato, mas nem fez menção de protestar, pelo contrário, em um gesto ousado, colocou a mão por baixo da camiseta dele, acariciando a região do belo peitoral do rapaz, sua área preferida do corpo dele.
O desejo que os dois sentiam um pelo outro era imensurável; Carly ofegava, e essa sensação só piorou quando Freddie resolveu colocar sua mão por baixo de seu pijama de alça, acariciando-a de uma forma em que, em nenhuma outra vez, havia se sentido incapaz de deter as investidas do parceiro. As pontas dos dedos dele permeavam ousadamente a curva do seio esquerdo da morena, uma região até então inexplorada para Freddie. Sem intenção de detê-lo, Carly moveu sua cabeça para trás, oferecendo a região do seu pescoço ao garoto, que não tardou para atacá-la.
A temperatura do cômodo pareceu se elevar, com mãos e bocas trabalhando com voracidade.
Entretanto, antes que fossem adiante e o desejo retirasse completamente a razão dos dois, um barulho se fez no exterior, assustando-os. Separaram-se, apreensivos.
- Oh, Deus, nos descobriram!
Momentos de tensão se instalaram no quarto , os dois jovens segurando a respiração, à espera de qualquer ruído que denunciasse a presença de um dos adultos. Felizmente, nada aconteceu. Vermelha de constrangimento, a adolescente se ergueu e ajeitou a roupa, preparando-se para sair.
- Bom, talvez isso seja um alerta pra gente parar por hoje.
- Talvez.
Carly se debruçou sobre Freddie e deu-lhe um selinho.
E,sem trocar mais palavras, depois de olhar ao redor, ela saiu do quarto, na ponta dos dedos dos pés.
-----------------------------------------------------------------
No dia seguinte, à noite, como de costume, o Coronel Shay fez as preces à mesa, com todos os outros integrantes permanecendo em silêncio. Após alguns momentos descontraídos, o chefe da família pigarreou alto, chamando a atenção dos outros (outro dos costumes do metódico militar).
- Ahem. Queria falar algo a vocês, cranças.
Os dois adolescentes pararam, olhando curiosos para o homem.
- Bom, meu anjinho, meu filhotão... — Freddie detestava aquele apelido — Como os dois têm se comportado muito bem, sua mãe e eu começamos a pensar sobre dar a vocês mais responsabilidades...
Essa não, pensaram os dois simultaneamente.
- Então... Marissa e eu resolvemos marcar nossas férias para a semana que vem, deixando os dois responsáveis pela casa.
Os olhos dos dois brilharam. Não à toa, aquilo significava uma coisa: ficariam sozinhos no apartamento.
Fale com o autor